Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 10 de maio de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 127)


Uma Trova de São Fidélis/RJ
ANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG

 

Procura longa e constante,
num sempre querer achar…
Um sonho louco e distante,
impossível de alcançar…

Uma Trova Humorística, de São Paulo/SP
RENATA PACCOLA


Ao deitar na rede, o Guido
morreu de uma forma tétrica,
porque, de tão distraído,
deitara na rede elétrica!

Uma Trova Premiada  em Taubaté/SP, 2009
RITA MARCIANO MOURÃO

 

Com as chaves da alvorada
Deus, que é poder e magia,
deixa a noite enclausurada
e abre as portas para o dia!

Uma Trova de Rio Claro/SP
ANTÔNIO DE OLIVEIRA


Prato de vidro, vazio,
feito um espelho, em teu fundo
refletes o olhar sombrio
das injustiças do mundo!

Um Poema de Itapema/SC
PEDRO DU BOIS

Nudez


Desnuda-te
demonstra
tua humanidade
na beleza
em claves
e palavras
onde mostra
aos tolos
que esperam
de ti o golpe
no movimento
de teu corpo nu

teu o arcabouço
no nascimento
e no abandono

no reecontro do corpo
ao encontro de outro
corpo nu como o teu.

Trovadores que Deixaram Saudades
HEITOR STOCKLER DE FRANÇA
Palmeira/PR (1888 – 1975) Curitiba/PR


O céu de estrelas constela
o infinito azul de Deus,
mas, nenhum dos astros vela
o fulgor dos olhos teus.

Um Poema de Esmirna/Grécia
YORGOS SEFERIS
(1900 – 1971)

A Folha do Choupo


Tremia tanto que o vento a levou
tremia tanto como não a levaria o vento
lá longe
um mar
lá longe
uma ilha ao sol
e as mãos apertando os remos
morrendo no momento em que o porto apareceu
e os olhos fechados
em anêmonas do mar.

Tremia tanto tanto
procurei-a tanto tanto
na cisterna com os eucaliptos
na primavera e no verão
em todas as nuas florestas
meu deus procurei-a.

(tradução: Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratisinis)


Uma Aldrávia de Anastácio/MS
FLAVIA GUIOMAR FERREIRA DA SILVA ROHDT


chamou-me
lua
desde
então
tenho
fases

Um Haicai de Juazeiro do Norte/CE
JOSÉ HERCULANO DA NÓBREGA

 

Rosa agiu rápido
Com clemência no jardim
De fazer vida.

Um Poetrix da Bahia
OSWALDO MARTINS

conjectura

 

Ser feliz de fato,
Seremos, fomos; talvez,
Sejamos enfim.

Um Poema de Lisboa/Portugal
JOSÉ FANHA
(José Manuel Kruss Fanha Vicente)

Grito

 

De ti que inventaste
a paz
a ternura
e a paixão
o beijo
o beijo fundo intenso e louco
e deixaste lá para trás
a côncava do medo
à hora entre cão e lobo
à hora entre lobo e cão.
De ti que em cada ano
cada dia cada mês
não paraste de acender
uma e outra vez
a flor elétrica
do mais desvairado
coração.
De ti que fugiste à estepe
e obrigaste
à ordem dos caminhos
o pastor
a cabra e o boi
e do fundo do tempo
me chamaste teu irmão.
De ti que ergueste a casa
sobre estacas
e pariste
deuses e linguagens
guerras
e paisagens sem alento.
De ti que domaste
o cavalo e os neutrões
e conquistaste
o lírico tropel
das águas e do vento.
De ti que traçaste
a régua e esquadro
uma abóboda inquieta
semeada de nuvens e tritões
santidades e tormentos.
De ti que levaste
a volúpia da ambição
a trepar ereta
contra as leis do firmamento.
De ti que deixaste um dia
que o teu corpo se cansasse
desta terra de amargura e alegria
e se espalhasse aos quatro cantos
diluído lentamente
no mais plácido
silente
e negro breu.
De ti
meu irmão
ainda ouço
o grito que deixaste
encerrado
em cada pétala do céu
cada pedra
cada flor.
O grito de revolta
que largaste à solta
e que ficou para sempre
em cada grão de areia
a ressoar
como um pálido rumor.
O grito que não cansa
de implorar
por amor
e mais amor
e mais amor.

Um Soneto de Joaçaba/SC
MIGUEL RUSSOWSKY

Soneto Alexandrino


Se queres praticar soneto alexandrino,
esquece do relógio em primeiro lugar.
É uma composição, que por não ser vulgar
põe rimas de cetim em versos de ouro fino.

Elegância ao dizer… Luzir de sol a pino…
Sonoras locuções num alto patamar…
Um verso a colorir o verbo “conjugar”
usando tons sutis, de beijos sem destino.

Quando ele escolhe “amor” por núcleo do poema,
“saudade” passa a ser um mero estratagema
que o engenho em si dispõe para aquecer as almas.

E, sendo alexandrino, adquire um tal conceito,
que a nossa língua o faz artístico e perfeito.
Para um soneto assim… até Deus bate palmas!…
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A. A. de Assis (Máximo tesouro)

Amamos a trova por dois motivos principais: primeiro, por ser ela o mais doce modo de ser poeta; segundo, por ser ela a mais bonita forma de fazer amigos. Posto isso, data venia, convenhamos que de vez em quando faz bem nos questionarmos sobre se de fato, e até que ponto, estamos contribuindo para preservar e fortalecer os laços de fraternidade que há meio século nos unem. Lembremo-nos, principalmente, da imensa responsabilidade que é nos chamarmos uns aos outros de irmãos. Ser irmão é algo muito sério: é amar e respeitar o outro; é jamais considerar o outro maior ou menor que nós; é jamais permitir que a competição, a inveja, a arrogância, ou qualquer impulso desse tipo nos leve a olhar o outro como adversário; é jamais fofocar, maldizer, caluniar o outro. Ser irmão é compreender, ajudar, incentivar, valorizar o outro. E é também agir sempre de tal maneira que o outro nos veja como alguém em quem possa irrestritamente confiar, pela nossa dignidade, pela nossa lealdade, pela certeza absoluta de que em hipótese alguma trairemos a amizade que o outro nos dedica. Alguma crítica leve, algum momento de mau humor, alguma torcidinha de nariz, tudo isso é normal em qualquer família. Mas “sem jamais perder a ternura”. Sobretudo sem jamais esquecer que a fraternidade é a mais importante característica de nossa bela escola literária, portanto o nosso máximo tesouro.
(Fonte: Revista Trovia – novembro de 2006)

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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