Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 15 de maio de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 132)

Á Guisa de Explanação

Eu sempre tive um problema. Não me contento com pouco. No sentido de divulgar nossos poetas. Desde o numero 01 do Chuva de Versos, quem vem acompanhando, percebe que ele tem aumentado de tamanho. É muita gente, e pior, ou será melhor? muita gente de valor. Desde quando entrei no “campo” trovadoresco, lá pelos idos de 1991, mais especificamente, quando recebi meu certificado da Oficina A Hora da Trova, na Casa Mario de Andrade, das mãos do seu coordenador, mais tarde um grande amigo e incentivador meu, recentemente falecido, Izo Goldman e do presidente da UBT São Paulo, na época, Thalma Tavares, deixei de ser um rosto perdido na multidão. 1991… são 24 anos transcorridos. A quantidade de amigos/as, amigas/os irmãs/os que nunca sonhei em ter nos meus 37 anos vividos anteriores, multiplicou-se a uma progressão geométrica nos últimos 24 anos. É…a trova faz amigos, mais… faz-nos ver que não somos apenas um número a mais, e que cumprimos um papel importante neste mundo imenso. Também fazemos inimigos, mas quem não os têm? Mas vale a pena. Divaguei… O que quero colocar é que a partir deste número além dos poetas diversos, haverá sempre um em evidência, a princípio semanalmente. São muitos nomes, entre poetas e trovadores, então a escolha será, “pintou” um nome de repente na minha cabeça, será este. Este ano completo 60 anos, estimando que viva pelo menos mais 30, não vai dar para colocar todos, então espero me perdoem se seu nome não estiver em destaque, não será por má-vontade, mas pela quantidade enorme de nomes que há no livro de nossa história, e ninguém é menos importante do que outro. O que vale são as pegadas que deixamos para os outros seguirem.
(José Feldman)


Uma Trova de Santos/SP
CAROLINA RAMOS


Ante o horror de uma queimada,
tenho a impressão verdadeira
de ver a Pátria enlutada,
sem mais verde na bandeira!

Uma Trova Humorística, do Rio de Janeiro
MARIA NASCIMENTO SANTOS CARVALHO

 

No documento é solteira,
mas vendo a idade da dona,
diz a patroa encrenqueira:
solteira, não, solteirona...

Uma Trova Premiada  em Ribeirão Preto/SP, 2007
RITA MOURÃO (SP)

 

Seria a paz mais presente
e o porvir menos incerto
se na mão do adolescente
sempre houvesse um livro aberto!

Uma Trova de Curitiba/PR
PAULO WALBACH PRESTES


MÃE especial, és Rainha,
ser, és do maior valor...
és como do vinho, a vinha,
és o simbolo do amor!

Um Poema do Rio de Janeiro
ARNOLDO PIMENTEL FILHO

Aquarela


Eu pinto sonhos que nem sempre têm asas
Sonhos vividos
Sonhos esquecidos
Sonhos que poderão viver na minha tela
Na minha triste aquarela
Minha tela pode estar pintada de vazio
Silêncio vazio
Cores incolores que mostram meu rosto
Tela vazia incolor que inspira minhas cores
Eu pinto meus temores na madrugada
Onde a tempestade é a verdadeira tela
Onde a solidão disfarçada
Invade o meu quarto pela janela
Eu pinto a solidão do meu corpo
Pinto as cores da minha voz nua
Pinto meus olhos perdidos no infinito
Minha tela é meu próprio grito

Trovadores que Deixaram Saudades
ABIGAIL RIZZINI
Nova Friburgo/RJ


Olhar triste, é o da criança,
que olha a vitrina, e em segredo,
chora a morte da esperança
ante o preço de um brinquedo!

Uma Fábula em Versos de Château-Thierry, França
JEAN DE LA FONTAINE
(1621 – 1695)

A Rã e o Boi

 

Num prado uma rã
Um boi contemplou,
E ser maior que ele
Vaidosa intentou.

A pela enrugada
Inchando alargou,
E às leves irmãs
Assim perguntou:

- Maior que o Boi
Ó Manas, já sou?
- Não és, lhe disseram
E a rã lhes tornou,

- E agora, inda não?
E mais ainda inchou;
Eis logo de todas
Um não escutou.

Inchar-se invejosa
De novo buscou,
Mas dando um estouro
A vida acabou.

Também, se em grandeza
Vencer procurou
O pobre ao potente,
Por força estourou.

Uma Sextilha, de Caicó/RN
HÉLIO PEDRO


Surge em cada alvorecer,
o sol que cumpre o seu plano
de aquecimento ao planeta
sem que falte ano após ano,
mas no mundo o que mais falta
é o calor do ser humano.

Um Haicai de Manaus/AM
ANIBAL BEÇA

 

Morcego em surdina
morde e sopra o velho gato.
Não contava o pulo...

Um Poetrix de Espinho/Portugal
ANA OLIVEIRA

o lobo mau e a sua esquizofrenia

cortaram ligações
ao tálamo,
na lobotomia

Um Poema de Lisboa/Portugal
ALFREDO GUISADO
1891 – 1975

Ela, em meu sonho


Ela vivia num palácio mouro…
Nas harpas, os seus dedos a espreitarem
como pajens curiosos, a afastarem
os cortinados todos fios de ouro.

As suas mãos, tão leves como as aves,
ora fugiam volitando, frias,
ora pousando, trêmulas, frias,
nas cordas, a sonharem melodias…

E os sons que ela tangia, aos seus ouvidos
chegavam, receosos de senti-la,
voltavam a não ser nunca tangidos.

É que ela, as suas mãos, as harpas de ouro,
não eram mais do que um supor ouvi-la
e o meu julgá-la num palácio mouro.

Um Soneto de São Paulo/SP
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA

Aceitação


É sorrateira… chega de improviso.
Não há ninguém que a queira ou que a cobice!
Tento aceitá-la… sinto que é preciso
pois expulsá-la, eu acho que é tolice.

Não bate à porta… entra sem aviso.
Põe em meu rosto triste, tal meiguice!
E me faz calma… abranda o meu sorriso
 me dá também um “quê” de criancice.

Mas, não vem só… me traz esta saudade
e a nostalgia desta dor que invade
meu coração e nele  se encarcera.

Pondero bem… e ao discutir comigo
refaço sonhos e, feliz, lhe digo
“Entre, velhice… estava à sua espera”

(2. lugar no 8. Concurso de Barueri/SP,1991)
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Trovador Destaque da Semana:

ARI SANTOS CAMPOS
Itajaí/SC


As praias, por natureza,
encantam os olhos meus...
Fluxo, refluxo e beleza
são os caprichos de Deus.

As saudades não têm fim;
a luz do sol se apagou...
Secou a flor do jardim
e o trem da vida passou.

Com musas vivo a sonhar:
à noite durmo um pedaço,
num caderno ao despertar
uma trova eu sempre faço.

Dois copos, vinho à vontade:
um só segredo eu contei !
- É doida a cara-metade,
todo arranhado eu fiquei !

Do que vale o meu canteiro
de bom trigo, de primeira,
se joio dá mais dinheiro
na “cultura” brasileira ?!

Enquanto a vida não passa
enquanto a morte não vem,
quem deixa marcas de graça
têm outros mundos no além.

Entre mim e Deus existe
uma grande confusão;
pois tudo fica tão triste
sem amor no coração!

Hoje o sol nasceu tão lindo,
tão lindo, e eu me confundo:
- será que Deus está rindo
ou rindo está o nosso mundo!

Justiça não me dá medo
pela palavra que tem.
Dá medo, não é segredo,
é da injustiça de alguém.

Meus amigos valem ouro,
seus laços eu estreitei,
amizade é meu tesouro,
sou tão rico quanto um rei.

Meus bons anos se passaram
com a leitura aprendi...
Hoje as letras se apagaram
mas o saber não perdi.

Não é correto ao carente
bons peixes sempre doar.
Pois um bom chefe, decente,
primeiro ensina a pescar.

Não sei mais o que fazer:
meu salário é um engano...
- Tenho medo de viver
numa tenda de cigano.

Não se vá, não, por favor,
não me faça essa maldade!
Se de fato você for,
eu vou morrer de saudade.

Nesse horizonte infinito,
onde o clarão é profundo,
raiam bênçãos, acredito,
para ungir a paz do mundo.

No paraíso que dista,
um grande fato ocorreu;
Eva o pecado conquista
e com o Adão se perdeu.

Oh minha vida pequena;
minha alma como corrói !...
- Linda morena, que pena,
quando te vejo me dói...

O nosso amor foi demais:
tudo em nós era risonho!...
Mas já ficou para trás
e transformou-se num sonho.

Os namoros do passado
eram raros de encontrar.
Hoje é clique no teclado
e já tem com quem amar.

Quando canto na viola,
já não canto mais sozinho,
pois do alto da gaiola
canta junto um canarinho.

Quem dera poder ficar:
devia nem ter nascido
para não ter que passar
no túnel desconhecido.

Quis saber do puro amor
que se apresenta em meu verso,
descobri que o trovador
vive com Deus no universo.

Uma tal "Sabedoria",
para dar aos olhos meus,
fez do sol a luz do dia
com a ciência de Deus.

Um vento leve me leva
para o Éden prometido...
Não sou Adão e nem Eva,
sou meu destino perdido.

Vejo uma foto distante
do meu tempo tão veloz
da minha vida constante,
- ai que saudade feroz?!

Vou em frente e devagar
procurando uma saída,
pois não consigo acertar
o rumo da minha vida!

Vou partir mais uma vez:
não parei, desde menino,
dessa vida sou freguês,
mala e cuia é meu destino.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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