Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 18 de maio de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 135)


Uma Trova de Curitiba/PR
MAURÍCIO FRIEDRICH

 

Plácido, corres no leito,
às margens, onde nasci;
ó Iguaçu, trago em meu peito
a água que é parte de ti!

Uma Trova Humorística de São Paulo
SÉRGIO FERREIRA

 

Confuso, o dono do empório
não anda bom da veneta:
na orelha um supositório,
mas nem sinal da caneta!

Uma Trova Premiada  em Nova Friburgo/RJ, 2005
DILVA MARIA DE MORAES (RJ)


Preenchi a tua vida:
fui musa, amante, modelo.
Mas, hoje, a minha partida…
resiste a qualquer apelo!

Uma Trova de Fortaleza/CE
FRANCISCO PESSOA


Ciúme é como se fosse
um veneno sedutor:
amargo, se mostra doce,
matando aos poucos o amor.

Um Poema de Piabetá/RJ
SERGIO TAVARES

Eu te peço perdão


Eu te peço perdão, por ser tão inexato,
por não possuir a claridade desse dia,
por ter uma visão de mentecapto,
por ter a vida, assim, sempre vazia.

Eu te peço perdão, por não estar onde me queres,
por dizer não, quando na verdade te queria,
por sorrir, quando tanto tu choravas,
mas, por chorar, quanto tanto tu sorrias.

Mas não me culpe se tudo deu errado,
se o teu amor nunca foi correspondido,
pois apesar de estar sempre do teu lado,
meu sentimento foi mal compreendido.

Culpe menos ainda o meu verso,
que é apenas uma forma de sangria,
é, apenas, o reflexo do meu reverso,
e se nasceu foi porque tu morrias.

Trovadores que deixaram Saudades
JOSÉ RODRIGUES FERNANDES
Fortaleza/CE (1910 – ????)


Chora o vento lá por fora...
Chora a chuva e vão-se as águas.
O coração também chora,
mas nunca se vão as mágoas.

Um Poema de Calcutá/Índia
RABINDRANATH TAGORE
(1861 - 1941)    

Julgamento


Não julgues...
Habitas num recanto mínimo desta terra.
Os teus olhos chegam
Até onde alcançam muito pouco...
Ao pouco que ouves
Acrescentas a tua própria voz.
Mantém o bem e o mal, o branco e o negro,
Cuidadosamente separados.
Em vão traças uma linha
Para estabelecer um limite.

Se houver uma melodia escondida no teu interior,
Desperta-a quando percorreres o caminho.
Na canção não há argumento,
Nem o apelo do trabalho...
A quem lhe agradar responderá,
A quem lhe agradar não ficará impassível.
Que importa que uns homens sejam bons
E outros não o sejam?
São viajantes do mesmo caminho.
Não julgues,
Ah, o tempo voa
E toda a discussão é inútil.

Olha, as flores florescem à beira do bosque,
Trazendo uma mensagem do céu,
Porque é um amigo da terra;
Com as chuvas de Julho
A erva inunda a terra de verde,
e enche a sua taça até à borda.
Esquecendo a identidade,
Enche o teu coração de simples alegria.
Viajante,
Disperso ao longo do caminho,
O tesouro amontoa-se à medida que caminhas.

(tradução de José Agostinho Baptista)

Uma Aldravia de Juiz de Fora/MG
CECY BARBOSA CAMPOS


árvores
alpinistas
escalam
montanhas
cumprimentando
nuvens


Recordando Velhas Canções
ATAULFO ALVES

Saudade dela 

 (samba, 1936)

Vai, vai saudade
A casa daquela ingrata
Que deixou você pra mim,
Você vai dizer a ela
Que eu agora sou feliz
Que você está no lugar
Da mulher que não me quis.

Vai, vai saudade
Vai depressa por favor
Se você gosta de mim
Volta e vem morar comigo
Naquela casa amarela
Só porque, saudade eu sei,
Você é saudade dela.

Ela foi,
Não sei se volta mais,
Que falta de consciência
Ela não tem pena dos meus ais,
( ai, ai, meu Deus)
A minha felicidade
É findar minha existência
Com você, saudade
 

Um Haicai de São Paulo/SP
H. MASUDA GOGA
(Shuichi Masuda)
1929 – 2008


Passa pelos pampas
o carro-de-boi cantando...
Que dia gélido!

Um Poetrix de Angola
THOMAZ RAMALHO

melancolia

 

Os cotovelos no parapeito da sacada
e o pensamento apoiado
na linha do horizonte..

Um Poema de Braga/Portugal
ELVIRA BARBOSA CAMARINHA

Donzela

 

Com violino e rabeca
donzela me sinto,
ao toar de Agosto quente,
com a alma ardente,
corpo decente.

Tesouro guardado.

Chave do cofre, escondida
algures,
perdida,
sinal de nova vida!

Donzela
nua de pés,
adormece na sua tela!

Tesouro apetecido.

Saudades tuas
serão manhãs cruas...
donzela perdeu a sensualidade,
pecado arremessado
pelos senhores da Verdade!
Prazo de validade...

Tesouro requisitado.

Tarde,
fez-se noite,
a donzela fechou-se...
cadeado!

Saudades donzela do
teu Amor quente,
enfeitiçado!

Donzela liberou o passado...
e dela ficou o beijo molhado.

Um Soneto de Tocantins
PATRÍCIA NEME

 

Soneto da Saudade
 

O céu desperta triste, em tom cinzento,
qual lhe fora penoso um novo dia;
aos poucos, verte, em gotas, seu lamento...
Um pranto ensimesmado, de agonia.

Um rouco trovejar, pesado, lento,
parece suplicar por alforria,
num rogo já exangue, sem alento...
A chuva... O cinza... A dor... A nostalgia...

O céu despertou triste... O céu sou eu,
perdida num sonhar que feneceu,
sou prisioneira à espera de mercê.

Sonhando conquistar a liberdade
desta prisão, que existe na saudade...
Saudade, tanta, tanta... De você!
===================
Therezinha Dieguez Brisolla (Primeiras Palavras)

A UBT precisa de nós… Para que uma entidade cresça e supere as dificuldades, que certamente encontrará em sua caminhada rumo ao futuro, são necessários: – Trabalho e União. Um trabalho grandioso – de norte a sul do país – por iniciativa da Presidente Nacional da União Brasileira dos Trovadores Domitilla Borges Beltrame, assessorada pelo Vice-Presidente Arlindo Tadeu Hagen e pelo Secretário Nacional J. B. Xavier, teve início logo após a sua posse. Estão sendo chamados a colaborar nesse trabalho, Conselheiros, Presidentes Estaduais, Presidentes de Seções e Delegados para que, unidos a um grupo de Associados, possam promover a reestruturação das diretrizes da UBT. E quantos, unidos pelo mesmo ideal e pelos mesmos sonhos, aceitaram o trabalho proposto pela Presidente da UBT Nacional!

Mas, esse trabalho audacioso só terá êxito se houver a União de todos, em benefício da Entidade à qual pertencemos e atendendo anseios dos novos trovadores – “jardineiros do futuro” – que cultivando a Rosa darão continuidade ao trabalho e aos sonhos de Luiz Otávio.

Há a necessidade de um recenseamento, a nível nacional, para sabermos quantos somos e com esses dados, reconhecer trovadores que conhecemos apenas por suas trovas divulgadas em revistas e boletins. Precisamos valorizar o trabalho dos divulgadores do nosso movimento, pois muitas vezes não são trovadores mas amam a Trova. É preciso rever regras, muitas delas ultrapassadas e que serão atualizadas pelo grupo de trabalho. É preciso rever critérios adotados em julgamentos de trovas, em concursos coordenados em nome da UBT.

Faz-se necessário elucidar dúvidas, no que se refere às elisões, às rimas que sendo aceitas, embora erradas, dão motivo a queixas e discórdias. Faz-se mister dar às trovas humorísticas o mesmo valor dado às líricas e filosóficas, evitando-se termos chulos, e expressões ofensivas e preconceituosas. É preciso dar mais credibilidade aos nossos concursos de trovas, mantendo o sigilo por meio do sistema de envelopes. Devemos dar aos novos trovadores maiores oportunidades, oferecendo-lhes cursos em Oficinas de Trovas, ministradas por trovadores capacitados. Acolhê-los, ajudá-los em suas dúvidas, para que aprimorem suas trovas e assim estimulados, tenham prazer em participar dos nossos encontros. Não devemos nos esquecer que participamos de concursos de trovas, mas NÃO SOMOS CONCORRENTES, preocupados apenas com mais uma premiação. Devemos comparecer às reuniões mensais, com espírito alegre, pela oportunidade do encontro. É o momento de ouvir e dizer trovas e de viver nossos sonhos de amor e paz.

Nesse trabalho há um objetivo a ser alcançado: “RESPEITANDO A TRADIÇÃO, RENOVAR!”

É tempo de trabalho e de união. Se, realmente amamos a Trova e se, de fato, somos irmãos trovadores vamos nos unir e trabalhar pelo futuro de nossa Entidade: a União Brasileira de Trovadores. A UBT precisa de nós.

*Therezinha é Diretora de Relações Públicas da UBT Seção São Paulo. A única mulher a deter o título de Magnífica Trovadora no gênero HUMOR.

(Fonte: Informativo da UBT Seção São Paulo – ano 35 – n. 430 – abril 2014)

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to