Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 19 de maio de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 136)


Uma Trova de Paranavaí/PR
DINAIR LEITE


Trovador por ironia,
quando a trova terminou,
da pena viu que escorria,
pranto que a trova borrou.

Uma Trova Humorística de Joaçaba/SC
MIGUEL RUSSOWSKI

 

– Não bebo mais!… – diz o Souza,
com intentos bons e plenos.
Discorda deles a esposa:
– Não bebe mais … e nem menos!

Uma Trova Premiada  em Ribeirão Preto/SP, 2011
SELMA PATTI SPINELLI (São Paulo/SP)


Ser dotado de Razão,
um homem adulto sabe:
-não há virtudes em vão;
-nem vício que não se acabe!

Uma Trova de São Paulo/SP
DARLY O. BARROS

 

A esperança é a tecelã
a quem a ilusão confia,
a fiação do amanhã,
na roca que os sonhos fia...

Um Poema de Porto Alegre/RS
ALCIR NICOLAU PEREIRA

Ex-Pirata (Quadra Infantil)


Nem pirata, nem cara de mau
Sou coxo agora de fato
Usaram a minha perna de pau
Pra brincar no jogo de taco

Minha cara dantes bonita
Olho de vidro agora não tem
Pois virou pequena bolita
Nos jogos de gude de alguém

Perdi tudo que eu tinha de bom
Fiquei sem olho e sem minha nau
Perdi perna que fazia mau som
E acabei nunca mais sendo mau

Trovadores que deixaram Saudades
ANTÔNIO GERALDO RAMOS JUBÉ
Goiás/GO (1927 – 2010) Goiânia/GO


Adeus, ilusões queridas,
lume bom dos sonhos meus...
Em vós vivi tantas vidas!
- Ilusões, adeus, adeus!...

Um Poema de Moçambique
JOSÉ CRAVEIRINHA

A nossa casa

 

Ambição
minha e da Maria
foi termos uma casa nossa
onde nos contarmos os cabelos brancos.

Sonho realizado.
Casa definitiva já temos.
Lote 42.
Talhão 71883.
Fachada pintada a cal.
Classica arquitectura rectangular.
Uma via asfaltada com um único sentido.
Tudo sito no derradeiro bairrismo
que e' morar no bairro de Lhanguene.

Pelo menos envelhecer já não é problema.
O resto na altura mais propícia
surgirá por si.

Parece que está por pouco.
Na lista onde eu consto
É injusto que tarde
estarmos juntos.

Um Limerique de Ribeirão Preto/SP
NILTON MANOEL

Limerique Urbano IV


Pela longa rua da feira
tem tudo de bom e primeira;
vê-se a granel,
quentinho. pastel...
Tem até gente barraqueira.

Um Haicai de Lençóis/BA
AFRÂNIO PEIXOTO
(Júlio Afrânio Peixoto)
Lençóis BA, 1876 - Rio de Janeiro RJ, 1947

Comparação


Um aeroplano
Em busca de combustível...
Oh! é um mosquito.

Recordando Velhas Canções
JOUBERT DE CARVALHO e OLEGÁRIO MARIANO

De Papo Pro Á

(cateretê, 1931)

Não quero outra vida
Pescando no rio de Gereré
Tem peixe bom
Tem siri patola
De dá com o pé

Quando no terreiro
Faz noite de luá
E vem a saudade
Me atormentá

Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro á

Se compro na feira
Feijão, rapadura,
Pra que trabaiá
Eu gosto do rancho
O homem não deve
Se amofiná
(refrão)

Um Poetrix do Rio de Janeiro
FÁBIO ROCHA

presas na boca

 

as pessoas fingem certezas.
certamente
estão presas

Um Poema de Lisboa/Portugal
CRISTOVAM PAVIA
(Francisco António Lahmeyer Flores Bugalho)
1933 – 1968

“Na noite da minha morte”


Na noite da minha morte
Tudo voltará silenciosamente ao encanto antigo...
E os campos libertos enfim da sua mágoa
Serão tão surdos como o menino acabado de esquecer.

 Na noite da minha morte
Ninguém sentirá o encanto antigo
Que voltou e anda no ar como um perfume...
Há-de haver velas pela casa
E xales negros e um silêncio que eu
Poderia entender.

 Mãe: talvez os teus olhos cansados de chorar
Vejam subitamente...
Talvez os teus ouvidos, só eles ouçam, no silêncio da casa velando,
E mesmo que não saibas de onde vem nem porque vem
Talvez só tu a não esqueças.

Um Soneto de Sorocaba/SP
DOROTHY JANSSON MORETTI

Sol


Hoje estás escondido. Olhando para fora,
em meio à névoa densa, em vão eu te procuro.
Que falta fazes quando, ao se esboçar a aurora,
vejo o céu carrancudo e tão cinzento e escuro!

És tu que trazes vida, a ausência eu te censuro.
Sem ti sofre a semente a emergir para a flora,
falta a luz dos teus raios ao trigo maduro,
esmaecem os tons quando te vais embora.

De repente, através de uma nesga apareces…
Com que força vital a alma da gente aqueces
e afastas tão depressa as nuvens de tristeza!

És dono do universo, a nada te comparas;
e ao sentir teu calor reconfortando as searas,
feliz volta a sorrir, de novo, a Natureza!
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Trovador Destaque:

 

Aperta meu coração
ser mãe de um filho ilustrado...
- Ele tem muita instrução?
-Não ! ... É todo tatuado!

As flores não mais assistem
na praça, a eternos amores...
É que amores não resistem
ao ver as praças sem flores!

Coração...cerca o pedaço
para que o amor não se perca,
que hei de cuidar desse espaço,
antes que a dor ponha cerca...

Da empregada viu na cama
o pijama conhecido.
E o pior é que o pijama
tinha dentro o seu marido!

Da velha fonte no lago,
à luz do mesmo luar,
retorno...e nos olhos trago
as águas que fui buscar!

Dentro do peito, profundo,
meus sentimentos concentro...
Não há espelho no mundo
que me desnude por dentro!

Entardece em minha infância...
Temendo que o medo cresça,
espreito a vida, à distância,
antes que a infância anoiteça!

Ilusão...velha charrete
que, teimoso, eu não desmancho,
pois, vez por outra, faz frete
de sonhos...aqui no rancho!

Mesmo no aperto, o sobrado
do velho não foi vendido.
Pelo prédio estar tombado
é que o velho está "caído"!

Na fábrica de tecidos,
proposto o aperto nos planos,
os "acertos" resolvidos
são "por debaixo dos panos"!

Nas asas do desvario,
tentando um sonho alcançar,
eu despenquei no vazio,
mas...aprendi a voar!

Ninguém vai sentir-se preso
ao peso da minha cruz;
que a cruz só revela o peso
para o ombro que a conduz…

No aperto, ao chefe ele vai
e expressa sua revolta...
- E a grana, sai ou não sai?
- Já saiu!... Não sei se volta!!!

Nos seus encontros ousados
junto da velha porteira,
esperava os namorados:
hoje ela espera a parteira!

O sonho é carga festiva
nos trilhos das ilusões...
E o amor é a locomotiva
que vem puxando os vagões!

Por mais que a vida se oponha,
traze os sonhos junto a ti,
porque, aos olhos de quem sonha,
o infinito...é logo ali!

Porque sou vidrado nela
seus carinhos não recuso:
é por meio da arruela
que se aperta o parafuso!

Quem por cigarro se entrega
às mãos do vício, sem medos,
não percebe que carrega
a morte acesa entre os dedos!

Talvez porque a noite esconda
sombras de amor...é que a Lua
põe mais luz em sua ronda,
quando ronda a minha rua!

Tendo a sombra distorcida,
seu retrato ela me deu...
Nem percebeu, distraída,
que aquela sombra...sou eu!
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O Trovador destaque anterior foi Ari Santos de Campos, de Itajaí/SC (Chuva 132)

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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