Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 205)






Uma Trova de Curitiba/PR
NEI GARCEZ

Entre o sonho e a verdade
vai vivendo, em seu juízo,
toda a nossa humanidade
seu inferno ou paraíso.

Uma Trova de Caicó/RN
DJALMA A. DA MOTA
.
Degradação ambiental
é a consequência tirana
do aquecimento global,
fruto da vil “raça humana”.

Uma Trova Humorística, de São Paulo/SP
RENATA PACCOLA

A garota calculista
procura o pastor metódico
e pede um desconto à vista
no “dízimo periódico”!

Uma Trova Premiada em Juiz de Fora/MG, 1988
ANA MARIA MOTTA (Nova Friburgo - RJ)

Quando a vida nos golpeia
e o trauma nos acompanha,
qualquer montinho de areia
ganha forma de montanha!

Uma Trova de Porto Alegre/RS
FLÁVIO ROBERTO STEFANI

Na pescaria, de fato,
notei teu jeito chinfrim,
mas o olhar era de gato:
um no peixe e outro em mim...

Um Poema de Porto Alegre/RS
IALMAR PIO SCHNEIDER

Mágoas e queixas

Fazer versos é fácil - dir-me-eis -
se lerdes minhas páginas singelas
e simplesmente reparardes nelas
mágoas que nem de longe conheceis....

Se assim pensardes, nunca entendereis
da própria alma as fatídicas procelas
surgindo à noite, não em tardes belas,
e sois felizes porque não sofreis...

Se, no entanto, sentirdes a tristeza
transparecendo aqui nas entrelinhas
destes versos, que os leva a correnteza

a transbordar em zonas ribeirinhas,
é possível que tendes, com certeza,
queixas amargas iguais às minhas !

Uma Trova Hispânica, do Chile
JAIME CORREA

Has perdido tu ternura,
la sonrisa misteriosa.
Tu belleza es mi locura,
señorita tan hermosa.

Um Poema dos Estados Unidos
ROBERT FROST
(Robert Lee Frost)
São Francisco/EUA (1874 – 1963) Boston/EUA

A Família da Rosa

 A rosa é uma rosa
E sempre foi rosa.
Mas hoje se usa
Crer que a pêra é rosa
E a maçã vistosa
E a ameixa, uma rosa.
Pergunta a amorosa
Que mais será rosa.
Você, claro, é rosa –
Mas sempre foi rosa.

(Tradução: Renato Suttana)

Trovadores que deixaram saudades
ANITA FERRAZ
Ponta Grossa/PR

A paz que este mundo almeja
não é feita com maldade;
É aquela paz que bem feita
nos vem da fraternidade.

Um Poema de Curitiba/PR
CELSO BRASIL

Tu, eu e a poesia

Te amo com toda energia,
Te quero bem perto de mim,
Mas também tem a Poesia!
Eu Quero as duas, enfim!!!

Te peço... não tenhas ciúme!
Sem ela não posso te amar!
Da minha montanha, ela é o cume,
Do cume, amor te quero gritar!

Abro os braços à magia,
Entre eles, sempre estarás.
Mas se não abraço a Poesia,
A ti... como me declarar?

Poesia, minha eterna amante.
Tu, minha eterna paixão.
A Poesia me leva adiante!
E tu! levo em meu coração.

Se me deixares amá-la,
Para ti também existirei.
Mas se me apartares dela,
Sem versos, então, morrerei.

Ficarás chorando no báratro,
Quando eu tiver que me ir.
Consolar-te até o reencontro,
Sei que a Poesia há de ir.

Tu e a poesia, então, juntas
Viverão a me relembrar.
De vez em quando unidas,
Ambas se porão a chorar.

Nesse momento, querida,
Certamente, ali estarei.
Tu e a Poesia formam minha vida!
E, assim, nunca mais morrerei.

Teia de Trovas sobre Sonho de Mogi-Guaçu/SP
OLIVALDO JUNIOR

Cada sonho que se tem
faz da vida uma ilusão;
mas ainda quero alguém
que me iluda o coração.

Sonhos não se jogam fora,
mas joguei os meus, neném,
quando foste logo embora
sem sonhares com ninguém.

O meu sonho foi cantar,
mas não fui um passarinho;
minhas asas, sem voar,
me espetaram neste ninho.

Um Poema de Novo Horizonte/SP
REGINA MÉRCIA
(Regina Mércia Sene Soares)

Essa Felicidade?

Existe essa tal felicidade?
Essa pergunta faço com tristeza
Era só meu aquele amor
Não era a dois...
De repente a dor me surpreende
Por que um amor não correspondido?
Duvidas surgiram de que eu era...
Iludida, só o meu amor vivia
Sinto muita falta e sinto-me
Entregue aos medos e receios
Feliz fiquei ao perceber
Que estava amando...
Meu coração levava consigo
O aconchego de alguém...
Que havia chegado
Precipitando talvez o encontro
Com esse alguém que quisesse
Realmente me amar...
Só esperando o momento certo
Bem lá escondido no cantinho
Do coração cheio de desejo
Para nascer um grande amor…

Uma Trova de Porto Alegre/RS
LISETE JOHNSON

No brinquedo “Esconde-esconde”,
eu me escondia tão bem,
que, até hoje, não sei onde,
eu me escondi...E de quem?

Um Haicai de São Paulo/SP
EDGLEY SILVA GONÇALVES

Roxas, amarelas
flutuam as folhas secas
ao sabor do vento.

Um Poema de Dom Pedrito/RS
SIMONE BORBA PINHEIRO

Brincando de ser mulher

Brincando de ser mulher,
aquela mulher-menina
sem saber bem o que quer,
segue a sua triste sina...

Á quem pagar o seu preço,
ela cede os seus favores.
Pobre mulher-menina,
desgraçados os senhores.

De shortinho bem curtinho
na esquina a caminhar,
acena a pobre menina
para quem de carro parar.

Mal sabe a pobre menina
que o tempo vai passar,
e um dia, sem que perceba,
se a doença não lhe pegar,
nas mãos de algum cretino,
a morte vai encontrar.

Uma Cantiga Infantil de Roda
PEZINHO
do Folclore Brasileiro

Ai bota aqui
ai bota ali
o teu pezinho
O teu pezinho
bem juntinho
com o meu

Ai bota aqui ai bota ali
o teu pezinho
O teu pezinho o teu pezinho
ao pé do meu

E depois não vá dizer
que você já me esqueceu
E depois não vá dizer
que você já me esqueceu

E no chegar deste teu corpo,
uma abraço quero eu
E no chegar deste teu corpo,
uma abraço quero eu

Agora que estamos juntinhos,
da cá um abraço e um beijinho
Agora que estamos juntinhos,
da cá um abraço e um beijinho

E depois não vá dizer
que você já me esqueceu
E depois não vá dizer
que você já me esqueceu

Uma Aldravia de Itajaí/SC
ANNA RIBEIRO

nas
entrelinhas
a
busca
de
mim

Recordando Velhas Canções
ALCEBÍADES BARCELOS E ARMANDO MARÇAL

Violão amigo
(samba, 1942)

Violão amigo ouve os meus ais
Ouve os meus segredos
Não suporto mais

Talvez tu compreendas meu sentir
Quero exprimir nesse samba
Tudo que sofri

Quem de mim sorriu
Por certo há de chorar
Quando ouvir alguém cantar

Poeta eu fui
Embora sem querer
Cantei em versos o meu sofrer

Violão amigo
Eu canto por consolação
Trago esta mágoa sentida
No meu coração, violão

Hinos de Cidades Brasileiras
Paranavaí/PR
Geraldo Marques e Carlos Cagnani

Quando te vemos hoje, assim radiosa,
Teus filhos agitados no labor,
Lembramos da empreitada gloriosa,
Que calejou as mãos do lavrador
E fez romper da terra generosa
Os ricos frutos do progresso e amor!

Estribilho:
Nasceste sob o signo da vitória
Que os filhos teus souberam conquistar
És a um só tempo a evolução e a glória
Cidade que não pode mais parar!

Ó Paranavaí dos cafezais
Simétricos, em flor sobre a paisagem,
De belos e de extensos matagais,
Planícies verdejantes de pastagem...
Da glória tu chegaste até os umbrais!

Estribilho

Salve teus filhos, que na faina ardente
Sobre teu solo ainda hostil e agreste
Traçaram teu destino florescente!
Salve, ó cidade que te engrandeceste
Ó bela Capital do Noroeste!

Estribilho

Um Limerique de Ribeirão Preto/SP
NILTON MANOEL

Limeriques Urbanos I

Dizem que a calçada é do povo...
Quero ver crianças de novo
Brincando... brincando,
Vivendo...sonhando...
porém o povo só leva ovo!

Um Poema de Natal/RN
LOURIVAL ACUÇENA
(Joaquim Eduvirges de Mello Açucena)
(1827 – 1907)

Eu Não Sei Pintar Amor

Amor é brando, é zangado
É faceiro e vive nu,
Tem vistas de cururu,
E vive sempre vendado:
É sincero, é refolhado,
Causa prazer, causa dor,
Tem carinhos, tem rigor,
Amor... pinte-o quem quiser,
Retrate o amor quem souber,
Eu não sei pintar amor.

Amor é terno, é cruel,
É rico, é pobre, é mendigo,
É dita, é peste, é castigo,
É mel puro, é agro fel;
Tem cadeias, traz laurel,
É constante, é vil traidor,
É escravo, é grão Senhor,
Amor... pinte-o quem quiser,
Retrate o amor quem souber,
Eu não sei pintar amor.

Amor é loquaz, é mudo.
É moderado, é garrido,
É covarde, é destemido,
É galhofeiro, é sisudo.
É vida, é morte de tudo,
É brioso, é sem pudor.
Traz doçura, dá travor,
Amor... pinte-o quem quiser,
Retrate o amor quem souber,
Eu não sei pintar amor.

Amor é grave, é truão,
É furacão é galerno,
É paraíso, é inferno,
É cordeirinho, é leão;
É Anjo, é Nume, é Dragão,
Tem asas, tem passador,
Dá esforços, faz tremor.
Enfim, pinte-o quem quiser,
Retrate amor quem quiser,
Eu não sei pintar amor.

Um Soneto de Recife/PE
ADELMAR TAVARES
Recife/PE (1888 – 1963) Rio de Janeiro/RJ

No teu palácio de vitrais preciosos,
espelhos altos, e tapeçarias,
tu, milionário, entre cortesanias,
vives os teus momentos caprichosos.

Braços vendidos e mentidos gozos,
de amores fáceis, enches os teus dias.
Mas, passada a delícia das orgias,
vês, protestos e beijos, mentirosos.

E ah! quantas vezes, solteirão, cansado,
invejarás o "guardador de gado"
que pelo escurecer, sem falsos brilhos,

volta para a cabana, e alegre janta,
cachimba um pouco, afina a viola, e canta
para o amor da mulher, e o amor dos filhos...

Uma Fábula em Versos, da França
JEAN LA FONTAINE
(1621 – 1695)

O Conselho dos Ratos

Havia um gato maltês,
Honra e flor dos outros gatos;
Rodilardo era o seu nome.
Sua alcunha — Esgana-ratos.

As ratazanas mais feras
Apenas o percebiam,
Mesmo lá dentro das tocas
Com susto dele tremiam;

Que amortalhava nas unhas
Inda o rato mais muchucho,
Tendo para o sepultar
Um cemitério no bucho.

Passava entre aqueles pobres,
De quem ia dando cabo,
Não por um gato maltês.
Sim por um vivo diabo.

Mas janeiro ao nosso herói
Já dor de dentes causava,
E ele de telhas acima
O remédio lhe buscava.

Dona Gata Tartaruga,
De amor versada nas lides,
Era só por quem na roca
Fiava este novo Alcides.

Em tanto o deão dos ratos,
Achando léu ajuntou
Num canto do estrago o resto,
E ansioso assim lhe falou:

"Enquanto o permite a noite.
Cumpre, irmãos meus, que vejamos
Se à nossa comum desgraça
Algum remédio encontramos.

Rodilardo é um verdugo
Em urdir nossa desgraça;
Se não se lhe obstar, veremos
Finda em breve a nossa raça.

Creio que evitar-se pode
Este fatal prejuízo:
Mas cumpre que do agressor
Se prenda ao pescoço um guizo.

Bem que ande com pés de lã.
Quando o cascavel tinir,
Lá onde quer que estivermos
Teremos léu de fugir'".

Foi geralmente aprovado
Voto de tanta prudência;
Mas era a dúvida achar
Quem Fizesse a diligência.

"Vamos saber qual de vós,
Disse outra vez o deão.
Se atreve a dar ao proposto
A devida execução.''

— Eu não vou lá, disse aquele;
— Menos eu, outro dizia;
— Nem que me cobrissem de ouro,
Respondeu outro, eu lá ia!

— Pois então quem há de ser?
Disse o severo deão;
Mas todos à boca cheia
Disseram: "Eu não, eu não!"

Tornou-se em nada o congresso;
Que o aperto às vezes é tal,
Que o remédio que se encontra
Inda é pior do que o mal.

Assim mil coisas que assentam
Numa assembléia, ou conselho;
Mas vê-se na execução
Que tem dente de coelho.


A cruzinha da estrada,
toda enfeitada de flor,
Faz lembrar-me a doce amada,
que morreu por meu amor!

Ah! Se Deus me desse sorte,
de escolher onde expirar,
eu quisera ter a morte,
no abismo de teu olhar!

A lembrança mais sentida
que trago nos dias meus,
foi o dia de sua partida,
sem dizer-me um só adeus!

Alguém diz que de amar tanto,
vai o homem para o inferno;
Há porém o amor santo,
e também o amor materno!

Alguém diz que não esquece
na vida o primeiro amor,
É uma chama que aquece,
a alma do sofredor!

A mulher é criticada,
pelos lindos dotes seus;
Do demônio não tem nada,
é a obra prima de deus!

A palmeira solitária,
lá no alto da colina,
já a quase centenária,
pois te vi quando menina!

A pérola tão luzidia,
que hoje brilha e reluz,
foi a lágrima de maria,
que correu ao pé da cruz!

Aquele beijo envolvente,
de lembrança tão querida,
foi o beijo mais ardente,
que roubei na minha vida!

A vida é cheia de males,
às vezes é cheia de dor;
Por isso eu peço que cales,
eu sofro mal de amor!

Bate o sino na capela,
na tarde serena e calma;
Quando a vejo na janela,
bate o sino da minha alma!

Caminhei muitos caminhos,
Por estradas mil passei,
Só achei dores, espinhos,
Até que eu te encontrei!

Chegaste na minha vida,
como ave de arribação,
dei-te agasalhos e comida,
só me deste desilusão!

Certa vez eu vi um amigo,
que chorou para morrer!
Até hoje eu não consigo,
a sua lágrima entender!

Certa vez eu vi um cego,
puxado por um menino;
Eu tive inveja, não nego,
do gesto do pequenino!

Deixaste-me por dinheiro,
e trocaste o meu amor,
por um vil aventureiro,
que não tem nenhum valor!

Disse o poeta que a saudade,
é espinho cheirando flor;
Eu penso que é crueldade,
é lembrança de um amor!

Diz alguém que eu sou culto,
de carreira promissora;
Deve tudo a um vulto,
minha santa professora!

Dizem que o amor é um ninho,
macio igual algodão;
Eu creio ser feito de espinho,
e coça igual tinhorão!

Dizem que o homem de idade,
volta a fazer criancice,
claro, pois sente saudade,
do tempo da meninice!

Dizem que o mel é doce,
e que tem um bom sabor;
Quem dera que ela fosse,
como os lábios do meu amor.

Dizem que para se amar,
deve-se ter coração;
Assim não posso explicar,
por que tu me amaste então?

Do milionário, triste sina,
saber que ele vai morrer,
pode comprar a medicina,
e nada lhe vai valer!

Essa trova tão singela,
que exprime amargor,
foi composta por ela,
que negou-me o seu amor!

Esta vida é banal,
a grande verdade encerra;
O homem que é mortal,
é um transeunte na terra!

Eu não posso te querer,
pois sou pobre, sem valor,
vou lutar para merecer,
o teu dote, o teu amor!

Eu nunca aprendi a nadar,
e jamais eu quis fazê-lo,
só para um dia afogar,
nas ondas do teu cabelo!

Eu quero na sepultura,
onde um dia eu repousar,
este dito de ternura:
Voltarei para te buscar!

Eu sei que não posso dizer,
o calor que tem seu olhar,
mas sei que pode ferver
todas as águas do mar!

Eu sei que vou padecer,
uma tortura tão louca,
mas não me deixes morrer,
sem antes beijar tua boca!

Gameleira mutilada,
que faz sombra pelo chão,
vou vingar a machadada,
que lhe deu aquela mão!

Garimpei por entre escolhos,
à procura de um tesouro;
Vi diamantes nos teus olhos,
e nos teus cabelos, ouro!

Guardo comigo um queixume,
e jamais pude dizê-lo,
quisera ser vagalume,
na noite do seu cabelo!

Há homem culto e bronco,
para nós não é segredo;
Um nasceu para ser o tronco,
o outro simples arvoredo!

Há muita gente que insiste,
em só reclamar da sorte;
Mas a pior vida que existe,
é bem melhor do que a morte!

Irmã gêmea da tristeza,
e talvez, prima do amor,
a saudade é dureza,
e um peito sofredor!

Já tive muitos amores,
no curso da minha vida,
são estes os meus valores,
que levo para outra vida!

Meu amor, a minha vida
está toda condenada;
Sou a triste ilusão perdida,
um vulto só, e mais nada!

Meu laço de fita verde,
de tão velho desbotou,
esperando na parede,
um amor que não voltou!

Meu querido arvoredo,
meu destino agora é seu,
você sabe o meu segredo,
foi aqui que aconteceu!

Minha mãe, quando nasci,
contemplou-me a chorar,
desde então sempre segui,
o fulgor daquele olhar!

Muito eu já tenho rogado,
se não lhe desse desgosto,
eu quisera ser enterrado,
na covinha do teu rosto!

Não permita o meu fado,
que eu morra de solidão,
deixe que eu seja enterrado,
dentro do teu coração!

Não sei dizer o que sinto,
quando beijo aos lábios teus;
Para mim, juro, não minto,
é a maior graça de deus!

Não sei porque tu me olhaste,
se eu não posso te amar;
Por acaso já pensaste,
como fere o teu olhar?

Na vida há muita gente,
que nos sorri de alegria;
Por dentro é diferente,
é tudo hipocrisia!

Nem sempre a rara beleza,
felicidade irradia;
Carinho e delicadeza,
é que nos traz simpatia!

Nesta vida muita gente,
sofre muito por amar,
minha dor é diferente,
eu só quero te deixar!

O homem que tem juízo,
e bondoso de coração,
responde com um sorriso,
as afrontes que lhe dão!

O homem vive em carreira,
numa luta insofrida;
Tudo! De qualquer maneira,
chegará ao fim da vida!

Olhai as aves do céu,
não plantam, não sabem ler,
vivem felizes ao léu,
e deus lhes dá o que comer!

O olhar que tem mais brilho,
e penetra mais profundo,
é o olhar da mãe pro filho,
quando este vem ao mundo!

O ser mais rico que existe,
aqui na face da terra,
a sua riqueza consiste,
em sete palmos de terra!

Os lírios níveos do mato,
que vicejam na solidão,
tem muito mais aparato,
que as vestes de Salomão!

Os prazeres indizíveis,
que adornam o meu passado,
são dias inesquecíveis,
que vivi, só a teu lado!

Por ambição eu deixei,
minha mãe, anjo de luz;
Hoje, saudoso voltei,
e só encontrei sua cruz!

Por que choras passarinho,
à hora do pôr-do-sol?
Eu também estou sozinho,
ó meu triste rouxinol!

Quando eu não mais existir,
e talvez só cinzas for,
creio que alguém há de sentir,
saudades do trovador!

Quando miro nos teus olhos,
às vezes fico pensando,
se olho verdes abrolhos,
ou se eles estão me olhando!

Quando vejo um beija-flor,
nas roseiras do jardim,
corro e beijo o meu amor,
que também perfuma assim!

Quisera com emoção,
feliz, carregar-te em dia
na palma da minha mão,
onde teu nome inicia!

Quisera ser passarinho,
para voar na amplidão,
e depois, pousar de mansinho,
na palma de tua mão!

Relógio da minha vida,
por que disparas assim?
Para que tanta corrida,
se tem que chegar ao fim?!

Saudade levo comigo,
contigo deixo também,
a saudade é o inimigo,
mais cruel que a gente tem!

Se amar é mesmo pecado,
o próprio Jesus pecou,
pois amou até o soldado,
que o peito o transpassou!

Se eu parar de fazer trova,
por faltar inspiração,
quero do doutor a prova,
que morri foi de paixão!

Sem pensar e sem maldade,
eu esbanjei gastando à bessa,
um tesouro, a mocidade,
que acabou-se tão depressa!

Se o mundo fosse um canteiro,
e você fosse uma rosa,
eu queria ser jardineiro,
para beijá-la, cheirosa!

Se pudesse o meu destino,
conceder-me uma esmola,
eu quisera ser um menino,
pra voltar à minha escola!

Se quiseres ver ao certo,
um oásis de bonança,
observe bem de perto,
os olhos de uma criança!

Se você ver a alvorada,
quando vai romper o dia,
é uma sombra desbotada,
da beleza de Maria!

Sofro muito e me consolo,
porque tenho esperança,
de deitar-me no teu colo,
e dormir igual criança!

Teve a boa mãe natureza,
com você carinho e gosto;
Deu-lhe uma rara beleza,
e linda pinta no rosto!

Tenho sido humilhado
muita dor meu peito encerra;
Bem diz o velho ditado;
ninguém é rei em sua terra!

Tinha tudo e me casei,
minha mãe ficou chorando,
até hoje não encontrei,
o que estava procurando!

Todos tem o seu destino,
até o rio que corre,
mas o pobre peregrino,
só no dia em que ele morre!

Trouxe saudade, desgosto,
da terra onde nasci,
mas sepultei-as em teu rosto,
tão logo, te conheci!

Uma coisa neste mundo
que o meu coração palpita,
é dormir sono profundo,
no colo de moça bonita!

Vim para matar saudade,
consolar meu coração,
hoje volto pra cidade,
mais pesado de paixão!

Vou lhe dar o seu presente,
é tão lindo e delicado,
feito de couro reluzente,
um rico anel de noivado!
======================
Chuvisco de Erratas

No Hino de Caicó/RN, segundo me advertiu o seu compositor, José Lucas de Barros, há alguns erros. Transcrevo abaixo o hino Centenário de Caicó, que hoje é o Hino da Cidade:

Hino de Caicó/RN
(Felinto Lúcio Dantas e José Lucas de Barros)

CO’ o vaqueiro da prece lendária
Surge o marco do amor de Sant’Ana:
Caicó, jovial centenária,
Que aos seus filhos queridos ufana.

Pela voz das cachoeiras
“Barra Nova” e “Seridó”
Cantam cantigas de inverno
Saudação a Caicó.

Caicó das missões do Rosário,
De alvoradas em belas manhãs,
Sê tranquila no teu centenário
Como as águas tranquilas do Itans

Teu berço de duras rochas
Te fez forte, Caicó,
E o trabalho te elegeu
A rainha do Seridó

Teus bovinos que, em longas manadas,
Se apascentam por vales e serras,
Simbolizam as lides passadas
Na conquista penosa das terras.

Quadro de lutas e letras,
De Inteligência e civismo,
Nunca um filho teu negou
Tributo ao patriotismo!

Atalaia do alto sertão,
Não te vencem cruéis empecilhos.
Caicó, és farol de instrução
aclarando o talento dos filhos.

Terra de luz e calor,
Fibras longas do mocó,
ó rainha centenária,
Coração do Seridó!


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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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