Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 231)





Uma Trova de Maringá/PR
Arlene Lima

Se alguém te humilha, perdoa,
e se alguém te fere, esquece.
Ódio guardado magoa,
só o amor envolve e aquece.

Uma Trova de Santos/SP
Cynira Antunes de Moura

Desmatar!…Ânsia incontida
ataque sem precedente…
ousadia contra a vida
que Deus nos deu de presente!

Uma Trova Humorística de Pindamonhangaba/SP
José Ouverney

O ganso jurou vingança
ao notar, estupefato,
que o pato dormiu com a gansa
e ele fez  “papel de pato”!

Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Ivone T. Prado

Recebo a auréola de um santo,
levito pelos espaços,
chegando aos céus por encanto
quando me tens em teus braços!

Versos Melódicos de Niterói/RJ
Marcos Assumpção
(Marcos André Caridade de Assumpção)

O Fado
(em poema de Florbela Espanca)

Corre a noite, de manso num murmúrio,
Abre a rosa bendita do luar....
Soluçam ais estranhos de guitarra....
Oiço, a o longe, não sei que voz chorar...

Há um repoiso imenso em toda terra,
Parece a própria noite a escutar....
E o canto continua mais profundo
Que uma página sentida de Mozart!

É o fado. A canção das violetas:
Almas de tristes, almas de poetas,
Pra quem a vida foi uma agonia!

Minha doce canção dos deserdados,
Meu fado que alivias desgraçados,
Bendito sejas tu! Ave Maria!

Uma Trova Hispânica, do Chile
Germán Echeverría Aros

Tras los cristales yo miro
la lluvia de la mañana,
de mi alma sale un suspiro
mientras miro la ventana.

Um Poema de São Paulo/SP
Renata Paccola

Limite

Por que adiarmos tanto
a felicidade que nos aguarda?
Por que esperarmos tanto
pelo que sempre foi nosso?
Anos eu te esperei,
amor,
mas agora,
cada segundo a mais
já se torna insuportável.

Trovadores que deixaram Saudades
Izo Goldman
Porto Alegre/RS 1932 – 2013, São Paulo/SP+

Voltaste, e a Felicidade,
que voltou no mesmo dia,
rebatizou a Saudade:
– “Teu nome agora é Alegria!!!”

Um Poema de Alegrete/RS
Mario Quintana
(1906 – 1994, Porto Alegre/RS+)

Canção da Garoa

Em cima do meu telhado,
Pirulin lulin lulin,
Um anjo, todo molhado,
Soluça no seu flautim.

O relógio vai bater;
As molas rangem sem fim.
O retrato na parede
Fica olhando para mim.

E chove sem saber por quê...
E tudo foi sempre assim!
Parece que vou sofrer:
Pirulin lulin lulin…

Uma Trova de São Paulo/SP
Domitilla Borges Beltrame

Nesta vida rotineira,
tua saudade em minha alma
é cantiga de goteira
em noite de chuva calma!

Um Triverso de Curitiba/PR
Alvaro Posselt

Esta vida é um mistério
Perto da maternidade
também tem um cemitério

Um Poema de Lisboa/Portugal
Fernando Pessoa
(Fernando António Nogueira Pessoa)
(1888 – 1935)

Sossega, coração! Não desesperes!

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Uma Trova de São Paulo/SP
Luiz Antonio Cardoso

Coração desconsolado,
não podeis esmorecer,
se viver é complicado,
muito mais é não viver.

Uma Lengalenga de Portugal
A Boneca

 Tia Anica Marreca
 Traga-me uma roca
 Prá minha boneca
 Que ela é careca.
 Tem um pé de pau
 Quando vai prá cama
 Faz trau tau tau.


Um Poetrix de Salvador/BA
Goulart Gomes

Menina de Rua

o homem dormia, em seu ninho
e o coração dela
esmolando um carinho

Uma Trova de Ribeirão Preto/SP
Nilton Manoel

Sonhando de trova em trova
pela estrada da poesia,
minha vida se renova
no correr de cada dia.

Recordando Velhas Canções
Nega do Cabelo Duro

David Nasser e Rubens Soares
(batucada/carnaval, 1942)

 Nega do cabelo duro
 Qual é o pente que te penteia ?
 Qual é o pente que te penteia ?
 Qual é o pente que te penteia ?

 Quando tu entras na roda
O teu corpo serpenteia
Teu cabelo está na moda:
Qual é o pente que te penteia ?

Misampli a ferro e fogo
Não desmancha nem na areia
Tomas banho em Botafogo
Qual é o pente que penteia ?

Um Haicai de Belo Horizonte/MG
Hana Haruko
(Clevane Pessoa de Araújo Lopes)

Gestação do arco-íris
Leveza atestando o efêmero
— Bolha de sabão.

Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Clevane Pessoa

Ela é muito pecadora,
se o pecado é querer bem:
na verdade é pescadora
de trovadores também…

Hinos de Cidades Brasileiras
Jaraguá do Sul/SC

Letra: Rudolpho Francisco Hufenüssler
Melodia: Alcesti Berri          

Entre montes te vejo engastada,
Marginando corrente prateada...
Vibra um povo querendo progresso,
Crescimento, trabalho e sucesso.

Jaraguá do Sul és vibrante,
Não haverá quem te suplante,
Teu povo alegre e varonil,
Tem por lema: Avante Brasil.

De teus campos abertos em flor,
Da indústria a todo vapor,
Brotam rios de riqueza a sorrir.
Para o dia de amanhã que surgir.

Teu brasão tem o verde: é esperança,
O vermelho, este povo que avança.
Ao lufar da bandeira marchamos
Pela terra que é nossa e que amamos.

Um Poema de Goiânia/GO
Willier Carlos Pereira

Adão e Eva

 Deus fez a mulher tão bela,
 De uma simples costela de Adão.
 Só Ele pode fazer de uma costela,
 A mulher, símbolo da perfeição.

 E Adão se apaixonou por ela,
 Dando-lhe inteiro seu coração.
 Viu mil e um encantos nela,
 Que perdeu o juízo e a noção.

 Eva era seu verdadeiro paraíso...
 Razão de alegria e de sorriso,
 Por aquela criação tão bela.

 Para ter outras Evas iguais aquela,
 Por certo ele não titubearia:
 Várias outras costelas ele daria.

Uma Trova de Lisboa/Portugal
Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
finge tão completamente,
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente!

Um Soneto de Montanha/ES
Linda Lacerda

Soneto da flor da infância

 Eu me lembro, eu me lembro, doce perfume da flor!
 Brancas gotas perfumadas e tinham cheiro de amor...
 Inebriavam as noites, da minha infância perdida,
 Uma cascata verde e branca no verde da minha vida...

 Lua serena no céu, a embranquecer minha ruazinha,
 Sem saber que o jasmineiro por me ver assim sozinha,
 Eu menina inocente, a me embalar em seus galhos,
 Flores lançava aos meus pés, qual fina colcha de retalhos....

 Foram-se meus verdes anos, cirandas e brincadeiras,
 A doce lembrança da infância, da juventude que passou...
 Jóia que o tempo levou em leves asas ligeiras...

 De menina me fiz mulher, mas na memória ainda há dor
 Da doce lembrança dos dias, das minhas tardes trigueiras
 Quantas saudades eu sinto, meu jasmineiro em flor!

Uma Sextilha Agalopada de Natal/RN
José Lucas de Barros

Ontem vi, na internet, em lindas cores,
a beleza da aurora boreal...
Lembrei todas as flores do sertão
e os encantos do verde litoral
para expor, em palavras coloridas,
uma espécie de língua universal.

Sobre a canção “Nega do Cabelo Duro”
            Apresentando semelhanças com a melodia do velho samba de Sinhô, "Não Quero Saber Mais Dela", a batucada "Nega do Cabelo Duro" foi um dos destaques do carnaval de 42, nas vozes dos Anjos do Inferno.
            Numa época em que ninguém se preocupava em ser ou não ser politicamente correto, a composição satirizava o cabelo da personagem ("Nega do cabelo duro / qual é o pente que te penteia?...") e a moda feminina, então no auge, de frisar os cabelos ("Misampli a ferro e fogo / não desmancha nem na areia..."), a chamada ondulação permanente. Aliás, os temas capilares predominaram no carnaval de 42, pois, além de "Nega do Cabelo Duro", fizeram sucesso as marchinhas "Nós, os carecas" e "Nós os Cabeleiras". (Fonte: http://cifrantiga6.blogspot.com.br/2006/05/1942.html)

Trovadora Destaque


A mensagem do poeta,
por muitos despercebida,
de forma sábia e completa
exalta a essência da vida!

Ante um fato contundente,
não podendo fazer nada,
é nas mãos do Onipotente
que eu coloco a minha estrada.

Antes que a vida se acabe,
não seja vão o viver
e aquilo que não se sabe,
que se comece a aprender.

As cinzas, na quarta-feira,
servem para nos lembrar
que esta vida é passageira
e que ao pó vamos tornar…

Da sua casa ao cartório
apenas um quarteirão...
Dada a preguiça, o casório
se fez por procuração.

Decretaste uma sentença
bem cruel, na despedida,
ao privar-me da presença
que era tudo em minha vida!

Deixando em mim forte anseio
pelo seu jeito de amar,
você se foi como veio:
- numa noite de luar!

Desde os tempos mais pagãos,
mulher, revelas quem és...
O mundo sempre nas mãos
e sempre um homem... aos pés!

Desprovida de coragem
não pude o amor declarar,
mas minha muda mensagem
estava escrita no olhar!

De volta, naquela viagem,
carregando o olhar tristonho,
via de perto a paisagem,
mas bem distante o meu sonho...

Envolvidos em discórdia,
a Deus pedimos perdão
e a "Eterna Misericórdia"
responde "SIM"... de antemão!

Esta paixão, minha e tua,
transcende em cada arrebol…
Se é noite, ao clarão da lua,
e se é dia, à luz do sol!

Este ciúme, meu tormento,
brota em lágrimas veladas,
que, independente do intento,
revolvem "águas passadas"...

Foi pirraça inusitada
aquela da sogra à nora:
ficou com ela abraçada
para passar catapora!...

Levo pela vida afora
este dilema sem fim:
o "sim" que eu neguei outrora
fez mal ou bem para mim?!...

Mesmo em escrito disperso,
nossa língua portuguesa,
seja em prosa, seja em verso,
reveste-se de beleza!

Musa de tantos amores,
neles, inspirada a lua,
repete ao sol sem temores:
– “Incendeia-me… sou tua”!

Não conhece despedidas,
nem discórdias, nosso teto:
- é que ligam nossas vidas
os laços fortes do afeto!

Não sei se todos ponderam
a troca que o livro traz:
- grandes homens o fizeram,
grandes homens ele faz!

Na rua a multidão passa...
Humanos, juntos - é  certo -,
mas, vejo, pela vidraça,
cada qual no seu deserto.

Nas ruas de minha vida,
cada esquina uma lição,
e em cada etapa vencida,
muito zelo… de antemão!

Nau partindo – céu aberto,–
nas verdes águas do mar;
navega com rumo certo
na incerteza de chegar!…

Nem sempre vamos vencer
nessa ou naquela disputa...
O que importa é não perder
a coragem para a luta!

No bilhete em que disseste:
"vou, mas volto sem demora",
por descuido não puseste
nem o dia nem a hora...

Nos ombros dilacerados
Tu carregaste, Senhor,
o peso dos meus pecados
e o meu vazio... de amor!

Nossa amizade é tão forte
que eu ouso exemplificar:
– se um corre risco de morte,
o outro morre em seu lugar!…

O café, condecorado
por ter sabor sem igual,
hoje, fato consumado:
– é bebida universal!

O destino, em nossas vidas
trouxe o reencontro, depois
das distâncias percorridas
nos caminhos de nós dois

O relógio, sem piedade,
marcando o tempo inclemente,
foi transformando em saudade,
a esperança decrescente…

Os abraços das chegadas
e os abraços das partidas,
com tantas datas marcadas,
vão marcando as nossas vidas!

O terapeuta sugere:
- “Apimente” a relação!
Mas a mulher interfere:
- “Tô fora! Pimenta não!

Para enxergar a cobiça
e amparar prejudicados,
não deveria, a Justiça,
manter seus olhos vendados!

Por nunca amar quem me ama
e amar quem nunca me quis,
as feridas do meu drama
deixam dupla cicatriz...

Prisioneira deste encanto
que transmite o teu olhar,
preciso fugir, no entanto,
não quero me libertar!

Quando fingir é preciso,
seriamente eu me concentro:
– levo na face um sorriso,
enquanto eu choro por dentro.

Quando vens, só de passagem
no escasso tempo, mas pleno,
o amor faz grande a coragem
e o medo fica pequeno!..

Quem julga o seu semelhante
carrega pedras na mão
e o que odeia a todo instante,
as guarda em seu coração!

Quero ser como o coqueiro,
que não desiste, jamais;
mesmo envergado, altaneiro
à fúria dos vendavais!

Repasso o livro da vida...
Nessas páginas viradas,
reverti muita partida                                      
em momentos de chegadas!..

Sanar miséria contida
no coração do indigente,
não consiste em dar comida,
mas tratá-lo como gente!

Se és menos corpo, mais alma,
se o mundo te fez ancião,
leva no semblante a calma
de ver findando a missão.

Sendo a existência pautada
com regras de retidão,
que a marca maior da estrada
seja os passos do perdão!…

Se viveres, amiúde,
longas noites de boemia,
perderás tua saúde
e para sempre a alegria…

Todo homem tem na mulher
um mistério a desvendar:
- sempre ela sabe o que quer,
mas nem sempre quer falar!...

Vigiando o companheiro
ela fica no seu pé;
só se afasta indo ao banheiro,
mesmo assim, de marcha a ré...

Fazendo Versos, em Gotas (9)

ORIENTAÇÕES E  CUIDADOS QUE AJUDAM 

Acreditamos que, o texto a seguir seja oportuno para quem lê, recita ou declama um poema:

            “Aprender a pontuar não é aprender um conjunto de regras transmitidas através de um discurso sobre o que são e para o que servem os sinais de pontuação.
            Aprender a pontuar é aprender um conteúdo procedimental de natureza complexa. E como todo conhecimento procedimental, pontuar se aprende pelo uso.
            O sistema de pontuação não é composto apenas pelos sinais que conhecemos – ponto final,dois pontos, travessão, virgulas etc.... Dele fazem parte os brancos que centralizam o título, o branco que indica parágrafo, a letra maiúscula, os sublinhados, negritos, itálicos etc.
            A função da pontuação no texto escrito não é indicar pausas para respirar. Sua função é separar, traçar as “fronteiras que” vão indicar ao leitor como o texto deve ser lido.
            A pontuação é um atributo do texto e recurso da textualidade e não um elemento da frase.
            Textualidade é aqui entendida como conjunto de relações que se estabelecem à partir da coesão e coerência.” ( CENP, Letra e Vida, 2005, Mod.III, M3U6T8, p.1-2)

            É necessário e importante conhecer rimas; porém, não podemos empregar uma rima que não combine a mensagem que está sendo desenvolvida no poema.
            Rima é a repetição de sons semelhantes no final de um verso. Pode ser consoante (mesmo som a partir da vogal  tônica) ou toante (rima com a vogal tônica do verso). Na trova, as rimas são ABAB.
            O poeta deve ser paciente; ler, reler, declamar e trabalhar o poema até que fique pronto. Não devemos nos preocupar com o tempo gasto na feitura de um poema, mas com o seu produto final.
            O trovador Adelmar Tavares deu-nos a avaliação de fácil e difícil e Olavo Bilac no poema Profissão de Fé. A construção do saber é constante. Começamos lendo com os olhos e depois com todos os órgãos dos sentidos. As conclusões ocorrem à medida que desenvolvemos a aprendizagem poético-literária.
            Nos dicionários modernos todas palavras estão separadas em sílabas. O verso é feito com sílabas  (poéticas) e, isto leva a aprofundar os conhecimentos. O alfabeto é composto de 5 vogais e as demais são consoantes. Lembremos que o H tem o som da vogal e junta-se na métrica com a sílaba anterior. Cada vez que abrimos a boca, falamos um pedacinho de uma palavra e isto recebe o nome de sílaba. Na forma fixa o poeta  tem que ser exímio metrificador.
            As silabas gramaticais são apresentadas nos dicionários modernos, facilitando professor e aluno na docência e na aprendizagem.
            Os encontros de vogais são chamados vocálicos e os encontros de consoantes, consonantais. A palavra dia tem um encontro vocálico, porém  num verso metrificado é separada por ser um hiato. Com relação aos encontros consonantais, devemos atentar-nos na ocorrência do “suarabact”. 
            Quanto a pronúncia da sílaba forte, oxítona,na última (boné), paroxítona, penúltima (telefone), proparoxítona, antepenúltima ( bombástico). O acento agudo, serve para indicar que a sílaba é tônica e que a vogal têm som aberto. O acento circunflexo, serve para indicar  que a sílaba é tônica e tem o som fechado. A sílaba tônica é  vida  na forma poética.
            Diversos poetas têm produções com rimas em sons abertos e fechados. Já assinalamos em trovas anteriores esta ocorrência. 
            Quanto a classificação das palavras quanto a sílabas tônicas, citamos boné, telefone e bombástico. Quanto aos ditongos (encontro de duas vogais pronunciadas em uma mesma sílaba) tem  força na escrita  de um verso.
            O Decálogo de Metrificação  exemplifica-nos a importância. O hiato tem deixado muita trova sem premiação. As palavras dissílabas – lua, rua, tua; as trissílabas – poeta, miolo, saúde; as polissílabas  são menos  freqüentes nos versos heptassílabos.
            Convém não esquecer  que verso é cada linha de um poema. Em algumas regiões do Leste e do Nordeste, por verso, é conhecida a quadra  popular sob a  influência das cantigas de roda.
            Na metrificação de um verso, as sílabas são contadas até a última sílaba tônica.

Fonte:
Nilton Manoel de Andrade Teixeira. Didática da Trova. Batatais, 2008.
 
I CONCURSO DE TROVAS “COUNTRY MAGAZINE” (Prazo: 10 / 12/ 2014)

      1. O I Concurso de Trovas “Country Magazine” está sendo promovido pela revista do mesmo nome, sediada em Juiz de Fora, à Rua Franklin de Paula Marques, 143/102 – Cidade do Sol – 36.085-150 - Juiz de For MG, CNPJ – 15086193/0001-12 – publicada por B.O. Produções, com o apoio da Secção da UBT (União Brasileira de Trovadores de Juiz de Fora - MG. Este concurso tem por finalidade primordial divulgar a TROVA, uma composição poética de quatro versos heptasílabos (sete silabas) contados até a última sílaba tônica com rimas obrigatórias do 1º com o 3º versos e do 2º com o 4º, (ABAB), sendo que os mesmos, deverão expressar, em seu conteúdo, um pensamento completo.

      2. O concurso é dirigido, apenas, aos países de Língua Portuguesa.

      3. Tema Nacional e Internacional:

Lírico ou filosófico: CAVALO - Humorístico: JUMENTO

      4. Tema exclusivo para trovadores de Juiz de Fora (filiados ou não à UBT)

Lírico ou filosófico: RODEIO – Humorístico: PEÃO

      5. Trovas dos temas NACIONAL E INTERNACIONAL deverão ser enviadas pelo sistema de envelopes para:

MESSIAS DA ROCHA
Rua Olga Burnier, 51-sb.  Bairro Costa Carvalho
36.070-190 – JUIZ DE FORA – MG

      6. Trovadores de Juiz de Fora (filiados ou não à UBT) deverão enviar suas trovas pelo sistema de envelopes para:

MARIA DE FÁTIMA S. OLIVEIRA
Rua Alexandre Joaquim Siqueira, 125 - Lote 6 – Bairro Vila Ideal
36.020-660 – JUIZ DE FORA – MG

      7. Cada participante deverá enviar apenas 1(uma) trova por tema.

      8. O prazo limite para recebimento das trovas será o dia 10/12/2014. (Será considerada a data de recebimento das trovas. Fiquem atentos, pois os Correios costumam fazer suas entregas entre 5 a 15 dias após a expedição). Remeter por correspondência simples.

      9. Remetente: LUIZ OTÁVIO repetindo o endereço do destinatário.

      10. Serão concedidos os seguintes prêmios:

Aos cinco vencedores:

       PRIMEIRO LUGAR EM CADA CATEGORIA:

        Líricas & Filosóficas – Nacional e Internacional e Exclusivas para Juiz de                 
        Fora: (TROFÉU e DIPLOMA) 

        DO SEGUNDO AO QUARTO LUGARES: DIPLOMAS.

        MENÇÕES HONROSAS (CINCO): DIPLOMAS 

        MENÇÕES ESPECIAIS (CINCO): DIPLOMAS

      10.1– Os troféus serão remetidos via CORREIOS e os diplomas via Internet, pelo que solicitamos incluir e-mail no envelope de identificação.

      11. Para o julgamento serão constituídas duas comissões julgadoras, formadas por trovadores de reconhecido mérito dentro da literatura portuguesa e pertencentes à União Brasileira de Trovadores - UBT.

      12. A decisão dos julgadores será soberana e irrevogável.

      Solicitamos a todos os trovadores que repassem este regulamento e divulguem este concurso.

Juiz de Fora, 23 de agosto de 2014.

BRAZ OLIVEIRA – Diretor-Presidente – Country Magazine
MESSIAS DA ROCHA – Redator-Responsável
MARIA DE FÁTIMA S. OLIVEIRA – Presidente da UBT- Secção Juiz de Fora

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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