Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 16 de setembro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 237)





Uma Trova de Curitiba/PR
Cassiano Souza Ennes

No comércio, o cidadão,
nunca vive sossegado.
Quando escapa do ladrão,
cai no golpe do fiado.

Uma Trova de São José dos Campos/SP
Myrthes Mazza Masiero

Três seres em sintonia,
 o pai, a mãe e a criança;
 lindo quadro de harmonia:
 a fé, o amor e a esperança!

Uma Trova Humorística de Nova Friburgo/RJ
José Moreira Monteiro

Depois de bater no muro
o pinguço dísse assim:
Por favor seu guarda, eu juro
que o muro bateu em mim...

Uma Trova de São José dos Campos/SP
Nadir Nogueira Giovanelli

Beija-Flor

Sou um pequeno ser vivo,
sou livre em qualquer lugar,           
sou lindinho e sempre ativo,
minha vida é só beijar....

Um Poema de Porto Alegre/RS
Gislaine Canales

A Noite

Escuta a noite e em seu silêncio, ouvindo,
encontrarás a tua paz sonhada,
e o brilho das estrelas, que luzindo,
vai sempre iluminar a tua estrada!

É uma beleza de tamanho infindo,
que temos sob o nosso olhar jogada,
e toda a angústia, vai, então, fugindo,
amenizando, assim, nossa jornada!

O silêncio da noite é emoção,
é ternura que traz felicidade,
que faz bater mais forte o coração!

Tanta beleza traz amenidade
e chega cheia de recordação,
despertando, a sorrir, uma saudade!

Uma Trova Hispânica do Chile
Germán Echeverría Aros

Tras los cristales yo miro
la lluvia de la mañana,
de mi alma sale un suspiro
mientras miro la ventana.

Versos Melódicos de Niterói/RJ
Marcos Assumpção
(Marcos André Caridade de Assumpção)

A Bruxa Má do Oeste

Cuidado Dorothy insuportável
Senão voce vira pó
Se não me der os sapatos e rubi
Te embrulho e dou um nó
Porque eu sou bruxa má do oeste feito peste
Que não cura nunca não
Pobre mundo então não sabe que a maldade
Brota pela minha mão
Tenha muito medo de mim
Eu vim do reino da escuridão

Eu gosto de onde toda luz se esconde
E os bichos que rastejam pelo chão
E os meus macacos são alados,
São escravos todos desse mundo vão
Eu venho do submundo, do porão imundo
Das mazelas e do anormal
Olha pra mim e vê estampada
Na minha cara a face de todo mal
Tenha muito medo de mim
Eu vim do reino da escuridão

Trovadores que deixaram Saudades
Lilinha Fernandes
(Maria das Dores Fernandes Ribeiro da Silva)
Rio de Janeiro 1891 – 1981

A cordilheira hoje à tarde,
de um verde claro e bonito,
era um colar de esmeraldas
no pescoço do infinito.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Vinicius de Moraes
(Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes)
Rio de Janeiro (1913 – 1980)

Balada do Cavalão

A tarde morre bem tarde
No morro do Cavalão...
Tem um poder de sossego.
Dentro do meu coração
Quanto sangue derramado!

Balança, rede, balança...

Susana deixou minha alma
Numa grande confusão
Seu berço ficou vazio
No morro do Cavalão:
Pequena estrela da tarde.

Ah, gosto da minha vida
Sangue da minha paixão!

Levou o anjo o outro anjo
Da saudade de seu pai
Susana foi de avião
Com quinze dias de idade
Batendo todos os recordes!

Que tarde que a tarde cai!

Poeta, diz teu anseio
Que o santo te satisfaz:
Queria fazer mais um filho
Queria tanto ser pai!

Voam cardumes de aves
No cristal rosa do ar.
Vontade de ser levado
Pelas correntes do mar
Para um grande mar de sangue!

E a vida passa depressa
No morro do Cavalão
Entre tantas flores, tantas
Flores tontas, parasitas
Parasitas da nação.

Quanta garrafa vazia
Quanto limão pelo chão!

Menina, me diz um verso
Bem cheio de ingratidão?
- Era uma vez um poeta
No morro do Cavalão
Tantas fez que a dor-de-corno
Bateu com ele no chão
Arrastou ele nas pedras
Espremeu seu coração
Que pensa usted que saiu?
Saiu cachaça e limão.

Susana nasceu morena
E é Mello Moraes também:
É minha filha pequena
Tão boa de querer bem!

Oh, Saco de São Francisco
Que eu avisto a cavaleiro
Do morro do Cavalão!
(O Saco de São Francisco
Xavier não chama não
Há de ser sempre de Assis:
São Francisco Xavier
É nome de uma estação)
Onde está minha alegria
Meus amores onde estão?

A casa das mil janelas
É a casa do meu irmão
Lá dentro me esperam elas
Que dormem cedo com medo
Da trinca do Cavalão.

Balança, rede, balança…

Uma Trova de Bauru/SP
Eulinda Barreto Fernandes

A bola, nos pés, sentia
no meu tempo de criança...
Hoje, em plena nostalgia,
no meu campo...só lembrança!

Um Haicai do Rio de Janeiro/RJ
Millôr Fernandes
(Milton Viola Fernandes)
1923 – 2012

Usucapião
É contemplar as nuvens
Do próprio chão.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Olavo Bilac
(Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac)
Rio de Janeiro/RJ (1865 – 1918)

O Avô

Este, que, desde a sua mocidade,
Penou, suou, sofreu, cavando a terra,
Foi robusto e valente, e, em outra idade,
Servindo à Pátria, conheceu a guerra.

Combateu, viu a morte, e foi ferido;
E, abandonando a carabina e a espada,
Veio, depois do seu dever cumprido,
Tratar das terras, e empunhar a enxada.

Hoje, a custo somente move os passos...
Tem os cabelos brancos; não tem dentes...
Porém remoça, quando tem nos braços
Os dois netos queridos e inocentes.

Conta-lhes os seus anos de alegria,
Os dias de perigos e de glórias,
As bandeiras voando, a artilharia
Retumbando, e as batalhas, e as vitórias...

E fica alegre quando vê que os netos,
Ouvindo-o, e vendo-o, e lhe invejando a sorte,
Batem palmas, extáticos, e inquietos,
Amando a Pátria sem temer a morte!

Uma Trova de Angra dos Reis/RJ
Jessé Nascimento

Bola no chão, pés descalços,
o futebol contagia;
menino pobre... percalços...
sonho de ser craque um dia.

Uma Poema de Curitiba/PR
Paulo Leminski
Curitiba (1944 – 1989)

a uma carta pluma
só se responde
com alguma resposta nenhuma
algo assim como se a onda
não acabasse em espuma
assim algo como se amar
fosse mais do que a bruma

uma coisa assim complexa
como se um dia de chuva
fosse uma sombrinha aberta
como se, aí, como se,
de quantos se
se faz essa história
que se chama eu e você

Uma Trova de Niterói/RJ
Bruno P. Torres

Não tem mais papo no lar,
ninguém mais nota ninguém.
– Cada qual num celular,
teclando sei lá pra quem...

Recordando Velhas Canções
A Mulher do Leiteiro
(marcha/carnaval, 1942)

Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira

Todo mundo diz que sofre
Sofre, sofre neste mundo
Mas a mulher do leiteiro sofre mais;
Ela passa, lava e cose
E controla a freguesia
E ainda lava as garrafas vazias.

E o leiteiro, coitado!
Não conhece feriado
Se encontra satisfeito
Toda noite é sereno
E a mulher dele
Que trabalha até demais
Diz que tudo que ela faz
Ainda é café pequeno.

Um Haicai de Curitiba/PR
Mário Zamataro
(Mário Augusto Jaceguay Zamataro)

Na minha janela,
um fim de tarde anoitece
com gritos de sol.

Uma Trova de Campina Grande/PB
Tiago Duarte

A terra dá muitos giros,
mas longe da perfeição:
a tecnologia e os vírus
têm bastante relação.

Hinos de Cidades Brasileiras
Manaus/AM

Letra : Madre Dias
Música: Autor Desconhecido

Manaus, terra das florestas
terra da castanha
e dos seringais
Manaus, terra dos Barés
dos igapós
rios colossais

O rio negro magestoso
vai correndo pressuroso
o amazonas engrossar
e com suas negras águas
no oceano afogar
Manaus

A vitória-régia, flor
ostentando linda cor
tem no seu desabrochar
teus sorrisos, teus afagos
nos teus grandes, belos lagos
onde garças vão pousar
Manaus

Tuas róseas madrugadas
de baunilhas perfumadas
trazem alento ao pescador
ao trépido vaqueiro
ao heróico seringueiro
no seu regional labor
Manaus

Minha cidade risonha
o Brasil contigo sonha
um futuro a ti sorrir
tu serás farto celeiro
deste povo brasileiro
algum dia no provir
Manaus

De tu ó minha cidade
terei um dia saudade
se de ti me separar
tuas selvas tem magia
ó Manaus que poesia
nas tuas noites de luar!
Manaus


Um Poema de São Paulo/SP
Márcia Sanchez Luz

Não há que negar
nossas diferenças
posto que existem
o claro e o escuro
na mais densa mata
de todos os palcos
desta melodia
cujo nome é vida!

Transportada em redes
de luares rentes
pois que a ti concedem
o clarão da alma
da mais pura calma
concebida em noites
de total silêncio
onde a dor acaba
e o furor transcende
transpassando a mente
doce e saborosa
pois que vicejante
em tua fala quente
que atordoa e mente!

Faz-se soberana
como em ti emana
a presença humana...
Mãos que se entrelaçam
entregando espaços
antes tão restritos
a ínfimos laços!

Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Olympio S. Coutinho

Gente sozinha falando...
Este mundo enlouqueceu?
Às vezes, fico pensando:
- Quem sabe o louco sou eu?

Um Poema de Itabira/MG
Carlos Drummond De Andrade
1902 - 1987, Rio de Janeiro/RJ+

Segredo

A poesia é incomunicável.
Fique torto no seu canto.
Não ame.

Ouço dizer que há tiroteio
ao alcance do nosso corpo.
É a revolução? o amor?
Não diga nada.

Tudo é possível, só eu impossível.
O mar transborda de peixes.
Há homens que andam no mar
como se andassem na rua.
Não conte.

Suponha que um anjo de fogo
varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perdão.
Não peça.


Um Pantum de São José dos Campos/SP
Mifori
(Maria Inêz Fontes Rico)

Doa-se um Coração

Doa-se um bom coração...
Muito afoito e destemido!
Já viveu tanta paixão,
apesar de ter sofrido...

Muito afoito e destemido,
um eterno sonhador.
Apesar de ter sofrido
da solidão tem horror.

Um eterno sonhador,
por muitos, manipulado.
Da solidão tem horror;
quer amar e ser amado.

Por muitos, manipulado
mas ainda em condição...
Quer amar e ser amado
... Doa-se um bom coração!



Ah! Se esta brisa pudesse,
depois de tanger-me a lira,
levar-lhe, em forma de prece,
as trovas que ela me inspira!...

Alegava, após pilhado...
pilhando uma residência:
- A casa é de um deputado...
Concorrência é concorrência!”

A lua, que nos clareia,
é diferente de quem,
recebendo luz alheia,
não ilumina ninguém!

Ante a dor… não esmoreço,
sabendo, em meu caminhar,
que a Vida não cobra preço
que não se possa pagar

Às vezes, cismando eu fico
e ideias assim me ocorrem:
- "Porco gordo e sogro rico
só dão lucro quando morrem"...

A saudade é dependência…
É meu vício, em tal medida,
que você se fez a ausência
mais presente em minha vida!

As revoltas não têm fim
e explodem cada vez mais,
que a fome acende o estopim
das convulsões sociais!

A Terra vive conflitos,
sangrando, de guerra em guerra,
e é com voz branda… e, não, gritos…
que se há de ter Paz… na Terra!

A tormenta, que atordoa,
não distingue, em mar bravio,
a humildade da canoa…
da soberba do navio!…

A Verdade anda tão rara,
que a Mentira, sorridente,
já nem sequer se mascara
para enganar tanta gente!

A vida me presenteia
com tamanhas alegrias,
que a tristeza é um grão de areia
na ampulheta dos meus dias!

Bendita a fonte escondida…
que escorre e, por onde passa,
trazendo a graça da vida,
dá tanta vida de graça!

Cai na rua… Perde o tino,
no alcoolismo em que se esvai…
E, aos passantes… um menino
diz, inocente: – “É meu pai”…

Cantando terno estribilho
e esquecendo que era escrava,
Mãe Preta aleitava o filho
de quem os seus açoitava!…

Cometeu esta tolice
aquela ciumenta crônica:
que o marido despedisse
a "secretária eletrônica"!

Com sabor de penitência…
de brinde contra a vontade,
vou bebendo a tua ausência…
em meus porres de saudade!

Com seus dois metros e tal,
a solteirona assegura
não ter casado, afinal,
por falta de homem à altura!

CURVA FECHADA - ele leu
na placa... e, em sua tolice,
parou o carro e desceu...
para esperar que ela abrisse...

Da ternura ao desvario..
do desvario à ternura,
nosso amor vive no fio
da mais sublime loucura…

Deu fuzuê, acredite,
com a filha do Aristeu,
quando a sua “apendicite”
com quatro quilos nasceu…

Distante, a lua prateada,
entre nuvens de inconstância,
me lembra a mulher amada…
mais amada… se à distância!

Distante do olhar das ruas,
num sonho que me enternece,
em nosso céu brilham luas
que só nosso amor conhece!…

Dos meus tempos mais risonhos
descubro, agora, os segredos:
- cabia um mundo de sonhos
no meu mundo de brinquedos!

É bem mais que um pesadelo
a minha sogra ‘querida”...
Ela é um fio de cabelo
na sopa da minha vida...

É o desvario do mando
de alguns Senhores da Terra…
que implanta, de quando em quando,
os desvarios da guerra!

Eu compreendo os desvios
a que leva uma paixão…
As vezes, são desvarios
que dão à vida… razão!…

Eu lhe disse: “se eu passar
dos trinta, não casarei!”.
E ela: “enquanto eu não casar,
dos “trinta” não passarei...”

Faz-me rir certo vizinho:
a uma dona meio macha...
chamando-a "meu biscoitinho"
levou tremenda bolacha!...

Fim do amor… Desiludidos,
sabemos juntos, mas sós,
que há silêncios inibidos…
tentando falar por nós!

Hoje, em meu leito, sem ela,
enquanto resisto ao sono,
a Saudade é sentinela…
dando plantão… no abandono!

Imperfeito, eu rogo, aflito,
por nosso amor, que é perfeito:
- Não faças de mim um mito…
que mitos não têm defeito!

Liberdade — sentinela
da Paz, em qualquer lugar!
E quem não lutar por ela…
não tem mais por que lutar!

Lutando por ideais,
mesmo à beira da utopia,
tenho enfrentado os “jamais”
com meus “sempres” de ousadia.

Meu coração se acautela
e, imerso em desilusões,
faz da razão sentinela…
contra novas invasões!

Meus ideais mais risonhos
correm livres, sempre em frente,
numa corrente de sonhos,
que rompe qualquer corrente!

Na pesca, era o Chico Armando
o maior ... pescava aos feixes...
até que o pesquei... pescando
num Entreposto de Peixes...

Na vida, que te conduz
às mais diversas pelejas,
se não puderes ser luz,
que, ao menos, sombra não sejas!

Nosso amor, desde o começo,
tem tal alcance e medida,
que, quanto mais envelheço,
mais o sinto… além da vida!

O cafuné deles dois,
na rede, foi arretado...
E, nove meses depois,
batizou-se o resultado...

O meu amor te ocultei!
Seguimos rumos diversos…
Passou-se o tempo, e, hoje, eu sei:
- permaneceste em meus versos!

Poeta é aquele que abraça
a noite, sentindo-a sua,
e bebe estrelas na taça
inspiradora… da lua!

Que encrenca, junto ao jazigo,
causa o defunto... esquentado:
- “Nada de tampa comigo,
que eu vou morrer... sufocado!”...

Quem ama… libera o ardor
dos impulsos naturais,
que, em desvarios de amor,
loucura alguma é demais !

Quem tem a luz do saber,
muito mais que outro qualquer,
tem de cumprir o dever
de ser luz… onde estiver!

São tão poucos os esforços
para amparar a pobreza,
que eu chego a sentir remorsos...
pelo pão em minha mesa!

Saudade -- aquela torneira
que, apesar de bem fechada,
pinga e pinga... a noite inteira,
mantendo a insônia acordada!

Saudoso, namoro a Lua
e sinto, por seu feitiço,
que o nosso amor continua,
embora nem saibas disso!

Se em casa ele manobrava,
maquinista, um "trem" de filhos,
na rua a mulher levava
a vida "fora dos trilhos"...

Sem você, luto, em conflito,
contra o que a sorte me fez...
a ver se desfaço o mito
de só se amar uma vez!

Sineiro que não se cansa,
meu Passado, sem piedade,
tange os sinos da lembrança,
para acordar a Saudade...

Sonhador, poeta… e amante
de quanto a vida me dá,
que importa a lua distante…
se os meus sonhos chegam lá ?!…

Tenho um segredo profundo
- e, é de amor… – e, tarde ou cedo,
eu gostaria que o mundo
soubesse desse segredo!

Teu ciúme, cortando os laços
do nosso amor, me magoa…
mas meu amor abre os braços
e, por amor, te perdoa!

Toda noite ela regressa
em meus sonhos erradios…
Não há distância que impeça
de eu tê-la… em meus desvarios !

Vai pra pesca... apetrechado...
Mas, sendo ao caniço avesso,
volta com peixe embalado,
etiquetado... e com preço!...

Vem do sol a luz de prata
que parte da lua encerra…
E a lua, modesta e grata,
deita pratas sobre a terra!

Fazendo Versos, em Gotas (14)

Como Escrever um Haicai – Parte 3
por Maluniu, Revisões wikiHow

Uso de Linguagem Sensorial

Descreva os detalhes.

O haicai é composto de detalhes observados pelos cinco sentidos. O poeta testemunha um evento e usa palavras para comprimir essa experiência para que os outros possam entendê-la de alguma maneira. Assim que você escolher um assunto para seu haicai, pense sobre quais os detalhes serão descritos. Pense profundamente no assunto e explore estas questões:

O que você notou quanto ao assunto? Quais cores, texturas e contrastes você consegue observar?

Como que o assunto soa? Qual era o tom e o volume do evento que ocorreu?

Ele possuía um cheiro, ou um gosto? Como você poderia descrever acuradamente suas sensações?

Mostre, e não diga. haicais são sobre momentos de experiências objetivas, e não analisam ou interpretam subjetivamente tais eventos. É importante mostrar ao leitor algo de verdadeiro quanto á existência do momento em vez de dizer quais emoções surgiram durante tal evento. Deixe que o leitor sinta suas próprias emoções ao reagir à imagem.

Use imagens sutis e suaves. Por exemplo, em vez de dizer que é verão, foque na inclinação do sol ou no ar pesado.

Não use clichês. Frases facilmente reconhecíveis, como “noite escura e chuvosa” tendem a perder força com o tempo. Pense na imagem que você quer descrever e use uma linguagem original e inventiva para dar significado a ela. Isso não significa que você deve usar um dicionário de sinônimos para encontrar palavras pouco usadas; em vez disso, escreva simplesmente o que você viu e deseja expressar na linguagem mais confiável que conhece.

continua…

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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