Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 238)



Este número é uma Chuva torrencialmente Potiguar.



Uma Trova de Caicó/RN
Prof. Garcia

Volta, amor!... Que é primavera,
pois te esperar não me cansa...
Eu temo é que a longa espera
mate esta minha esperança!

Uma Trova de Patu/RN
Lucélia Santos

Despertei de um sonho lindo,
e num despertar tristonho;
vi minh´alma em sono infindo,
à espera de um novo sonho.

Uma Trova Humorística de Natal/RN
Zé de Souza (ou Zé da Viola)

Disse o bebum Chico Sêba,
quando escutou um reclame
- SE FOR DIRIGIR, NÃO BEBA:
- mas se for beber me chame.

Uma Trova de Natal/RN
Pedro Grilo Neto

No vasto salão do mar,
num perenal movimento,
as ondas de par em par,
bailam nos braços do vento...

Um Poema de Ipueira/RN
Tarzan Leão de Souza

Sendas Gerais

 Ipueira,
a um dia distante do mar,
seus riachos só enchem no inverno
e depois seca vem visitar.
Me criei nessas ruas descalças,
eu descalço à procura do mar.
Menino pobre andando nas ruas
com carrinho ou cavalo de pau.
O meu sonho era um dia crescer
e sair mundo à fora — cigano! —
retirante e amante da paz.

Ipueira,
se não pude ser um vaqueiro,
nem tropeiro igualzinho ao vô Chico,
hoje sou cantador de outras terras,
violeiro das sendas gerais.
E quando um dia a saudade apertar,
e de tanta dor não puder nem cantar.
Assossegue que eu estou voltando,
para os meus que deixei a chorar.
Estou voltando, me espere, eu te amo,
seu moleque andarilho voltou.

Uma Trova Hispânica do Panamá
Dioselina Ivaldy de Sedas

A través de mi ventana
recibo con  alegría
la luz de cada mañana
que me anuncia un nuevo día.

Um Poema de Natal/RN
Zila Mamede
(1928 – 1985)
Bilhar
       a Ludi e Oswaldo Lamartine

 Na medida exata
em que a noite corre
não fico: me ausento
como quem morre

Entre lousa e livro
- único disfarce
que concedo ao tempo -
mudo-me a face

que, no entanto, vária,
inábil, reprimida,
perde-se no encontro
tátil da vida

Bola sete em rude
pano de bilhar
marco meu sem rumo
jogo-de-amar.

Trovadores que deixaram Saudades
Mariano Coelho
Assú/RN 1899 –   ???? Natal/RN

Se alguém na vida pesasse
todo o mal que nela ocorre,
não sorria pra quem nasce
nem chorava por quem morre.

Um Poema de Nova Cruz/RN
Diógenes da Cunha Lima

Tempo Cronologia
(fragmentos)

No silêncio do corpo
Pulsa o relógio
No pulso do morto.

O relógio
A te olhar
Teu necrológio.

É todo santo dia
Todavia o seu santo
Não é tanto todo dia.

(...)

A beata sozinha
Devora as horas
E cospe ladainhas.

(...)

A fome é o que resta
Aqui a terra é boa
Mas o céu não presta.

Soma de ciência e fé
Toda ciência é aparência
Só a poesia é.

Uma Trova de Jucurutu/RN
Isaac Jordão

Talvez vejam falsidade
em ter segredos, porém,
essa tal sinceridade
não dá consolo a ninguém!

Um Haicai de Umarizal/RN
Gilmar Junior

Manhã de inverno –
No chão úmido os pardais
Comendo alpiste.

Um Poema de Ipanguaçu/RN
Lino Sapo

Eu e a Poesia

Quando nasci já vim grávido pra te ter
E juntos crescemos em parceria
Ao teu lado vivi as melhores alegrias
Apenas você soube e sabe me  entender

Às vezes nos fizemos carne e unha
Você era eu e eu era você
E a vida tentávamos compreender
Como vítimas, cúmplice e testemunha.

De você fiz meu alto-retrato
Esculpido com singela maestria
Em folhas de papel barato

Marca maior de minha biografia
Alma gêmea em nosso recato
O filho poeta que pariu a mãe poesia

Uma Trova de Natal/RN
Severino Campelo

Segredo de confissão
um padre guarda silente,
chora ao ver a execução
de um acusado inocente.

Uma Cantiga Infantil de Roda
A margarida

Uma menina da saia larga e as outras pegando na barra do vestido dela, formando uma roda. Do lado de fora uma outra garota, volteando e cantando:

Onde está a Margarida,
Ô lê ô lê ô lá;
Onde está a Margarida
Ô lê, seus cavalheiros.

Respondem as da roda:

Ela está em seu castelo.
Ô lê ô lê ô lá
Ela está em seu castelo,
Ô lê, seus cavalheiros.

A menina do lado de fora:

Mas eu queria vê-la.
Ô lê ô lê ô lá;
Mas eu queria vê-la,
Ô lê, seus cavalheiros.

A roda:

Mas o muro é muito alto,
Ô lê ô lê ô 1á
Mas o muro é muito alto,
Ô lê, seus cavalheiros.

A menina de fora, da roda, tira uma outra e canta:

Tirando uma pedra,
Ô lê ô lê ô lá;
Tirando uma pedra.
Ô lê, seus cavalheiros.

A roda:

Uma pedra não faz falta
Ô lê ô lê ô lá
Uma pedra não faz falta.
Ô lê, seus cavalheiros.

A menina de fora tira uma por uma da roda, só deixando mesmo a Margarida. À medida que vão saindo, as que continuam na roda, cantam: Uma pedra não faz falta, duas pedras não faz falta, três pedras, etc. até sair a última. Nesta ocasião, cantam todas:

Apareceu a Margarida
Ô lê o lê ô lá
Apareceu a Margarida
Ô lê, seus cavalheiros.

Se querem brincar de novo, repetem os mesmos versos.

Fonte: Veríssimo de Melo. Rondas infantis brasileiras. São Paulo: Departamento de Cultura, 1953.

Um Poema de São José do Campestre/RN
Graça Graúna
(Maria das Graças Ferreira)

Tear de Sonhos

Tantas histórias...
cânticos, versos
da mãe preta
do caboclo velho.

Ao pé do flamboyant
ou da jurema
um tear de lembranças
que entrou por um porta
e saiu por outra.

Contei a minha história.
Quem quiser que conte outra.

Uma Trova de Caicó/RN
Israel Segundo

Em segredo, eu durmo e sonho
que ponho o céu numa trova...
O céu na trova eu não ponho,
mas o meu sonho ela prova!

Recordando Uma Canção Potiguar
Anjo das Selvas

Tico da Costa
(Francisco das Chagas da Costa)
Areia Branca/RN (1954 – 2009)

Borboletinha, linda rainha
Voando ao léu
Leva recado, conta segredo
Com beijos de mel

Beija também tudo o que é triste
E alegra o céu cheio de cinza
Cheio de antenas
Eu creio ainda que vale a pena

Borboletinha, frágil consciência
Acende tuas cores na morte das selvas
Transforma todas as dores em primavera

Uma Trova de Caicó/RN
Rita Maria dos Santos

Foi tão longa aquela espera
que me fez perder a calma
fiz de mim uma quimera
para assim salvar minha alma.

Hinos do Brasil
Estado do Rio Grande do Norte

Letra: José Augusto Meira Dantas
Música: José Domingos Brandão

Rio Grande do Norte esplendente
Indomado guerreiro e gentil,
Nem tua alma domina o insolente,
Nem o alarde o teu peito viril!
Na vanguarda, na fúria da guerra
Já domaste o astuto holandês!
E nos pampas distantes quem erra
Ninguém ousa afrontar - te outra vez!
Da tua alma nasceu Miguelinho,
Nós, como ele, nascemos também,
Do civismo no rude caminho,
Sua glória nos leva e sustém!

ESTRIBILHO

A tua alma transborda de glória!
No teu peito transborda o valor!
Nos arcanos revoltos da história
Potiguares é o povo senhor!

II
Foi de ti que o caminho encantado
Da Amazônia Caldeira encontrou,
Foi contigo o mistério escalado,
Foi por ti que o Brasil acordou!
Da conquista formaste a vanguarda,
Tua glória flutua em Belém!
Teu esforço o mistério inda guarda
Mas não pode negá-lo a ninguém!
É por ti que teus filhos descantam
,Nem te esquecem, distante, jamais!
Nem os bravos seus feitos suplantam
Nem teus filhos respeitam rivais!

III

Terra filha de sol deslumbrante,
És o peito da Pátria e de um mundo
A teus pés derramar trepidante,
Vem atlante o seu canto profundo!
Linda aurora que incende o teu seio,
Se recama florida e sem par,
Lembra uma harpa, é um salmo, um gorjeio,
Uma orquestra de luz sobre o mar!
Tuas noites profundas, tão belas,
Enchem a alma de funda emoção,
Quanto sonho na luz das estrelas,
Quanto adejo no teu coração!

Um Poema de Natal/RN
Deth Haak
(Odete Pereira Alves)
“A Poetisa dos Ventos”

Mais um adeus...

Que saudade deixa nessas linhas
Dos dias enluarados de sol
As noites ensolaradas de luas;
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que saudade deixa nessas linhas
Do que plantei neste rol
Escolhendo sementes puras
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que saudade deixa nessas linhas
Inundando as íris desse arrebol
Que secou pranto das escrituras
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que saudade deixa nessas linhas
No bater as asas um rouxinol
Levando longes amarguras
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que saudade deixa nessas linhas
Ao apagar de mais esse farol
Que iluminou noites escuras
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus,,,

Que saudade deixa nessas linhas
Na mansidão deste Atol
Remanescendo as criaturas
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que saudade deixa nessas linhas
Da vara em que finquei o anzol
pra pescaria da procura
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que saudade deixa nessas linhas
Que murchas deixaram o girassol
Exposto aos raios das injurias
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que saudade deixa nessas linhas
Do amor ficado no linho do lençol
Que o ciúme puiu de fúrias
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que a saudade deixa nessas linhas
mais um ano ornando caracol
Pras lousas marinhas escuras
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que saudade deixa nessas linhas
Da maré que lavava o arrebol
Espumando Logus de ternura
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que a saudade deixa nessas linhas
Perpassadas de tamanho escol
Que meu ser envolveu de brandura
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que saudade deixa nessas linhas
Do viver dos dias a sentir o terçol
No talhar do ver que fissura
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que saudade deixa nessas linhas
De conquistas chutadas a gol
Rompendo as grades da clausura
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que a saudade deixa nessas linhas
dos anos que foram ao guinhol
Gargalhando ao que afigura
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que a saudade deixa nessas linhas
Dos dias passados no paiol
Tecendo palhas da lisura
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Que a saudade deixa nessas linhas
Ao ano que vai tropeçar nas ruas
Do que viveu compondo as luas
E o pesar fitando nas entrelinhas;

Mais um adeus...

Uma Trova de Natal/RN
Heder Rubens S. e Souza

Toda espera traz consigo
a marca da ansiedade;
e o coração, de castigo,
conta as horas da saudade!

Um Poema de Natal/RN
Francisco Neves Macedo
(1948 – 2012)

Sou o Número 300

Sou número trezentos deste autor,
que dedica-se à mim de coração
e que faz a maior divulgação,
tentando resgatar o meu valor...

São tantos temas... Da vida, do amor,
sonho, saudade, lágrimas, paixão.
Sou sua vida eivada de emoção,
sou a celebração por onde for.

Sou o soneto que está em sua alma,
carente de leitor, aplauso e palma!
Sou despertar do verso que dormia!

Um sentimento para declamar
que enternecendo, quer se propagar...
Sou em verdade a própria poesia!

Uma Sextilha de Santana do Matos/RN
Ademar Macedo
1951 – 2013, Natal/RN+

Eu sempre passo o domingo
sentindo e dando alegrias,
visitando meus amigos
que não vejo há vários dias;
e caçando inspiração
pra fazer minhas poesias…

Trovador Destaque


A natureza agredida
por queimadas criminosas,
perde os encantos da vida,
perde a beleza das rosas!

Ao gerar prosperidade
e bem estar social,
o trabalho é, na verdade,
o maior bem contra o mal.

Ao singrar em tuas águas
cristalinas ao luar,
Potengi! Afogo as mágoas
auscultando o teu cantar!

Ao ver a planta florida
tornar-se um preto-carvão,
a Terra, quase sem vida,
implora: - Queimadas, não!

As coisas boas da vida,
que nos dão felicidade
passam sempre de corrida,
deixando eterna saudade.

- A trova é o Sol que ilumina
os sonhos dos trovadores.
É também prece divina
que alivia nossas dores.

A trova – Musa divina,
é terna canção de amor…
É tão pura e cristalina,
que faz santo o trovador!

Buscando vencer obstáculos
com exemplar persistência,
os rios são sustentáculos
de nossa sobrevivência.

Busque enfrentar desafios,
preserve a mãe natureza:
- Nossa flora, fauna e rios,
fontes de nossa pureza.

Carnaval – Festa do povo,
dos prazeres, da folia…
Foliões buscam de novo
reviver sua alforria!…

Cartão-postal potiguar,
nosso Alberto Maranhão
é um TEATRO secular:
- Honra e Glória da Nação!

Cenário sombrio, esboço
da miséria...que tristeza:
- Ver famílias sem almoço
E sem jantar sobre a mesa!

Com saúde e educação,
sem drogas, fumo e bebida,
teremos livre a nação
nos seus direitos à vida.

Com sua fé inaudita,
São Francisco, na verdade,
fez a prece mais bonita
pela Paz da humanidade!

Corre lento, sem alarde,
Potengi - em seu trovar!
E os lábios rubros da tarde
com ardor vêm te beijar!…

Cumprindo bem cada meta,
ao longo de sua história,
nosso TEATRO completa
um Centenário de Glória.

É salutar passatempo,
trabalhar com otimismo:
O trabalho ocupa o tempo,
dissipando o pessimismo!

Este conceito traduz
um céu de muito esplendor:
– “amor é facho de luz”
– “perdão é bênção de amor!”

Eu creio em Deus, sou devoto,
amo o Brasil com fervor,
mas nunca mais dou meu voto
a quem não me dá valor.

Falar de feira... a saudade
pulsa em meu peito, tão forte,
que relembro a mocidade
das feiras livres do Norte!

Família exemplar, unida,
que busca honrar seus valores,
enaltece a própria vida:
e a vida entoa louvores…

Fonte de sabedoria
Que o mundo inteiro conhece,
A trova é a luz da poesia…
É a mais linda e doce prece!

Irmão, não mates a vida
usando drogas, maconha!
Tu perderás nesta lida:
- moral, saúde e vergonha!

Jorrando sabedoria
iluminando o universo,
a trova com maestria
é um hino de amor ao verso!

Leve a vida sem queixume,
plante amor por onde andar:
– Seja a fé o seu perfume.
– Seja a paz o seu altar!

Mesmo vencendo a contenda,
e os medos da tenra idade,
o lobisomem é a lenda
que vive em minha saudade!

Minha vida o que seria
sem o diploma de esteta,
pois sou filho da poesia
e a poesia me completa!

Mulher, encanto e ternura,
lindo poema de amor,
que ameniza a desventura
do poeta… sonhador!

Não há poema mais lindo
neste rincão potiguar:
– ver o Potengi dormindo
abraçado com o mar!

Natal – Cidade Sorriso
que ao mundo inteiro seduz,
tu és o meu paraíso,
meu paraíso de luz!…

Natureza... Templo Santo
onde Deus fez seu altar...
Em tudo há sublime encanto
que é preciso preservar!!!

O destino insano, ingrato,
me roubou você, enfim,
mas não roubou seu retrato:
- Presença que vive em mim.

O imortal desaparece
desta vida transitória,
mas seu verso permanece
nas letras vivas da história!

O silêncio, embora mudo,
tem poder envolvente
de, ao coração, dizer tudo
que passa na alma da gente!

O sonho em minha existência
perdeu seu brilho e valor,
ao sentir que tua ausência
sepultou o nosso amor!

Os sonhos da mocidade,
quase ninguém os esquece;
deixam fundo uma saudade
que nunca desaparece!

Padre João Maria, exemplo
de Fé, de Amor, Santidade:
- Da pobreza fez seu templo
em prol da Fraternidade!

Para afastar os abrolhos
do meu viver sufocante,
bastou-me fitar teus olhos
divinais… por um instante!

Perdi-te, sim, por ciúme,
mas inda guardo com zelo
a fragrância do perfume
de um fio do teu cabelo.

Preserve a Mãe-Natureza!
Combata sempre as queimadas...
Defenda o verde e a pureza
de nossas matas sagradas!

Primavera é a natureza
se revestindo de cores,
multiplicando a beleza
nos sonhos dos Trovadores!

Quando eu faço a travessia
sobre teu leito, risonho,
tudo respira poesia,
oh! Potengi do meu sonho!

Queimada… A verde floresta
perdeu no fogo a folhagem…
Hoje – só carvão nos resta,
e a saudade da paisagem!

Quem tem fé, tem esperança
num mundo novo, sem guerra,
pois com fé e confiança
haverá paz sobre a Terra!

Que o mais lindo sol desponte
sobre o milênio terceiro,
e que debaixo da ponte
ninguém ponha o travesseiro!

Relembrando a mocidade
te vejo a cada momento,
no feitiço da saudade
que adorna o meu pensamento.

Respeito, amor, lealdade,
temor a Deus sem medida,
eis a família, em verdade,
núcleo maior desta vida!

Sem passado e sem futuro,
a criança abandonada
vive num mundo obscuro,
sem esperança de nada…

Senhor Deus – Rei do Universo,
eis a prece que se encerra:
–  Mandai chuva... ouvi meu verso...
- Bani a seca da Terra!

Ser sóbrio, filho, é virtude
que gera felicidade...
Se queres gozar saúde,
cultiva a sobriedade.

Sertanejo, bravo e forte,
enfrenta a seca e os horrores
sem temer a própria morte,
vencendo os próprios temores!!!

Sou trovador, sou poeta,
vivo feliz –  tenho paz...
Esta é a prova mais completa
do bem que a Trova me faz!

Teatro de belo porte,
nosso Alberto Maranhão,
no Rio Grande do Norte
faz Cem anos de atração…

Teu doce beijo, querida,
que me acalma e tira o tédio,
é meu sol, é minha vida,
é meu sublime remédio!

Tua ausência indesejada
me causou tão forte dor,
que vivo abraçado ao nada,
no deserto desse amor.

Tua ausência, mãe querida,
o bom filho nunca esquece…
És o amor de Deus, és vida:
– Tu és a mais linda prece!

Vai seguindo o seu fadário
há milênios, junto ao mar.
Potengi, belo cenário,
cartão postal potiguar!

Fazendo Versos, em Gotas (15)

Como Escrever um Haicai – Parte 4
por Maluniu, Revisões wikiHow

Torne-se um Escritor de haicai

Esteja inspirado. Na tradição dos grandes poetas do haicai, procure inspiração fora de casa. Saia para caminhar e fique atento ao que lhe cerca. Quais detalhes do ambiente conversam com você? O que faz eles se destacarem?

Carregue um caderninho com você para escrever frases que surgem a qualquer momento. É impossível prever quando a visão de uma pedra em uma corrente, um rato escapando entre os esgotos, ou uma reunião de nuvens sobre uma colina pode inspirá-lo.

Leia outros escritores de haicais. A beleza e a simplicidade do haicai inspiraram milhares de escritores de muitas línguas diferentes. Ler outros haicais pode colocar sua imaginação em movimento.

Pratique. Assim como qualquer outra arte, o haicai exige prática. Bashō, que é considerado o maior poeta haicai de todos os tempos, disse que cada haicai deve passar mil vezes pela língua. Corrija e recorrija cada poema até que seu significado esteja verdadeiramente expresso. Lembre-se de que você não precisa aderir ao padrão silábico 5-7-5, e que o verdadeiro haicai literário inclui um kigo – uma estrutura justaposicional de duas partes. Seu objetivo primário é a imaginação sensorial.

Comunique-se com outros poetas. Para estudantes sérios de haicai, é válido unir-se a organizações como a Haiku Society of America, Haiku Canada e outras instituições encontradas ao redor do mundo. Também é válido assinar jornais de haicai como o Frogpond e o Jornal Nippak.

Dicas

    O haicai é chamado de poesia “incompleta” por requerer que o leitor termine o texto com o próprio coração.

    O haicai nasceu do haicai no renga, um poema grupal colaborativo que normalmente possui cem versos de extensão. O hokku, ou verso inicial, das colaborações renga indicava a estação e também continha uma palavra de corte. O haicai desse estilo continua a seguir sua tradição.



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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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