Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 245)


Uma Trova de Londrina/PR
Leonilda Yvonneti Spina

Antes, a família à mesa,
em sagrada comunhão.
Hoje, silêncio e frieza,
por conta da evolução.

Uma Trova de Nova Friburgo/RJ
Joaquim Carlos

Que todo homem tenha a graça
de viver sem preconceito,
pois não tem credo, nem raça,
o amor que temos no peito.

Uma Trova Humorística de São Paulo/SP
Selma Patti Spinelli

Até no "terreiro" em prece,
é preguiçoso, o farsante:
quando o "santo" dele -desce-
só vem... de escada rolante!

Uma Trova de Ponta Grossa/PR
Odenir Follador

Os familiares de outrora
tinham sempre muita festa,
na era digital de agora,
nem o cão se manifesta!.

Um Poema de Piracicaba/SP
Almeida Prado
Antônio Lázaro de Almeida Prado

De corpo inteiro

Este modo único
Levarei comigo
De um ousado tímido.

Este padrão lúdico
Levarei comigo
E meu olho clínico.

O meu ser translúcido
Levarei comigo
E  o sorriso irônico.

Detestando o cínico
Levarei comigo
Meu teor dramático.

Pobre perdulário
Levarei comigo
O apetite místico.

Débil ser telúrico
Levarei comigo
O meu jeito errático

De maneira lúdica
Encarei a vida
Como um fruto mágico.

E meu timbre excêntrico
Levarei comigo:
Solidário e... único…

Uma Trova Hispânica da Argentina
Stella Maris Taboro

Al abrir  mi amplia  ventana
mil  enigmas vi venir...
Pero Dios cada mañana
me ilumina el porvenir.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cláudia Belchior

Minha escultura

É ela a minha escultura
E nela acredito com dedos de sonhos
E com a doçura de como me fez a minha mãe.
Nela acredito íntima e interior
Com olhos profundos
Capaz de entender a alegria e a dor da humanidade.
Nela acredito forte e frágil
E me encanto com seus movimentos
Caminhar apesar de tudo
Mulher, gueixa e poeta.
E é esta argila: rosa, vermelha e azul
A responsável por fazer sempre um novo planeta .

Trovadores que deixaram Saudades
Benedito de Paula Mádia
Taubaté/SP (1903 – ????)

Quando a aurora vem raiando
e soluça o sabiá,
parece Deus modelando
o encanto de Maringá!

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Gilberto Mendonça Teles

O animal

O animal a meu lado tem a vaga
suspeita desse sol às avessas.
Nada sabe do tempo que se contrai
no interior de teu signo,
no teu canteiro de sombras,
no remorso de tuas íntimas palavras
cindidas na garganta

O animal que me pasta docemente
pode perceber o teu número,
a tua partitura dissonante.
Pode conhecer a rigidez de teus músculos,
a suavidade de tua seda,
a paciência de teu repouso.

Mas nada sabe da pronúncia
cujo sopro retorna concluído.
Nada sabe dos aromas gravados
na porosidade de teu mármore
desdenhoso de infinito.

O animal a meu lado tem a forma
de tua distração.

Uma Trova de Senhor do Bonfim/BA
Austregésilo Miranda Alves

Unindo forças extremas,
em movimentos convulsos,
vivo partindo as algemas
que eu mesmo ponho em meus pulsos!

Um Haicai de Ilhéus/BA
Abel Pereira

Pelo vão das telhas
o dia olha, e se anuncia
em vestes vermelhas.

Um Poema de Ribeirão Preto/SP
Sheila Pavanelli

Mercador persa

moreno
és vento e areia
sal soprado
nos brancos
da tua roupa

moreno
és o zunido inquieto
das abelhas
na dança
e feitura do mel

pólen
na desértica flor
a barganha
das sedas
meu coração
que fibrila

tua fala
é o cair do diamante
em cálice de ouro
és fúria
fogo...

és sol
dourado poente
seus olhos
veludo e sândalo

moreno
– tu és um escândalo!

Uma Trova de Santa Juliana/MG
Dáguima Verônica

Desafiando a ciência,
superando meus fracassos
eu quebrei o elo da ausência
só para ter-te em meus braços!

Uma Cantiga Infantil de Roda
A mão direita

A mão direita tem uma roseira,
A mão direita tem uma roseira
Que dá flor na primavera,
Que dá flor na primavera.

Entrai na roda, ó linda roseira !
Entrai na roda, ó linda roseira !
Abraçai a mais faceira,
Abraçai a mais faceira.

A mais faceira eu não abraço,
A mais faceira eu não abraço,
Abraço a boa companheira,
Abraço a boa companheira.

Uma Aldravia de São Gonçalo do Rio Abaixo/MG
Miriam Stella Blonski

olhos
vazios
de
sonhos:
face
perdida

Uma Trova de Americana/SP
Geraldo Trombin

Chaminés anoitecendo
nosso dia, a vida, tudo;
o homem sempre se fazendo
de cego, de surdo e mudo!

Um Poema de Bastos/SP
Wilson Guanais

Incursão

Todo dia à noite vem mostrar
a verdade por trás do azul
a cor do céu
sai dos cantos escuros
do quarto e debaixo da cama
onde o corpo aquece o cobertor
e o universo
expandindo em nossa viagem
dentro do inevitável.

Recordando Velhas Canções
O que se leva dessa vida
(samba, 1946)

Pedro Caetano

O que se leva dessa vida
O que se come, que se bebe
Que se brinca, ai, ai
O que se leva dessa vida
O que se come, que se bebe
Que se brinca, ai, ai

Ai, como sofre o usurário que tem tanto
Que não sabe o que fazer
Como trafega o coitadinho
Que se mata sem ganhar nem pra comer

Eu nada tive, o que tenho nesta vida
São as ruas pra andar
Mas meu consolo é que essa gente
Que tem tudo
Pro caixão não vai levar

Um Haicai de Cruz Machado/PR
Helena Kolody
1912 – 2004, Curitiba/PR+

Alegria

Trêmula gota de orvalho
presa na teia de aranha,
rebrilhando como estrela.

Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Luiz Carlos Abritta

Vamos fazer uma aliança,
pois poluir é desgraça:
levar o sol da esperança
à chaminé de fumaça !

Hinos de Cidades Brasileiras
Campo Grande/MS

Letra e música de Trajano Balduíno de Souza

I

Campo Grande que outrora um deserto,
Transformou-se em cidade primor,
É de jóias escrínio aberto,
É uma gema de fino lavor!

II

(Estribilho)

A cidade onde todos vivemos,
Aprendamos fiéis defender!
Nosso afeto a ela sagremos
E felizes assim hemos ser.
Nosso afeto a ela sagremos
E felizes assim hemos ser.

III

Quanta luz, quanto gozo sem par!
Nos legou nosso amado País!
Oh! que terra ditosa é meu lar!
Campo Grande é feliz, é feliz!

IV

(Estribilho)

A cidade onde todos vivemos,
Aprendamos fiéis defender!
Nosso afeto a ela sagremos
E felizes assim hemos ser.
Nosso afeto a ela sagremos
E felizes assim hemos ser.

V

Mato Grosso do Sul, Campo Grande,
E Brasil, eis a tríade sagrada,
Em louvá-los minh'alma se espande
Morrerei pela Pátria adorada.

VI

(Estribilho)

A cidade onde todos vivemos,
Aprendamos fiéis defender!
Nosso afeto a ela sagremos
E felizes assim hemos ser.
Nosso afeto a ela sagremos
E felizes assim hemos ser.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Xênia Antunes

Que tenhas meu corpo
(Quando as mulherezinhas crescem...)

Se amanheço
Me prometo sobriedade
Um trabalho bem feito no corpo
Um jeito tal nos cabelos
Algum sabor de morango
E pouca velocidade

Se entardeço
Esqueço do antigo enredo
Me sonho em tramas febris
Reformulo o perfeito jeito
Acrescento um tal sabor
E muito mais velocidade

Se anoiteço
Me ofereço toda com jeito
Pro jeito ser desarrumado
O amor bem feito no corpo
O coração rebatendo
Com muito mais velocidade

Se madrugo
Me acordo toda sem jeito
Feliz por um amor no meio
Enredada no gozo da alma
Um sorriso pra quem me vê
Por um instante mais calma.

Uma Trova de São João de Meriti/RJ
Pietro de Souza Assis

Darei fim nesta desgraça
no recado que componho
o negrume da fumaça
não devastará meu sonho.

Um Poema de Pelotas/RS
Cláudio Schuster

cena

cheguei ao bar
sentei ao balcão
e pedi uma dose de batom vermelho
puro
sem gelo

nacional ou estrangeiro?

dei de ombros
já havia bebido tantos vestidos pretos
naquela madrugada
por outros bares
que nem sentiria mais
o gosto de um bom batom vermelho

era o que eu achava
até perceber que a temperatura
subiu logo aos 40 graus
assim que o garçom colocou
o termômetro no copo

meus caninos cresceram
pela primeira vez
em séculos
e eu bebi aquela página
vermelha
num gole só
com todos me olhando
num inglês com rotação alterada
pelo tempo

de repente
tudo ficou em silêncio
e todos tiveram que ouvir
aqueles beijos
descendo
rubros
pelo meu pescoço
pelo meu peito

ninguém respirava
qualquer outra cor
e o batom
vermelho
desceu ainda mais
me lambendo
e sugando
por dentro
enquanto eu cravava os dentes
no copo
sem notar
que todos saíam
em câmera lenta
deixando seus vestidos de noiva
seus pijamas
e dentaduras
nos copos
sobre as mesas
trêmulas

 
A bebida que me invade,
parecendo não ter fim,
é a tristeza de uma grade
que se fecha dentro em mim...

A ciência me conduz
a pensar desta maneira:
do excesso, às vezes, de luz,
pode nascer a cegueira...

Amanhã... Depois... Depois...
Foi assim a vida inteira...
E entre os sonhos de nós dois,
a intransponível fronteira...

A penumbra que me invade
e que nunca chega ao fim,
é a janela da saudade
fechada dentro de mim...

Apesar dos solavancos
em minha vida sem cor,
adornei, com lírios brancos,
nossos segundos de amor...

A tristeza que me invade
e que nunca chega ao fim,
é a esquina de uma saudade
que eu dobro dentro de mim...

A tristeza que me invade
e que nunca chega ao fim,
é uma história de saudade
que existe dentro de mim...

A tristeza que me invade,
parecendo não ter fim,
é o cantar de uma saudade
que eu ouço dentro de mim...

A tristeza que me invade,
parecendo não ter fim,
é um passado de saudade,
que chora dentro de mim...

A vida às vezes revela
certos contrastes assim:
eu – enredado por ela;
e ela – a tramar contra mim!

Chegaste, os braços abertos
após as tuas andanças
E trouxeste aos meus desertos
mil motivos de esperanças...

Chegaste, os braços abertos,
tranquila... em tuas andanças,
e plantaste em meus desertos
mil sementes de esperanças...

De tanto sofrer na vida,
eu peço a Deus, sem revolta:
- Abra as porteiras da ida,
feche as porteiras da volta!...

Do poder tens o infinito,
à fortuna tens direito,
mas não sufoques o grito
do amor que vive em teu peito...

Embora colhendo espinhos
em meu viver malogrado,
semeio pelos caminhos
bem-me-quer por todo lado...

Embora sempre tristonhos,
são os teus olhos, querida,
dois candelabros de sonhos
pondo luz em minha vida.

Encerrando a caminhada
que anuncia o fim da vida,
corajoso na escalada,
tenho medo da descida...

Enquanto a noite vagueia
pela minha solidão,
a distância mais ateia
o fogo desta paixão...

Entardece e a caminhada
leva ao outono da vida…
Se a subida é quase nada,
é dolorosa a descida!…

Entre caminhos, frementes,
os meus lábios, em volteios,
dançam valsas diferentes
na vereda dos teus seios...

Esperança, não me peças
que acredite em tuas juras...
Já me cansei de promessas
e me perdi nas procuras...

Essa angústia que me invade,
parecendo não ter fim,
é a triste rua-saudade,
que chora dentro de mim...

Esta carta que ora mando
a você, com muita ânsia.
é a saudade soluçando
sobre os trilhos da distância.

Esta cautela, querida,
que persiste entre nós dois,
dá mais vida à nossa vida
e mais crença no “depois” ...

Esta pergunta te faço,
meu coração sonhador:
- se possuis tão pouco espaço,
como guardas tanto amor?...

Eu não entendo, Senhor,
a diferença das ruas:
- Umas, repletas de amor,..
outras, de amor, sempre nuas.

Eu não sei, meu Deus, por que,
tendo a vida em desalinho,
encontro sempre você
ao longo do meu caminho.

Fronteira é a mais desumana
das humanas criações:
desiguala e desirmana
homens de iguais corações!

Imagens difusas... Sonho
irrealizado, sofrido,
que eu componho e recomponho
na dor de te haver perdido...

Liberta este amor profundo
dos grilhões dos teus desertos,
que o maior Homem do mundo
morreu de braços abertos.

Não quero o poder que esmaga
o sonho com seu furor..
Eu quero o poder que afaga
nossos momentos de amor ...

Neste mundo passageiro,
a vida, que vai fluindo,
é um intervalo ligeiro,
dois silêncios dividindo...

No amor é bom ter cuidados
para evitar dissabor...
Nem sempre em beijos trocados
trocam-se beijos de amor.

O amanhã, que importa agora?
Que nos importa o depois?...
Vamos viver, vida afora,
o imenso amor de nós dois!...

O poeta em sua lida,
ainda que o mundo o afronte,
nos devaneios da vida
vai muito além do horizonte...

O poeta em sua lida,
ainda que o mundo o afronte,
tem sempre o aceno da vida,
que o leva além do horizonte...

O poeta em sua lida,
ainda que o mundo o afronte,
tem sempre um sopro de vida
que o leva além do horizonte...

O poeta em sua lida,
ainda que o mundo o afronte,
vence as distâncias da vida
e vai além... do horizonte...

O tormento que me invade,
parecendo não ter fim,
é o sininho da saudade,
que plange dentro de mim!

Primaveris e frementes
os meus lábios, em volteios,
trocam passos diferentes
sob o manto dos teus seios...

Profano, sem horizonte,
caminho, sedento e triste,
à procura de uma fonte
que eu nem mesmo sei se existe...

Sem direito de sonhar,
vagando no mundo, a esmo,
nem sequer pude marcar
encontro comigo mesmo!

Sem jamais fazer menção
ao destino que a conduz,
a raiz, na escuridão,
mantém os ramos na luz!...

Senhor, escuta os cicios
dos excluídos, sem teto...
Troca seus ninhos vazios
por ninhos cheios de afeto!

Se o meu tempo está marcado
e da saudade eu disponho,
invento alguém ao meu lado,
cerro meus olhos e sonho...

Somente tristes lembranças
vão comigo pela estrada...
Eu, que plantei esperanças,
colho derrotas... mais nada...

Talvez exista, suponho,
no pensar que em mim se espalma,
razões para achar que o sonho
é sempre o cinema da alma.

Tanta ternura mostrando,
teus olhos – juro por Deus –
são mil promessas bailando
na valsa do nosso adeus...

Tarde demais...e as lembranças
vão comigo pela estrada...
eu que plantei esperanças
vivo de sonhos... mais nada...

Teu poder de sedução
e a magia dos teus braços,
levam minha solidão
a percorrer os teus passos ...

Todas as pedras, querida,
que a vida atira em nós dois,
dão mais vida à nossa vida
e mais crença no "depois"...

Uma verdade patente,
que não tem contestação:
abrir ESCOLA é semente
que fecha muita prisão.

Fazendo Versos, em Gotas (22)

Como Escrever uma Ode (Parte 3)
por Hesilva, Chrystian Sales

Odes de Estilo Pindárico
   
*  Conheça a estrutura básica de três estrofes. Uma ode pindárica repete um padrão de três estrofes ao longo de todo o poema. Essa tríade é composta de uma estrofe (que não deve ser confundida com a estrofe como seção de um poema), uma antístrofe e um epodo.

*  Tudo entre a estrofe e antístrofe deve coincidir: extensão, rima, métrica etc. O epodo deve ser diferente; no entanto, você pode mudar a estrutura dessa estrofe a seu gosto. Apesar dessas mudanças, você ainda deve buscar manter um ritmo suave e natural.

*  Escolha a extensão de suas próprias estrofes. Não há um número fixo de linhas que você deve incluir em cada estrofe da ode pindárica, mas o número de versos em sua estrofe e antístrofe deve ser idêntico, e o número de versos das primeiras três estrofes deve ser repetido em todas as tríades restantes.

*  Suas estrofes podem ser compostas, tecnicamente, de 2 a 30 versos, mas um número comum deve ficar entre 4 e 10 linhas por estrofe.

*  A estrofe e a antístrofe devem ter o mesmo número de versos, mas o epodo pode ter uma quantidade diferente, porém aproximada. Por exemplo, a ode pindárica pode ter uma estrofe e uma antístrofe com 10 versos cada, e o epodo pode ter de 8 a 12 versos.

*  Escolha sua própria métrica. A métrica e a extensão de cada verso também não estão predeterminadas. Mas com a extensão da estrofe, a métrica criada na estrofe deve estar espelhada na antístrofe, e a métrica aplicada na primeira tríade deve seguir a mesma nos demais tercetos.

*  O comprimento dos versos se refere ao número de sílabas em uma linha. A métrica faz referência ao padrão de sílabas tônicas e átonas dentro de cada verso.

*  Na ode pindárica, estrofe e antístrofe devem compartilhar da mesma extensão e métrica do verso, mas o epodo pode variar. Ainda assim, o epodo conserva a mesma métrica ou tem uma bastante parecida com a estrofe e antístrofe. Por exemplo, você pode ter uma estrofe e antístrofe que alternem entre a extensão de versos com oito e nove sílabas, com sílabas tônicas e átonas alternadas que comecem com uma sílaba tônica. Para o epodo, no entanto, você deve ter uma estrofe que contenha versos de sete e oito sílabas, com sílabas tônicas e átonas alternadas que comecem com uma sílaba átona.

*  Crie seu próprio padrão de rimas. O padrão de rimas finais pode ser de sua escolha, mas o padrão a ser seguido na estrofe e na antístrofe deve ser o mesmo, e o padrão estabelecido no primeiro terceto deve ser seguido nos próximos tercetos.

*  Os padrões de rima mais fáceis são o dístico e o alternado.
Com o dístico, cada grupo de duas linhas terá finais que rimem entre si: AABB CCDD EEFF...

Com o alternado, em cada grupo de 4 linhas, cada outra linha deve compartilhar a rima final: ABAB CDCD EFEF...

*  Essas não são suas únicas opções, porém. Seja criativo e empregue um esquema de rimas totalmente diferente, desde que tenha uma sonoridade agradável.

*  Na ode pindárica, o padrão de rima que você escolher para sua estrofe será usado em sua antístrofe, mas você pode ariar esse padrão para o epodo. Por exemplo, se você tem uma estrofe com o padrão AABBCCDEDE, sua antístrofe deve manter o padrão AABBCCDEDE (ou FFGGHHIJIJ para conotar que as rimas finais específicas diferenciam-se daquelas usadas na estrofe anterior). Seu epodo pode ter um padrão diferente, porém, como ABABCCDEDE.

*  Entenda a história da ode pindárica. A ode pindárica é uma forma de ode original e foi criada pelo poeta grego Píndaro.

*  As odes pindáricas tendiam a ser mais sérias a partir de uma perspectiva histórica. Elas geralmente celebravam uma grande personalidade, divindade, lugar ou acontecimento, mas eram raramente usadas para celebrar ou honrar algo próximo e querido. A atitude do poeta era também distante em vez de passional.

*  Em condições contemporâneas, entretanto, você pode escolher um tema alegre ou sério e usar uma linguagem que seja tão apaixonada ou distante o quanto quiser.

Continua...


5º CONCURSO DA 4ª ETAPA DO PROJETO: Tema - AUTENTICIDADE
de 01/09/2014 a 30/10/2014 – resultado em 25/11/2014

5º Concurso:- AUTENTICIDADE ---------------->01/09/2014 a 30/10/2014

CONVIVENDO EM SOCIEDADE

            A tomada de ATITUDE, a AUTENTICIDADE e COERÊNCIA, no convívio em sociedade, são de suma importância, alem de serem verdadeiros valores, contribuem para a formação dos princípios universais e humanitários.

Síntese do regulamento:
Apenas uma trova inédita por trovador (a), via Internet, em Língua portuguesa ou em Língua Espanhola
O tema deverá constar da trova:
4 versos setessílabos, rimando o 1º com o 3º e o 2º verso com o 4º, tendo sentido completo.
Enviar para: mifori14@gmail.com – Língua Portuguesa
Enviar para Gislaine Canales gislainecanales@gmail.com  ou Cristina – USA  CoLibriRoseBeLLe@aol.com – língua hispânica

Trova:
Tema - AUTENTICIDADE
----- ------- ----- ---- -- A
------ ------ ----- ---- --- B
------ ------ --- ------ --- A
--- ---- ----- ------ --- ---- B
Nome:
Cidade:    Estado:   País: 
E-mail


 VENHAM PARTICIPAR DOS CONCURSOS DE TROVAS  E CONVIDE SEU AMIGO(A) TAMBÉM
 Abraços trovadorescos
Maria Inez Fontes Ricco
Presidente da União Brasileira de Trovadores
Seção de São José dos Campos - SP. Brasil


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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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