Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 4 de outubro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 254)





Uma Trova de Bandeirantes/PR
Lucília Alzira Trindade Decarli

Que não haja preconceito,
mas respeito ao nosso irmão,
sem tolher o seu direito
por simples pigmentação!...

Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Luiz Carlos Abritta

Braços negros, brancos braços,
braços de todas as cores,
que procuram os abraços
dos Irmãos, os Trovadores !

Uma Trova Humorística de Nova Friburgo/RJ
Ana Maria Motta

Foi preciso muita bucha,
muita força e muita fé,
pra tirar a puxa-puxa
da dentadura do Zé.

Uma Trova de São José dos Campos/SP
Mifori

Sem diferença de cor,
vivem juntos brasileiros;
todos são frutos do amor,
das uniões de pioneiros.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Meireles
(Cecília Benevides de Carvalho Meireles)
Rio de Janeiro/RJ (1901 – 1964) Rio de Janeiro/RJ

Noite

Tão perto!
Tão longe!
Por onde
é o deserto?
Às vezes,
responde,
de perto,
de longe.
Mas depois
se esconde.
Somos um
ou dois?
Às vezes,
nenhum.
E em seguida,
tantos!
A vida
transborda
por todos
os cantos.
Acorda
com modos
de puro
esplendor.
Procuro
meu rumo:
horizonte
escuro:
um muro
em redor.
em treva
me sumo.
Para onde
me leva?

Pergunto a Deus se estou viva,
se estou sonhando ou acordada.
Lábio de Deus! - Sensitiva
tocada.

Uma Trova Hispânica da Republica Dominicana
Claudio Garibaldy Martínez Segura

La ventana más bonita
es la de tu corazón,
en donde mi amor palpita   
con sublime devoción.

Um Poema de Niterói/RJ
Marcos Assumpção
(Marcos André Caridade de Assumpção)
Niterói/RJ

Desejos Vãos

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…

Trovadores que deixaram Saudades
Nelson Ferreira da Luz
Curitiba/PR

Encontrei  a Margarida
e pensei, fazendo graça:
ai, quanta gente, na vida,
já foi uva e agora é passa!

Um Poema de Santos/SP
Carolina Ramos

Delimitando Santos

Manhã de sol, luminosa,
dourando as águas do mar…
brisa mansa… onda morosa…
um barquinho a balouçar…

Nesse barco pequenino,
os sonhos do pescador
compõem o próprio destino,
vencendo frio e calor.

Ao fundo, o azul horizonte,
Ilha das Palmas! E alçado
à frente Itaipu no monte
e a Serra do Mar, ao lado.

Ao centro, a concha serena,
de tão sublimes encantos,
guarda pérola pequena
e tão valiosa – Santos!

E essa concha de ternura,
sempre cercada de flores,
oferece a alma pura
na gama de tantas cores!

De norte a sul, leste a oeste,
há perfume de poesia,
de orquídeas de aroma agreste,
mesclado de maresia.

No porto, grandes navios…
Nas praias, verdes jardins,
palmeiras, troncos esguios
das alturas sempre afins.

E o azul por cima de tudo!
No altar do Monte, a Padroeira,
com seu olhar de veludo,
abraça a cidade inteira!

Santos, o berço da História!
E de tão grandes poetas
que honram da Pátria a memória,
traçando brilhantes metas!

Liberdade e Caridade
Santos traz no coração…
E em troca, levam Saudade
os que de Santos se vão!

Uma Trova de Ponta Grossa/PR
Odenir Follador

Quisera ninguém mais visse
nem ódio, guerra ou maldade,
que todo mundo se unisse:
em raça, cor e amizade.

Um Haicai de Pedro Leopoldo/MG
Wagner Marques Lopes

Agosto na vila:
floridos, bem coloridos,
os ipês em fila.

Um Poema de Macaíba/RN
Auta de Souza
1876 – 1901, Natal/RN+

Flores

Quando começa a raiar
O dia cheio de amor,
Eu gosto de contemplar
O coração de uma flor,

Desmaiada e tremulante,
Pendendo triste no galho,
Tendo o pistilo brilhante
Embalsamado de orvalho:

A rosa só me parece,
Assim tão casta e sem véu,
Um anjo rezando a prece
Um’alma voando ao Céu.

Do jasmim puro e mimoso,
A corola embranquecida,
É como um seio formoso
De criança adormecida.

Esqueço-me, então, das horas
A contemplar estas flores,
As violetas, auroras,
Saudades, lindos amores.

Uma Trova de Curitiba/PR
Paulo Walbach Prestes

A canção que agora faço
vem da alma e do coração,
vem do céu e vem do espaço
esta minha inspiração!

Uma Cantiga Infantil de Roda
A canoa virou

É uma roda de crianças, todas de mãos dadas.... e assim cantam:

A canoa virou
Pois deixaram ela virar
Foi por causa de Maria
Que não soube remar
Se eu fosse um peixinho
E soubesse nadar
Eu tirava Maria
Do fundo do mar

Siri pra cá,
Siri pra lá
Maria é bela
E quer casar.

Quando as meninas dizem Fulana, (Maria, por exemplo), esta se vira para fora da roda e continua de mãos dadas, em sentido contrário. Cantam novamente o quarteto, mudando apenas o nome de outra menina, que igualmente vira para fora da roda. E assim sucessivamente, até a última. Depois, todas batem palmas e pulam.

Fonte: Veríssimo de Melo. Rondas infantis brasileiras. São Paulo, Departamento de Cultura, 1953.

Um Poetrix do Rio de Janeiro/RJ
Lilian Maial

Música

meu corpo canção
em acordes se afina
tocado por teus olhos

Uma Trova de Curitiba/PR
Roza de Oliveira

A linda canção de amor
que existe em meu coração
para Deus, em seu louvor,
sobe aos céus em oração!

Recordando Velhas Canções
Mulher
(fox-canção, 1940)

Custódio Mesquita e Sadi Cabral

Não sei
Que intensa magia
Teu corpo irradia
Que me deixa louco assim
Mulher

Não sei
Teus olhos castanhos
Profundos, estranhos
Que mistérios ocultarão
Mulher

Não sei dizer
Mulher
Só sei que sem alma
Roubaste-me a calma
E a teus pés eu fico a implorar

O teu amor tem um gosto amargo . . .
Eu fico sempre a chorar nesta dor
Por teu amor
Por teu amor . . . .mulher

Um Haicai Hispanico da Espanha
Manel Santamaria

En primavera
los florecidos sueños
llegar esperan.

Uma Trova de Maringá/PR
José Bidóia

Toda canção me fascina,
seja do tipo que for,
sempre que ela se destina
a exaltar um grande amor!

Hinos de Cidades Brasileiras
São José dos Campos/SP

Letra: Vítor Machado de Carvalho

Hino do Segundo Centenário

Ei-la envolta na neblina,
Debruçada na colina,
Sob o olhar da Mantiqueira
São José, a hospitaleira,
São José, bicentenária.

Das mãos de Anchieta nascida,
Desta terra legendária,
Que alegre vivas, unida,
No teu trabalho febril.
Que o orgulho sejas do Vale
"A cidade que mais cresce"
Pois o título desvanece
Todo São Paulo, e o Brasil.

Ei-la envolta na neblina
Debruçada na colina,
Sob o olhar da Mantiqueira
São José, a hospitaleira,
São José, bicentenária.

De operário a estudante,
Teu sangue novo, estuante,
Flui da escola à oficina.
E da fé, que te ilumina,
Unes o livro ao esmeril.

Terra do obreiro e do bardo,
Que tens Cassiano Ricardo,
O Poeta do Brasil.

Um Poema de Curitiba/PR
Andréa Motta

Despertar

É pena que esta noite sempre acabe,
que a chuva forte o teto meu desabe”.
Versos de Lisieux de Souza

É pena que esta noite sempre acabe
e acorde deste sonho de amor,
e que o descaso seja o arremate,
cortando o coração de tanta dor.

Inda aprendo a te amar sem ilusões
e me entregar à tua carnal lascívia,
como se fosse, o amor, rua de u’a via,
sem medo de futuras punições.

Então esqueço todo o meu cansaço
e as rugas que já marcam minha face.
Finjo não ter o meu peito em pedaço.

Deixo, assim, de ser mera coadjuvante.
Nesta vereda não haverá noite
que a chuva forte o teto meu desabe.

Uma Trova de Curitiba/PR
Wandira Fagundes Queiroz

A poesia se completa
quando o luar do sertão
empresta luz ao poeta...
e nasce nova canção.

Um Poema, de Campo Mourão/PR
Clara Andrade Miranda de Araújo

Estrangeirismo

Pobre do nosso idioma
Que o estrangeirismo assola
Pra se falar hoje em dia
Na língua é preciso mola

Estar bem na vida é o must
O habitat é um flat
Onde o chic é ter um site
Relax na internet.

My Darling tem mais um hobby
Diz o brother da society
Em weekend no Blue Moon
Com Sunday e soda light

Ganhei charm e new look
Usando training de stretch
Se o stress te deixa down
Vá comer chips ou fresh

No window uma homepage
E um fax modem na house
Para convidar pro new age
É só clicar o seu mouse

I love you para o baby
I’m sorry, como dói,
Recado só por e-mail,
Ou pelo Office boy

Playback num happy end
En passant com champignon
Ticket num happy hour
Champagne no reveillon

O baby look dá o tom
Antigo é o pullover
Na rua tem dance street
Cantor da moda é um cover

Special é uma star
Que usa babouche ou um Nike
O fashion é o black tie
Desconfiou é insight

Bye bye que eu vou pros States
Trabalhar num workshop
Na bag só um Rocaille
De cotton blue levo um top
Talvez eu vire uma lady
Ou uma star superpop.

Uma Trova de Lisboa/Portugal
Fernando Pessoa
(Fernando António Nogueira Pessoa)
1888 – 1935

Puseste a mantilha negra
Que hás de tirar ao voltar.
A que me puseste na alma
Não tiras. Mas deixa-a estar!

Uma Glosa de Fortaleza/CE
Nemésio Prata

MOTE
Doce flor que desabrocha,
perfumando seu cantinho
envolvendo toda rocha
com doçura e com carinho.
José Feldman (Maringá-PR)

GLOSA
Doce flor que desabrocha,
exalando os seus olores
deixa a todos feito tocha
em busca de seus favores!

Discreta, a flor permanece
perfumando seu cantinho  
mas logo que um aparece,
desaparece em seu ninho!

Aquele que vem em tocha
pressente, a distância, o olor,
envolvendo toda rocha,
que exala, doce, da flor!

E todo que busca o amor
da flor, não fica sozinho;
recebe-o, em seu ninho, a flor,
com doçura e com carinho.

Sobre a Canção “Mulher”
Considerado avançado para a sua época, Custódio Mesquita (foto) tem em "Mulher" uma de suas composições mais elaboradas. Talvez se possa considerar que este seria um prenúncio da melhor fase de sua carreira (1943-1945), que o credenciou como um precursor da moderna música brasileira, principalmente por seu sofisticado jogo harmônico.

Em "Mulher" as modulações, os surpreendentes acordes menores e o final fora da tônica são bem representativos de suas concepções musicais. Apoiado por um arranjo sóbrio e elegante, este fox foi gravado por Sílvio Caldas em disco que traz na outra face a valsa "Velho Realejo", também de Custódio e Sadi Cabral. (Fonte: http://cifrantiga3.blogspot.com.br/2006/04/mulher.html)  

Trovador Destaque 



A alegria das crianças
faz tão bem a todos nós,
renovando as esperanças
dos pais, dos tios e avós!

A beleza da floresta
é tamanha aos olhos meus
que ao fitá-la, só me resta,
dar muitas graças a Deus!

Abraço a Literatura
sempre com muito prazer,
pois sua desenvoltura
é que me ajuda a crescer!

A estrada da minha vida
é cheia de sobe e desce,
mas na subida ou descida
um sol radiante aparece!

Ainda bem que a Ecologia
está educando a gente
e, mais dia, menos dia,
só haverá gente decente!

Amigos também são Anjos
com que Deus cuida de nós;
eles sempre têm arranjos
que desatam nossos nós…

A natureza agredida
não se defende e nem xinga,
mas no decorrer da vida
cedo ou tarde, ela se vinga.

A noiva diz que "ele aceita"
e vai se casar feliz,
porque está bem satisfeita:
achou o noivo que quis!

Aprendi, vendo um faquir,
algo que ninguém me disse:
é importante saber rir
com a própria caduquice!

A vida já me ensinou,
tal qual um bom professor,
que, quase tudo que eu sou,
aos outros devo o favor!

Céu calmo, rede macia,
no peito um grande calor...
Você falava, eu ouvia
embriagado de amor!

De bom exemplo um só grama
vale muito, muito mais,
que uma arenga que se inflama
com mil conselhos banais.

De fato, não há ciência,
pois é caso constatado,
somos todos consequência
do que fomos no passado.

Eu oro a Deus todo dia
pedindo paz em meu lar
e muita sabedoria
em meu agir e falar!

Há um farol em teu olhar
que ilumina a minha vida;
sem ele (estou a cismar),
ficarei cego, querida!

Inteligência apurada
tem o meu cão lavrador;
só olho, sem dizer nada,
e ele pára ao meu dispor!

Inteligência maior
que eu possuo é a do meu corpo;
sempre me aplica de cor
qualquer tipo de anticorpo!

Juntemos as nossas mãos
para elevar nossa Terra,
que também é dos irmãos
com maravilhas que encerra!

Meu barquinho de papel
não só conduz ilusão,
vagando de déu em déu,
te leva  o meu coração!

Minha maior alegria
foi saber que Deus me ama!
Isso é tudo o que eu queria,
para por fim ao meu drama!

Não importa a cor da pele
e nem a força dos braços;
mais vale o que nos impele
aos amorosos abraços!

Não suporto mais o gato,         
um xodó do meu vizinho,
que ao invés de comer rato,
quer caçar meu canarinho!

Na tarefa que lhe cabe,
Deus trabalha com você;
mas, por você, já se sabe,
Deus não faz nem diz por quê.

Nossa vida é mesmo assim,
qual um rolo de papel...
quanto mais perto do fim,
mais dispara o carretel!

O clarão desse luar,
de tom azul-celestial,
me lembra teu meigo olhar
tão profundo e divinal!

O fogo do teu amor
é lindo e polivalente,
que amacia o trovador
e arrebenta até corrente!

O medo é perturbador
e afeta a nossa razão;
faz que coisas sem valor
pareçam mais do que são.

Onde o chão tem muita pedra
é difícil cultivar;
o que se planta não medra
e nem adiante adubar!

O porte de uma palmeira
me fascina e até me assombra,
pois apesar de altaneira
a ninguém ela faz sombra!

Pachorra não é fobia
de trabalhar obrigado;
penso que seja mania
de se achar sempre cansado.

Paraíso ou Liberdade?
Eis minha grande questão!
Placas de Rua em verdade
perturbam o meu coração!

Pode pintar na fumaça...
Pinte o sol onde quiser,
mas duvido que ele faça
brilho igual ao da mulher!

Por sentir-me inacabado,
tenho que me retocar,
pois quero estar alinhado
para levá-la ao altar!

Procure a felicidade
que sempre existe em doar-se
a quem tem necessidade.
Mas sem alarde. Disfarce...

Qualquer coisa feito bola
que os guris possam chutar,
fez do futebol escola
do esporte mais popular!

Qual vertente transbordante
sob os fortes temporais,
meu peito não é bastante
à enxurrada de seus ais!

Quanto mais vivo, mais creio,
pelo que vejo na vida,
que só o amor sabe o meio
de curar alma ferida!

Quem busca a Felicidade
acha mil bifurcações,
mas siga a fidelidade...
Não tem contra-indicações.

Quem quiser bem conhecer
alguém em profundidade
basta só lhe conceder
um pouco de autoridade...

Quem vê o verde da mata
e esse céu da cor de anil,
cheio de araras, constata,
só pode ser o Brasil!

Quer saber por que razão
 eu uso tanto “por quê”?
 Só tem uma explicação:
 porque rima com você!

Se amamos todos a vida
(ninguém deseja ser morto...);
que estupidez essa lida,
dos que defendem o aborto!

Sinal de maturidade
de alguém em qualquer momento
é manter serenidade,
se lhe assalta o sofrimento.

Todo dia nós chegamos
mais perto da eternidade
e deixamos nossos ramos
formando a posteridade!

Tomara Deus eu consiga,
para melhorar meu ser,
agir tal qual a formiga
que do querer faz poder!

Um casamento feliz,
sem danos ou dissabores,
é feito, como se diz,
de dois bons perdoadores.

Vate sem inspiração
é igual à faca sem corte,
pior que braço sem mão
e riqueza após a morte!

Velho trem me faz lembrar
os meus tempos de menino,
em que eu me punha a cismar
qual seria o meu destino...

Vendo este mar doce e calmo,
como o seu quadro retrata,
penso em Deus e rezo um Salmo
por minha vida pacata!

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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