Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 264)

Neste número, os poemas são do poeta gaúcho, radicado em Itapema/SC, Pedro Du Bois.
Pedro Quadros Du Bois, ou simplesmente Pedro Du Bois, nasceu em Passo Fundo/RS, em 1947. Poeta e contista brasileiro. Reside atualmente em Balneário Camboriú/SC.
Vencedor do Prêmio Literário Livraria Asabeça, categoria poesia, pelo livro Os objetos e as coisas (Editora Scortecci, São Paulo, 2005); Classificou-se no 13° Prêmio Poemas no Ônibus (2005), da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, com Posse. É editor-autor com diversas obras registradas e depositadas junto à Biblioteca Nacional, membro da Academia Itapemense de Letras e do Clube dos Escritores Piracicaba.
Tem publicado pela Corpos Editora, Portugal, A Criação Estética e, pela Sarau de Letras, Mossoró, RN, o livro Seres.
 
Uma Trova de Rio Branco do Sul/PR
Sara Furquim

A vida é um mar de rosas
legando beleza e olor,
às criaturas bondosas,
que sabem semear o amor.

Uma Trova de Florianópolis/SC
Abel B. Pereira

Não amar nem ser amado,
é o mesmo que não ser nada,
é pisar no chão eivado
de acúleos pela estrada.

Uma Trova Humorística de Balneário Camboriú/SC
Eliana Ruiz Jimenez

Estrondo, coisa danada,
será trem ou avião?
- Barulho na madrugada
é o ronco do maridão…

Uma Trova de Itapema/SC
Clair Fernandes Malty

A magia azul do mar,
seus mistérios e beleza,
nos convencem a cuidar
da nossa mãe natureza.

Um Poema de Itapema/SC
Pedro Du Bois

Quente

a água quente
revestida em borracha
aquece o corpo
por instantes

o tempo derramado
em alegria passageira
prenuncia horas frias

o gelo conserva a vida
na temporalidade do medo

requentadas memórias
se refazem na apropriação
da velhice em lágrimas.
Uma Trova Hispânica do Panamá
Adiyee Nieves Castillo

 Poesía es sentimiento,
como el trino de un zorzal,
que llora su sufrimiento
o canta desde el rosal.

Um Poema de Itapema/SC
Pedro Du Bois

Visão

Aos olhos cabe amortecer
os sentidos
embotar sentidos
nos fazer desconhecidos
em sentidos
verdadeiros

olhos enganam visões
realistas
resfriam sonhos
na sedução pelas cores

artimanhas
em que nos perdemos
no entrevisto destino.
Trovadores que deixaram Saudades
Miguel Russowsky
Santa Maria/RS (1923 – 2009) Joaçaba/SC

Enquanto a nau Esperança
singrar os mares da vida,
minha Quimera não cansa
e nem se dá por vencida.

Um Poema de Itapema/SC
Pedro Du Bois

História

Sabe do passado
inteirado do segmento
radicalizado em tormentos
imaginados no segredo
da insinceridade generalizada

sabe do presente
ausente nos fatos e repetições
inócuas com que são alimentados
ódios e corações dementes
desinformadas em vazios sentimentos

sabe do futuro
fruto consubstanciado na inexoralidade
dos agentes nos votos depositados
em urnas entreabertas de vaidades.
Uma Trova de Joinville/SC
David José Passerino

Felicidade, afinal,
eu creio que nem existes...
- Não passas de um ideal
no desespero dos tristes...

Um Poetrix de Criciúma/SC
Odete Ronchi Baltazar

Outono

As árvores, nuas,
exibem silhuetas
de provocar inveja.

Um Poema de Itapema/SC
Pedro Du Bois

Fantasmas em Verdades

Vivos fantasmas
gargalham inverdades
de invenções dispostas
em arcos de travessia
dos enganos cometidos
na chamada livração
(livre ação) do poema
na retórica irretocável
das travessuras

fantasmas infantes
de intenções sérias
para casamentos
em cerimônias
entre linhas

num lado a verdade
encarnecida da passagem
noutro lado fantasmas
adormecidos em certezas.
Uma Trova de Balneário Camboriú/SC
Edsom Luiz Maurici (Luigi)

Vou rezar o meu rosário
para Deus vir me salvar:
pois um segredo ordinário
me sufoca sem parar!...

Uma Cantiga Infantil de Roda
Debaixo do Laranjal

É uma ronda de garotas, com uma no centro. As da roda cantam:

Debaixo do laranjal }
Encontrei uma menina }
Apanhando flores alvas }
Flores alvas, pra me dar } bis

Flores alvas é casamento }
Dona Fulana quer se casar }
Dona Fulana deixe disso }
Deixe disso, olhe lá! } bis

Termina a criança do centro abraçando uma da ronda, que passará a ser a do meio, na vez seguinte.

Fonte: Veríssimo de Melo. São Paulo: Departamento de Cultura, 1953.

Um Poema de Itapema/SC
Pedro Du Bois

Química

Da combinação resultam
químicas decompostas

males
remédios

o tédio faz vítimas

em mundos transversos
insuficientes aos sentidos
necessitados de afeição
e carinho

amores desconsolados
motivam raivas
e gritos

a insatisfação em frascos
de falsos remédios na ilusão
da conquista do sorriso
de quem dorme horas incertas.
Uma Trova de Brusque/SC
Arthur Eduardo Pereira

Quando há segredo de amores,
como envelopes lacrados,
se abertos são como flores
e eternos, quando fechados.

Um Poema de Itapema/SC
Pedro Du Bois

Infantis

Sofás adquirem voz
e corpos falam
sobre assentos
e assentados

o guarda se transforma no cavalo
e a nave voa espaços

inexplorado o tempo
se repete
ainda cedo
e verde

o corpo infantil se transfigura
em fragmentadas imagens
de vidas imaginadas

o sofá se resume no ponto
de voragem entrevisto
no futuro: o sofá
é o mundo.
Recordando Velhas Canções
Cadeira Vazia
(samba, 1950)

Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves

Entra, meu amor, fica à vontade
E diz com sinceridade
o que desejas de mim
Entra, podes entrar, a casa é tua
Já te cansastes de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim

Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas triste
Que nem quero lembrar esse dia
Mas de uma coisa podes ter certeza
O teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia

Tu és a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que sou teu paizinho
Que há tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu

Voltaste, estás bem, fico contente
Mas me encontraste muito diferente
Vou te falar de todo coração
Eu não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar podes comer meu pão

Um Poema de Itapema/SC
Pedro Du Bois

Retornos

quando retornamos
a vida suspende seus atos
de recomeço: o avanço insignificante
na necessidade do reencontro: sonho
desfeito na primeira paragem: o desconforto
da volta na idealização do passado
em repetição indevida: o retrocesso
na chegada: corpo desabado em lágrimas

quando retornamos
temos consciência da volta: não lamentamos
a determinação de alertadas figuras
desde sempre: conhecemos nas nuvens
a inconstância: o vento determina
caminhos e desvios: alturas e cores:
a sede da chegada

quando retornamos
estamos cientes do pesadelo
terminado ao abrirmos a porta
e dizermos: chegamos.
Uma Trova de Balneário Camboriú/SC
Fabiana Gonçalves da Veiga

Eu sinto grande emoção
ao ver o mar, e então, canto
com amor no coração
o mais suave acalanto!

Hinos de Cidades Brasileiras
Vitória da Conquista/BA

Conquista, jóia do sertão baiano;
Esperança ridente do Brasil
A ti, meu orgulho soberano.
O afeto do meu peito juvenil
A ti minha esperança no futuro
Os sonhos do meu casto coração,
És e sempre serás meu palinuro
Ó pérola fulgente do sertão

Refrão:
Conquista tesouro imenso...
O mais belo da Bahia,
Que primor, que louçania
Tem mais brilho aqui o sol;
Conquista terra das rosas,
De florestas seculares,
Tem mais amor em seus lares,
Que luzes no arrebol.

Deixar o doce encanto destas ruas,
Deixar teu céu que tanto bem almeja,
Eu morreria de saudades tuas
Minha querida terra sertaneja,
Entretanto, se a pátria me exigir,
Deixar-te para a pátria defender
Este afeto bairrista é vã mentira,
Pelo Brasil inteiro irei morrer!

(refrão)

Surge o sol, fogem pássaros dos ninhos!
Todos vão venturosos trabalhar;
Eu também imitando os passarinhos
Deixo o morno regaço do meu lar,
Para a escola caminho satisfeito,
Da pátria vou saber as glórias mil
Conquista, que emoção vibra em meu peito...
Ao fitar-te no mapa do Brasil.

(refrão)

Uma trova de Rio Negrinho/SC
Glícia Murara Neidert

Num recanto abandonado,
tecendo rede e lembrando,
pescador aposentado
afaga o barco, chorando.

Um Poema de Itapema/SC
Pedro Du Bois

Leitura

O texto permanece em palavras
conhecidas. Não são minhas
as letras nem o sentido.

Avanço a leitura e o todo
se fecha em labirintos.
Setores de plenas razões
em agônicas vozes
de vazios olimpos
dessacralizados.

Ouço a dita verdade. Tombo
na velocidade dos que não se voltam.
Sei ser o texto o sinal em antecipação.

O amanhã é denso em imagens
fortuitas de mesmo barulho.
Quase nada.
Uma Trova de Balneário Camboriú/SC
Gledis Tissot

Se és veloz no pensamento,
no trânsito sê prudente.
Usa o cinto, fica atento...
Mostra que és inteligente!

Um Poema de Itapema/SC
Pedro Du Bois

Sonhos

Sonhados discursos
em versos ditos recados

a mesa demonstra o inócuo movimento

venta

no embate de poemas: o corpo se entranha
no íntimo do estranho instante
em reencontro
o tópico atrasa a terra inundada
e impede o soneto
de ser dito em altos brados

o repentino anunciado pelo demônio
silaba dispostos universos espalmados
no reinício de trançadas serpentes

o erotismo em quadros
sobre quadros
- de um filme
dizem despercebidos
do estilo

no início do sonho a amada em versos
de convexas palavras enegrecidas em saudades

ausentes no final dos tempos
luas mentem cordilheiras
em modulados cantos
silenciados.
Uma Trova de Brusque/SC
Juliana Appel

Sua boca tem segredos,
e assim, você me seduz,
revelo então, os meus medos
que nem a noite reluz!

Uma Glosa de Curitiba/PR
Nei Garcez

Curitiba, Mocidade!
(Grinalda de Versos)

Mote:
Curitiba, tanta graça,
só você não fica idosa ;
sempre que no tempo passa,
cada vez é mais formosa!

Glosa:
Curitiba, tanta graça
que recebe de seu povo,
aqui mesmo desta praça,
ou turista, sempre novo.

De esmerado tratamento
só você não fica idosa,
pelo próprio sentimento
desta clã tão generosa.

Exubera tanta graça
ao turista mais viajado:
sempre que no tempo passa
seu visual é elogiado.

Curitiba, mocidade,
de beleza majestosa,
quanto mais aumenta  idade
cada vez é mais formosa!
______________________
Trovadora Destaque


A bonita escadaria
que parece não ter fim,
é um convite à poesia
que existe dentro de mim!

A Copa do Mundo é nossa !
E  o  menino  sonhador
chuta a bola, sem que possa,
num sonho louco de amor!

A Estação da Primavera
chega linda, colorida,
com muitas flores! Quem dera
fosse eterna em nossa vida!

Ah! Santos ladrões! Eu juro!
Estou-lhes agradecida!
Ao me pegarem no escuro,
deram vida à minha vida!

A mensagem foi pequena:
- Não me esperes, por favor!
Não chorei. Não vale a pena
chorar por um falso amor!

A pedra bruta esculpida
pelas mãos de um escultor,
se for bom, tem quase vida:
qual Moisés e seu valor!

Araras azuis  voando,
num bailado tão bonito,
são bailarinas dançando
pelos céus do infinito!

A renúncia é uma virtude
que, em verdade, purifica;
tão rara, na Juventude
e, na Velhice, tão rica!

A Via – Láctea sorria,
deitando luzes no chão...
Era o parto da poesia
na obra da criação!

Busquei  a  Felicidade
e a encontrei certo dia!
Na minha realidade,
ventura é trova...é poesia!

Caminhando pelos trilhos
    em noites enluaradas,
    as estrelas lançam brilhos,
    que salpicam as estradas!

Cavalgando o "Minuano"
eu sigo em frente, risonho...
Sou tropeirista aragano
que monta o vento do sonho.

Cem vezes tu repetiste
que me amavas loucamente...
Cem vezes tu me mentiste
e cem vezes eu fui crente!

Conceituar o que é sabor
a quem não tem paladar,
é como explicar a cor
a quem não pode enxergar!

Da vida, a melhor idade
definir, eu jamais pude:
se infância ou maturidade,
se velhice ou juventude!

É  com as mãos da  poesia
e um amor grande e profundo,
que  os  poetas, hoje, em  dia,
embelezam  mais  o  mundo!

Em vez do vício, a virtude
e, da revolta, a harmonia...
Quisera que a juventude
se drogasse de poesia!…

Eis um convite infinito
do mar e céu se encontrando,
num bailado tão bonito,
para quem vai navegando!

Em meio a flores lilases,
segue o trem em disparada!
Ó lembrança, tu me trazes
a minha infância. Mais nada!

Em meus sonhos de criança,
desejei pescar a Lua
e pus anzóis de esperança
nas poças d'água da rua!

Em vez do vício, a virtude
e... da revolta, a harmonia...
Quisera que a Juventude
se drogasse de poesia!

Era tão feia a coitada
que, sendo pega no escuro,
logo seria largada
no claro, eu lhes asseguro!

Essa corrente partida,
que a foto mostra, em verdade,
é início de nova vida,
é grito de liberdade!

Fiz estranha pescaria
na ilha dos meus Desejos,
pois com anzóis de poesia
pesquei milhares de beijos!

Foi num baile. Aquele olhar,
tão profundo e sedutor,
foi a forma de mostrar
toda a grandeza do amor!

Jogo redes de ternura
e, na espera, então me ponho...
Pesco peixes de ventura
no lago verde do sonho!

Linda a alegria do esporte
em  plena  terceira-idade!
A  presença do consorte
demonstra maturidade !

Meus dias, antes tristonhos,
mudaram, hoje confesso,
pois com pedaços de sonhos,
arquitetei teu regresso.

Nada há melhor que a leitura,
que nos leva a viajar,
e propicia a ventura
de ir a qualquer lugar!

Na formiguinha valente,
a força é multiplicada!
Ela trabalha e nem sente.
Que eu seja, nela, espelhada!

Na Ilha da Fantasia,
joguei meus sonhos diversos
e, em bonita pescaria,
pesquei cardumes de versos!

Não me deixem isolado
entre os livros de uma estante,
eu quero ser manuseado,
relido e passado adiante!

Nesta penumbra doída,
neste mar de densas águas,
joguei a linha da vida
e pesquei somente mágoas!

No imenso mar de ternura
eu fiz pescarias novas:
cheguei a pescar ventura
com meu caniço de trovas.

Nos Mares da Fantasia
e, em lagos, os mais diversos,
jogando a luz da poesia
pesquei cardumes de versos!

O avião, cortando os ares,
risca o céu de sul ao norte,
e  o  temor me traz pesares,
e eu sofro o medo da morte!

O rio chora sozinho,
pois a seca o dizimou...
Seu leito está tão baixinho,
que ele sente que secou!

Ó, velhice, eu que temia
que chegasses, de repente,
vivo em tua companhia,
sem notar que estás presente!

Para pescar as estrelas,
no espaço azul do universo,
neste Natal, para tê-las,
eu jogo o anzol do meu verso!

Para pescar a ventura,
enfrentei um desafio:
joguei iscas de ternura
nas águas claras do rio!

Parece até aquarela,
em pintura verdadeira,
a  beleza dessa  tela
da nossa amada bandeira!

Pelos mares do Infinito,
jogo anzóis e redes novas
e, no meu sonho bonito,
pesco cardumes de trovas!

Pesquei cardumes de mágoas
nos mares da nostalgia
e vi que o espelho das águas
minha angústia refletia!

Que a nossa luz interior
clareie o chão das estradas
para que a Paz e o Amor
sigam juntos, de mãos dadas!

Se nós unirmos os braços,
independente da cor,
estaremos dando abraços
alimentados de amor !

Sobre um fio, numa  rua,
brincavam gato e criança,
sob  a  luz do Sol  ou  Lua,
fantasiados de esperança!

Sou a seiva da esperança
no seio branco ou de cor!
Eu alimento a criança,
seja a mãe da cor que for!

Tendo o céu e o mar à frente,
imagem que impressionava,
um par de jovens presente,
a paisagem contemplava!

Uma estranha pescaria
foi minha maior conquista:
pesquei sonhos e poesia
com meu caniço intimista!

Uma família bonita,
nos quadros se distribui!
Em fotos, ela é descrita
e o carinho, dela, flui!

Um golezinho somente,
do teu licor de ternura,
para minha alma que sente
tanta sede de ventura!

Um gostinho de licor
- num tom da cor das amoras -
tinham seus beijos de amor,
embriagados de auroras!

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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