Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 18 de outubro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 267)

Um Chuvisco:
        Os poemas de hoje são do poeta sãofidelense Sardenberg.
         Antonio Manoel Abreu Sardenberg nasceu em Santo Antonio de Pádua/RJ, em 1947. Reside na cidade de São Fidélis/RJ, "Cidade Poema", desde os quatro meses de idade. Em 1975 formou-se em Direito, com especialização em Direito de Família e Sucessões. Membro Fundador do Rotary Club de São Fidélis, correspondente do Jornal Diário de Notícias do então antigo Estado da Guanabara realizou vários eventos culturais na cidade de São Fidélis, como festival de músicas e concursos literários.
          Titular do site Sardenberg Poesias , conhecido como site Alma de Poeta, onde divulga todo o seu trabalho literário (poesias, crônicas e contos), bem como poesias de poetas amigos e poetas consagrados. No seu site é abrigado, ainda, uma página de Trovas que é dedicada á UBT - União Brasileira de Trovadores -, da qual é o seu Delegado na Cidade de São Fidélis. Membro da Academia Virtual Brasileira de Letras, do Virtualismo - Escola de Escritores e Poetas Virtuais e do Portal CEN - Brasil & Portugal.
         Autor de dois livros virtuais: Alma de Poeta e Reminiscência Poética.


Uma Trova de Bandeirantes/PR
Janete de Azevedo Guerra

O cansaço… a consumindo…
numa cadeira, ela escora…
Levanta o guri sorrindo:
- Eu guardei para a Senhora!…

Uma Teia de Trovas de Curitiba/PR
Nei Garcez

Pedagogia da Trova

DIA MUNDIAL DA "ALIMENTANÃO" - 16 de outubro, para não dizer que, na realidade...TODOS OS DIAS.
Numa grande contradição, sabemos que morre muito mais gente que come demasiadamente do que aqueles que passam fome. Duvida? Observe a clientela dos consultórios médicos.

Se previna, com saúde,
adotando esta certeza:
pra manter a juventude,
saia, com fome, da mesa.
*
Se você é um comilão
se previna da Bariátrica;
reduza a alimentação,
comendo em dose pediátrica.
*
Mesmo eu não sendo analista,
nem que você até se irrite,
receba um recado altruísta:
NÃO tenha um bom apetite!

Uma Trova Humorística de Cornélio Procópio/PR
Adolpho Boiça Moinho

Come de tudo o João,
carne de porco, jamais:
- Que me chamem comilão,
mas canibal é demais!

Uma Trova de São Paulo/SP
Heribaldo Gerbasi

A paixão enlouquecida
pelo ardor da mocidade
se transforma ao fim da vida
em carinhosa amizade.

Um Poema de São Fidélis/RJ
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Alma

Quando a vida vem sussurrar baixinho
Dizendo coisas que se quer ouvir,
Deixe o recado chegar de mansinho,
Que toda a alma também quer sentir.

Prepare o peito para uma festa,
Faça um convite para ela entrar,
Reparta o resto todo que inda resta,
Pois dividir é muito mais que dar.

E deixe o amor enaltecer a vida
Dando guarida ao pobre coração.
Quando chegar a hora da partida,
Que nos sussurre a voz da emoção.

E que o acalanto de linda cantiga
Deixe que venha a paz que tanto acalma
Trazendo junto a esperança antiga
Que ainda vive dentro dessa alma.

Uma Trova Hispânica do México
Angelina Baca (Angelina Sara)

Poesía dices tanto,
en unas cuantas palabras;
a veces es un quebranto
en otras, la dicha labras.

Um Poema de São Fidélis/RJ
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Alvorada

O sol renasce trazendo a alvorada,
A vida pulsa novamente em mim,
Desperta em bando toda a passarada,
Sinto a fragrância doce do jasmim.

O orvalho chora o fim da madrugada,
Cobre de gotas todo o meu jardim,
A buganvília, toda engalanada,
Veste seus ramos com a cor de carmim.

O galo canta alegre no poleiro,
No velho aceiro rompe uma boiada,
E o povoado acorda por inteiro.

E eu feliz, junto da minha amada,
Aproveitando o fim da madrugada,
Numa forragem dentro do celeiro.
Trovadores que deixaram Saudades
Eugênio Martins de Freitas
Brejo/MA, 1921 – 2008, São Luís/MA

Minha alma toda estremece,
quando te vejo a meu lado;
murmuro logo uma prece,
mas não resisto ao pecado...


Um Poema de São Fidélis/RJ
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Anjo da Guarda

Guarda-me anjo da guarda
como sempre me guardou...
guardando aquela lembrança
dos meus tempos de criança
que já se foi... mas ficou.

Guarda todos os sentimentos,
a candura de menino;
guarda todo o meu destino,
minha fé, ternura e paz,
guarda também a saudade
que por pirraça ou maldade
não vai me deixar jamais.

Guarda meus sonhos perdidos
que nunca foram alcançados;
guarda aqueles meus pecados
tão ingênuos de menino,
pecados tão pequeninos
por certo já perdoados.

Guarda, afinal, a certeza
de ter trilhado o caminho
do bem,  razão e pureza;
guarda também a riqueza
do meu pobre coração,
guarda, meu Anjo da Guarda,
minha vida em tuas mãos.

Uma Trova de Juiz de Fora/MG
José Tavares de Lima

Ajuda os de mãos vazias,
porque colheita não temos
igual à das alegrias
que vêm do bem que fazemos!…

Um Haicai de São Paulo/SP
Carlos Seabra

fera ferida
nunca desiste -
luta pela vida

Um Poema de São Fidélis/RJ
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Berimbau

Ariranha arranha a presa,
Aranha tricota a teia,
Faz charme a moça bonita,
Faz crochê a mulher feia.

Quando o dia se apressa
O homem acende a candeia,
A pecadora confessa,
O padre impõe muita reza:
O fogo dela incendeia.

Araruta faz polvilho
E dele faz-se o mingau,
Vaca dá leite ao novilho
No cocho lambendo o sal.

Surubim sobe a represa
Indo em busca do canal,
Mulher de saia rodada,
Não dança o mineiro-pau.

O coração machucado
Bate em ritmo anormal,
O homem que é afobado
Come cru e passa mal.

Eu fico aqui matutando
Para encontrar um final,
Nesses versos que eu te fiz
Sob o som do berimbau.

Uma Trova de Fortaleza/CE
Francisco José Pessoa

Quando a seca nos acossa
e o rio mostra seu leito,
a tristeza que há na roça
roça com força em meu peito

Uma Cantiga Infantil de Roda
Estou presa, meu bem

É uma roda de crianças com uma no centro. Cantam as da roda:
Estou presa, meu bem
Estou presa
Estou presa por um cordão
Me solta, meu bem
Me solta
Me prenda no coração

Canta a do centro:
Meu anel da pedra verde
A quem devo oferecer
Ofereço à letra N
A quem deve agradecer

A roda:
Estou presa, meu bem, etc...

A menina:
Cajueiro abaixe o galho
Qu’eu quero colher caju
Cajueiro quem te disse
Que meu amor é Artur

A roda:
Estou presa, meu bem, etc...

A menina:
Limoeiro abaixe o galho
Qu’eu quero colher limão
Limoeiro, quem te disse
Que meu amor é João

A roda:
Estou presa, meu bem, etc...

A menina:
Dei um nó na fita verde
Dei outro na verde fita
Tenho outro para dar
Na morena mais bonita

A roda:
Estou presa, meu bem, etc…

Escolhida a primeira letra do nome de uma das meninas, esta será a do centro, na vez seguinte.

Fonte: Veríssimo de Melo. São Paulo: Departamento de Cultura, 1953.

Um Poema de São Fidélis/RJ
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Brisa

Você é meu sopro de vida,
brisa terna e envolvente -
aragem leve e sentida
roçando no corpo da gente!

É a cascata escondida,
sussurrando bem baixinho,
dando o adeus da despedida
ao correr pelo caminho!

É do campo a relva verde
toda coalhada de flor,
que mata a fome e a sede
do tão frágil Beija Flor!

É a luz do sol poente
escondendo na montanha...
deixando saudade na gente,
mesmo antes que se ponha!

você é o céu estrelado
em noite de lua cheia...
é o amor mais amado,
é fogo que incendeia!

É, então, tudo afinal:
princípio, meio e fim,
o mundo pleno e total
guardado dentro de mim!

Uma Aldravia de Funchal/Ilha da Madeira/Portugal
Ermitão de Picinguaba
(Édison Pereira de Almeida)

quando
partilha
nasce
a
ilha

Uma Trova de São Paulo/SP
Edna Valente Ferracini

Sou uma roça enflorada
quando ao sol de teu olhar,
me amanheço em alvorada
com meus sonhos a espigar!

Um Poema de São Fidélis/RJ
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Cidade de Santos

Oh! Santos de tantas santas,
Santos de belas meninas,
Santos de lindos olhares,
De barcos singrando os mares
E alegres bares nas esquinas.

Oh! Santos de lindos jardins
Adornando as enseadas,
Seu perfume é de jasmim,
Sua beleza é sem fim,
Deixa a vida apaixonada!

Santos da balsa que traz
Alguém que se espera tanto
Santos de luz e de paz
Santos de tantos encantos!

Santos de grandes poetas
Que bordam versos brilhantes,
Santos de grandes atletas,
Santos de Reis e profetas,
Santos de ternas amantes.

Recordando Velhas Canções
Beijinho doce
(valsa, 1951)

Nhô Pai

Que beijinho doce
Que ela tem
Depois que beijei ela
Nunca mais amei ninguém

Refrão:
Que beijinho doce
Foi ela quem trouxe
De longe prá mim
Se me abraça apertado
Suspira dobrado
Que amor sem fim

Coração que manda
Quando a gente ama
Se estou junto dela
Sem dar um beijinho
Coração reclama

Um Haicai de Magé/RJ
Benedita Azevedo

Ao romper da aurora
o sabiá dobra seu canto –
Só isso me basta.       

Um Poema de São Fidélis/RJ
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Castigo

Carrego em mim uma esperança viva,
Uma razão para poder sonhar,
O sentimento que inda me cativa
E vem da luz que tem no seu olhar.

Faço-me forte, sinto-me gigante,
Sigo adiante para reencontrar
Aquele abraço tão aconchegante,
Que bem distante um dia fui buscar.

Presa em minh'alma, vai toda saudade,
Por onde eu ando, ela vai comigo,
E, se suporto, assim, tanto castigo
É porque sinto, no seu peito amigo,
O abrigo terno da felicidade

Uma Trova de Juiz de Fora/MG
José Messias Braz

O chão trincado e careca
e o céu vazio e distante…
- Tudo seco!… Só não seca
o pranto do retirante…

Hinos de Cidades Brasileiras
Icapuí/CE

Salve terra de um povo que é grande
Generoso e feliz de verdade
Que no afã do trabalho se expande
A grandeza sem par da cidade

Estribilho
Icapuí, rincão ditoso
Do Ceará torrão natal,
Há no teu seio esplendoroso,
Icapuí, nosso ideal

Salve terra dos verdes coqueiros,
Que se embalam aos ventos dos mares,
Hoje a ti, todos nós, altaneiros,
Elevamos os nossos cantares.

Estribilho
Icapuí, rincão ditoso
Do Ceará torrão natal,
Há no teu seio esplendoroso,
Icapuí, nosso ideal

Salve terra! Pela autonomia
Esperavas com fé renovada.
Os teus filhos ergueram-se um dia
E tornaram enfim libertada.

Estribilho
Icapuí, rincão ditoso
Do Ceará torrão natal,
Há no teu seio esplendoroso,
Icapuí, nosso ideal

Salve terra tão bela e querida
Nós saudamos a tua vitória.
Haverás de crescer forte e unida
E terás um futuro de glória!

Estribilho
Icapuí, rincão ditoso
Do Ceará torrão natal,
Há no teu seio esplendoroso,
Icapuí, nosso ideal

Salve terra de praias e dunas,
Pelas quais o teu mapa é bordado!
Tu és livre entre livres comunas
Para o bem e o progresso do estado.

Estribilho
Icapuí, rincão ditoso
Do Ceará torrão natal,
Há no teu seio esplendoroso,
Icapuí, nosso ideal

Um Poema de São Fidélis/RJ
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Cenário

A branca bruma que envolve o mar
Toca de leve no seu corpo ardente
Que a lua cheia vem agasalhar
No espelho d’água frio e transparente.

O céu dourado quase se apagando
Faz despedir o dia que se finda,
Devagarinho a noite vem chegando,
Quer contemplar essa imagem linda:

Bruma branca
Corpo ardente
Mar...

Brahma
Aguardente
Amar...

Céu dourado
Espelho d’água
Amor
Você
Mais bela do que a flor
Mais linda do que o luar...

Uma Trova de São Paulo/SP
Therezinha Dieguez Brisolla

Cada amigo tem um jeito
que eu não julgo nem desdenho.
Ninguém, no mundo, é perfeito…
Defeitos? … eu também tenho!

Um Poema de São Fidélis/RJ
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Coisas da Roça

Afiei o fio da faca,
Amolei minha catana,
Serrei a ponta do toco
Cortei a soca da cana.

Afinei minha viola,
Esquentei o meu pandeiro,
Acendi o candeeiro
E varei a noite adentro
Com o som do sanfoneiro.

Contemplei o céu coalhado
Com estrelas cintilantes,
Flertei a linda morena
De cabelo cacheado
Que estava ali tão sozinha
Pois brigou com o namorado.

Botei pra fora a lembrança
Que guardava no meu peito,
Abandonei os preceitos,
Virei de novo criança,
Deixei de lado a razão
E namorei a morena
 No luar do meu sertão...

Setilhas para o Dia do Médico (18 out), de Fortaleza/CE
Nemésio Prata

Todo Médico ao se formar
jura "Hipocraticamente"
de todo mundo tratar
com cuidado, infelizmente
médico também se esquece,
e quando isto lhe acontece,
quem paga o pato é o indigente!

Tirante a graça dos versos,
sou mui grato ao "Doutor",
que luta em campos diversos
para amenizar a dor,
seja do rico ou do pobre,
um gesto deveras nobre,
que o faz ser nosso credor!

Trovadora Destaque


Abrindo meu coração,
aos quatro ventos proclamo:
ergui meu lar no teu chão,
és a cidade que eu amo!

Acordei (tinhas partido)
e me deixaste na estrada:
um pobre arbusto perdido
sem luz, sem pranto, sem nada…

Alegria na viagem
deste trem tão barulhento
que nos mostra, de passagem,
flores colorindo o vento!

A nossa vida vivemos
plena de desejos vãos
até saber: não podemos
ter o mundo em nossas mãos.

Às vezes, dias tristonhos
fazem-me pensar na vida:
Acho que deixei meus sonhos
numa canoa perdida.

Às vezes surge de um nada,
o amor, na vida da gente.
Hoje vivo acorrentada
mais do que a qualquer corrente!

Até hoje me envergonha
essa, que sonhou demais:
quando está dormindo, sonha,
acordada, sonha mais…

Basta acompanhar a seta
para que a alegria alcances.
Felicidade completa
vais achar só nos romances.

Dei-te o melhor dos abraços,
do mais profundo querer…
Mas a força dos meus braços
não conseguiu te prender!

Deixo que a vida me embale
 enquanto a tarde agoniza:
 mesmo que você não fale,
 ouço a sua voz na brisa…

Deus! Que beleza me deste!
– Penso que ela é toda minha –
mas no espaço azul celeste
sou só uma nuvenzinha.

Enquanto a rede balança,
tenho um pensamento louco:
eu deixei de ser criança
mas ainda sou um pouco...

Escrava do teu olhar,
quis fugir mas – que surpresa!
Na ânsia de me libertar,
cada vez fico mais presa…

Longe de pranto e de dores,
o nosso amor sem cobranças
tem um perfume de flores
como o de duas crianças.

Luzes! Músicas! E à mesa
como nunca alguém sonhou.
Mas havia uma tristeza
que eu não sei por onde entrou…

Mesmo vindo da favela
- Brasil, África ou Europa -
o menino se revela
ao disputar sua Copa.

Nós, filhos da natureza,
não nascemos para o mal:
podemos criar beleza
de qualquer material.

O mar sussurra e promete
assim que o dia clareia.
Nós vamos "pintar o sete"
correndo juntos na areia!

O relógio dos meus dias
vem batendo devagar.
Só recordo as alegrias,
vou dormir quando parar.

Parece o mesmo ambiente:
cordial, familiar;
todos juntos, mas somente
conversam... sem conversar.

Paro a pensar um instante
e, numa oração sentida,
peço água - tão importante -
que é tudo na nossa vida!

Pétalas voam tão belas
e mais parece que dançam;
quero-as - brancas, amarelas -
mas minhas mãos não alcançam...

Quando, ao longe, o teu veleiro
singra as ondas do destino,
parece que o mundo inteiro
também ficou pequenino...

Quando o meu dia começa
e abro os olhos... e levanto,
acabam dor, medo e pressa
e o que resta é puro encanto!

Sejamos gratos pelo  ar
que respiramos de graça
ou iremos transformar
nosso planeta em fumaça!

Tentei ignorar a dor
mas do peito não arranco
aquele primeiro amor
numa foto em preto e branco...

Tuas palavras bonitas
eu recordo nesse instante:
promessas que estão escritas
nas linhas do teu semblante.

Um abraço podes dar-me,
também quero te abraçar.
Mas vai soar um alarme
se tentares me beijar!

Um grande amor nasce mudo
pois não consegue falar;
você não me disse tudo,
disse-me tudo um olhar...

Visuais estonteantes
no voo das ararinhas!
Fazem pensar, por instantes,
que - enquanto as vejo - são minhas...

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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