Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 21 de outubro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 270)

Chuvisco Poético: 
Luiz Poeta (Luiz Gilberto de Barros) nasceu no Rio de Janeiro. Poeta, trovador aldravista, escritor, compositor, cantor, violonista, guitarrista, produtor musical, artista plástico e docente de Literatura Brasileira, Língua Portuguesa e Produção de Textos, lecionando na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. É verbete do Dicionário de Música Popular Brasileira Antônio Houaiss, filiado à Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e escritores de Música,   Diretor Cultural da Associação Cultural Encontros Musicais, Acadêmico Honorário do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais, vice-presidente da Academia Pan-Americana de Letras e Artes, Acadêmico correspondente da Academia de Artes de Cabo Frio (ArtPop)  Diretor Musical e Benemérito da União Brasileira de Trovadores, Cônsul dos Poetas del Mundo (Seção Marechal Hermes – Rio de Janeiro), Membro da União Brasileira de Escritores, etc.




Uma Trova de Londrina/PR
Dirce Davenia Guayato

Há tempo de flor... de espinho...
Tempo de ouvir... de falar...
Tempo de dar um tempinho...
Tempo.. de o tempo matar!

Uma Trova de São Paulo/SP
Campos Sales

Nos telhados da cidade
a garoa não cai mais
somente a minha saudade
ainda escorre nos beirais!

Uma Trova Humorística de Nova Friburgo/RJ
Joaquim Carlos

Safado como ninguém,
o guri reage assim:
quando o padre diz “Amém...”
ele completa: “doim!”

Uma Trova de São Paulo/SP
Débora Novaes de Castro

A trova, amigo, é uma festa,
não importa quem a faça;
é vinho bom, é seresta,
vicia sem ser cachaça...

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Luiz Gilberto de Barros
(Luiz Poeta)

Apenas um menino

Queria me tornar uma criança
Diante da tristeza que há no mundo,
Sem precisar usar minha esperança
E nem me entristecer em um segundo.

Queria ter nos olhos a inocência...
No coração, a chama da bondade
E não saber o que é intransigência,
Nem arrogância, medo...ou maldade.

Queria a pureza de um menino
Sorrindo para o gesto pequenino
De um outro menininho... nada mais.

Assim, num novo mundo eu viveria,
Criando sempre nova fantasia
Diante da magia que há na paz

Uma Trova Hispânica da Argentina
Olinda Rosa Harache

La poesía es la rosa
del rosal del corazón,
en sus pétalos reposa
el don de la inspiración

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Luiz Gilberto de Barros
(Luiz Poeta)

Tradução

Cada verso teu traduz a tua história;
Solta em cada linha livre que tu traças
Quando tu te expressas, da tua memória
Nascem tantas formas onde tu te enlaças.

Cada vez que leio cada fragmento
Dos teus sentimentos, no meu coração,
Um amor sublime faz desse momento
Mais que um sentimento de admiração...

Parece que há muito eu já te conhecia
E deixo  meu ser voar qual passarinho
No rumo sutil da tua poesia
Onde a fantasia cria o seu caminho.

Ando-te sem pressa, sem preocupar-me
Com a vida,  o tempo... e a ti me dedico,
Quero encontrar-te e busco encontrar-me
Na tua emoção com a qual me identifico.

Tu és minha irmã... eu sou o teu irmão
Quando tua doce alma me convida
A eternizar-te no meu coração
E a compreender um pouco a tua vida.

E assim que te vais após cada leitura,
Deixas no meu peito a doce sensação
Que tua palavra cheia de ternura
Cura as amarguras do meu coração.

Trovadores que deixaram Saudades
Amália Max
Ponta Grossa/PR (1929 – 2014)

A sorte tem seus encantos,
seus agrados, seus engodos;
às vezes agrada a tantos,
mas jamais agrada a todos!

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Luiz Gilberto de Barros
(Luiz Poeta)

Ingênua Solidão

A solidão me pede que eu te ame
Com os olhos delicados de um menino
Que rouba sempre um sonho pequenino
E espera que ninguém nunca reclame.

 Eu fujo de mim mesmo inutilmente;
O espelho me acompanha… inevitável,
Criando um sentimento condenável,
Enquanto o meu olhar pensa que mente.

 Teus sonhos são ingênuos, não seduzem
A minha emoção  e o que  produzem
São tolas sensações de bem-estar…

 Tu queres meu calor, mas não te aqueces,
Desisto de te amar, tu não mereces
A triste solidão do meu olhar.

Uma Trova de Curvelo/MG
Newton Vieira

Agora vivemos sós...
e dói, de modo incomum,
saber que o abismo entre nós
não teve motivo algum!

Um Haicai de Curitiba/PR
Vidal Idony Stockler

Sabiá da palmeira
Cantando sua canção:
Vive na colina.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Luiz Gilberto de Barros
(Luiz Poeta)

Fratern…ânsias

Tu sabes, minha irmã, eu te respeito;
Ajeito o teu sonhar dentro do meu,
E quando te enfeito no meu peito,
Percebo que eu sou tu e tu… és eu.

Tu sabes, minha irmã, é um defeito
Julgar teu coração tão…semelhante
Ao meu, quando percebo que ele é feito
Do mesmo sentimento cativante.
A vida, minha irmã, é passageira
E quando, o tempo, então, nos separar,
A lágrima sublime e derradeira

Que um dia, um de nós há de chorar,
Há de mostrar o amor da vida inteira
Que a emoção guardou em nosso olhar.

Uma Trova de Pedro Leopoldo/MG
Wagner Marques Lopes

Amor puro, verdadeiro,
jamais conhece o poente –
dia de luz, por inteiro,
sem a noite que o atormente.

Uma Cantiga Infantil de Roda
Passarinho na Lagoa

É uma roda de meninas, cantando:
Passarinho na lagoa
Se tu queres avoar
Avoa, avoa
Avoa já
O biquinho pelo chão
As asinhas pelo ar
Avoa, avoa
Avoa já

Quando dizem — O biquinho pelo chão — todas se curvam, imitando o passarinho. Quando cantam — As asinhas pelo ar — todas levantam os braços e balançam, imitando o bater das asas dos pássaros.

Fonte: Veríssimo de Melo. Rondas infantis brasileiras. São Paulo: Departamento de Cultura, 1953.

Um Poetrix de Recife/PE
Antonio Carlos Menezes

Melancolia

à beira do rio
sou pássaro que canta
em lugares sombrios.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Luiz Gilberto de Barros
(Luiz Poeta)

Um velho, um piano, um passarinho

Pelas teclas do piano, um passarinho
Passeava, entre bemóis e sustenidos;
Ao tocá-las, ele ouvia,bem baixinho,
Outro canto que alegrava os seus ouvidos.

Muito ingênuo, o frágil animalzinho,
Respondia àquela espécie de assobio,
Tropeçando nos bemóis… devagarzinho,
Como se ouvisse o som de um novo pio.

Pelos olhos nebulosos de um velhinho,
Esta cena inusitada parecia
Um desenho rabiscado, com carinho,
Pelos dedos de arco-íris… da poesia.

Por instantes, comovido com o que via,
O velhinho aproximou-se do piano
E enxergou, dentro da própria miopia,
O amor de Deus mostrado em outro plano.

Mansamente, seus dedos enrijecidos
Repetiam cada nota que a ave
Emitia e percorria seus sentidos;
A partitura era uma pauta…sem a clave.

Cada vez que o contato digital
Produzia um novo som, o animalzinho
Repetia-o num toque musical
E o velhinho… já não era mais sozinho.

De manhã, quando o piano emudeceu,
Só um eco metafísico pairava…
Era a alma da canção que se perdeu
No silêncio  de um velhinho…que voava.

Uma Trova de Bauru/SP
Ercy Maria Marques de Faria

Trova! Trova abençoada!
Nessa dura escuridão,
és a porta escancarada
para a minha salvação!

Recordando Velhas Canções
Lata d'água
(samba/carnaval, 1952)

Luiz Antonio e J. Júnior

Lata d’água na cabeça
Lá vai Maria
Lá vai Maria
Sobe o morro, não se cansa
Pela mão leva a criança
Lá vai Maria

Maria lava a roupa lá no alto
Lutando pelo pão de cada dia
Sonhando com a vida do asfalto
Que acaba onde o morro principia

Um Triverso de Guarulhos/SP
Antonio Luiz Lopes Touché

A paixão revigora,
Faz o outono primavera
Na hora.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Luiz Gilberto de Barros
(Luiz Poeta)

Ampulheta

Quem se concentra no volume da areia
Que se transporta ao outro lado da ampulheta,
Não sabe olhar a solidão da lua cheia
Nem vê o sangue escorrer da baioneta.

Quem se divide entre o sonho e a vida
Encontra tempo entre a dor e a fantasia,
Vê que é real o surgimento da ferida,
Mas faz da vida um motivo de poesia.

Quem exercita o amor de forma rara
Em um planeta onde a inveja vira a cara
Para o sucesso de quem crê no ser humano,

Sabe que o tempo da ampulheta entorpece,
Porém o tempo do amor sempre enternece
Quem sobrevoa a solidão em outro plano.

Uma Trova de Santa Rita do Sapucaí/MG
Antonio Siécola Moreira

As paredes que sustentam
meus sonhos, meus ideais,
são tão sólidas que aguentam
os mais fortes vendavais!

Hinos de Cidades Brasileiras
Piracicaba/SP

Autor: Newton de Almeida Mello

Numa saudade, que punge e mata
Que sorte ingrata longe daqui,
Em um suspiro, triste e sem termo,
vivo no ermo, dês que parti.

Piracicaba que eu adoro tanto,
Cheia de flores, cheia de encantos...
Ninguém compreende a grande dor que sente
o filho ausente a suspirar por ti !

Em outras plagas, que vale a sorte ?
Prefiro a morte junto de ti.
Amo teus prados, os horizontes,
o céu e os montes que vejo aqui.

Piracicaba que eu adoro tanto,
Cheia de flores, cheia de encantos...
Ninguém compreende a grande dor que sente
o filho ausente a suspirar por ti !

Só vejo estranhos, meu berço amado,
Tendo ao teu lado o que perdi...
Pouco se importam com teu encanto,
Que eu amo tanto, dês que nasci...

Piracicaba que eu adoro tanto,
Cheia de flores, cheia de encantos...
Ninguém compreende a grande dor que sente
o filho ausente a suspirar por ti !

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Luiz Gilberto de Barros
(Luiz Poeta)

Um Novo Conto

No fundo nós somos frágeis,
Mas temos asas... voamos !
E os sonhos que nós sonhamos
Sempre nos tornam mais ágeis.

Abaixo de nós, a vida
Sofre a dureza dos passos
Que pisam sonhos escassos
Produzem tantas feridas.

A dor, então, diluída
Em solidões repentinas
Invade nossas retinas,
Tornando-as descoloridas.

Porque somos passarinhos,
Mas não podemos voar
Quando seres tão sozinhos
Invadem o nosso olhar.

Choramos, então, nossas mágoas
Mas o amor nos convida
A navegar sobre as águas
Da emoção mais sentida.

O nosso rio de pranto
Desagua na solidão
Do mar que traz no seu canto
Instantes de sedução.

Cerramos os olhos e pronto !
O amor, sorrateiramente,
escreve um novo conto
De amor na vida da gente. 

Uma Trova de São José dos Campos/SP
MIFORI

A memória trabalhando,
na velhice  encontrou:
a alegria se espalhando
pela vida que guardou.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Luiz Gilberto de Barros
(Luiz Poeta)

Aritmetáfora

Na matemática do amor, o quociente
Silencioso observa o divisor;
Que é o frio numeral intransigente
Sempre adverso a todo multiplicador.

E nessa dízima de números avulsos
Que sempre pedem outros cálculos exatos,
A emoção que sobrevive dos impulsos
Do coração, tem resultados abstratos.

Eu sempre olho a razão como uma parte
Desse encarte de emoções e fantasias
Que a solidão constrói e a dor transforma em arte,
Quando meu sonho flui de algumas nostalgias.

Essencial,  a luz do amor desce das frestas
Que a razão deixa nos vãos da minha dor
E se irradia nas estrias mais honestas
Que a tristeza traça no meu desamor.

Meu coração conta nos dedos as parcelas
De cujas somas, o produto racional
Não é um número... é o amor... repousa nelas
As aquarelas do meu mundo emocional.

Na aritmética da vida, o resultado
Satisfatório é a conscientização
De que o respeito pelo próximo é somado
À alegria...quando a dor é divisão.

Há que sonhar, há que viver, há que somar
Os sentimentos com os sonhos conscientes,
E dividir, no coração, o que sobrar,
Quando a razão nem quer saber dos quocientes.

Cada pessoa especial que nós amamos
Não representa um algarismo opcional,
Que se transforma em numeral, se a comparamos
Com quem julgamos ser bem mais original.

Nosso destino imprevisível redecora
Os ambientes, quando a dor substitui
Cada ponteiro racional que marca a hora,
Quando, no tempo, o sentimento é que flui.

Cada amigo de verdade representa
Em nossas vidas, uma bênção divinal
De cuja essência nossa alma se alimenta
Pois nosso amor jamais será um numeral. 

Sobre a Canção “Lata d’água na cabeça”
         Usando linguagem cinematográfica, Luís Antônio e Jota Júnior oferecem um flagrante da vida de uma lavadeira do morro no samba "Lata d'Água”. E arrematam a letra contrapondo a dura realidade da favelada ( "Maria lava roupa lá no alto / lutando pelo pão de cada dia...") ao sonho de uma vida melhor no asfalto ("que acaba onde o morro principia").
         Uma das raras duplas de talento formadas nos anos cinquenta para se dedicar ao repertório carnavalesco, Luís Antônio (Antônio de Pádua Vieira da Costa) e Jota Júnior (Joaquim Antônio Candeias Júnior) já tinham feito sucesso no ano anterior com o samba "Sapato de pobre", cantado por Marlene. Na ocasião, capitães do Exército, servindo na Escola Especializada da Academia Militar, os dois passavam diariamente por um morro ao pé do qual uma bica d'água servia aos moradores. A inspiração nasceria ao verem a cena que descreveram na composição: uma crioula barriguda equilibrando uma lata na cabeça, enquanto levava uma criança. Dias depois, devidamente abastecidos de siri e cachaça, trabalharam no apartamento de Luís Antônio, registrando o samba num gravador de fio. A princípio, Marlene nem queria ouvir "Lata d'Água", não acreditando num repeteco do êxito anterior. Mudou, porém de opinião ao ouvi-la, levando-a ao sucesso no carnaval de 52, em disco que tem arranjo de Radamés Gnattali. (Fonte: http://cifrantiga3.blogspot.com.br/2006/05/lata-dgua.html)  

Trovador Destaque



Angelina, artista bela,
que tanto bem faz à vista,
para encontrar-me com ela
só mesmo sendo um..."turista"...

Ante o relógio gigante,
este casal, de mãos dadas,
só quer passar adiante
as horas abençoadas!

Ao “bebum” que choraminga,
o doutor não mais engana:
-“Se, por lá,cana dá pinga;
por aqui, pinga dá cana!!!”

Aquelas  flores  vermelhas,
perfumando  o  trem  que  passa,
fazem  brilhar  as  centelhas
dessa  "Maria  Fumaça" !

A  régua  ficando  exposta
e  a  terra  tão  ressequida
nos  dão,  enfim,  a  resposta
de  que  sem  água...sem  vida...

A  Seta,  muito à vontade
e sem fazer escarcéu,
mostra que a  Felicidade
mora mesmo é lá no céu...

As lágrimas das meninas,
 Deus, não podendo contê-las,
 recolhe nas mãos divinas
 e com elas faz estrelas…

Bancando a  halterofilista,
- sem ninguém que a contradiga -
a todos nós  já  conquista
essa  dengosa  formiga...

Bonifácio, em nossa História,
deixaste uma eterna marca.
E, para nós, quanta glória,
chamar-te de “O Patriarca”!

“Cara-de-pau!” E o grã-fino
não se abala, não se afoba;
e no rosto, enfim, ladino,
passa um óleo de peroba…

Com suas mãos espalmadas,
num gesto humano e profundo,
pessoas compromissadas
querem salvar nosso mundo !

Com tanta poluição
que o céu azul todo embaça,
eu percebo um cidadão
pintando um Sol na fumaça...

De posse de uma paleta,
Deus, com um pincel na mão,
no azul do céu, sem luneta,
pintou nuvens de algodão !

De uma  folha  de  jornal,
entre palavras  e  traços,
nasce  em  mundo  virtual
o  mais  terno  dos  abraços!

Embora o céu carregado,
eu vejo, às minhas maneiras,
um barco só, desolado,
entre as folhas das palmeiras...

Em meio a um campo de flores,
na festa primaveril,
três jovens cheios de amores
dão vivas para o Brasil !!!

Entre bombas, na trincheira,
tremendo, o pobre rapaz
abraça a branca bandeira
numa súplica de paz !

Era  muito  diferente
a  vida  em  comunidade...
Hoje  se  vê  muita  gente
"curtindo"  a  modernidade...

Eu sempre narrei um fato
da minha falta de fé:
” – Eu não tinha nem sapato
até ver alguém sem pé…”.

Família – um novo conceito –
pois temos modificado
tudo aquilo que foi feito
em velho tempo passado…

Fim de semana eu capricho,
trabalho muito e não minto:
Meu salário vem do “bicho”,
sempre do primeiro ao quinto…

Já lutei o quanto eu pude
e ainda nutro a esperança
de encontrar a tal virtude
que se chama temperança…

Na terra bem preparada,
este ponto eu não discuto:
- A semente bem plantada
traz esperança de fruto !

Nenhum governo da Terra
 assume aquilo que faz,
 pois não declara que é guerra
sua guerra pela paz...

Nesta ambígua caminhada
há mistério e não me iludo:
-“Não sinto medo de nada,
mas tenho medo de tudo!!!”

No  "Dia dos Namorados",
- tão propício para amar,
rapaz e moça sentados
numa rede à beira-mar !

Num dos raros sonhos meus
 e, talvez, no mais bonito,
 fomos juntos, eu e Deus,
 ver estrelas no infinito…

Num simbolismo patente,
para esculpir o que é belo,
a estátua, imitando a gente,
ergue bem alto o martelo!

Nunca supus que a saudade
tivesse um tiro certeiro!
Em vez de matar metade,
me matou foi por inteiro.

O estudante de hoje em dia,
salvo uma honrosa exceção,
só quer saber de “alegria”,
não quer saber de “lição”…

Olhando o início da ponte,
antevejo - e bem bonito -
o caminho do horizonte
que me leva ao infinito...

O  racismo  superando
de  uma  forma  tão  segura
traz  cores  se  equiparando
da  mais  clara  à  mais  escura!

O Sol, que nasce brilhando,
prenunciando uma alvorada,
dá um beijo saudoso e brando
nos lábios da madrugada…

Quando a tristeza malvada
mareja os olhos da gente,
forma-se, então, a enxurrada
que desce feito vertente…

Quando, em idade, eu avanço,
me lembro deste ditado:
-“se a morte, enfim é um descanso,
prefiro viver cansado!!!”

Quero, por tudo e por nada,
 esquecer-te a qualquer preço
 mas a distância danada
 já sabe o meu endereço!

Representando outras vidas
que vivem fazendo festa,
seis araras coloridas
sobrevoam a floresta...

Se do mundo eu fosse o dono
escreveria nas portas:
- "Liquidação deste outono,
tapete de folhas mortas !"

Se houver alguém precisando
de que você faça um bem,
não se importe com o “quando”,
nem o “como”, nem “a quem”.

Sendo inédito de fato
e não tendo quem reclame...
Um menino, a bola e um gato
se equilibrando no arame...

Se  olhar  bem  atentamente
mata  verde  e  céu  de  anil,
tal  foto  até  represente
a bandeira  do  Brasil...

Se  o  noivo  é  pequeno  e  mudo,
aqui  segue  uma  receita:-
- Corrente,  cadeado  em  tudo
e  tabuleta:- "Ele  aceita!"...

Sonhando  um  sonho  mais  nobre
e  uma  vida  plena  em  ouro,
descalço,  o  pé  do  mais  pobre
repousa  em  balão   de  couro...

Sorrir de felicidade
e correr à beira-mar...
O casal, de certa idade,
com certeza irá surfar !!!

Sufoco teve o enforcado
que, em nervos, pôs-se a gritar:
- Não façam laço apertado
que pode faltar-me o ar...

Superando os meus problemas,
descubro que os teus abraços
são elos com que me algemas
no presídio dos teus braços.

“Terra à vista!” E o marinheiro,
num aviso genial,
fez, do país brasileiro,
pedaço de Portugal !

Vejo em clarões amarelos
a liberdade presente
ao romper os negros elos
que vivem prendendo a gente!

Velhas fotos! Que saudade!
Imagens bem conhecidas
dos tempos da mocidade,
dos fatos das nossas vidas...

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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