Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 26 de outubro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 274)

Chuvisco do Poeta Destaque
José Faria Nunes nasceu em Caçu/GO, em 1948.
Licenciado em Direito e Legislação, em Legislação Aplicada e em Economia e Mercados, pelo CEFETE de Belo Horizonte, Pós-graduado em psicopedagogia pela UEMG, Bacharel em Direito, pela UFG, e Bacharel em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, Rádio e TV, pela UFG. Diretor e Editor do Jornal da Terra.
Atual presidente da Academia de Letras do Brasil/Goiás e cônsul de Goiás da Associação Internacional de Poetas del Mundo. Membro do IHGG-Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, e da Academia Mineirense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Extremo Sudoeste de Goiás.
Alguns Livros publicados: Caçu, uma cultura em ascensão, ensaio, 1978; Plantio, poemas, 1992; Água Fria do Rio Claro, ensaio, 2001; A Reprise, romance, 2003. Um Rosto Miscigenado, contos, 2010.


Uma Trova de Curitiba/PR
Paulo Walbach Prestes

Crer, amar, doar, sofrer,
verbos de sabedoria.
Só com esses vamos ter
fortaleza todo dia.

Uma Trova de Porto Alegre/RS
Delcy Canalles

O rio chora sozinho,
pois a seca o dizimou...
Seu leito está tão baixinho,
que ele sente que secou!

Um Poema de Caçu/GO
José Faria Nunes

Quero indignar-me

Quero indignar-me
com a mãe que se submete
ao aborto de uma vida.
Mas como indignar-me
se a própria vida dessa mãe
já foi abortada?
Quero indignar-me
com uma criança que na rua
assalta à mão armada.
Mas como indignar-me
se essa criança jamais
conheceu o afago da mãe
ou o valor de ser gente?
Quero indignar-me
com a fome
a miséria
a deseducação.
Mas como indignar-me
se me falta tempo
até de ver como gente?
Quero indignar-me
com o desamparo de crianças e idosos
de filhos sem pais e de pais sem filhos.
Mas como indignar-me
se a vida neste mundo global
colocou uma cifra
no lugar do meu coração

Uma Trova Humorística de Bandeirantes/PR
Maria Lúcia Daloce

Faz arruaça, tira sarro
e ao guarda, o bebum: ”Pô meu!”
- Faz bafômetro no carro…
Ele bebe bem mais que eu!!!

Uma Trova de Santos/SP
Elenir Ferreira

Ah! Que alegria meu Deus!
Quando chove no sertão.
Abençoe os filhos seus
molhando todo este chão...

Um Poema de Caçu/GO
José Faria Nunes

O sonho de um povo

Um dia um povo sonhou com a liberdade
e esse povo acreditou no sonho e lutou por ele.
Houve até quem por ele morresse.
O sonho deste povo foi objeto do sonho
de tantos outros.
Mas o sonho deste povo foi um sonho
diferente dos outros sonhos.
Enquanto o sonho de além-mar
era um sonho de ambição e dominação
o sonho deste povo era de libertação.
O sonho deste povo era sonho de amor à terra;
terra já irrigada pelo suor
até de sangue de filhos deste povo.
O sonho deste povo foi um sonho de amor
e no ato de amar até parceiros de além-mar
a este sonho vieram se somar.
E no somar dos sonhos eis que ecoou o grito
de independência deste povo. E aquele grito
do sonho deste povo ainda ecoa no ar.
Ecoa aos ouvidos de geração a geração
que ainda insiste em sonhar.

Uma Trova Hispânica da França
Carlos Imaz Alcaide

Sublimas los pensamientos
poesía por lisonjera
tienes buenos sentimientos
cual paloma mensajera.

Um Poema de Caçu/GO
José Faria Nunes

Poesia e liberdade

A caneta do poeta
rebela-se
ante a injustiça
do poder.
E faz-se poder
na liberdade
do ato de pensar.
Quando o poder
em seu império de força
impõe-se
sobre a caneta do poeta
então este carece
de ser mais que poeta:
dele se exige
a engenharia dos deuses
na construção mágica
do amor.

Trovadores que deixaram Saudades
Argemiro Martins Corrêa
Caxambu/MG (1918 – 1992) Cambuquira/MG 

Ao ver passar um enterro,
a minha filhinha exclama:
- Olha, papai, quanta gente
vai carregando uma cama!...

Um Poema de Caçu/GO
José Faria Nunes

Transcendência

Qual bisturi a extrair o cisto
arranco minhas angústias
e as deposito, amorfas,
em um tubo de ensaio
como um troféu de batalha.
Agora quero rir da tristeza
e dizer que o amor pode mais
que a mágoa secular
cristalizada no peito.
A partir desta hora
a poesia transcenda os limites
da cibernética
seja esta humanitária
e se dilua etérea sobre seres mal-nascidos.
Mesmo que a vida tenha sido negada
e o futuro um sonho precocemente abortado
não maldigo o poema: com meus sentidos despertos
faço caminho no espaço
enlaço o céu num abraço
arranco os olhos do sol
e faço meu firmamento.

Uma Trova de Bandeirantes/PR
Lucília Alzira Trindade Decarli

Tua demora, “frequente”,
fez-me ver com amargor,
que sou mendiga e carente
das migalhas deste amor!…

Um Haicai de São Paulo/SP
José Aparecido Botacini

Beijo roubado,
Lábios tremulando:
Rosto corado.

Um Poema de Caçu/GO
José Faria Nunes

Oração do educador

Inspirai-me
oh! Mestre dos Mestres
para que o mister a que me proponho
ilumine as mentes a mim confiadas
nessa jornada. Daí-me sabedoria
Oh mestre, para que mais que professor
seja eu educador, condutor de esperanças
para um novo amanhã. Tenha eu
complacência para com aqueles
que de mim mais necessitam. Como orientador
de vidas jamais a intolerância consiga
meu domínio e me force a trilhar
o cômodo caminho do descompromisso.
Esteja eu mais para Apóstolos que para Pilatos
com um assumir constante da Divina
Missão de educar, criar vidas, reinventar mundos.
Possa eu educar para a vida
longe da discriminação sem marginalizar ninguém,
pois todos da luz são herdeiros e merecedores.
Tenha eu sempre na alma a imagem,
a lembrança do Mestre-Amor, Mestre-Perdão
e jamais expulse meu aluno
que merece ser mais gente,
jamais um desviado na marginalidade da vida.
Jamais me deixe esquecer
de que a palavra orienta, mas o amor
e o exemplo constroem, edificam para a vida
para o mundo
e para Deus.

Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Olympio Coutinho

Ao recolher sua rede
o pescador se consome:
os rios morrem de sede,
os filhos morrem de fome.

Um Poema de Caçu/GO
José Faria Nunes

Essência

Toda criança tem, um dia,
a fantasia
de crescer logo, libertar.
Mas cedo, cedo ela constata
a sina ingrata
de vir pra vida pra lutar.
Se nasce pobre, é pior.
Mais dói a dor
de sempre ter que obedecer.
Por que uns nascem pra mandar,
para gozar,
e outros nascem pra sofrer?
Foi o que vi desde criança:
insegurança,
poucos motivos pra sonhar.
Orvalho, espinho, dura lida.
Mas vi na vida
maior motivo pra lutar.
Hoje aprendi que o futuro
é jogo duro,
sem muito tempo pra viver.
Cada momento que se vive,
como os que tive,
é o prêmio que se pode ter.
Importa menos a vitória.
A maior glória
é ter mais força pra lutar.
O que mais vale é a esperança,
perseverança
em ter mais sonho pra sonhar.

Um Poetrix do Rio de Janeiro/RJ
Lilian Maial

doa-se

coração adestrado
com pedigree, vacinado,
só não obedece ao dono

Uma Trova de Maringá/PR
Jeanette de Cnop

Enorme sabedoria
vem nesta simples lição:
doar afeto e alegria,
pra burlar a solidão.

Recordando Velhas Canções
Folha morta
(samba-canção, 1953)

Ary Barroso

Sei que falam de mim
Sei que zombam de mim
Oh, Deus como sou infeliz

Vivo às margens da vida
Sem amparo ou guarida
Oh, Deus como sou  infeliz

Já tive amores, tive carinhos, já tive sonhos
Os dissabores levaram minha alma
Por caminhos tristonhos 
Hoje sou folha morta
Que a corrente transporta
Oh, Deus como sou infeliz, infeliz

Eu queria um minuto apenas
Pra mostrar minhas penas
Oh, Deus como sou infeliz

Um Poema de Caçu/GO
José Faria Nunes

Desamor

Análoga lâmina
Fina
Frio corte
Silente ação
No profundo do aço.

Navalha
Valha noite
Lâmina ferina
Felina
De sequioso corte

Sangra a alma
Cota o sono
O sonho
Assanha
A sanha de fria lápide
Em profundo talho.

Tangidos cartilagem e osso
Dilacerado universo
Entalhe
Do profundo corte.

Detalhe
Negada premissa.

O certo
Prova-se no contexto
Pretexto.
Arrimado parasito
Antítese do amor.

Um Haicai de Caucaia/CE
João Batista Serra

Ótimo palhaço
Faz plateia gargalhar:
Em casa, desgosto.

Uma Trova de Balneário Camboriú/SC
Eliana Ruiz Jimenez

Preconceito algum de cor
cabe existir em verdade.
Somos iguais no teor,
com a mesma humanidade.

Hinos de Cidades Brasileiras
Caçu/GO

Letra de Ataualpa Alves de Lima

Bravo caiapó guerreiro
Foi quem primeiro
Estes ares respirou.
Depois veio o bandeirante;
Ouro e diamante
Não achando, se mandou.

Em seu cavalo campeiro,
Eis o vaqueiro,
Com uma ponta de boi...
sendo a terra verdejante,
A água abundante,
Nunca mais daqui se foi!

Muita gente e boi chegando,
Carros cantando
Rumo ao sertão do alcaçuz...
Até que, um dia (oh! Saudade),
Virou cidade,
Sob o símbolo da Cruz!

Esta terra, que pisamos
E cultivamos
De alma limpa e peito nu,
Terra boa e hospitaleira,
De gente obreira,
Há de ser, sempre - Caçu!

Um Poema de Caçu/GO
José Faria Nunes

A linguagem do silêncio

No brincar com as palavras
Perco-me no exercício do discurso.
Saltitam-se-me à frente palavras e palavras
[palavras pequenas, palavrões].
De um salto caio sobre elas que, brincalhonas e lépidas,
fogem-se-me das mãos.
E eu, no desalento busco
no canto um encanto - desencanto.
Perco-me nos axiomas, nas polissemias
nos sintagmas e, na busca do assujeitamento
do sujeito, alternam-se em possibilidades
na promessa de um encontro paradisíaco.
O pretendido torna-se invisível. Descubro
que a vida é um ensaio, o primeiro ensaio
o rascunho sem tempo de se passar a limpo.
A memória do futuro se constrói agora
com o desejo do sonhado.
O futuro se constrói no sonho do poeta
sonho que não se tem.
Dos versos escolhidos vários se me desenharam proibidos
para uma comunhão de linguagens
na universalidade das mensagens.
O superego submete o ID - paradoxo -
discurso do candidato e do eleito,
do religioso-cético-pecador-herege-santo.
Eis que soa a trombeta e o mundo
do poeta se desperta. Só então percebo
que a verbalização de meu discurso
não se encontra nas palavras
mas no silêncio existente entre elas.

Uma Trova de Senhor do Bonfim/BA
Carlos Henrique da Silva Alves

Salve a Princesa Isabel
que aos escravos impotentes
provou que a pena e o papel
são mais fortes que as correntes!

Um Poema de Caçu/GO
José Faria Nunes

Ausente presença

Presença ausente no universo
da saudade. Presença
etérea de alma anônima
mesmo sufocada pela multidão.
Solidão não ausência
do ponderável. É ausência
da alma gêmea.
De repente a solidão
esmaga-me na multidão
e se dilui no imponderável.
Ela esvai-se
de mim no instante
em que, mesmo só,
sacia-me o âmago
da alma na interação
de imaginada presença.
O poeta mesmo só
nunca fica á sós.
Acompanha-se-lhe
sempre a presença
do ente sonhado.
O poeta só está só
se perdido na multidão
do inimaginável.
O poeta só está só
se tiver a alma
vazia de sonhos para sonhar.

Trovador Destaque

A bela imagem nos traz
ilusão que nos aterra:
De longe um ninho de paz,
de perto, um campo de guerra.

Ademar Macedo encerra
nesta vida o seu papel.
Um homem que deixa a Terra,
um anjo que chega ao céu!

Ampara o menor que implora
tua ajuda e, nesse afã,
plantarás no chão do agora
a semente do amanhã.

Ao tempo tudo se rende,
tudo passa ou se renova;
só não passa o que se prende
nos quatro versos da trova!

Ao vê-los, minha alma chora,
porta-retratos, que além
das recordações de outrora
portam saudades, também!...

As nossas buscas eternas
pelo fim de tantos ais,
hão de vir por mãos fraternas
tão diversas, tão iguais.

Canta Trovador! Teu canto
alvissareiro e fecundo
é uma canção de acalanto
ninando as mágoas do mundo!

Com amor segue em teus trilhos,
do bom caminho não sai
para que, sempre, teus filhos
possam chamar-te de…Pai!

Com certeza alguém fará
protestos aos versos meus
só porque afirmo: — Quem dá
aos pobres e empresta, adeus!...

Criança alegre brincando
se afigura, aos olhos meus,
um lírio desabrochando
nas mãos sagradas de Deus.

Deus fez o mundo certinho
porém, por divina troça,
fez a mulher do vizinho
bem mais bonita que a nossa!

Em noites frias, sem lua,
quando meus versos componho,
eu cubro a verdade nua
com meu casaco de sonho.

Entre os chatos eu aponto
um que a todos aporrinha
ao dizer: - "Eu nem te conto!..."
E conta a vida inteirinha!...

Esculpir-me: eis o que faço
dia e noite, noite e dia
e, agindo assim, passo a passo,
conquisto a minha alforria!

Eu flagro, de vez em quando,
meu vizinho e a Maristela;
ontem mesmo o topei dando
um beijo na boca dela!

Evita os tortos caminhos,
que o céu não vem por milagre;
o tempo apura os bons vinhos,
e, os maus, transforma em vinagre.

Felicidade - brinquedo
que todos querem, porém,
se para alguns chega cedo,
para outros tarda ou não vem...

Futebol, ópio do povo
e a um só tempo, redenção:
rico, pobre, velho ou novo
igualados na emoção.

Mãe – palavra que aproxima
criador e criatura;
tão singular que só rima
com a palavra… Ternura!

Minha alma se satisfaz
prenhe de amor e de encanto
ao ver a pomba da paz
pousada nas mãos de um santo!...

Momento eterno, maiúsculo,
prenhe de amor e magia:
nós dois fitando o crepúsculo
na rede da poesia!

Mundo digitalizado
onde tudo é virtual:
pais e filhos lado a lado
numa distância abissal!

“Não caso nem amarrado!”,
disse o noivo. E a noiva, então,
trouxe o bruto acorrentado
por espontânea pressão!

Não deixes que as desventuras
sepultem teus ideais;
vê que nas noites escuras
as estrelas brilham mais!

Não sente, nunca, a fadiga
desta existência bizarra
quem no peito de formiga
tem coração de cigarra.

Não sente o tempo passando
quem vive a vida com gosto
e traz um riso enfeitando
as marcas do próprio rosto.

Nessa estrada em que trafego
nem sempre flores conquisto
pois sei que em terra de cego
quem tem um olho... é malvisto!

No aceno a paixão reparte
a dor que se multiplica
na tristeza de quem parte,
na saudade de quem fica!

Num Brasil de ouvidos moucos
a vida perde os encantos
quando a ganância de poucos
promove a fome de tantos!…

Num cantinho iluminado
pela luz da solidão,
um coração desprezado
espera outro coração.

Num mundo violento onde  
morre o peão pelo rei,
quanta injustiça se esconde   
sob a máscara da Lei!

O canibal, sem alento,
tentando a fome aplacar,
no dia do casamento
comeu a noiva... no altar!

Olho a imagem... Lá no fundo,
eu vejo, entre o claro-escuro,
que é Deus indicando ao mundo
onde é o país do futuro!

Pequenos sóis, duas gemas
banhadas de sedução,
são os teus olhos algemas
que prendem meu coração.

Por menor que seja, creia,
o lixo é problema certo:
de pequenos grãos de areia
é que se forma o deserto!

Pouco vale a vaidade
e a aparência exterior;
o sangue da humanidade
é todo da mesma cor.

Prudente quem não descarta
apoio a crentes e ateus
pois o amanhã é uma carta
lacrada nas mãos de Deus.

Qual pavilhões desfraldados
que ao mundo pedem clemência,
a vida manda recados
em prol daa própria existência!

Qualquer vivente se esbarra
nesta evidência que aterra:
– é no balanço da farra
que o bom farrista se ferra!

Quem não se rende ao fracasso
e nem se abate ante as dores,
transforma os seus trilhos de aço
em passarelas de flores.

Racistas, intransigentes,               
olhai o exemplo da mão:
cinco dedos diferentes
na mais perfeita união!

Se eu de ti me separar,
vagarei no mundo a esmo.
Somos um! Se eu te deixar,
darei adeus a mim mesmo.

Semeia sonhos, resiste,
planta amor pelos caminhos,
que a travessia mais triste
é a que fazemos sozinhos.

Sempre que na noite calma
ouvires passos na rua,
não tenhas medo, é minha alma
andando em busca da tua!

Sonho um mundo sem arenas,
mais justo, mais solidário,
onde a paz não seja, apenas,
três letras no dicionário.

Tomado por ânsia extrema,
o poeta o peito escalavra
e deita o grão do poema
no fértil chão da palavra.

Vão-se as agruras da lida
e tudo tem mais valia
sempre que a vida é envolvida
nos braços da poesia!

Vejo o Sol, fonte de vida,
e penso no amor de Deus
qual grande ponte estendida
unindo crentes e ateus.

Viver é corda e caçamba,
sonhar é pura emoção
pois se a vida é corda bamba,
o sonho é um belo balão!

Viver fiado em quimera
é coisa que não convém
porque de onde não se espera...
de lá mesmo é que não vem!

Vou carregando meu fardo
sem praguejar nos caminhos
pois sou feito a flor do cardo
que desabrocha entre espinhos...

Nada de Versos
Caçu, município de Goiás
            Caçu é um município brasileiro do estado de Goiás. Sua população em 2013 era de 14.364 habitantes.
            Localizado no Extremo Sudoeste Goiano (Subdivisão do Sudoeste), a comunidade de Caçu surgiu a partir da criação do Patrimônio do Sagrado Coração de Jesus do Rio Claro, com o propósito de se edificar uma capela na região para os ofícios religiosos presididos pelo padre Joaquim Cornélio Brom.
            Segundo dados do IBGE, o desbravador da região que se tornaria o berço da cidade foi o mineiro Pedro Paula de Siqueira, que adquiriu suas propriedades locais em 1858. Pedro Paula, juntamente com seus irmãos, desbravaram uma área de terras na margem direita do Rio Claro (Goiás), nas imediações do ribeirão a que deu o nome de Cassu (nome de um ribeirão de seu município de origem, Uberaba-MG).
            No ano de 1894 Manoel José de Castro, vulgo Neca Borges (com a esposa Ana Custódia de Jesus, filhos e filhas, genros e noras), deixou o município de Rio Verde e se mudando-se para a região de Cassu, propriedade adquirida de Joaquim Rodrigues, o pai, então conhecido na região como Pantaleão.
            Em sendo católica a população da Fazenda Cassu, anualmente o padre Joaquim Cornélio Brom visitava a região para a celebração dos ofícios religiosos. Em uma dessas visitas, em 1913, ele sugeriu a construção de uma capela para maior comodidade dos fiéis. A ideia viabilizou-se a partir de 20 de outubro de 1917, com a fundação do Patrimônio do Sagrado Coração de Jesus (padroeiro também da matriz católica da cidade de origem de Neca Borges, Uberaba-MG).
            O Patrimônio do Sagrado Coração de Jesus do Rio Claro foi constituído por doação de terras por parte de Ildefonso Carneiro Guimarães, Bernardino de Sena e melo, Joaquim Pereira de Castro e Olímpio José Guimarães. O sino para a capela foi doado por João Cândido Nunes e a imagem do padroeiro foi doada por Padre Brom. Francisco Ferrari encarregou-se dos afouramentos.
            Enquanto se construía a capela, de 1918 a 1920, surgiram as primeiras habitações em seu entorno, dando forma ao povoado que, por muitos anos, foi conhecido como Água Fria. Em 1924, o povoado de Água Fria foi elevado à categoria de Distrito Judiciário de Jataí, oportunidade em que recebeu o nome de Cassu. A iniciativa distrital foi por lei municipal do então vereador Manoel Inácio de Melo França, de Jataí.
            A primeira escola pública do distrito de Cassu, o grupo escolar D. Pedro II, surgiu em 1943, na gestão do subprefeito Osório José Guimarães.
            Com o crescimento da população, o então deputado estadual Serafim de Carvalho, de Jataí, elaborou a lei número 772/53, de criação do município, que manteve o topônimo Cassu (grafia modificada para Caçu em 1959).
            Algumas hipóteses houve com a tentativa de justificar a mudança da grafia de Cassu para Caçu. Uma delas atribuiu a origem do nome à planta medicinal, Alcaçuz. Após um estudo realizado na Universidade Federal de Uberlândia a hipótese foi descartada. Alcaçuz é uma planta que só vive em regiões frias, portanto impossível que tenha havido referida planta na localidade ou em qualquer região do cerrado.
            A segunda hipótese é atribuída à expressão tupi "Caá-açu", que significa "mato grande". A grafia Caçu foi publicada pela primeira vez no livro Vila dos Confins, em Uberaba-MG, no livro Vila dos Confins, romance de Mário Palmério. Defensores dessa grafia recorrem a uma norma federal que determina grafia com "ç" nos casos de topônimos de origem em língua ágrafa, no caso o tupi.
            Entretando, pesquisa do Instituto Histórico e Geográfico do Extremo Sudoeste de Goiás certificou que o vocábulo Cassu é de origem latina (ver dicionário Aurélio, verbete casso, do latim Cassu). Pelo Brasil afora constatou-se também que Cassu é nome de família, existente em alguns Estados Brasileiros.
            Concluindo, o topônimo Cassu nada tem a ver com o "tupi", portanto descartada também essa hipótese.
            A grafia Caçu, que chegou a ser questionada judicialmente, mesmo tendo sido esclarecidos os equívocos, prevaleceu por preferência de segmentos da comunidade, com a justificativa de que o costume deve falar mais alto. E já estavam acostumados com o topônimo Caçu.
            As principais rendas do município de Caçu são a pecuária e a agricultura, ultimamente diversificando-se para a indústria (principalmente de etanol), o comercio e serviços. Os canaviais competem com a soja e reduz também a pastagem. O município tem áreas distintas de canaviais (principalmente mais proximamente à usina); plantações de soja, no vale do rio Claro mais para a direção oeste do município; nos baixos vales dos rios Claro e Verdinho e margem do Paranaíba prevalecem a pecuária de corte; na região central do município, onde prevalecem as pequenas e médias propriedades, a pecuária de leite tem se desenvolvido nas últimas décadas, com destacada tecnologia. A produção de energia elétrica, com usinas nos rios Claro e Verdinho, tem contribuído para o aumento da arrecadação do município, com impostos e royalties.
            De acordo com o índice FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) Caçu cresceu 11,3% entre 2008 e 2009, o que contribuiu para que o município ganhasse 20 posições, passando do 23º para o 3º lugar, ou seja a 3ª cidade mais desenvolvida e melhor em qualidade vida de Goiás.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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