Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 275) Especial Vidal Idony Stockler

Sábado, dia 25 de outubro, faleceu o trovador Vidal Idony Stockler. Este chuva, será dedicado exclusivamente em homenagem a este grande poeta paranaense.
Abaixo do chuvisco biográfico, segue trovas e haicais de sua autoria.

Vidal Idony Stockler nasceu em Castro/PR em 29 de setembro de 1924, filho de Maria Cezarina Martins de Oliveira e Trajano Stockler.
Oficial Superior do Exército Brasileiro, fez os cursos de Medicina Veterinária; de Oficial Veterinário do Exército Brasileiro; de Inspeção de Alimentos e Bromatologia e de Bacharel em Administração de Empresa.
No Exército destacou-se como responsável técnico na criação de cavalos de raça e como Chefe do Laboratório Bromatológico. No meio civil, foi Assessor técnico do Secretário de Agricultura do Paraná; Diretor do Departamento da Produção Animal; Diretor Administrativo e Financeiro dos Portos de Paranaguá e Antonina; Conselheiro da Fundação Educacional do Paraná – FUNDEPAR; Diretor Administrativo e Financeiro da Rádio e Televisão Iguaçu – canal 4 e da Rádio Guairacá; Presidente do Clube de Xadrez de Curitiba.
Fez parte do Centro de Letras do Paraná: Instituto Histórico e Geográfico do Paraná; Academia de Cultura de Curitiba; Academia Paranaense da Poesia; União Brasileira dos Trovadores – Seções de Curitiba/PR e de Pouso Alegre/MG e Soberana Ordem do Sapo.
Livros publicados: Momentos…; Trovas; Fagulhas…; Caminhada…; Palavras; Instantes…; Memórias…; Harmonia...
Faleceu em Curitiba em 25 de outubro de 2014.


Abelha vai se achegando,
ao zangão, seu encantado…
mas ele diz confessando:
eu não fui “bem programado”.

Abraço a sabedoria,
pelo caminho, sorrindo,
eternizando alegria
nesse caminhar tão lindo.

Abraço, linda maneira,
de transmitir o calor,
da bela luz verdadeira
cheia de paz e de amor!

A brisa afaga a ramagem
leva o perfume e canção;
gotas de orvalho desprendem
em descida para o chão.

A cigarra canta e fala
na floresta do sertão,
nos folguedos não se cala,
porque gosta de canção.

Adeus é forte tensão,
tido com raro vigor
e machuca o coração
mas tem a força do amor!

Adeus, lágrima que brilha,
vestida com forte dor!
A fé e luz compartilha
dando a paz da linda flor!

A lembrança de repente
se consagra na emoção
de alegria comovente
que nos fala ao coração.

Alma linda esplendorosa,
forte luz do pensamento,
perene, maravilhosa,
tem o brilho por sustento.

A memória traz lembrança
de vivência tão querida
desde os tempos de criança
aos demais dias de vida.

Ante aplausos da menina
na restinga do sertão,
rolam as águas da mina
cantando sua canção.

As águas com alegrias
percorrem os seus caminhos,
pássaros com melodias
extravasam seus carinhos.

As águas dançam no rio,
festejam ida pro mar,
haja inverno, haja estio,
com o sol ou com luar.

A semente livre dorme,
dorme num  manso esplendor,
seu poder é sempre enorme,
acorda, volta a ser flor.

A tapera que outro dia
só vivia festejada
hoje curte nostalgia…
só cantar… da passarada.

A tarde chegando ao fim,
o crepúsculo a se impor;
a noite aparece assim…
lua, estrelas, esplendor!

A tarde tranquila e calma,
os pássaros a cantar,
há doces enleios n’alma,
melodias de ninar…

Chuá, chuá, lindo tom,
cachoeira a murmurar,
no seu esplêndido som,
dia ou noite de luar.

Correm águas do riacho,
cantam aves na campina,
as uvas formam o cacho
e esmeraldas vêm da mina.

Desponta no horizonte,
com o brilho sem igual,
o sol, a mais pura fonte
de força transcendental.

Diz-se que o poeta não morre,
uma assertiva bonita!
Verdade que não ocorre,
mas é mentira bendita!

Do passado, só saudade
e não há outro caminho,
mesmo tendo liberdade
não se volta àquele ninho!

Escorre água da cascata,
com sua bela brancura
e grita na orla da mata
a pernalta saracura.

É só da noite o luar;
dos pássaros, os gorjeios;
é do dia, o ensolarar,
mas do homem, os receios.

Eu rebusco água da mina
pra minha sede matar
e encontro linda menina
que faz a fonte cantar!

Eu rememoro a saudade
de minha mãe, as carícias:
serena necessidade
de seu carinho e delícias…

Eu sonho no meu viver
e vivo no meu sonhar…
Na saudade o reviver,
no presente o caminhar…

Florescência do rincão
com aurora enluarada
cobre as matas do sertão
e a cabana abandonada.

Fonte d’água cristalina,
vapores soltos no ar,
beijam a bela menina
que desabrocha a cantar.

Lembranças, ricas lembranças,
volta e meia veem a mim
dos bons tempos de crianças,
saudade…que não tem fim !

Lembro da mãe a ternura,
inda criança em seus braços;
hoje vivo a desventura,
sem calorosos abraços.

Lenço branco desdobrado,
acenando com amor,
em adeus lacrimejado
como os orvalhos da flor!

Lépida abelha engenhosa
carrega o néctar e voa,
é mansa e muito mimosa
porém, se apertar, ferroa.

Louve a Deus o criador,
do mar, do sol e da terra
e da vida em esplendor
que tanta beleza encerra.

Mãe! A doçura querida,
serena amabilidade,
legou-nos a própria vida
a paz e a felicidade!

Marumbi serra do mar,
cúmulos e cirros há;
é imponência secular
nas terras do Paraná.

Mesmo no sereno adeus,
em viagem de despedida,
rebrilham nos olhos seus
lágrimas de ação querida.

Na bateia das poesias
lindas pedras coloridas,
vislumbram em alegrias
e enfeitam as nossas vidas.

Na colmeia só rainha,
tem abraços dos zangões;
as operárias “tadinhas”
choram faltas de afeições.

Na floresta da poesia,
a trova canta feliz;
encanta pela magia
e também pelo que diz.

Na plenitude da paz
em manhã ensolarada
a leveza bem se faz
no cantar da passarada.

Nas campinas, em florada
leve brisa toca o chão
e com voz aveludada
o sabiá dobra canção.

Nas praias, brancas areias
limitam águas do mar,
nelas dançam as sereias
tal qual a brisa a rodar.

No silêncio da floresta,
forte, ereto, sobranceiro,
a beleza bem atesta:
é o nosso rico pinheiro.

No jardim a branca palma,
de perfume tão profundo…
Beija-flor com toda calma,
inspira... sou rei do mundo!..

Numa riqueza sem fim,
nasce a força da bondade,
como as flores do jardim
na sua simplicidade!

O barco singra no mar
caminhada de lazer,
sob as luzes do luar,
flutuar é seu prazer.

O flerte de tempos idos,
olhares bem distanciados,
mas hoje, abraços unidos
e muito e muito apertados.

Olhos são janelas d’alma
a mostrar os bons caminhos
estruture vida calma
evite pisar espinhos.

Olhos são os brilhos d’alma,
as essências são das flores
brancura da linda palma,
jardim de ricos primores.

O macuco canta as horas
em que o tempo vai andando.
Deixa atrás velhas auroras,
mas continua cantando.

Ouça o murmurar das águas
e o cantar da suave brisa;
jogue fora suas mágoas
e tenha a paz por divisa.

Risos, fogueiras, quentão,
mulheres, moças, meninas,
músicas, danças, pinhão.
Toques das festas juninas.

Robusteça a vida calma
no decorrer da existência
projete a justiça n’alma
e vencerá por prudência.

Rolam as águas da altura,
denominadas de chuva,
para ficar na secura
use capa ou guarda-chuva.

Saudade, novo pensar,
um pensar do que passou,
querendo até resgatar
a beleza que ficou!

Seja estrela sorridente
no seu modo de viver,
e com força transcendente
faça o bem acontecer!

Sorriso música d’alma
carregado de carinhos
vai mantendo a doce calma
com flores pelos caminhos.

Tenha sempre vida calma,
praticando sempre o bem
e pondo doçura n’alma,
dos anjos receba amém.

Ternura do coração
verte n’alma linda luz
trazendo grande emoção
que a vida sempre produz.

Tranquila e linda lagoa
é rico espelho a brilhar,
quando chove, canta, entoa,
louvor às águas do ar.

Verte lágrima contida,
quando enfrentamos o adeus,
é a saudade já nascida
instituída por Deus!

Vê-se lágrimas rolando,
num adeus de despedida,
o cruzeiro vai zarpando
lenços falam na saída.

HAICAIS
Do livro “Instantes…”

Águas em cascata
e vapores espargindo,
grita a saracura.

Matas do sertão
com a linda florescência,
a cachoeira rindo...

Sabiá da palmeira
cantando sua canção,
vive na colina.

Crianças sorrindo
vendo as águas na cascata,
pomposas belezas.

Já pela manhã
cantam belos passarinhos
nobres melodias.

As águas deslizam,
cachoeira solta vapores.
Canta a cotovia.

Formiga trabalha
guardando bom provimento,
a cigarra canta.

Dia enfumaçado,
as cascatas em revolta.
Logo vem o sol.

Linda é a natureza,
assim é porque Deus fez,
os nossos louvores.

Moça do sertão
toda faceira e bonita
só cultiva rosas.

Joias que palpitam,
jardim de cravo e de rosa.
Sinta seus perfumes.

O dia clareando
deixa a noite por prazer,
o sol dá alegria.

E nascem as águas
da maravilhosa fonte,
perceba seus sons.

Perfumada rosa,
primavera, ricos sonhos,
alegria em alta.

Árvore frondosa
doa sua rica sombra,
o sol sente ciúme.

Nas vozes do vento
há muito que meditar,
cantam as sereias.

Vida, é linda graça
com luzes gerando glória,
primavera em flor.

Murmura a cascata
com a sua plenitude,
preserve a beleza.

Dia majestoso
com manhã ensolarada,
gorjeiam os pássaros.

Beleza da lua
em uma noite estrelada,
poesia em ação.

A sombra e penumbra
devem à luz suas vidas,
suprema virtude.

A menina moça
esnoba sua beleza.
Primavera em flor!

Barco navegando
quebrando as ondas do mar.
Dançam as sereias.

Do trovador Antonio Augusto de Assis (União Brasileira dos Trovadores/Maringá/PR)
ao prefaciar o livro, Instantes...:

“Meditei bastante à procura de um modo de, em poucas palavras, definir Vidal Idony Stockler. Não foi preciso. Abri os originais de Instantes e achei a definição pronta. Está numa trova sua que vale como auto-retrato: Detesto toda maldade, /não comungo com a dor. / Meu nome é felicidade, / empunho a taça do amor. Vidal é todo do bem, um dos poetas mais puros que até hoje conheci. Gosto dele à beça, desde quando conversamos pela primeira vez numa excursão de trovadores paranaenses a Treze Tílias. Durante a viagem inteira ele gorjeou. Era ver um passarinho, uma aguinha, uma árvore florida, uma ovelha pastando... e os versos brotavam feitinhos do coração dele, com a maior naturalidade. Um poeta integrado à natureza. Depois disso ficamos irmãos, ele em Curitiba, eu em Maringá, trocando emoções via correio, telefone, e-mail... Valeu demais aquele passeio, porque ter Vidal como amigo é um presente de Deus. Agora ele me pede que faça a apresentação de Instantes. Desculpa que encontrou para me dar carona em seu belo álbum de trovas e haicais. Só posso dizer muito obrigado, e dar parabéns aos leitores pelos bons momentos que terão lendo este diálogo do poeta Vidal com o que há de mais bonito na vida.

Anthony Leahy (Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná e da Academia de Cultura de Curitiba),
ao prefaciar o livro Memórias...:

“Na caminhada da vida, em busca de nossos ideais, não faltam instantes e momentos que, tristes ou alegres, fazem parte da nossa história e tornaram-nos o que somos hoje.
São fagulhas de uma vida vivida e convivida, chorada e cantada, que nem sempre conseguimos compartilhar, pois faltam palavras para tantas memórias e emoções...
Porém, reconhecendo a insuficiência das palavras na tradução de tão fortes sentimentos, recorremos às trovas, onde a mensagem supera a soma das palavras e a sensibilidade consegue comunicar abrindo as portas do sentir.
Ler Vidal é reencontrar-se com o que existe de melhor na humanidade e em nós mesmos. É reencontrar antigos sonhos e ideais. É constatar estarmos vivos e brindar a isto. Vidal fala de vida, de viver e de conviver. Fala da beleza das coisas simples, da amizade, do amor, da esperança... Fala da beleza e do milagre de existir e da necessidade de sempre sonhar.
Vidal distribui esperança e fé. Fé na vida e na própria humanidade.
Nas suas trovas encontramos uma senha mágica, um passaporte encantado, e encantador, para um mundo puro e belo, como ele próprio o é, onde existir é muito mais do que sobreviver... é sonhar e ter a coragem de viver os seus sonhos."

Harley Clóvis Stocchero (Academia Paranaense da Poesia),
no livro Palavras:

“O saudoso trovador Aparício Fernandes, no seu belo livro A Trova do Brasil, ao abordar as dificuldades da trova, nos diz textualmente:”... todo trovador é poeta. Por outro lado, nem todo poeta é trovador. Conhecemos alguns excelentes poetas que são incapazes de fazer uma trova!... Essa colocação expressa, sem dúvida, uma grande verdade, pois a pequenina trova, somente maravilhosa da poesia, exige o dom especial de trovar, que Deus atribuiu a poucos. Vidal Idony Stockler é um desses poucos privilegiados, sendo, portanto, poeta e trovador. E dos bons! Provam isso as inúmeras láureas que recebeu em torneios trovadorescos dos quais participou. Vidal, com a larga experiência que possui, vai abordando em suas lindas trovas, qual andarilho percorrendo trilhas e veredas, os mais variados temas, a começar por Deus, que enfoca com o merecido respeito, passando pelo carinho da Criança, pela riqueza da Amizade, pelo valor da Liberdade, pelo Humor sadio e descontraído, para concluir na Saudade, onde o seu coração transborda: Saudade da minha terra, do iluminado horizonte das modelagens da serra e da água fresca da fonte. E por aí vai o inspirado trovador, a semear irisantes Fagulhas de sua verve trovadoresca: A trova maravilhosa que tanta beleza encerra é tão linda como a rosa e floresce em toda terra. Parabéns Vidal! Pelo seu livro, um inspirado florilégio que enriquece a poesia de nossa terra.

Wilson Bóia (Academia Paranaense de Poesia),
no livro Trovas:

São trovas que louvam a vida, a saudade, as estações do ano, as nossas aves, os nossos campos e desfiladeiros, o tremeluzir das estrelas, sob o olhar penetrante e crítico do velho trovador. São trovas que brotam do coração do poeta ao espreitar furtivamente a silhueta sinuosa de um corpo de mulher, ao ouvir o ruflar cadenciado das asas de um pássaro, ao sentir o leve perpassar do vento, ao maravilhar-se com o sorriso de uma criança, ao perceber o badalar plangente de um sino distante, ao extasiar-se diante de uma obra-prima, ao contemplar o pôr-do-sol, ao ouvir uma canção de ninar, ao desvendar os segredos da natureza e ao surpreender as confidências apressadas dos apaixonados. São trovas em que o artista, na sua ânsia de criar o belo, obriga-se a revelar o seu próprio mundo, pedaços de sua alma e do seu coração, pois acredita que as suas emoções devem e precisam ser confiadas e repartidas, numa cumplicidade harmoniosa, com os que ainda acreditam na poesia, a única linguagem capaz de nos aproximar da divindade. Os nossos sinceros parabéns ao querido trovador Vidal, pois seus versos têm o poder de suavizar a nossa íngreme e tortuosa estrada da vida...

Profª. Vanda Fagundes Queiroz (União Brasileira dos Trovadores/Curitiba),
no livro Instantes...:

De incontáveis instantes se constrói a Vida.
Sendo que ela mesma, a Vida, não deixa de constituir-se de um amplo e contínuo instante, onde se encadeiam e se integram as nuances múltiplas do mosaico da existência.
Os motivos proliferam, as impressões vibram em cada canto, o tempo todo.
Quase sempre, imersos no automatismo que o cotidiano  nos  impõe,  nem  nos  damos  conta  de  que  cada  momento,cada fragmento do existir acontece carregado de sentido e de implícitos valores.
O poeta Vidal Idony Stockler integra a galeria de raros  estetas,  aqueles  seres  especiais,  capazes  de  perceber  e  –mais que isso – colher a estesia impressa nas pautas dos caminhos.
Vidal não se permite permanecer indiferente aos reca-dos  latentes  em  cada  parcela  do  mundo  que  nos  cerca.  Ele para. Olha. Vê. Enxerga. Sente. Recolhe cada “impressão”. E transforma em “expressão”. Para  tanto, faz aflorar a sua sensibilidade, reelaborando o sentimento sob a forma de poesia.
Poesia  simples,  poesia  limpa,  poesia  sonho,  poesia verdade, poesia vida.
O  nobre  poeta  espalha  versos.  Brinda  seus  leitores com punhados de poesia sob a forma sucinta da trova. Trovas espontâneas, bem cuidadas sem se tornarem rebuscadas, leves e ao mesmo tempo consistentes.
“INSTANTES”...  eis  o  sugestivo  título  da  mais  recente publicação do poeta castrense Vidal Idony Stockler.
Realmente,  de  incontáveis  instantes  se  constrói  o grande mistério que se chama Vida...
O autor deixa transparecer,  no  entanto,  que  essa  complexidade  se  harmoniza  pacificamente nos recônditos de sua alma bondosa.
É  o que nos revela uma das mais bonitas trovas do livro:

Na paz de Deus vivo, sim!
Numa perfeita harmonia,
caminhando sempre assim,
sustentado na alegria.

Tudo  o  que  se  possa  tentar  expor  nas  linhas  de  um prefácio  acaba  sempre  numa  tentativa  infrutífera.  Cada  obra fala por si mesma. E cada receptor tem um processo subjetivo de acolher a mensagem.
Deixe-se, pois, que o próprio leitor sinta o prazer de realizar o seu encontro com as variadas trovas e alguns haicais que compõem estes “INSTANTES”…

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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