Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 11 de novembro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 290)


Aviso:
Haverá apenas mais uma chuva amanhã. Estarei indo para a premiação nos Jogos Florais de Santos/SP, e darei uma esticada para São Paulo, só retornando dia 23 de novembro (outro domingo). Por hora, haverá um período de seca, mas as chuvas retornam dia 24.

Chuviscão sobre a poetisa deste número:
Silviah Carvalho (Silvia Helena de Carvalho), nasceu em Goiás, em 7 de julho de 1970, filha mais nova de 7 irmãos. Morou um tempo ao relento até que o pai conseguiu emprego em Cuiabá/MT. Aí não conseguiu estudar, e aos 9 anos saíram para Rondônia. Ingressou na escola aos 10 anos de idade. Quando já sabia ler e escrever fez seu primeiro poema "Terra Natal". Começou a trabalhar com 11 anos.
         Sempre fazia poemas, seus professores a incentivavam muito, até que um dia, aos 17 anos, quando trabalhava num despachante de automóveis, estava escrevendo e chegou um senhor que pediu pra ler o que escrevia. Era o poeta Dr. José Calixto, que lhe disse: "moça todas as quartas e sextas eu passarei aqui, tenha sempre um poema novo". Ele levou e passou a publicá-los no Jornal "O Estadão", o maior jornal de Rondônia e lhe deu um livro dele. A partir daí os poemas de Silviah eram usados nas aulas de português, para interpretação de texto e foi chamada para um entrevista no jornal, sendo publicada uma nota a seu respeito. Tomou impulso e continuou, possuía muitos poemas.
         Casou-se e foi morar em Manaus/AM, onde escrevia menos, sendo seu tema predileto: o amor. Viveram juntos 6 anos, ele adoeceu e faleceu com um câncer no intestino. Após a sua morte entrou em depressão. Fez um pré-vestibular para Teologia no IBADAM/AM, e passou em 8º lugar. Tinha 28 anos e só escrevia sua solidão, até que um dia fatídico a casa onde estava incendiou-se, sua sobrinha estava dentro, e no desespero, pegou no fio de alta tensão, perdendo a memória e ficando 4 anos sem a memória. Quando se recuperou voltou a estudar, desta vez na CEIFA/FAIFA - GO, no geral FAIFA é faculdade por correspondência, mas em Manaus. Ganhou de um parente a edição de 2000 cópias do livro, das poesias que conseguiu recuperar em 2007. Destas, vendeu 1000 em menos de 3 meses. Morou em Curitiba, onde conheceu alguns grupos do Rio de Janeiro, Pó-de-poesia, Folha Pataxó, Ventos na primavera. Participou do concurso de poesia para o dia dos namorado Radio FM/Jovem pan/AM em 2001, ganhando 1º,2º e 3º lugares. Participou do concurso Brasil 500 anos da língua portuguesa, ficando entre os 10 primeiros lugares.
         Além de Escritora e poetisa, Silvia Helena de Carvalho, é Missionária consagrada em 2010 pela Conamad –Convenção Nacional das Assembléias de Deus, Compositora. Autora dos livros: "Palavras do Coração" edição 2007 e "Um Coração que Ama" edição 2014.
         Por minha indicação, ocupa a cadeira de Imortal n. 70 da Academia de Letras do Brasil/Paraná, Imortal da Academia de Letras do Brasil/Seccional Suíça cadeira 123. Medalha do mérito "Os Sertões" Euclides da Cunha em 2014. Imortal da Academia Brasileira de Ministros Evangélicos e teólogos Cadeira 101, Patrono Gunnar Vingren; Chanceler Acadêmica da ABMET- Academia Brasileira de Ministros Evangélicos e Teólogos; Delegada Regional do Sindicato Nacional dos Juízes de Paz Eclesiásticos do Brasil.
         Casou-se novamente e reside atualmente em Manaus/AM.



Uma Trova de Paranavaí/PR
Dinair Leite

Lá no morro da favela,
sem telhado o barracão,
forrado de estrelas e ela
pisando em astros no chão...
Uma Trova de Campos dos Goytacazes/RJ
Neiva Fernandes

O perdão que concedemos
Da música que componho,
fica difícil lembrar,
por que , só componho em sonho
e me esqueço ao acordar...

Um Poema de Manaus/AM
Silviah Carvalho

A Súplica do Beija-Flor

...Quanto a mim, da solidão me vesti,
Vi sangrar o meu coração sem paz,
A segredar à noite tudo que vivi,
Reluto sozinha, não volto atrás.

O sossego das noites não refrigera meus dias,
Poeta beija-flor... Perdi essa identidade!
Exilada morro aos poucos e comigo a poesia,
Tantos “não” que do “sim”, sinto saudades.

Quisera ressuscitar-me, não mais amar...
Já não percebo do amor o fulgor,
Só o silencio que sua ausência deixou.

Eu preciso me redescobrir no teu olhar,
Voar na essência e sabor do seu vasto jardim,(teu)
Alimenta esse beija-flor, traga néctar pra mim...(traze) 

Uma Trova Humorística de São Paulo/SP
Renata Paccola

Rico cinquentão? Coitado!
Quisera que fosse assim!
Ele anda mais apertado
que pasta dental no fim!

Uma Trova de Amparo/SP
Eliana Dagmar

Não condenes o delírio
que atiça as paixões humanas;
não perde a pureza o lírio
colhido por mãos profanas.

Um Poema de Manaus/AM
Silviah Carvalho

Seu amor é tudo

Antes que seja aprisionada pelo seu sorriso,
E sinta que a vida não fará mais sentido sem você
Antes que tenha certeza que você é tudo que preciso
Antes que eu perca a razão e no amor volte a crer

Antes que sua solidão misture com minha carência
E suas mãos toquem novamente as minhas
Antes que eu seja vencida por minha impaciência
E passe a crer que perto de você eu não esteja sozinha

Eu voarei rumo aos pinheiros, perto da tristeza
Onde as noites são frias, os dias são longos
Eu estarei a meditar na sua simplicidade e pureza

Na paz que emana de você, na sua doçura e nobreza
Eu irei pensar no silêncio da minha incompreensão
Não diga nada, talvez eu não resista à dor de um sincero não

Eu cheguei no tempo que é para você a alto-reconstrução
Em que prefere a solidão latente no seu meigo olhar
Eu irei antes que, seja dominada pelo desejo de ficar

E quando este papel envelhecer,
Saiba que esta poetisa que hoje te escreve apesar
De nada ser, desejou ter tudo, e este tudo é você. 

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Já não posso ser contente,    
tenho a esperança perdida        
ando perdido entre a gente     
nem morro nem tenho vida.

Uma Trova Hispânica da Argentina
Anahi Duzevich Bezoz

Con sombra y reloj cercanos
sin traspasar los umbrales
entrelazadas sus manos
ven luz de ciudad geniales.

Um Poema de Manaus/AM
Silviah Carvalho

Noite e Dia… 

Existe uma passividade que de forma alguma é indolência
A calma viva que nasce da confiança na Força
que existe em nós, que nos torna capazes de vencer
ou nos adaptarmos as circunstancias
A vida não está sob seu controle
mas se não administrá-la, ela será seu algoz

Tensão quieta não é confiança
consciência exausta não é o exercício da fé
Em tempo de incerteza, espera.
Não se subestime você é capaz
Há corações como raras flores,
que só se abrem nas sombras da vida
Não se precipite o tempo de cantar há de vir
  Você terá paz

A fé põe sua carta no correio
a desconfiança a segura
E questiona, porque a resposta não veio?
Se ainda carregas o seu fardo
seu esforço foi em vão, e suas cartas
 não terão finalidades se não saírem de suas mãos

Seu valor é mais alto do que supunham seus adversários
Quem dera pudesse ver!
Diamantes são embrulhados em pacotes grosseiros
para que ninguém saiba do valor que está ali dentro
na verdade há tesouros escondidos em você

Não se habilite em começar sem acabar
assim será hábil em fracassar.
Bens preciosos são os adquiridos com esforço,
lágrimas e dor, ainda que com o tempo eles pereçam
deixarão em nós lembranças como cicatrizes de valor

Qualquer situação pode ser mudada
se tiveres equilíbrio e paciência
Então, suporta os açoites
esperes pelo Dia,
Mas antes, enfrentes e venças sua Noite.

Trovadores que deixaram Saudades
Olindo de Luca
Limeira/SP

Causaste-me tantas penas
que acabou nossa amizade,
e sobrou de tudo apenas
a triste paz da saudade.

Um Poema de Manaus/AM
Silviah Carvalho

Eterno Argumento

Já foi o refugo em minha mente
Algo ultrapassado em demasia
Que em mim aflorava livremente
Sempre que de mim, eu me perdia

Elevava-o nos pensamentos meus
Que eram Conflitantes e envolventes
Eram tudo que tinha, quando nada era teu!
Nem meu corpo, minha vida ou minha mente.

Cá estou a falar do Amor que eu maldizia
Do fiel argumento do poeta infiel
Que tira um pedaço do inferno e faz um “céu”

Cá estou a falar do que nunca entendia
Não mais o refugo, agora o bom sabor dor
Infiel e eterno argumento do poeta fiel... O amor!

Uma Trova de São Paulo/SP
Darly O. Barros

Um sábio, um dia me disse:
“ Não passes a vida à toa;
semeia para a velhice,
que o tempo não corre, voa!”...

Um Haicai de Curitiba/PR
Alvaro Posselt

Brilha o sol de inverno
Desata o  da gravata
o moço de terno

Um Poema de Manaus/AM
Silviah Carvalho

O Silêncio da poesia

Quem pode encher as palavras de sustento?
Se no silêncio da alma há tão pouco alimento!
O vazio da resposta inibe as perguntas
Quando nem você é aquilo que vejo ou invento

Se posso criar minha paz viveria eu em guerra?
O silêncio desta pergunta ecoará no tempo
E não haverá resposta, pois isso se torna um delito
Já que, há aqueles que, não vivem sem seus conflitos
Onde errei quando decidi acertar?
Quando ao invés de só falar de amor resolvi amar
Saio do sonho, passo a viver a realidade
Entro na vida pra vivê-la em sua totalidade

Quem me dirá não tendo Deus dito Sim?
Agora que este vazio encheu-se de mim
Recolho do mundo meu sentimento
Minhas palavras, meu coração...

Deixarei minha poesia vagando pelo ar?
Sim, buscando qualquer porto a ancorar
Descomprometida e responsável
A poesia tem em si, um todo razoável.

Quem eu gostaria que me amasse
Se não aquele a quem amo?
Minha vida deixou de ser só e vazia
Voltarei para escrevê-la um dia...

Vim apenas deixar,
 O meu silêncio nesta poesia…

Uma Trova de Balneário Camboriú/SC
Eliana Ruiz Jimenez

Fecha-se o tempo passado,
meia-noite, eu me depuro;
nasce o dia, iluminado,
abre-se o tempo futuro.

Um Poema de Manaus/AM
Silviah Carvalho

A Força do seu abraço

Sinto saudade dos seus braços
Onde dividia meu cansaço
Quando em você me escondia
Desta minha vida tão vazia

Na força do teu abraço
Encontrei descanso e me entreguei
Encontrei paz e fui feliz. Nos seus braços
Descobri o quanto te amei

Sem medo de sofrer, abri meu coração
Sem medo de perder, segurei em suas mãos
Você é meu refugio, meu abrigo
Meu amor, muito mais que um amigo

No cantinho dos seus braços
Eu me desfaço e me refaço
Encontro amor e carinho
Onde moro e, faço deles meu ninho.

Uma Trova de Mangualde/Portugal
Elisabete Aguiar

Do topo daquela torre,
o nosso olhar se alongou...
Se der saudade, ali morre,
porque o tempo, ali... parou...

Recordando Velhas Canções
Lamento da lavadeira
(samba, 1956)

Monsueto, Nilo Chagas e João Violão

Ô, dona Maria!
Olha a roupa, dona Maria
Ai, meu deus!
Tomara que não me falte água!
Sabão, um pedacinho assim
A água, um pinguinho assim
O tanque, um tanquinho assim
A roupa, um montão assim
Para lavar a roupa da minha sinhá
Para lavar a roupa da minha sinhá

Quintal, um quintalzinho assim
A corda, uma cordinha assim
O sol, um solzinho assim
A roupa, um montão assim
Para secar a roupa da minha sinhá
Para secar a roupa da minha sinhá

A sala, uma salinha assim
A mesa, uma mesinha assim
O ferro, um ferrinho assim
A roupa, um montão assim
Para passar a roupa da minha sinhá
Para passar a roupa da minha sinhá

Trabalho, um tantão assim
Cansaço, é bastante sim
A roupa, um montão assim
Dinheiro, um tiquinho assim
Para lavar a roupa da minha sinhá
Para lavar a roupa da minha sinhá

Um Poema de Manaus/AM
Silviah Carvalho

Amo

Amo os beijos da sua boca
E o enlace dos seus braços

Amo, como quem ama... Somente
Como um amor outrora ausente... Que volta
No deslace do desejo ardente

Amo o calor do corpo seu
Tudo em ti que, agora é meu

Amo o fogo que não se apaga
A fonte que encandeia

O vento que nos abrasa
 Nas noites de lua cheia

Amo o tempo moroso
E  o amor que, em amor se encerra
Puro, eterno... Gostoso.

Uma Trova de São José dos Campos/SP
Glória Tabet Marson

E vendo o tempo que passa,
afloram recordações:
as retretas lá na praça,
flertes causando emoções!...

Um Poema de Manaus/AM
Silviah Carvalho

Caminhos do Coração

Quando tudo acaba no coração da gente,
Ficamos em meio a um deserto,
Sem direção, tudo é vazio,
A alma treme exposta ao incerto.

Na ânsia louca de preencher o espaço,
A alma aflita pede socorro,
O corpo balança cai em qualquer braço,
Assim começa tudo de novo,

A falsa esperança mostrou o caminho,
Em seus braços findou-se o medo,
Enganou-se de novo com falsos carinhos.

Seguiu os passos para linda miragem,
Pisou as flores, morreu nos espinhos,
E o amor começa no mesmo caminho.

De novo o deserto,
De novo o incerto,
De novo os espinhos…

Hinos de Cidades Brasileiras
Dourados/MS

Sob um céu de alvorada fagueira,
Surge a terra de amor e afeto;
Eis Dourados, vibrante, altaneira,
Nosso berço, rincão predileto.

Sob um céu de alvorada fagueira,
Surge a terra de amor e afeto;
Eis Dourados, altaneira,
Nosso berço, predileto.
Eis Dourados, altaneira,
Nosso berço, predileto.

Estribilho: (2 vezes) 
Eis Dourados cintilante
De labor e anseios mil
No futuro confiante
Lindo Oásis do Brasil.
Eis Dourados cintilante
De labor e anseios mil
Jóia brilhante - do Brasil

Seu passado vai longe com glória
Da esperança foi sempre uma flor,
O seu nome desponta na história
Com beleza, com paz e amor!

Seu passado vai longe com glória
Da esperança foi sempre uma flor,
O seu nome, na história
Com beleza - Paz e amor!
O seu nome, na história
Com beleza - Paz e amor!

Estribilho: (2 vezes) 
Eis Dourados cintilante
De labor e anseios mil
No futuro confiante
Lindo Oásis do Brasil.
Eis Dourados cintilante
De labor e anseios mil
Jóia brilhante - do Brasil

Uma Trova de São Paulo/SP
Héron Patrício

Para meu grande desgosto
o relógio não se acalma...
- Enche de rugas  meu rosto
e,  de saudades,  minha´alma!!!

Um Poema de Manaus/AM
Silviah Carvalho

Como se fosse a última vez!

Já era dia
Desejei tanto que fosse noite,
...E aquela noite parecia dia!
Aqueles dias infindáveis de tão grande harmonia.

Eu te amei de uma forma tamanha, estranha,
Que toda noite era dia, e o dia se aproximava,
E eu nem percebia! Queria velar teu sono,
Tocar seu rosto enquanto dormia.

Dizer-te baixinho eu amo você!
Fica mais um dia, mas se te acordasse,
Eu não me perdoaria, estava tão lindo!
Seus olhos fechados, sua boca entreaberta.

Pedia-me um beijo, eu não resistia...
Amei-te, como quem ama pela última vez.
Senti seu coração bater, Como se fossem as últimas batidas,
Senti seu calor como se fosse sentir frio o resto da vida.

E já era noite, a lua desejava ver-te,
Encantá-lo com sua beleza, talvez.
Roubá-lo de mim outra vez.

Mas um tão grande egoísmo em mim se fez,
Fechei a janela, queria tê-lo só para mim dessa vez.
E desejar que fosse dia, mesmo sendo noite.

...Como se fosse a última noite, a última vez!

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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