Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 30 de novembro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 298)

As trovas são premiadas nos Jogos Florais de Santos/2014, exceto a humorística.
Biografia da poetisa destaque deste número, Carolina Ramos, a qual lançou nos Jogos Florais de Santos, semana retrasada, o livro "A Trova: raízes e florescimento - UBT", da União Brasileira dos Trovadores, no qual foi coordenadora e redatora.




Uma Trova Premiada de Bauru/SP
Eulinda Barreto

Passaste por minha vida
e eu escrevi nossa história…
na página envelhecida
eu te prendi… na memória! 

Uma Trova Premiada de Santos/SP
Mercedes Lisbôa Sutilo

Trova – apenas quatro versos
traduzem a  vida, a fundo,
do homem em seus universos
- poesia que abraça o mundo!

Um Poema de Santos/SP
Carolina Ramos

Súplica 

Dá-me, Senhor, a benção que resume
a certeza de que, crescendo aos poucos,
hei de chegar a ver o excelso lume
- privilégio dos bons, quiçá bem poucos!

Dá-me a graça de olhar, sem ter ciúme,
namorados aos pares, de amor loucos,
da saudade a esquecer o frio gume
e o coração no peito a dar-me socos!

Dá-me ver rosas, mesmo em vaso alheio,
a enfeitar este mundo, às vezes feio
- feio porque o egoísmo assim o quis!

Dá-me um punhado tenro de esperanças…
Dá-me o riso espontâneo das crianças…
- Mais nada eu peço, para ser feliz!

Uma Trova Humorística do Rio de Janeiro/RJ
Renato Alves

“Vitamina está na casca!”
- de um comilão eu ouvi.
E quase que ele se enrasca
ao comer abacaxi!...

Uma Trova Premiada de Tambaú/SP
Sebas Sundfeld

Vou lendo o livro da vida…
mas a página do fim,
uma voz compadecida
talvez a leia por mim! 

Um Poema de Santos/SP
Carolina Ramos

Nova Friburgo

Loira “Princesa da Serra”,
das nuvens rasgando o véu!
Indago, serás da terra
ou doce visão do céu?!

Tens glórias de velho burgo,
cobrem-te rendas e galas,
mas, sempre nova, Friburgo,
vive a beijar-te o Bengalas!

Pelas nuvens resguardada,
meio aos penhascos da Serra,
Friburgo és concha encantada,
onde a Poesia se encerra!

Tua chave, hoje, me ofertas!
Isto me faz tua irmã…
e vejo portas abertas,
nesta festiva manhã!

Em troca deste presente
que me dás, Friburgo bela,
minha alma te abro e, contente,
verás que estás dentro dela!

E quando meus olhos ponho
no céu azul, sobre ti…
Não sei, Friburgo, se é sonho…
só sei que o teu céu sorri!!!

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Quem me dera ser a seda,
depois da seda o cetim,
para andar de mão em mão,
as moças pegando em mim!

Uma Trova Hispânica Premiada da Venezuela
Rafael Ramos Nápoles

Es siempre el mejor amigo
el can que duerme a mi lado,
y pongo a Dios por testigo
porque nunca me ha dejado.

Um Poema de Santos/SP
Carolina Ramos

Boêmio 

Boêmio – em turbilhão intenso a vida esbanjas,
escravo de emoções em noites deturpadas.
Teu sol, luz de abajur, a arder envolto em franjas,
tem o álgido livor das frias madrugadas.

Volúvel, novo amor te aguarda em cada esquina,
e insatisfeito vai teu coração repleto
dessa ânsia de viver, que arrasta, que fascina,
alheio à paz de um lar, à placidez de um teto!

Boêmio, a mocidade é curta… logo passa!
A seara, quando má, provém de mau plantio!
Apressa-se o amanhã… o nada te ameaça
e a solidão abraça o coração vazio!

Trovadores que deixaram Saudades
Colbert Rangel Coelho
Pitangui / MG, 1925 – 1975, Rio de Janeiro/RJ

Aquela criatura louca,
que é razão do meu desejo,
vive tanto em minha boca,
mas nunca me deu um beijo.

Um Poema de Santos/SP
Carolina Ramos

Anseio 

 Por mais que em convulsões o mundo trema,
 rumo ao caos que implacável nos atinge…
 Por mais, seja negado o suave lema,
 Paz e Amor, que de sangue hoje se tinge…

 Por mais que o desencanto fel esprema
 nas almas secas de quem já nem finge,
 creio, ainda, num Deus que é Luz suprema,
 e é Sol que aclara o Bem e o Mal restringe!

 Mesmo envolta nas sombras da amargura,
 mesmo que os dias sigam mais tristonhos
 e a vida, cada vez menos segura,

 fujo à incerteza que o momento traz
 e, sempre vivo, a incrementar meu sonho,
 eu guardo o anseio de encontrar a Paz!

Uma Trova Premiada de Pindamonhangaba/SP
José Valdez Castro Moura

Hoje, mágoas deploradas,
que me fizeram sofrer,
são páginas descartadas
do livro do meu viver…

Uma Aldravia do Rio de Janeiro/RJ
Messody Ramiro Benoliel 

dúvidas
estremecem
relacionamentos
quando
permanecem
presentes

Um Poema de Santos/SP
Carolina Ramos

A grande mestra

 Não temas que o Destino te atraiçoe
 pondo pedras demais no teu caminho.
 Usa as pedras que acaso ele te doe,
 e, ao construir, não estarás sozinho!

 Se Deus te deu a luz da inteligência
 e o poder de ir e vir em liberdade,
 tens o solo, a semente e, com paciência,
 um dia hás de colher felicidade!

 Não creias, por temor e covardia,
 que só o Destino teu porvir decida!
 – Destino tu constróis, a cada dia!
 E a Gran Mestra da Obra é a própria Vida!

Uma Trova Premiada de Santos/SP
Maria Nelsi Sales Dias

Tua trova apaixonada
num altar só falto por,
embora quase apagada,
é minha oração de amor!

Uma Aldravia de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

Flores
chorando
tristeza
dentro
da
jarra

Um Poema de Santos/SP
Carolina Ramos

Naufrágio 

Neste oceano da vida, tumultuoso,
Lancei, cheio de sonhos, um barquinho.
E ele flutuou e deslizou airoso,
Vencendo os empecilhos do caminho!

Nos momentos difíceis, sem repouso,
Depressa ia ampará-lo o meu carinho
E ansiosa eu via, com secreto gozo,
Meus sonhos desafiando os torvelinhos!

E chegaste! E de pedra era tua alma!
De papel, o barquinho... e tenso e mudo,
Ficaste, quando o mar perdeu a calma!

Contra o recife, o barco soçobrou!
E os sonhos, sem guarida, ao fim de tudo,
Um a um, impiedoso, o mar levou!

Uma Trova Premiada de São Paulo/SP
Renata Paccola

De paixão mal acabada
guardei as recordações
numa página rasgada
de um bloco de anotações. 

Recordando Velhas Canções
Por causa de você
(samba-canção, 1957)

Tom Jobim e Dolores Duran


Ah, você está vendo só do jeito que eu fiquei
E que tudo ficou
Uma tristeza tão grande nas coisas mais simples
Que você tocou
A nossa casa,querido
já estava acostumada
Aguardando você
As flores na janela sorriam, cantavam
Por causa de você
Olhe, meu bem,
nunca mais nos deixe por favor
Somos a vida e o sonho,
nós somos o amor
Entre meu bem, por favor
Não deixe o mundo mau te levar outra vez
Me abrace simplesmente
Não fale, não lembre
Não chore meu bem

Um Poema de Santos/SP
Carolina Ramos

Conselhos de mãe

Meu filho, a vida é dura e fere... e nos magoa...
mas, trata-a com respeito e guarda a dignidade.
Ainda que a alma inteira sem clemência doa,
não permitas que o mal altere o que é verdade!

Sonha bem alto e segue o voo do teu sonho
sem pressa de alcança-lo e tendo-o sempre à vista!
Cada dia que passa é um dia mais risonho,
quando o amanhã promete as glórias da conquista!

“Segura a mão de Deus!” Segue o rumo sem medo.
Os caminhos, verás, se abrirão à medida
que teu passo provar firmeza e, sem segredo,
revelar o sentido e o Ideal da tua vida!

Não temas opressões nem quedas. Persevera!
Se achares que ao final o saldo não convence,
reage, continua... a vida tens à espera!
Confia em teu valor! Trabalha! Luta! E vence!

Um Aldravia do Rio de Janeiro/RJ
Marilza de Castro 

Solicitude
lícita
se
verdadeira
atitude

Uma Trova Premiada de Bauru/SP
Ercy Maria Marques de Faria

Relendo o livro da vida
quando a solidão me invade,
em cada página lida,
sempre encontro uma saudade…

Um Poema de Santos/SP
Carolina Ramos

Velho rio... 

Deslizas velho rio, amargo e silencioso,
A esconder, bem ao fundo, a injúria e a dor calada.
Cresceste manso, puro! E teu caudal piscoso
Refletia o esplendor da luz da madrugada!

Quantas milhas coleaste! Fértil, dadivoso,
Quantos lares supriste! E se a sede saciada
Afugentou a seca, esse fantasma odioso,
Tiveste, em paga injusta, a face maculada!

Hoje, segues tristonho... sujo... moribundo...
Tendo no seio o estigma e, na alma dolorida,
Toda a angústia de ser a lixeira do mundo!

Velho rio... depois de tanto desengano,
Entendo porque, enfim, protestas contra a vida
E afogas tua dor no abismo do oceano!

Hinos de Cidades Brasileiras
Angelina/SC

1.     
Entre os montes, a verde campina
Foi o berço da Vila Mundéus,
Que mais tarde chamou-se Angelina
E cresceu com as bênçãos de Deus.

A fé na Gruta de Angelina
Este povo ensina a viver melhor,
O homem faz a trajetória, construindo a história
De um Brasil maior.

2.     
Gratidão este canto encerra
Para aquele que a Vila fundou;
O suor derramado na terra
Foi semente que frutificou.

3.     
Estudantes e agricultores
Cumprem juntos a mesma missão;
Uns cultivam dos livros as flores,
Outros tiram riquezas do chão.

4.     
Os minérios são nova mensagem
Que Angelina ao mundo traduz;
O seu rio abastece a Barragem,
Rica fonte de força e de luz.

Uma Trova Premiada de Santos/SP
Mercedes Lisbôa Sutilo

Finquei firme, os pés no chão:
- Esta é a minha terra nova!
E a rosa do coração
se abriu em forma de trova!

Um Poema de Santos/SP
Carolina Ramos

Desencanto
(Primeiro sonho de amor, 1944)

Personagens esparsos… pela vida
caminhamos, atrás de uma quimera.
Alguns se acham… o amor lhes dá guarida,
juntos mudam o inverno em primavera!

E sonhei que assim fosse… embevecida,
ao dar contigo, como se soubera
que à tua sombra, cálida e querida,
acharia a ventura à minha espera!

– Errei! Tinha as mãos de amores cheias…
E o jovem coração, já saturado,
no fogo das paixões, ainda incendeias,

pensando ser feliz, quem sabe, assim!
Nosso romance, apenas esboçado,
“ sem nunca ter começo, teve fim”. (*)
(*) Chave de Ouro de Guilherme de Almeida

Trovadora Destaque



Bem caprichosa é a sorte
da infância desprotegida
que vive à espera da morte,
por nada esperar da vida.

Cantiga que me transporta
da angústia ao sono da paz
é ouvir a chave na porta
e teus passos logo atrás!

Com todo risco a correr
hei de em teus braços chegar:
sou rio que, até morrer,
corre à procura do mar.

Criança desprotegida...
feita de nãos e de nadas,
é só rascunho da vida,
rabiscado nas calçadas.

Do meu leito eu te arranquei;
mas por mais forte que eu banque,
do meu coração, eu sei,
não há nada que te arranque.

Em meu rosto deslizando
vem tua boca em anseios,
no teu beijo terminando
o mais doce dos passeios!

Em toda vida eu te vi
tão dentro dos sonhos meus,
que ao despedir-me de ti,
era a mim que eu dava adeus!

Eu sinto, na indiferença
com que o tempo me consome,
que em seu Livro de Presença
a vida apagou meu nome.

Meu orgulho se rebela
mas o amor faz perdoar,
porque a saudade é janela
que eu não aprendo a fechar.

Meus cataventos da infância,
em acenos coloridos
vejo ainda hoje, à distância,
catando sonhos perdidos.

Morre o amor .. o espólio é feito,
tudo partido em metade.
Minha inteira, por direito,
só ficou mesmo a saudade.

Mudou o jeito de amar...
E em nossa afeição madura,
a volúpia deu lugar
aos afagos da ternura.

Nas lâmpadas salpicadas
que enfeitam suas pobrezas,
as favelas enjeitadas
choram lágrimas acesas!

Nosso amor só necessita
de alguns metros de coragem,
porque a fronteira limita,
mas não impede a passagem.

Nosso amor tem tal magia,
que, mesmo em noites sem lua,
o luar, por cortesia,
brilha só na nossa rua.

Nós tanto nos pertencemos,
nosso amor vai tão além,
que nós dois já nem sabemos
qual de nós é mais de quem!

No verão era tão mini
a coleção que mostraram,
que uma passou sem biquíni
e os presentes nem notaram!

O espelho mostra inclemente,
nas marcas que o tempo aviva,
que hoje eu sigo para a frente
em contagem regressiva.

Pela “conversa” de amigo
e esse adeus dito com arte,
o que tu fazes comigo
não é renúncia, é descarte.

Por que crianças com frio
não tem o sol de um abraço,
se em tanto braço vazio
há desperdício de espaço ?

Por um orgulho idiota
eu não quis lutar por ti...
E com medo da derrota,
mesmo sem luta perdi.

Prometo seguir teus passos
na prece em que me concentro,
até que a cruz dos teus braços
se feche, comigo dentro.

Quebraste a nossa harmonia
e escravizado ao teu jeito,
meu coração, hoje em dia,
é um corpo estranho em meu peito.

Que valem os planos meus
de um dia acertar meus passos,
se o céu me acena com Deus
e eu busco o inferno em teus braços.

Se cantar alegra a vida,
por que se vê, pelo chão,
tanta cigarra caída
no fim de cada verão?

Sem dúvida nem receios,
meu eu te entrego desnudo.
Se o fim justifica os meios,
o amor justifica tudo!

Sem enredo a minha história
foi no tempo se perdendo:
se existe um dia de glória,
a vida está me devendo.

Se uma Trova me entristece,
fazê-la, sei que não devo ...
Tristeza ninguém merece
e, por isso, eu não a escrevo...

Se voltares por fineza,
entra e pisa devagar;
não acordes a tristeza
que cansou de te esperar.

Tão forte nos abraçamos,
confundidos no entrelaço,
que eu acho até que trocamos
de corações nesse abraço!

Teu ciúme em demasia,
sem limite a respeitar,
transformou em tirania
tua maneira de amar.

Tuas recusas sem jeito
mostram, de modo evidente,
que tens meu corpo em teu leito,
com outra imagem na mente.

Uma verdade evidente
não há texto que distorça:
-Ante a imagem contundente,
a palavra perde a força.

Um choque levou Zequinha,
sem fios e sem tomada,
ao se ligar na vizinha,
com a mulher dele ligada...

Chuviscão Biográfico da Poetisa Destaque
         Carolina Ramos, nasceu em Santos/SP, no dia 19 de março de 1929. Estudou no Colégio “São José”, do “Jardim da Infância”, ginásio de cinco anos, Secretariado Bilingue, e Escola Normal. Não podendo cursar Medicina, porque Santos ainda não possuía Faculdade na época, seguiu o Magistério. Fez ainda o curso completo de Música, nove anos de piano. Vários cursos de Literatura, de Folclore, Linguas e um Curso de Enfermagem.
         O livro que a influenciou, mais objetivamente a escrever poesia, foi “Cartas a um jovem Poeta” de Rilke. Ainda no ginásio, costumava fazer algumas quadrinhas de pé quebrado. Fez seu primeiro poema quando a filha, Márcia, nasceu.
         Ao obter o 3o. lugar num concurso de Poesias, em Santos, em 1961, começou a publicar versos num Suplemento de Arte, do Jornal local, A Tribuna Ainda em 61, concorreu a um Concurso de Trovas do Centro Português de Santos, obtendo o 3o. lugar, ocasião em que conheceu Orlando Brito (falecido), que falou de Nova Friburgo e do Movimento Trovadoresco que alvorecia, induzindo-a a participar. Em 1964, alcançou o 2o. lugar em Petrópolis.
         Possui vários prêmios, no Brasil e alguns no Exterior, de Contos, Poesias, Trovas e Crônicas. Por seu poema, Paz, foi agraciada com Diploma e Medalha de Mérito Internacional, em Nocera – Salerno, Itália.
         Trovadora, contista, poeta, santista ilustre, foi Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santos por oito anos (2001 a 2007) e é a atual Presidente da União Brasileira de Trovadores – Seção de Santos.
         Carolina pertence a diversas entidades culturais, como Academia Santista de Letras, Academia Feminina Ciências e Artes de Santos, Academia Santista de Letras, membro correspondente da Casa Juvenal Galeno (Fortaleza/CE), Academia de Letras Petropolitana/RJ, Academia de Letras Anapolina/GO, Academia Pindamonhangabense de Letras, Academia Cachoeirense de Letras/ES. Sócia honorária da Casa do Poeta “Lampião de Gaz”.
         Em Santos, foi agraciada com a Medalha do Sesquicentenário, Medalha dos Andradas e Medalha Brás Cubas de Honra ao Mérito.
         Recebeu em 1973, o título de Magnífica Trovadora, em Nova Friburgo/RJ, Magnífica Trovadora, em Divinópolis/MG e Notável Trovadora em Pouso Alegre/MG. Personalidade da Trova, em Bandeirantes/PR, tendo lhe sido outorgado o título de “Benemérita da Trova”, em 2006.
         Também recebeu diversos títulos, homenagens e prêmios em Portugal e Angola. Um dos mais importantes foi o Prêmio Rui Ribeiro Couto, da União Brasileira de Escritores de São Paulo.

Bibliografia:
“Sempre” (poesias, 1968); “Cantigas feitas de sonhos” (trovas, 1969); “Espanha” (poema épico, 1970); “Rui Ribeiro Couto – Vida e Obra” (bibliografia, 1989); “Trovas que cantam por mim” (trovas, 1989); “Espanha” e outros poemas (1992); “Interlúdio” (contos, 1993); “Paulo Setúbal – Uma vida/Uma obra” (1994, em co-autoria com Cláudio de Cápua), Evocação (História da Associação das Ex-Alunas do Colégio São José) em co-autoria com Maria Edith Prata Real;
Feliz Natal (Contos natalinos); Principe da Trova (biografia); Saga de uma vida (biografia), Um amigo Especial (Conto-ficção), 2003, Destino (poemas e trovas) 2011; A Trovas – raízes e florescimento – UBT, 2014.

Obras inéditas: 
“Rosas de sangue” (sonetos); “Trovas de amor e ternura”; “Canta Sabiá” (poesias sobre o Brasil, lendas e temas do folclore); “Júlia Lopes de Almeida” (biografia); “Contos”; “Contos Infantis” e “Trovas”.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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