Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 308)





Uma Trova Premiada na Academia Brasileira de Trova/1991, de Curitiba/PR
Vanda Fagundes Queiroz

Eu sempre lutei sentindo,
nesta arena em que se vive,
a mão de Deus dirigindo
cada conquista que eu tive.

Uma Trova de Angra dos Reis/RJ
Jessé Nascimento

Sinto uma grande alegria
e o alvo sempre persigo:
conquistar a cada dia
um novo e leal amigo.

Um Poema do Ceará
Francisca Clotilde
Tauá/CE (1862 – 1935) Aracati/CE

Mariposa 

Incauta mariposa em torno à luz
Viceja pela chama fascinada,
Até que enfim examine, crestada
Cai em meio do fogo que a seduz.

A chama que dos olhos teus transluz
Tem minha alma em desejos torturada
E aí tento fugir mais abrasadas
Me sinto neste amor que cresce a flux.

Oh! Fecho os negros olhos sedutores,
Não me queimes nos férvidos ardores
De uma louca paixão voraz e forte

Receio que minha alma caia exausta
Neste abismo de luz como a pirausta
Que buscam o prazer e encontra a morte. 

Uma Trova Humorística de Pouso Alegre/MG
José Messias Braz

...Dá tudo quanto eu preciso...
roupas... nem cabem no armário...
prometeu-me o paraíso!...
- Ele é rico? – Não... otário!

Uma Trova Premiada em São Paulo/2013, de Juiz de Fora/MG
Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho

Nos bons e nos maus momentos,
quando a emoção cala a voz,
externando os sentimentos,
as rosas falam por nós.

Um Poema do Ceará
Francisca Clotilde
Tauá/CE (1862 – 1935) Aracati/CE

Ceará 

Ave, Terra da Luz, Ó pátria estremecida,
Como exulta minha alma a proclamar-te a glória,
Teu nome refugastes inscreve-se na história,
És bela, sem rival, no mundo, engrandecida!

A dor te acrisolou a força enaltecida,
Conquistaste a lutar as palmas da vitória
Hoje és livre e de heróis a fúlgida memória
Jamais se apagará e a fama enobrecida.

O sol abrasa e doura os teus mares que anseiam
Em vagas que se irisam, que também se alteiam
A beijar com ardor teus alvos areais.

Eia! Terra querida, sempre avante!
Deus te guie no futuro em ramagem brilhante
Nas delícias do bem, nos júbilos da paz!

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Infeliz me considero               
em todos os meus intentos:  
quando penso achar venturas
não acho senão tormentos        

Uma Trova Hispânica Premiada em Santos/2014, da Colombia
Héctor José Corredor Cuervo

El amigo verdadero
es leal en sus acciones
y está presente primero
en fatales situaciones.

Um Poema do Ceará
Francisca Clotilde
Tauá/CE (1862 – 1935) Aracati/CE

A garça

Ei-la triste a mirar as águas irrequietas,
Parecendo evocar em visões luminosas
O passado de amor, as estâncias diletas,
Outro céu bem distante, outras margens formosas!

Exilada talvez das paragens ditosas,
Onde outrora gozou de alegria discretas,
Quer as asas de neve, essas asas plumosas
Espalmar pelo azul e voar como as setas.

Mas coitada! Não pode atingir as alturas,
Pois alguém a privou de fruir as venturas
Do inocente viver, da feliz liberdade.

Como a garça, tristonha, eu me sinto finar,
E não posso fugir... e não posso voar
Tenho aqui de carpir a tristeza, a saudade.

Trovadores que deixaram Saudades
Antonio Bispo dos Santos
São Cristóvão/SE (1917 – 2010) Niterói/RJ

Não quero louro ou riqueza.
Nada além do amor perdura.
Em minha feliz pobreza
Deus me cobre de ternura.

Um Poema do Ceará
Francisca Clotilde
Tauá/CE (1862 – 1935) Aracati/CE

Andorinha 

Passando do inverno a pérfida inclemência...
Andorinha ligeira, vai buscando
Outro clima mais puro, ameno e brando,
Outro céu de mais doce transparência.

Gozas da luz a tépida influência,
Reunindo-te ao alegre bando,
Que recorta este azul de quando em quando,
Desejando mais plácida existência

Podes fugir, voar com as asas leves
Expandir-te ao calor do sol
De bendito verão, delícias breves.

Como eu te invejo: Enquanto vais seguindo,
Sofro a tortura do mais rude inverno
E o azul me esconde o seu sorrir, fruindo

Uma Trova Premiada em São Paulo/2013, de Portugal
António José Barradas Barroso

O amor ia no cartão,
a rosa era o meu presente,
agora, anda pelo chão
pisada por toda gente.

Um Haicai de São Paulo/SP
Débora Novaes de Castro

Ramo da roseira,
Bem-te-vi bisbilhoteiro
“bem-te-vi…i…i…”

Uma Trova Premiada em São Paulo/2013, de São Paulo/SP
Jaime Pina da Silveira

Eu divido a minha vida
como se houvesse dois “eus”.
Um antes da despedida.
Outro , após o teu adeus.

Um Poema do Ceará
Francisca Clotilde
Tauá/CE (1862 – 1935) Aracati/CE

A bandeira

Vejo-te erguida, bela e tremulante
Tendo o azul deste céu resplandecente
E o verde esperançoso e potente
Que mostra a nossa flora sorridente.

Emblema augusto, símbolo potente
Banhada de sol vivo e brilhante
Relembra o poema amifulgante
A epopeia de feitos retumbante.

Amo-te assim, ereta, majestosa
Beijada pela brisa majestosa,
Querida, venerada dentre mil.

E como áureo, aos hinos da vitória
Ver-te sempre, brilhar cheia de glória,
Auriverde bandeira do Brasil!

Uma Trova Premiada em São Paulo/2013, de São Paulo/SP
Roberto Tchepelentyky

Na despedida, o teu lenço
deixou o meu com “revolta”!
Nem viu, num adeus intenso...
que o meu...acenava: Volta!!!

Um Poema do Ceará
Francisca Clotilde
Tauá/CE (1862 – 1935) Aracati/CE

Deserto 

Esta casa que vês arruinada,
Solitária e deserta no caminho,
Foi outrora de noivos casto ninho
De ilusões e de risos povoada.

E hoje, como fúnebre morada...
Já não conserva o traço de um carinho,
Nem se ouve o trinar do passarinho,
Em seu muro, ao romper da madrugada.

Assim meu coração d’antes repleto
De esperanças e cândidos amores
É hoje como um túmulo, deserto;

E o vergel onde outrora as lindas cores
Das rosas de um porvir risonho e certo
Brilhavam, tem espinho em vez de flores!

Um Haicai de Santos/SP
Madô Martins

Cachos amarelos
como os cabelos do neto –
Acácia florida.

Uma Trova Premiada na Academia Brasileira de Trova/1991, de Santos/SP
Carolina Ramos

Queres vencer? - Pensa bem
e não dês passos a esmo,
ninguém pode ser alguém
sem conquistar a si mesmo.

Um Poema do Ceará
Francisca Clotilde
Tauá/CE (1862 – 1935) Aracati/CE

Ninho desfeito

Inda há pouco cantava docemente,
Num transporte de cândidos amores,
O casal de avezinhas inocentes,
A tecer o seu ninho entre as flores.

Embebidas num sonho transparente,
Elas iam saudando os esplendores
Do sol que, despontando sorridente,
Resplendia da serra nos verdores.

Mas ah! Um caçador desapiedado
Perturbou os idílios de noivado
Roubando ao par gentil a felicidade,

Hoje o ninho balouça-se deserto
_ Monumento gentil que lembra incerto
Um mistério de amor e saudade!

Recordando Velhas Canções
Serenata do adeus
(canção, 1958)

Vinícius de Moraes

Ai, a lua que no céu surgiu
Não é a mesma que te viu
Nascer nos braços meus
Cai,  a noite sobre o nosso amor
E agora só restou do amor
Uma palavra: Adeus

Ai, vontade de ficar mas tendo que ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora
É refletir na lágrima, um momento breve
De uma estrela pura  cuja luz morreu

Ai, mulher, estrela a refulgir
Parte, mas antes de partir
Rasga meu coração
Crava  as garras no meu peito em dor
E esvai em sangue todo o amor
Toda desilusão

Ai, vontade de ficar  mas tendo que ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo  pela vida afora
É refletir na lágrima um momento breve
De uma estrela pura  cuja luz morreu
Numa noite escura   triste como eu …

Uma Trova Premiada na Academia Brasileira de Trova/1991, de Brumadinho/MG
Armindo dos Santos Teodósio

Não há ninguém que resista
aos caprichos da mulher
que, quando cisma, conquista
até mesmo o que não quer!

Um Haicai de Batatais/SP
Sílvio Gargano Jr.

Pé de amora na escola –
alunos fora da sala
aproveitam o dia.

Um Poema do Ceará
Francisca Clotilde
Tauá/CE (1862 – 1935) Aracati/CE

Mistérios 

Há um encanto secreto, um mistério insondável
No seio da floresta, e o seu recesso esconde
Tanta coisa ideal, sobre a rendada fronde,
Na beleza sem par, selvática, admirável!

A ave que desata a voz límpida, inefável
A voejar pelo azul exprime de onde em onde
Um idílio de amor que a brisa responde
E o aroma a se espargir , num eflúvio adorável.

Nos esponsais da flor, oh! Que ternura existe!
Que pode compreender a força que persiste,
A vibrar no mistério, a palpitar no arcano?

Quem pode do porvir traçar o itinerário,
Investigar quem ousa o pensamento vário
E o supremo mistério – o coração humano?

Uma Trova Premiada na Academia Brasileira de Trova/1991, de Natal/RN
Jonas Ramos da Cunha

Devemos nos espelhar
no mais singelo segredo
da teimosia do mar,
na conquista do rochedo.

Um Poema do Ceará
Francisca Clotilde
Tauá/CE (1862 – 1935) Aracati/CE

A árvore

Ao contemplá-la, triste emurchecida,
Os galhos nus, de flores despojados
Sem a seiva que outrora tanta vida
Lhe trazia em renovos delicados;

Ao vê-la assim tão só, tão esquecida,
Tendo gozado dias tão folgados,
Ao som dos passarinhos namorados,
Que nela achavam sombra apeticida.

Ai! Sem querer encontro semelhanças
Entre meus sonhos e minhas esperanças
E a mirrada árvore dolente.

Ela perdeu as folhas verdejantes
Bem como eu as ilusões fragrantes
Que outrora me embalavam docemente.

Hinos de Cidades Brasileiras
Muitos Capões/RS

Ascende a chama do nosso Planalto
Capoense do Sul altaneiro
Esta querência que leva o reponte
Campeirismo na voz do rodeio.

Irmanados nos pagos que acampa
Na essência nativa da terra
Simbolizando a cultura gaúcha
Nestes campos de cima da serra.

Soberano Patrão das alturas
Que a nós estendeu orações
Abençoe as águas do Saltinho
Natureza de Muitos Capões.

E o campo tem muitas riquezas
Araucária nasceu o pinhão
Na certeza de um novo amanhã
Houve sempre o cantar do charão.

Na certeza de um novo amanhã
Houve sempre o cantar do charão
Cavalhadas, festas de rodeio
Patrão do tempo no lombo da história.

Tradição de um povo serrano
Que o Rio Grande guarda na memória
Este pago serrano garboso
Hospitaleiro, sem luxo.

Muitos Capões cavalga rumo ao futuro
Exaltando seu pampa gaúcho
Muitos Capões cavalga rumo ao futuro
Exaltando seu pampa gaúcho.

Soberano Patrão das alturas
Que a nós estendeu orações
Abençoe as águas do Saltinho
Natureza de Muitos Capões
E o campo tem muitas riquezas.

Araucária nasceu o pinhão
Na certeza de um novo amanhã
Houve sempre o cantar do charão

Na certeza de um novo amanhã
Houve sempre o cantar do charão.

Uma Trova Premiada na Academia Brasileira de Trova/1991, do Rio de Janeiro/RJ
Lúcia Silva Bessa

Harmonia encontrarás,
seja qual for tua crença,
em tudo aquilo que dás
sem exigir recompensa.

Um Poema do Ceará
Francisca Clotilde
Tauá/CE (1862 – 1935) Aracati/CE

À paz

Estende sobre nós as asas benfazejas,
Afasta para longe a sanguinária guerra;
És astro protetor, a iluminar a terra,
És anjo divinal nas hórridas pelejas.

Teu sorriso traz bonança e, qual íris, descerra
O negror da procela... Abençoada sejas;
Oh! Paz consoladora o nosso bem almejas,
Estrela vesperal que doce luz encerra.

Vem os homens unir, vem espalhar o amor,
Tem pena do sofrer das mães em ansiedade,
De ternos corações mova-te a íngreme dor;

Temos sede de ti, lenitiva à orfandade,
Com eflúvios do céu, num gesto animador,
Lembra o santo dever, as leis da caridade! 
_______________
Chuvisco Biográfico da Poetisa homenageada
         Francisca Clotilde nasceu em Tauá, Ceará aos 19 de outubro de 1862. Filha de João Correia Lima e Ana Maria Castelo Branco. Do sertão dos Inhamuns a família se mudou para a Serra do Baturité e de lá, a menina passou a estudar em Fortaleza, capital da Província, no Colégio Imaculada Conceição, de onde saiu apta para o magistério.
         Ávida por liberdade, engajou-se no Movimento Abolicionista; já então se notabilizava pela vocação poética. Em 1884, por concurso público foi nomeada com o título de professora para a Escola Normal de Fortaleza. Concomitantemente ao trabalho de educadora, colaborou na imprensa em verso e em prosa: Cearense, Gazeta do Norte, Pedro II, O Libertador, A Quinzena, A República, Almanaque do Ceará, no Ceará; também na imprensa de outros estados brasileiros, como por exemplo, Almanaque das Senhoras Alagoanas; O Lyrio, de Recife; A Família, de São Paulo e Rio de Janeiro etc.
         Ao ser demitida da Escola Normal (sua pena incomodava os poderosos), fundou externato próprio que funcionou em Fortaleza, depois em Baturité, de onde continuou colaborando na Imprensa.
         Além de poetisa, foi também contista, cronista, jornalista, dramaturga e romancista. Em 1902 veio a público o romance A Divorciada. Pelo tema, há de se imaginar o abalo na sociedade e o preço que a romancista pagou pela "ousadia".
         Em 1908 transferiu-se com a família, o externato e a revista A Estrella para a cidade de Aracati, onde passou 27 anos de sua vida dedicados à educação da Zona Jaguaribana.
Seus filhos Antonieta, Aristóteles e Angelita seguiram o exemplo da mãe – todos percorreram o árduo caminho de educar.
         Faleceu em Aracati aos 08 de dezembro de 1935.
         Ao ser fundada a Academia Feminina de Letras, em Fortaleza, sua ex-aluna da Escola Normal de Fortaleza, Alba Valdez, a tomou para madrinha.
         Na Ala Feminina da Casa de Juvenal, Francisca Clotilde é patrona da cadeira que teve como primeira ocupante uma ex-aluna de Aracatis, Stella Maria Barbosa de Araújo. É nome de logradouro na cidade de Fortaleza. É nome de grupo teatral na cidade de Aracati. Nessa mesma cidade foi criada, por familiares e amigos da cultura, a Associação Cultural Solar das Clotildes (22/10/2005). É patrona da cadeira No. 11 na Academia Tauaense de Letras (05/03/2005). É nome do Centro de Referência da Mulher em Fortaleza (08/05/2006). Por último, a Câmara Municipal de Tauá aprovou projeto de lei que dá nome de logradouro à ilustre conterrânea.
         Sua obra tem sido tema de monografia em várias universidades do Brasil.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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