Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 309)


Uma Trova de Maringá/PR
A. A. de Assis

Escravo da liberdade,
sem ela não sei viver.
– Abaixo a corrente, a grade,
tudo quanto anule o ser!

Uma Trova de Rio Novo/MG
Eugênia Maria Rodrigues

Não que eu seja pessimista
mas causa um certo desgosto
ir de conquista em conquista
traçando o nada em meu rosto!...

Um Poema de Santo Antonio do Monte/MG
Carlos Lúcio Gontijo

Apassarado

Não quero conforto de mar
Ser porto de espera não quero
Nem pacífico nem mar morto
Absorto, voo na paisagem
Sou viagem, corro atrás
Ainda que seja fugaz o sonho
Eu me ponho a procurar ...

Uma Trova Humorística de Juiz de Fora/MG
Heloisa Zanconato

- Meu guri só diz tolice!...
E o garoto retrucou:
- Mas, papai, tudo o que eu disse
foi você quem me falou!...

Uma Trova de Mangualde/Portugal
Elisabete Aguiar

Sobre o fumo mais escuro,
fruto da vil ambição,
quero pintar um futuro
sol ridente, meu irmão!

Um Poema de Santo Antonio do Monte/MG
Carlos Lúcio Gontijo

Fundo Perdido

A cesta no fundo
O fundo do prato
A sede profunda
O fundo do copo
A vitrina inunda
A cerveja inebria
A mente deseja
O bolso espia-me
Ouço-lhe os fundos.

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

O anel que tu me deste
era de vidro e quebrou;
o amor que tu me tinhas
era pouco e acabou.

Uma Trova Hispânica da Argentina
Libia Beatriz Carciofetti

Navega lejos mi barca
son mis años, es mi vida
La está llamandola parca
para dar labienvenida.

Um Poema de Santo Antonio do Monte/MG
Carlos Lúcio Gontijo

Reza

Abre-me os espaços, Senhor
No compasso das estrelas
Ilumina-me passos e janelas
Com velas e facho de sol
Mergulha-me em riacho limpo
Traze-me do "Olimpo" caravelas cheias
Espanta-me as sentinelas da fome
Que consome o olhar da minha gente!

Trovadores que deixaram Saudades
Aparício Fernandes
Acari/RN (1934 – 1996) Rio de Janeiro/RJ

Meditando sobre a morte,
digo aos crentes e aos ateus:
a bondade é o passaporte
que nos conduz para Deus.

Um Poema de Santo Antonio do Monte/MG
Carlos Lúcio Gontijo

Peão de Letras

Palavras são novilhos
Novelos de rios e lã
Cavalos bravios, puro-sangue
Na escuridão esperando manhã
Mangue de fala nascente
Veneno de língua poente
Pauta sonhando som
Feno bom para a mente animal
Que não sabe ser silente
Nesta campina sou cavaleiro
Poeta visionário social
Guerreiro, desbravo o dicionário
Matagal de mel em favos
Onde enlaço palavras com laço de céu
Feito abraço, prisão que afaga
Esta é minha saga, minha sina
Que se algum dia termina
Quero meu corpo ao lado da mãe
E o conforto da inscrição final:
"Meu irmão, aqui jaz um peão de letras”

Uma Trova de Juiz de Fora/MG
Arlindo Tadeu Hagen

Não quero glória, dinheiro,
nem mil conquistas sem fim...
Troco os "nãos" do mundo inteiro
pela graça do teu sim!

Um Poema de Santo Antonio do Monte/MG
Carlos Lúcio Gontijo

Amora Doce

Ainda mora no céu de minha boca
Aquele gosto de nuvem do teu beijo
Mora em mim toda janela do teu rosto
Amora doce em calda de raios de lua
Ofuscando as ruas de neon da madrugada
Foi bom sentir-me horizonte ensolarado
Mas se quebrado o bandoneón do amor
Sob as sanhas do batom a dor é branda
A lágrima que corre é apenas vida que anda
Num eterno "quiereme, besame mucho"
Sussurrado em terno de linho branco
Manchado pelo vinho santo da paixão!

Uma Trova de São José dos Campos/SP
Luiz Moraes

Daqui da minha janela
vejo um lindo entardecer,
e um pequeno barco a vela
trazendo meu bem-querer.

Um Poema de Santo Antonio do Monte/MG
Carlos Lúcio Gontijo

Oração dos casais

Meu bem, sei que Deus protege os casais
Semeia trigais de ternura na pele
Para que o amor sele as marcas da procura
Então, na hora em que a gente for dormir
Façamos jus aos cuidados do Senhor
Por favor, acenda-me quando apagar a luz!

Uma Trova de Amparo/SP
Eliana Dagmar

Batalha infinda e silente
é o da terra em seu labor:
na conquista da semente
gera o fruto, a sombra e a flor!

Um Poema de Santo Antonio do Monte/MG
Carlos Lúcio Gontijo

Sol eterno

Há mais alegria na procura que no encontro
A poesia da vida está na surpresa das esquinas
Em liberdade as diferenças se fazem divinas
Não se toma água limpa em fonte suja
Quem não garimpa dentro de si mesmo
Enferruja com seu toque tudo que amanhece
Não se conhece nem se doa ao próximo
É como canoa que temesse a festa da correnteza
A Natureza acontece na candura da simbiose
Ao horizonte do amor basta a luz da ternura
O sabor da fruta não depende da semente
Vem do calor da mão calejada do plantador
Por-do-sol que não se põe no peito da gente!

Uma Trova de Fortaleza/CE
Nemésio Prata

Ao ver a imagem singela
do barco, tranquilo, ao mar,
lembrei-me: não há procela
que Deus não possa acalmar!

Um Poema de Santo Antonio do Monte/MG
Carlos Lúcio Gontijo

Frutos e Gente

Frutos e gente são iguais
Ambos acabam amadurecendo
Quem o colha deseja o fruto
Quem o acolha almeja o homem
Frutos e gente têm sabor
Somente renascem se provados
O fruto através da semente
O homem pelo milagre do amor

Recordando Velhas Canções
Vitrine
(samba-canção, 1958)

Adelino Moreira

Vi gracioso e sutil  
Num magazine da cidade
Numa vitrine infantil
Um manequim de verdade

O seu olhar endeusado  
Era um convite ao amor
Pois tinha cor do pecado
Se é que pecado tem cor

Quando a vi na vitrine
De um magazine, tal qual um manequim
Floriu em mim o desejo
De lhe dar um beijo ardente sem fim

Moço, loucura não faça  
Não quebre a vidraça
Ouvi de um senhor
Mas não segui seu conselho
Quebrei o espelho
Sedento de amor

Uma Trova de Porto Alegre/RS
Delcy Rodrigues Canalles

Alguém me disse: - Desista
de sonhar, de ter anseios!
É que eu vivo da conquista
dos meus próprios devaneios!

Um Poema de Santo Antonio do Monte/MG
Carlos Lúcio Gontijo

Copo de Campari

Sinto falta dos amigos distantes
Que na luta da vida se perderam
Ou antes se acharam em alguma morte
Feito mãe prepara leito de filho
Com o brilho da esperança nos olhos
Arrumo a casa, preparo a sala
Receberia com gala qualquer pessoa
Mas não soa a campainha
O silêncio me ensurdece
Derrete o gelo no copo de "campari"
Em mim o apelo de prece
Tanto zelo pra terminar assim
Sem alguém que me ampare
Ciente de que a carne é mero revestimento
Breve encantamento do espírito em solidão

Uma Trova de Barreiro/Portugal
Victor Batista

Um pescador de talento
é quem espera e confia,
tirar do mar o sustento
no nascer de cada dia.

Um Poema de Santo Antonio do Monte/MG
Carlos Lúcio Gontijo

Deus

Deus é entidade do perdão
Pelo estender de mão é Pai
Não libera seu esbravejo à toa
Nem se magoa por qualquer bordejo
Nas praias de sua divina memória
Registra o dia-a-dia de nossa história
Grava na rocha nossos raros feitos
E para que a maré cheia os leve
Nossos defeitos na areia escreve

Hinos de Cidades Brasileiras
Araucária/PR

Araucária, Araucária
És a terra mais linda que há
Araucária, Araucária
Cidade Símbolo do Paraná

Vem de longe o teu nome pioneiro,
De um passado remoto e feliz
Tens a forma do altivo pinheiro,
Foste chão dos briosos Tingüis.

Vem de longe romântica era,
A tua história tão plácida, enfim.
És aquele gentil Tindiquera,
Para nós que te amamos, jardim.

Araucária, Araucária,
És a terra mais linda que há
Araucária, Araucária,
Cidade Símbolo do Paraná

Ainda ontem, um sonho fecundo,
Pura e simples, quanto hoje ainda és,
Mas despertas pras lutas do mundo,
Sobre a argila que dorme aos teus pés.

Uma Trova de São Jerônimo da Serra/PR
Déspina Athanásia Perusso

O calor dos teus abraços
e o fulgor do teu olhar
são conquistas que os meus braços
têm vontade de alcançar.

Um Poema de Santo Antonio do Monte/MG
Carlos Lúcio Gontijo

O ser poetizado

Em cada coisa um segredo
Na lousa do horizonte o poema
Na esteira do verso o medo-tema
História verdadeira cheira a berço
Homem realista tem apreço por estrela
A vida se entrega a quem sabe entretê-la
Àquele que se estremece poetizado ao vê-la
Pois para Tê-la torrente nos braços
Basta recebê-la feito água corrente
Em compasso de leito e docemente…


Alegria… alma embalada
de sonhos, de madrigais…
Tristeza… fim de jornada,
sem sonhos… sem nada mais…

Alegria… dom divino
que nasce dentro do ser,
quando um sonho pequenino
tem vontade de crescer…

Da Manjedoura ao Calvário,
o mundo encheu-se de luz,
no divino itinerário
percorrido por Jesus.

Dar um pouco de carinho
ao carente – nosso irmão –
no seu triste descaminho,
vale mais que dar um pão.

É penosa - e não me iludo!
- essa exaustiva jornada:
- ontem, em busca de TUDO...
- hoje, a caminho do NADA.

Fique alerta, coração,
não deixe o sonho passar…
pois, todo sonho é ilusão:
– jamais vem para ficar!

Foste aurora em minha vida,
meu sol de felicidade…
Hoje, és estrela perdida
no céu de minha saudade…

Fui sempre um pobre Palhaço
no Circo do meu viver,
rindo do próprio fracasso,
tentando a dor esconder…

Hoje, que dias tristonhos
te assaltam – triste e sozinho -
voltaste em busca dos sonhos
que deixaste no caminho…

Num dolente fim de tarde,
junto as mãos… e numa prece,
aconchego-me, covarde,
na saudade que me aquece…

Olhando o sol escaldante,
sertanejos, lá se vão...
No rosto do retirante,
há mais água que no chão!

O Martírio da Paixão
ao consumar-se na Cruz,
legou um Mundo Cristão
e a Terra cheia de Luz…

O Sonho é qual a fumaça
que se expande ao nosso olhar.
É belo, enquanto não passa,
mas, desaparece no ar…

Os teus penachos dourados,
Canavial… sempre ao léu…
lembram braços levantados
pedindo chuvas ao céu!

Quanto tempo estive… quanto!
fingindo que te esqueci…
quase que sequei meu pranto,
de tanto chorar por ti…

Reguei de noite e de dia,
com o orvalho do meu pranto,
a sementeira vazia
de sonho… E estéril de encanto!

São dois padrões de grandeza,
dois infinitos no mundo:
– O Céu: encanto e beleza…
– O Mar: mistério profundo…

Se a chuva desce lá fora
e corre pela calçada,
é pranto do céu… que chora
por quem não crê em mais nada…

Se algum dia uma saudade
maltratar teu coração,
volta! Que a felicidade
vai-te aguardar no portão…

Sem saber que havia escolhos
nesta vida, eu submergi
no lago azul de teus olhos
e nunca mais emergi…

Toda vez que você passa,
fingindo que não me vê,
meu coração descompassa
e corre atrás de você…

Uma cadeira vazia
fica perto da janela:
a meu lado, todo dia,
a saudade senta nela.

Chuvisco Biográfico do Poeta Homenageado
         CARLOS LÚCIO GONTIJO, nasceu a 27 de abril de 1952, em Santo Antônio do Monte, município do Centro-Oeste de Minas Gerais, onde estudou. Complementou o último ano de Contabilidade na capital mineira. Em seguida, diplomou-se em Jornalismo pela FAFI-BH, hoje UNI-BH, no ano de 1976, passando então a atuar como jornalista - durante 30 anos -, no "Diário da Tarde", veículo de comunicação impressa que circulou, ininterruptamente, de 14 de fevereiro de 1931 a junho de 2007.
         Foi revisor, supervisor de revisão, articulista, secretário de página, subeditor e, depois, editor de Opinião do "Diário da Tarde".
         Trabalhou, também, nos jornais "PrOeste", do qual foi um dos fundadores e redator-chefe (1976); "Tribuna de Mariana", onde foi editor; "Diário de Minas", como revisor e articulista; e "Hoje em Dia", como revisor.
         Título de Honra ao Mérito da Prefeitura de Santo Antônio do Monte (1977), "Troféu Magnum de Cultura", homenagem do Colégio Magnum Agostiniano, em comemoração aos 100 anos de Belo Horizonte (1997); Destaque Profissional Regional 2003/Conselheiro Lafaiete-MG; membro titular e correspondente da Academia Interamericana de Literatura e Jurisprudência e da Academia de Estudos Literários e Linguísticos (ambas de Anápolis/GO); Membro da Academia de Letras do Brasil-Mariana (ALB-Mariana). Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores (Avspe); Academia de Letras de Teófilo Otoni (ALTO) e na Academia Santantoniense de Letras (ACADSAL). Foi presidente da Associação Mineira de Imprensa - AMI (2002/2005), à qual retornou, como vice-presidente, na diretoria administrativa de 2008/2012.
         Morou na cidade de Contagem/MG (de 1985 a 2010), onde foi agraciado com o título de cidadão honorário.
         Em 2011, foi contemplado com a "Comenda do Grande Oriente do Brasil-RJ", por indicação da ALB-MARIANA. Detém o "Prêmio Mérito Literário Poeta Antônio Fonseca", elevada e significativa honraria instituída pela Academia Betinense de Letras (ABEL), da cidade de Betim/MG.
         Ainda em 2011, foi contemplado com o Diploma de Honra ao Mérito pela Loja Maçônica Mestres do Monte. Em dezembro de 2011, recebeu a Medalha de Mérito Literário da Academia de Letras do Brasil-Mariana, Aldrava Letras e Artes e INBRASCI. É membro do Conselho de Redação da Revista "eisFluências", editada em Lisboa/Portugal. Elaborou prefácios para livros de poetas e escritores.
         Portador do Certificado Círculo Universal dos Embaixadores da Paz (Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix - Suisse/France), representando a cidade de Belo Horizonte; Membro da entidade cultural espanhola Naciones Unidas de Las Letras (Uniletras)
         Possui o site www.carlosluciogontijo.jor.br, no qual disponibiliza aos internautas toda a sua obra literária (16 livros), fotos, músicas e alguns artigos jornalísticos etc.

Obras
Ventre do Mundo (Poesia – 1977); Leite e Lua (Poesia – 1977); Cio de Vento (Poesia – 1987); Aroma de Mãe (Poesia – 1983); Pelas Partes Femininas (Poesia e prosa – 1996); “Coletânea” (Editada em dois volumes, no ano de 1988, contendo os cinco primeiros livros do autor); O Contador de Formigas (Romance e poesia – 1998); O Ser Poetizado (Poesia e prosa – 2002); O Menino dos Olhos Maduros (Novela e poesia – 2002); Virgem Santa sem Cabeça (Romance e poesia – 2002); Cabine 33 (Romance e poesia – 2004); Lógica das Borboletas (Romance e poesia – 2007); Duducha e o CD de Mortadela (Livro Infantil – 2009); Jardim de Corpos (Romance e poesia – 2009); Quando a Vez é do Mar (Romance e poesia – 2012); Lelé, a formiga travessa (Livro Infantil – 2013); Poesia de romance (Poesia – 2013).

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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