Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 20 de dezembro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 317)





Uma Trova de Ponta Grossa/PR
José Corrêa Francisco

O tempo, veloz, avança,
consumindo nossos anos.
Vamos perdendo esperança
e colhendo desenganos…

Uma Trova de Santos/SP
Carolina Ramos

Pequenino grão latente,
que brota e aos poucos se expande,
criança é humana semente,
na conquista de ser grande.

Um Poema de Curitiba/PR
Vanda Fagundes Queiroz

Menino da feira

Menino da feira,
esperto e magrinho,
tão cedo na vida
perdeu seu lazer.

Carreto, moça?
Baratinho, dona!
Posso cuidar do carro, tia?

Menino insistente
pedindo com os olhos
que guardam no fundo
segredos do lar…
(Talvez o pai fugiu…
A mãe leva para fora…
Oito irmãozinhos com fome...)

Menino
sem direitos…
só deveres.
Seus pais, onde estarão?
Talvez você seja filho…
da minha própria omissão.

(1º lugar no Concurso Rosacruz, em Guarulhos, SP)

Uma Trova Humorística de Belo Horizonte/MG
Almira Guaracy Rebelo

Sempre a rebaixar a idade...
Mania da tia Stela,
que chegou à raridade
de voltar a ser donzela!

Uma Trova de São José dos Campos/SP
Myrthes Masiero

Eu vivo na corda bamba
tentando me equilibrar,
mas sem ter você, caramba:
nem consigo me encontrar.

Um Soneto de Curitiba/PR
Vanda Fagundes Queiroz

Conversa Calada

Com tanto sentimento solitário,
meu existir interno é tão intenso,
que para reparti-lo às vezes penso
num interlocutor imaginário.

E sinto, então, falar de modo vário
minha alma com seu repertório imenso,
tão vasto que nem sei como é que venço,
sozinha, o turbilhão do meu fadário.

Embora eu tenha apenas uma vida,
termino por fazer-me bipartida,
se eu mesma falo e escuto a minha voz.

Na minha eterna e ardente introversão,
de tanto argumentar com a solidão,
eu vivo sempre dialogando... a sós.

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Triste daquele a quem falta, 
na vida, que se evapora,         
uma criança que salta, 
que canta, que ri e chora!

Uma Trova Hispânica da Espanha
Carmen Patino Fernández

Si mas que a nadie te quiero,
desgráname tu sonrisa,
sabes que de amor me muero.
Tráeme de tu mar la brisa...

Um Soneto de Curitiba/PR
Vanda Fagundes Queiroz

 Aparência e realidade 

O som de minha voz inutilmente 
acontece, sem cor e sem motivo. 
Tão diverso é o real mundo que vivo 
da hora em que pareço estar presente. 

É presença enganosa, que desmente 
outra força suprema  a do furtivo 
viver por dentro, onde, devota, arquivo 
ignotos pulsares da alma ardente. 

A voz que fala, o riso, a cor que é vista 
é invólucro somente, e bem despista 
do meu ego a essência, a vida inteira... 

E, assim, esta duidade faz-me artista 
na arte de viver de forma mista: 
que parece ser.,. e a verdadeira. 

Trovadores que deixaram Saudades
Cesídio Ambroggi
Natividade da Serra/SP (1893 — 1974) Taubaté/SP

Há nos velhos corações
uma fonte -  a da saudade,
que reaviva emoções
vividas na mocidade.

Um Soneto de Curitiba/PR
Vanda Fagundes Queiroz

A cor da minha trísteza 

A tristeza em meus suspiros tão frequente, 
não lhe vês o ar de órfã desolada, 
não entendes sua voz  brado silente, 
não lhe dás nunca razão, nem cor, nem nada.., 

E ela tem, nítida, a cor do riso ausente... 
É triste andante de faces desbotadas, 
tem a cor dos pés descalços, do inclemente 
abrigo sujo ostentado nas calçadas. 

Tem a cor do pranto, alheio, sofre o espinho 
que a tantas flores impede de brotar. 
Tem a cor da nulidade de um caminho 

que — acaso existe?  ninguém logra alcançar: 
a cor de um mundo de risos tão mesquinho, 
tão farto em dor, que  cor ao meu penar... 

Uma Trova de São Paulo/SP
Analice Feitoza de Lima

Por ser da lista, o primeiro,
jamais entendi por que,
conquistei o mundo inteiro,
mas não conquistei você...

Um Haicai de Bandeirantes/PR
Neide Rocha Portugal

Mexilhões nas rochas –
também nessas minhas mãos
calos encravados

Um Soneto de Curitiba/PR
Vanda Fagundes Queiroz

 Sublimação 

Tento louvar a beleza do universo, 
cantar o céu, o infinito, o sol, a flor. 
No silêncio existe som que escuto em verso, 
do matiz inexistente vejo a cor. 

Numa gota d’água posso ver, submerso, 
do gigante mar azul todo o esplendor. 
Penso ern rosas onde o espinho mais perverso 
cresce, banindo a alegria e impondo a dor. 

A solidão povoei, o peito imerso 
nos meus sonhos enfeitados com o verdor 
da esperança, alado aroma ao céu disperso. 

A viver concebo o Bem. Em meu fervor, 
sonhando a Paz, quando  guerra, quão diverso 
vê-se o mundo no altar-mor do meu Amor!... 

Uma Trova de Curitiba/PR
Nei Garcez

Previdente, com confiança,
e equilíbrio tão fiel,
cuida, o anjo, da criança,
que balança no cordel!

Um Soneto de Curitiba/PR
Vanda Fagundes Queiroz

Cota suficiente 

Bendita a pérola pequena e inculta 
que fartas vezes vislumbrar logrei 
na concha humilde, a única que herdei 
do mar imenso que agiganta e avulta. 

Bendito o mínimo botão que a estulta 
gente distante, nos jardins que andei, 
calcou aos pés. Pois dele me apossei, 
deixando a todos, livre, a rosa culta. 

E vendo o mundo em ouro se encantar, 
busquei nas coisas simples me abrigar, 
sem ter cobiça a ventura imponente. 

Fortuna tenho, imensa, a ostentar: 
pois no alto vendo o astro-rei brilhar, 
eu desejei a sombra. Simplesmente.., 

Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Lúcia Lobo Fadigas

Ouço harmonias nas águas;
ouço acordes no tufão;
mas na avalanche das mágoas
nem ouço o meu coração!...

Um Soneto de Curitiba/PR
Vanda Fagundes Queiroz

A meu filho 

Vejo a criança de ontem em você 
que embalei nos meus braços ternamente, 
Sinto inundar-me de emoção porque 
eu vi botão a flor hoje imponente. 

Ao pressentir o homem que, latente, 
eu  descubro e quase  se vê, 
tenho almejado que haja tão somente 
o bem, no mundo que se lhe antevê. 

Não saber-lhe o porvir faz-se tortura 
que na alma-mãe me paira e assim perdura 
na ânsia vã de pautar-lhe a jornada. 

Uma lágrima oculta, na costura 
enxugo. E rogo a Deus que faça pura 
e perfumosa a flor por mim plantada. 

Uma Quadra de Vila Real de Santo António/Portugal
Antonio Aleixo
(António Fernandes Aleixo)
1899 — 1949, Loulé/França

Da guerra os grandes culpados,
que espalham a dor na terra,
são os menos acusados
como culpados da guerra.
  
Um Haicai de Curitiba/PR
Alvaro Posselt

Regresso do mar –
Vem arcado o pescador
com os mexilhões

Uma Trova de Caicó/RN
Prof. Garcia

A liberdade do poeta,
está num verso... Num grito...
No equilíbrio se completa,
vencendo o próprio infinito!

Um Soneto de Curitiba/PR
Vanda Fagundes Queiroz

Antes de fechar a porta 

Recordo, muita vez, sentada à porta 
de mim mesma, o tão nosso antigamente! 
O que espreito, bem sei, não mais importa 
que a mim  que de novo estou presente. 

É a mão da saudade que transporta 
o que sou ao que fomos. De repente, 
tanta coisa, com rótulo de morta, 
vive em mim nova vida, inteiramente... 

Julgas mera tolice a devoção 
de minha ardente peregrinação 
ao passado. E me acordas à verdade. 

Volvo ao deserto de viver, então. 
Mas, antes de esconder o coração, 
guardo já dentro mais uma saudade. 

Recordando Velhas Canções
Fim de caso
(samba-canção, 1959)

Dolores Duran

Eu desconfio que o nosso caso está na hora de acabar
Há um adeus em cada gesto, em cada olhar
Mas nós não temos é coragem de falar
Nós já tivemos a nossa fase de carinho apaixonado
De fazer versos, de viver sempre abraçados
Naquela base do só vou se você for
Mas de repente, fomos ficando cada dia mais sozinhos
Embora juntos cada qual tem seu caminho
E já não temos nem coragem de brigar
Tenho pensado, e Deus permita que eu esteja errada
Mas eu estou, ah eu estou desconfiada
Que o nosso caso está na hora de acabar

Uma Trova de Juiz deFora/MG
Arlindo Tadeu Hagen

Eu vi, ao nascer do dia,
a rosa despetalada
e o assassino que fugia:
o vento da madrugada!

Um Soneto de Curitiba/PR
Vanda Fagundes Queiroz

Malogro 

Intenta extravasar-se em verso ardente 
a ânsia do sentir. Impetuosa... 
Mas vejo que a palavra é impotente 
tem veracidade duvidosa. 

Versos apócrifos  são meu presente 
ao papel onde quero, em verso ou prosa, 
retratar a minha alma, ardentemente, 
da forma como em mim apoteosa. 

Tortura-me, no entanto, a rima ausente... 
Outro canto, outra luz, inutilmente 
vou tenteando em minha busca ansiosa. 

Descubro que querer tornar patente 
este universo que  dentro da gente 
é uma ação sempre falha e lacunosa.,. 

Um Haicai de São Paulo/SP
Yone

Parece alarme
O canto do bem-te-vi
Sempre na mesma hora.

Uma Trova de Mangualde/Portugal
Elisabete Aguiar

Por sobre as águas do mar,
ou sobre as terras da Terra,
um avião vem lançar
bombas de Amor contra a guerra.

Um Soneto de Curitiba/PR
Vanda Fagundes Queiroz

 Irreversão 

Da terra brota a flor cada estação, 
haurindo a seiva fértil do existir, 
Nutrindo-se de vida, o coração 
da planta vibra, em cores a expandir. 

Um dia... o ar sombrio, a acridão 
da quadra estéril, triste, que  de vir, 
desnuda o solo, onde, em contradição, 
terá lugar a ausência do florir. 

estação das flores retornando, 
cor de esperança a terra se enfeitando, 
a haste ostentará de novo a flor. 

Murcha no peito a rosa da ilusão, 
a seiva não renova, e o coração 
passa, infecundo, à estação da dor. 

Hinos de Cidades Brasileiras
Montes Claros/MG

Nas manhãs gloriosas das Bandeiras,
Nascestes protegida pela Cruz,
Plantada pela fibra de Figueira,
Ao pé dos montes, refletindo luz.
No sertão ressequido das Gerais,
O pranto inaugural dos filhos teus
Rasgou teu solo, para nunca mais
Perderes lutas nem perderes Deus.

Salve, Montes Claros! És nortestrela!
Crescendo arrojada e altaneira,
História vais fluindo de bravuras
Com o orgulho de seres brasileira.

Tu és uma cidade consagrada
Pela vez dos teus bardos e cantores,
Que centelhas de ouro, na alvorada,
Semearam, exaltando os teus primores.
Os dois irmãos alertas, lucilantes
Louvam o teu progresso, tua grandeza,
E em sintonia, nos teus horizontes,
A Liberdade brilha em realeza.

Salve, Montes Claros! És nortestrela!
Crescendo arrojada e altaneira,
Histórias vais fluindo de bravuras
Com o orgulho de seres brasileira.

Uma Trova de Fortaleza/CE
Nemésio Prata

O rostinho amarelado
encostado ao mostruário
cobiçava o tão sonhado
presente. Triste cenário!
Um Soneto de Curitiba/PR
Vanda Fagundes Queiroz

 Policromia 

Nesta profusão oculta de sentires 
que aconchego e acalento com ardor, 
não estranhes quando acaso descobrires, 
misturada a tanta cor, a tua cor. 

Se entre as ânsias de minha alma um dia ouvires 
um som que possa a um lamento enfim se opor, 
é tua a voz! E feliz quando me vires, 
da alegria que eu sentir serás credor. 

No cinzento do meu peito, mil nuanças, 
cor de rosa e de esperança, tentas pôr. 
Com teus olhos, as tormentas são bonanças; 

por tua mão, o agudo espinho é fina flor, 
A mistura policroma  não cansa 
quando, em meio a tanta cor,  a tua cor…

 

A chuva fina que cai 
 me traz melancolia. 
Minha alegria se vai, 
mas voltará outro dia. 

Adeus se diz pra quem morre 
e parte, e não volta mais. 
É como a água que corre 
e não retorna jamais... 

Ah, se não tivesse um fim 
a vida que a gente tem, 
te queria junto a mim; 
perto de ti mais ninguém…

Amor não é caridade, 
amor não é compaixão. 
Amor é muita bondade 
partindo do coração. 

Com amarelo sorriso 
disfarças teu amargor; 
podes ter muito juízo, 
mas sentes falta de amor. 

Deixei-te livre e sofri 
saudade mais atroz; 
e para o mundo morri 
não mais ouvindo tua voz. 

Devagar vou caminhando 
pelas estradas sem fim. 
Lindos sonhos vou compondo, 
como é bom sonhar assim! 

Dizem que a rosa não fala... 
Repare bem nessa flor: 
perfume que ela exala 
diz muito de um grande amor. 

Em uma praia distante, 
chora o mar, em solidão... 
 de você a constante 
saudade em meu coração. 

Eu na praia, descansando, 
se vejo você na areia, 
logo fico meditando 
se és mulher ou se és sereia. 

Fui leal e cauteloso 
no modo de te querer; 
me chamaste de vaidoso, 
acabei por te perder... 

Meus versos são gotas d'água, 
vão caindo de mansinho, 
para amenizar as mágoas 
que encontro pelo caminho. 

Muitas vezes, escondido 
sob a capa de bondade, 
está o orgulho ferido, 
querendo fazer maldade. 

Muitos beijos eu te dei, 
me beijavas todo dia; 
foi com isso que sonhei 
e acordei com alegria. 

Nunca lamente o que tem, 
rico ou pobre não importa, 
o que vale é viver bem 
com o amor que nos conforta. 

Não nos adianta ter, 
de quem sofre, piedade, 
pois o que importa é trazer, 
no peito, muita bondade. 

O cantar do trovador, 
às vezes mal entendido, 
é assim como um amor 
que não foi correspondido. 

nosso amor terminado 
muito cedo e de repente, 
mesmo depois de acabado, 
pode voltar novamente, 

Quando a chuva é muito fina 
e dói na alma da gente, 
a saudade que amofina 
é do calor de um sol quente. 

Quando algum poeta morre, 
vai para o céu, vai cantar, 
por isso, a estrela que corre 
é um poeta a caminhar. 

Quando as pedras dos caminhos 
fizerem teu  sangrar, 
lembra que muitos carinhos 
 no amor vais encontrar. 

Quando estou sozinho à noite 
e ouço o vento uivar  fora, 
sinto no corpo um açoite 
e a minha alma, triste, chora. 

Quando termina um amor, 
fica a saudade lembrando. 
É como uma grande dor 
que nos faz ficar chorando. 

Quem não tem filho e é triste 
jamais deve se esquecer 
que a dor mais triste consiste 
em ver-se um filho sofrer. 

Saudade não é brilhante 
que se guarda por valor, 
saudade é o travo constante 
da lembrança de um amor, 

Se de tola eu te chamei, 
meu amor, meu bem-querer, 
mil tolices pratiquei 
procurando te esquecer. 

Sem amor, vem a tristeza 
ocupar o seu lugar. 
O remédio, com certeza, 
é simples: basta se amar. 

Senti um dia a saudade 
daquela que me esqueceu, 
mas mesmo assim a bondade 
no meu peito não morreu. 

Será bom poder dizer, 
quando  for bem velhinho, 
"como foi bom te querer", 
tenho ainda o teu carinho. 

Se te invade grande dor, 
e choras e sofres tanto, 
pensa bem, que  o amor 
pode enxugar nosso pranto. 

Sofreu um dia Maria, 
vendo seu filho sofrer; 
ah, se eu pudesse, não via 
tanta gente padecer. 

Triste é vivermos sozinhos 
após ter-se um grande amor. 
Vamos morrendo aos pouquinhos, 
nada mitiga essa dor. 


Chuvisco Biográfico da Poetisa Homenageada 
       Vanda Fagundes Queiroz, escritora, poetisa, cronista, trovadora, declamadora, memorialista, contista, professora, nasceu em 1938, na vila de Santo Antonio da Boa Vista, município de São João da Ponte, norte de Minas Gerais. Viveu parte de sua infância na Fazenda Tipis.
         Com 7 anos de idade iniciou o curso primário na cidade de Ibiracatu, naquela época uma pequena vila. Logo de inicio, aflorou a tendência para a arte de ler e escrever, e a menina tornou-se poetisa.  Não havendo ali estudos posteriores às três séries primárias, a professora Dona Lourdes insistiu junto à família para que a menina fosse mandada para a cidade próxima, a fim de continuar os estudos. Não obstante as dificuldades enfrentadas pela mãe, viúva com seis filhos pequenos, Vanda foi estudar em Montes Claros, interna no Colégio Imaculada Conceição, dirigido por freiras, o único da cidade. Não havia escolas públicas. Fazer o quarto ano primário, o ginásio, o normal, era privilégio. Mas o êxito da menina pobre compensava o sacrifício. Se formou no Curso Normal de Formação de Professores Primários.
         Sua vida de infância, até a conclusão do curso primário, foi retratada com emoção no seu livro “UMA CANDEIA NA JANELA”, narração romanceada de seu contexto familiar, baseada em lembranças da infância, mas que indiretamente se faz registro de uma cultura regional, com seu linguajar próprio, culinária, costumes, tipos humanos, traços vivos de um determinado tempo e um determinado espaço restritos a uma rústica região do sertão mineiro.
         Casou-se em 1958 e foi residir em Curitiba, Paraná. Trabalhou na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
         Em fins da década de 6O, enviou à página Literária do jornal curitibano Gazeta do Povo, alguns trabalhos. Entre eles, o poema "Queria..." que lhe logrou ganhar o prêmio-estímulo 1969.
         Em 1971 iniciou o Curso de Letras (Português e Francês) na Universidade Católica do Paraná.
         Seu marido foi transferido para a Base Aérea de São Paulo, Cumbica – Guarulhos, onde Vanda continuou trabalhando nos Correios, escrevendo e participando de concursos de Trovas e Poesia em todo o país. Licenciada em Letras, tornou-se professora da rede escolar paulista, lecionando, inclusive Francês. Pouco depois, efetivou-se como professora na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus, em Guarulhos-SP.
         Em 1984 recebeu medalha de “Professor do Ano”, uma promoção da Prefeitura Municipal.
         Foi a primeira mulher a ingressar na Academia Guarulhense de Letras (AGL). Ainda em Guarulhos, fez o Curso de Pedagogia Plena.
         Premiadíssima nos concursos de poesias e trovas por todo o Brasil e às vezes em Portugal. No livro CONVERSA CALADA, são sessenta (60) sonetos (incluindo uma versão para o Francês), versando sobre desencontro, esperança, tristeza, alegria, família, criança, flor, fantasia, filosofia, amor, saudade, vida, etc.
         Retornando a família em 1985 para Curitiba, Vanda aposentou-se do magistério e passou a ocupar-se com trabalhos de revisão de texto, além de desempenhar serviço voluntário na igreja.
         Ocupa, hoje, a cadeira nº 12 da Academia Paranaense de Poesia. Pertence a UBT-Curitiba.
         Pela sua obra literária, foi agraciada em 2008 com a Medalha de Mérito “Fernando Amaro”, da Prefeitura Municipal de Curitiba.
Só no âmbito da trova, conta com mais de trezentas premiações.
        
Obras:
“TRAJETÓRIA” (Poesia), 1981; “DESCORTINANDO” (Poesia), 1990; “CONVERSA CALADA” (Sonetos), 1990; “UMA CANDEIA NA JANELA” (Prosa), 1997 e “UMA LUZ NO CAMINHO” (Autobiografia), 2004.


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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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