Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 323)



Uma Trova de Contenda/PR
Hildemar Cardoso Moreira

Ao professor muito devo,
devo ao médico também.
Mas o livro é meu enlevo,
tudo que sei dele vem.

Uma Teia de Trovas Sobre Saudade de Fortaleza/CE
Nemésio Prata

Sorrateira, foi chegando
a danada da saudade;
meu coração machucando,
sem dó e sem piedade!

Pelo seu ente querido,
perdido em fatalidade,
no peito rompe, incontido,
um soluço de saudade!

Saudade não tem idade,
diz o dito popular;
começa na mocidade
pra nunca mais acabar!
Bem no meio do jardim
aquela “bela” roseira
fez bater dentro de mim
saudades da jardineira!

Quanta saudade senti
quando parti e deixei
o torrão onde nasci,
em busca de nova grei!

Um Poema de Maia / Porto / Portugal
José Carlos Moutinho

Rio Tejo

Tu que vens de tão longe,
Pequeno, quase criança,
Deslizas, crescendo pela avenida do teu leito,
Ladeado pelas alamedas,
Verdejantes, arborizadas e floridas
Das margens da tua vida,
Tornas-te adulto,
Mais maduro e belo,
Quando os raios solares,
Refletem no teu corpo,
És romântico com o luar,
És sereno quando queres,
Turbulento, quando te provocam,
Podes ser a alegria e a morte,
Exiges respeito!

Não corras tão depressa,
Porque vais perder-te no mar.

Um dia, recusaste-me,
Nas águas do teu ventre,
Devolveste-me à vida,
Toleraste a minha inocência!

Tens a grandeza da tua autoridade
Serás eternamente importante
Marcaste a minha vida.
Meu Rio Tejo!

Uma Trova Humorística de Bandeirantes/PR
Caroline Portugal

Pelado, o fantasma chora,
e ao amigo, lamentou:
- A malvada foi embora,
e até meu lençol levou!

Uma Trova de Juiz de Fora/MG
Marcelo Zanconato Pinto

A vida é, para os meus passos,
uma rua de tropeços ...
Mas, se é rua de fracassos,
também é ... de recomeços! ..

Um Poema de Maia / Porto / Portugal
José Carlos Moutinho

Os meus poemas

Os meus poemas são pedaços da minha lua,
Que iluminam as palavras que a minha alma escreve;
São as minhas ilusões beijadas pelo papel onde se inserem!
Os meus poemas, são letras levadas no vento,
Para onde me leiam,
Eles levam o meu sentir,
Para além do meu ser;
Nas emoções que se perdem no infinito!
Os meus poemas têm no teu olhar o sentimento,
Do meu beijo da saudade em ti;
A ausência das palavras cantadas,
São a tristeza que os meus poemas choram!
Os meus poemas, são o murmúrio doce,
Das águas que beijam o leito do rio,
Na corrida para o mar;
Os meus poemas podem ser inventados ou vividos
Com musa ou sem ela,
Mas todos brotam,
Do mais profundo da minha alma!
Os meus poemas, podem não ser bons poemas,
Mas são a vibração da minha paixão,
  No amor entre a alma e o coração.

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

O coração e os olhos
são dois amantes leais,
quando o coração tem penas
logo os olhos dão sinais.

Uma Trova Hispânica do Porto Rico
Nimia Pinto

Solitaria la bandera
siempre eleva el corazón,
en la sonrisa guerrera
del amor en erupción.

Um Soneto de Maia / Porto / Portugal
José Carlos Moutinho

Sonetos atrevidos

Saí para a rua, com outro espírito,
O mundo é meu, ninguém mo tira,
Sou único no mundo, sem atrito
Tenho a alegria, que nunca sentira!

As ruas são minhas e toda a sua luz,
Com o perfume das flores que as ladeiam,
Toda esta beleza, com alegria me conduz
À paz que todos neste mundo anseiam!

Como estou feliz e sou teimoso,
Nem com a métrica me importo,
Porque não quero ser famoso

Deixo a análise para os entendidos,
Levo a estrutura com desporto,
Insisto em fazer sonetos atrevidos.

Trovadores que deixaram Saudades
Eugênio Martins de Freitas
Brejo/MA, 1921 –  2008, São Luís/MA

Meu ser, em sonho, desposa
o teu, mulher pequenina,
botão de flor perfumosa,
singela rosa-menina...

Um Poema de Maia / Porto / Portugal
José Carlos Moutinho

Sonhos

Ladeado pelas árvores da ilusão,
Caminho pela estrada da vida,
Envolvo-me nas sombras dos meus desvarios,
Perco-me na beleza do teu rosto.

Os meus desejos voam com os meus sonhos,
Sinto em mim a doçura do teu beijo.

Que a primavera seja célere
E que alguma brisa passageira,
Traga todas as cores
Do encantamento
Da sedução e do viver.

Que a neve que agora se faz presente,
Com o calor do sol,
Se torne macio algodão,
E nos acaricie no mais profundo
Da nossa alma.

Os nossos segredos serão divididos,
As emoções revividas,
E sentirei novamente
A doçura dos teus lábios,
O brilho do teu olhar
E a ternura do teu abraço.

Gostaria de ter hoje o teu ontem.

Uma Teia de Trovas de Mogi-Guaçu/SP
Olivaldo Junior

Ramo de trovas
Neste ramo só de trovas,
arremato o que é de vida;
estas trovas soam novas,
mas são velha despedida.

Numa pétala, um adeus;
num adeus, o meu amigo;
num amigo, muitos eus;
nos seus eus, um inimigo.

Folhas caem de minh’alma,
cobrem todo meu quartinho;
olho a flor de minha palma
e me encontro noutro ninho.

Subo o caule das ideias,
rumo à copa de Deus Pai;
operário, sem colmeias,
sou a abelha que se esvai.

Orvalhado de tristeza,
rego a vida com a escrita;
escrever é ser a presa
de uma fera que não grita.
Um Haicai de São Paulo/SP
Carlos Seabra

que flor é esta,
que perfuma assim
toda a floresta?

Um Poema de Maia / Porto / Portugal
José Carlos Moutinho

Murmúrios distantes

Sufocam-me os dias do meu estar,
Aperta-se-me o peito angustiado pelo nada;
Solta-se-me um grito estrangulado
Que voa, pelos vales da esperança,
E é a tua voz, que no eco, me responde,
Palavras de amor e arrependimento;
Mas estão longe, muito longe,
E chegam-me num murmúrio…
Perdem-se na distância dos erros cometidos
E momentos sofridos,
Que nem os místicos luares sararam;
Tampouco as estrelas que nos iluminavam,
Te mostraram a luz do nosso caminho;
Desperdiçaste a felicidade que se te oferecia,
De um coração aberto e uma alma transbordante,
De alegria constante!
Recusaste o sol que aqueceria a tua frieza,
Renegaste até os perfumes que a natureza,
Te colocou na floreira da tua vida,
Na forma de belas rosas vermelhas,
Oferecidas em instantes de êxtase

Agora o Universo gira num desatino,
Descontrolado pela razão da inconsciência,
Que me leva a uma irônica saudade,
Que não faz mais sentido,
Metamorfoseada por outras razões.

Uma Trova de São Paulo/SP
Aparecido Elias Pescador

Tropeiro da mocidade
galopando a solidão,
foste conquista, e és saudade
que deixa rastro em meu chão...

Um Poema de Maia / Porto / Portugal
José Carlos Moutinho

Musa sonhada

Olho a estrada que se afunila, lá longe
Onde se perde a ponta do meu sonho,
Vejo em meu redor, cores desbotadas
Pelo tempo da tua ausência,
O meu peito palpita-me, desatinado.

Busco a claridade, que ilumine
A tela onde te pintei deslumbrante,
Num tempo de encantamento;
Inventei cores para te embelezar,
Pincelei os teus cabelos,
Com o brilho do sol resplandecente,
Dei o vermelho ocre, cor de sangue
Aos teus belos e sensuais lábios,
Desenhei caprichosamente a tua boca
Com belas aquarelas;
As dunas do teu corpo colori-as
Com o dourado, das areias daquela praia;
As tuas curvas delicadas,
Desenhei-as suavemente na minha ânsia
Com a carícia das minhas mãos de pintor;
E com as delicadas cerdas do meu pincel
Retirei da paleta a cor mais fascinante
Para embelezar, ainda mais, as tuas pernas.
Fiz uma delirante obra-prima;
Foste a musa da minha inspiração sonhada!

Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Alberto Fernando Bastos

Põe o galo, quando canta,
na voz tamanha harmonia,
que a aurora até se levanta
mandando romper o dia!

Um Poema de Maia / Porto / Portugal
José Carlos Moutinho

Fantasia encantada

Enrosco-me no silêncio de mim,
Abraço os pensamentos que me povoam,
Suspiro no sentir do meu querer
E na brisa do teu respirar,
Que afaga o meu pescoço!
Ouço as palavras que me cantas,
Em melodia celestial;
Dos teus lábios vermelhos,
Recebo o teu doce beijo,
Quando me balbucias palavras de paixão;
Encostas-te delicadamente em mim,
Como a luz que se cola ao chão;
Olhamos o céu, neste silêncio de luar
De fantasia encantada
Onde as estrelas, são a luz guia do nosso amor,
Por esta estrada de sonho;
Mas a alvorada surge,
Nos seus raios cintilantes de vida
E desperta-me…
Do meu vaguear por pensamentos de amor,
No silêncio que me adormecia
E mostra-me a realidade…
E a ilusão da fantasia encantada.

Um Haicai de Magé/RJ
Benedita Azevedo

Chega o Ano Novo –
Acenam do portão
os filhos e os netos.

Uma Trova de Natal/RN
José Lucas de Barros

– Musas divinas!... Ao vê-las,
no sonho que me seduz,
subo ao ninho das estrelas,
seguindo os rastros da luz!

Um Poema de Maia / Porto / Portugal
José Carlos Moutinho

O grito que me estrangula

Levo-me neste silêncio sem cor,
Que sufoca o sentir da minha alma,
Vou em busca de pétalas de amor,
Por aí, por esses jardins sem fim!
Quero soltar o grito, encurralado,
Nas artérias do meu peito,
Que me estrangula,
E gritar à lua, que me ilumine;
Suplicar às estrelas que me guiem,
Nesta estrada de escuro chão,
Quero agarrar o vento,
Segurar-me nas suas asas
E voar, como condor altaneiro
E Abraçar o mundo….
No meu olhar pela planície de belas flores,
Surges-me em total deslumbramento,
Sinto-te em mim,
No teu suspirar;
No teu sorriso tenho o teu beijo,
O teu abraço é sentido na brisa,
Que me toca e me seduz.
E o grito estrangulado no meu peito,
Solta-se impetuoso, vibrante,
Cantando:
Eu te amo, meu amor.

Recordando Velhas Canções
Caixinha obrigado
(samba, 1960)

Juca Chaves

A mediocridade é um fato consumado
na sociedade onde o ar é depravado
marido rico, burguesão despreocupado
que foi casado com mulher burra mas bela
o filho dela é político ou tarado
Caixinha, obrigado!

A situação do Brasil vai muito mal;
Qualquer ladrão é patente nacional;
Um policial, quase sempre, é uma ilusão
E a condução é artigo racionado.
Porém, ladrão... isso tem pra todo o
Lado!
Caixinha, obrigado!

O rock'n'roll, nesta terra é uma doença,
e o futebol, é o ganha pão da imprensa
vença ou não vença, o Brasil é o maioral
e até da bola, nós já temos general
que hoje é nome de estádio municipal
Caixinha, nacional!

a medicina está desacreditada
penicilina, já é coisa superada
tem curandeiro nesta terra pra chuchu
Rio de Janeiro tá pior que Tambaú
e de outro lado, onde está o delegado
Caixinha, obrigado!

Dramalhão, reunião de deputado
é palavrão que só sai pra todo lado
Se um deputado abre a boca, é um
atentado
E a mãe de alguém é quem sofre toda vez
No fim do mês... cento e vinte de ordenado.
Caixinha, obrigado!

Uma Trova de Porto Alegre/RS
Gislaine Canales

Vejo a tua silhueta
na sombra, bem definida,
e abro, em meu peito, a gaveta
de uma saudade escondida!

Um Poema de Maia / Porto / Portugal
José Carlos Moutinho

Vivendo a vida

O sol retalha-se nas encostas da serra,
Criando imagens impressionistas,
Enroladas nas folhas das árvores,
Quais sonhos inimagináveis!
Levo-me em visões transcendentais,
No deslumbramento da cor,
Sentidas na brisa que me beija!
Na caminhada por atalhos dos sentidos,
Sou seiva que se esgueira
Por estrelas da vida, ao encontro da luz!
O ar que respiro, suave essência do meu viver,
Na caminhada por oásis da minha paixão;
Sou folha que se agita no tempo,
Do infinito do pensamento!
As pedras em que tropeço,
Provas eternas intemporais,
Da insignificância das vaidades,
Lembrando-me a celeridade,
Do nosso tempo, passageiro como vento!
Olho-me em volta e vejo-me livre,
Como águia sobrevoando este mundo belo,
Na solidão de uma serra de belas nuances,
Enriquecida pelas melodias das aves;
Flores de néctares perfumados,
Mistura de sons que o próprio silencio entoa!
É o encantamento da serenidade
 Que o meu peito canta feliz.

Um Haicai de São Paulo/SP
Larissa da Silva Ribeiro

Azaléias na mão
Menina corre pra casa
É presente pra mãe!

Uma Trova de São Sebastião do Alto/RJ
Iraci Pietrani

Deu-me a sorte, sem piedade,
meu sonho por destruído
e uma absurda saudade
do que nunca foi vivido.

Um Poema de Maia / Porto / Portugal
José Carlos Moutinho

Tentar brincar com as palavras

Gostava de ter o dom de brincar com as palavras,
Fazer delas emoções embaladas em seda,
Que fossem levadas em pérolas caladas,
E fizessem sonhar mulheres na alameda.

Realmente não tenho essa capacidade,
Embora tente e me force para o conseguir,
Acho que só poetas têm essa habilidade,
Mas uma coisa garanto: Não vou desistir.

Inventarei ilusões sonhos e desilusões,
Criarei metáforas em utopias e quimeras,
Juntarei neste enredo algumas paixões,
E farei tudo sem usar palavras severas.

Lembrarei do encantamento do luar,
Não faltará a carícia eterna da brisa,
Porei gagos, mudos e surdos a cantar,
Nem que me socorra de sacerdotisa.

Ainda não falei das flores e sua beleza,
Nem tão pouco dos seus perfumes,
Que sãos fascínios dignos da realeza,
E por gente de brandos costumes.

Para terminar, não deixo de lembrar
A mansidão dos rios, de águas cristalinas,
Incluirei também o azul salgado do mar
E as belas montanhas, vales e colinas.

Hinos de Cidades Brasileiras
Nova Tebas/PR

Entre vales e a planície verdejante
Na região mais fecunda que há
Nova Tebas cresce altiva e pujante
Para orgulho deste povo do meu Paraná
Já nasceste com um destino grandioso
E as bênçãos de São Pedro teu protetor
É tão rico o teu solo generoso
Onde a prece permanente é o labor

(Estribilho)
És celeiro a brotar riquezas mil
Neste recanto feliz do meu Brasil
Nova Tebas minha vida é bem querer
Sou teu filho e só por ti quero viver

A riqueza dos teus verdes cafezais
E a beleza destes rios a irrigar
O ouro branco de teus algodoais
Ornamentam estas glebas que eu sempre hei de amar
Ser teu filho para mim é uma glória
Que será eterna em meu coração
Siga firme pela estrada da vitória
Nova Tebas meu querido torrão.

Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Renato Alves

No caminho sem atalhos
que leva ao teu coração,
feri meus pés nos cascalhos
que espalhaste pelo chão.

Um Poema de Maia / Porto / Portugal
José Carlos Moutinho

Céu azul

Contemplo o céu, fascinado
Pelo azul imensamente belo;
Deslumbra-me a imensidão do infinito espaço
E me reduz a uma infinita expressão do nada!
As nuvens movimentam-se em bailados
De fantástica coreografia;
Brancas, pombas alvas da paz,
Na quietude do tempo que sorri,
Acariciadas pelo brilho do astro rei!

E é nesta visão, serena, que me acalma,
Ao mesmo tempo que me alerta,
Para as nuvens negras, tenebrosas e ameaçadoras
De tempestades de forças diluvianas...

Mas agora, aqui, neste momento,
Só quero sentir a ilusão do belo eterno
Que me é oferecido,
Neste quadro de singular perfeição,
Onde as cores são distintas
Das inventadas pelos homens;
Aquelas têm um brilho irreal, esotérico,
Que nos atraem e nos elevam espiritualmente,
Para um outro espaço extasiante de emoções.

Chuvisco biográfico do poeta
         José Carlos Moutinho nasceu no Sobralinho, Vila Franca de Xira, em Portugal, em 1944.    
         Com 13 anos foi para Angola, onde trabalhou sempre na área farmacêutica e estudou até 1973, tendo completado o Curso Industrial, ano em que saiu de Angola e veio para o Brasil. Em 1980 foi para Portugal se fixando na cidade de Maia, no distrito de Porto, em Portugal em 1980.
         Foi delegado de informação médica, dono de restaurante em Maia. Aposentado.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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