Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 27 de dezembro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 324)




Uma Trova de Joaquim Távora
Adilson de Paula

Saboreando a lembrança
das artes de um meninote,
me sinto outra vez criança
roubando doces de um pote.

Uma Trova de Bauru/SP
Ercy Maria Marques de Faria

Velha ponte do caminho
nossa história é parecida:
- Suportamos de mansinho
tantas pisadas na vida!!!

Um Poema de Curitiba/PR
Janske Niemann Schlencker

Restinho de natal

Estou só nesta sala fria e nua
onde dorme uma sombra em cada vão;
um pinguinho de luz fugiu da rua
e cai, por uma fresta, no meu chão.

Um ar, bem de Natal, pelo ar flutua
e faz nascer de novo uma ilusão.
Um pouco de luar caiu da lua
como uma gota branca em minha mão.

E tantos pensamentos em mim dançam
que os dedos ansiosos os alcançam
e apalpam-lhes a forma tão real!

E os toco, e os acalento de mansinho
como se acalentasse, com carinho,
o pouco que restou do meu Natal…

Uma Trova Humorística de São João do Meriti/RJ
Cleber Roberto de Oliveira

Meu bom São Pedro, permita,
À noite, um bom tempo, seco...
Com a sogra de visita,
Pretendo dormir no beco.

Uma Trova de Caicó/RN
Hélio de Almeida

Saudade traz à lembrança
o canto do sabiá.
A mata verde, esperança
que a seca pôs a secar.

Um Poema de Curitiba/PR
Janske Niemann Schlencker

Deixa que eu brinque

Deixa que eu brinque por aí, à toa;
as aves brincam, brinca a ventania...
Brincam as flores com a luz do dia
e a borboleta que por elas voa.

Deixa que eu brinque, ainda que me doa
ver escapar-se a límpida alegria
do mesmo olhar, cuja inocência via
em qualquer coisa alguma coisa boa.

Deixa que eu brinque como se, inocente,
eu não soubesse que viver é queixa,
é choro apenas... E eu só peço: deixa...

Deixa que eu brinque levianamente
como se tudo - a nossa vida inteira -
jamais passasse de uma brincadeira...

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Menina dos olhos verdes,
dá-me água pra beber;
não é sede, não é nada,
é vontade de te ver.

Uma Trova Hispânica do México
Olga Maricela Treviño

¡Ay, que hermosa es tu sonrisa!
y aquí en mi loco latido
corría por ti de prisa…
¡A tu alma me he sometido!

Um Poema de Curitiba/PR
Janske Niemann Schlencker

A Petrópolis

És minha! Com tuas manhãs muito frias,
com montes e céu, confundindo-se além.
És minha nas mais infantis alegrias e
és minha na lágrima triste que vem...

És minha! com toda a balbúrdia dos dias
e com toda a calma das noites também.
Às vezes te encontro nas minhas poesias
e às vezes em sonhos que os outros não têm...

És minha, quando eu te contemplo e, sozinha,
escrevo o que sinto. Que felicidade
olhar-te e dizer o que mais ninguém diz!

Mas nesta alegria de ter-te tão minha,
ocorre-me às vezes (estranho em verdade)
que eu tenho vergonha... de ser tão feliz!

Trovadores que deixaram Saudades
Francisco Neves Macedo
Natal/RN (1948– 2012)

João-de-barro, um engenheiro,
que jamais leu apostila.
Seu ninho é quase um mosteiro:
- poema feito de argila!

Um Poema de Curitiba/PR
Janske Niemann Schlencker

A alguém que partiu

Verso após verso eu me desfiz em pranto,
noite após noite sem poder dormir
e compreendi que te adorando tanto,
talvez não possa nunca mais sorrir ..

Destino atroz: matou aquele encanto
que eu procurava para me iludir.
Foi-se a ilusão; agora vejo o quanto
me é doloroso ver que vais partir!

É luz que morre em plena mocidade,
fazendo entrar as trevas da velhice ..
Meu louco amor, perdeste a eternidade!

Adeus! Não vás ... Eu morrerei por certo!
Nem quero a vida, já que vais embora
deixando a sombra da saudade perto ..

Uma Trova de Natal/RN
Jair Maciel de Figueiredo

Quem já viveu graves crises
jamais esquece a da fome,
pois nunca encontrou raízes
naquela seca sem nome.

Uma Quadra Humorística de São Paulo/SP
Idel Becker
(1910 – 1994)

Eu já fui à sua casa
e já sei o que ela é.
A fartura que vi nela
foi pulga e bicho de pé.

Um Poema de Curitiba/PR
Janske Niemann Schlencker

Antes

Antes era o teu rosto a minha vida,
o bem mais precioso que existia:
rosto, que eu contemplava embevecida.

Antes as tuas mãos, mãos de veludo,
mãos carinhosas, cheias de alegria,
gestos sutis, que prometiam tudo!

Antes bastava apenas um sorriso
e eu via o céu se abrir sobre nós dois.
Vivendo deste amor, me realizo!

Antes eram teus olhos irreais!
Deram-me amor e sonhos; mas depois
foram embora... e não me olharam mais...

Uma Trova de Taubaté/SP
Judite de Oliveira

A ponte tem dois destinos,
tanto leva, como traz,
leva e traz os desatinos,
mas também amor e paz.

Um Poema de Curitiba/PR
Janske Niemann Schlencker

Eu tinha uma menina

Eu tinha uma menina...
era o sol
a beleza
era flor e luar
música e silêncio...

Eu tinha uma menina
que era a vida
em toda a sua pureza
e esplendor!

Um dia veio um príncipe...
... e a levou.

Uma Trova de Caicó/RN
Hélio Pedro Souza

Sofre do velho à criança,
morre o gado e a plantação;
só não fenece a esperança,
quando há seca no sertão.

Um Poema de Curitiba/PR
Janske Niemann Schlencker

A canção da floresta

Hoje teu nome é FLORESTA
o que serás amanhã?

Hoje me encantam as flores
amanhã talvez não haja primavera

Hoje há milagres nas árvores
amanhã restarão alguns troncos

Hoje o vento é um amigo
amanhã ele ajudará a destruir

Hoje eu te amo verde
amanhã respiraremos cinzas

Hoje teu nome é FLORESTA
amanhã choraremos num deserto...

Um Triverso de São Paulo/SP
Graciane dos Santos Silva

Vento forte na janela
a menina se assusta -
Trovoada.

Uma Trova de Fortaleza/CE
Francisco José Pessoa

Quando o sol se faz mais forte
e a chuva responde...não!
a silhueta da morte
se espraia pelo sertão.

Um Poema de Curitiba/PR
Janske Niemann Schlencker

Invento

Foi tanto amor (uns dizem que é tolice...)
e o que fazer com tanto sentimento?
Penso em você, num gesto de meiguice,
nas coisas mágicas, que sempre invento.

Que bom seria se você me ouvisse,
se eu fosse dona do seu pensamento.
Julgo ouvir frases que você nem disse,
sinto carícias no soprar do vento...

O tempo passa e vão passando os anos:
ao embalar meus sonhos levianos,
o antigo amor, eu penso que inda cresce.

Talvez um dia você traga rosas;
na espera, invento frases carinhosas
que eu gostaria que você dissesse…

Recordando Velhas Canções
O amor e a rosa
(samba, 1960)

Pernambuco e Antônio Maria

Guarda a rosa que eu te dei
Esquece os males que eu te fiz
A rosa vale mais  
que a tua dor
 
Se tudo passou
se o amor acabou
A rosa     
deve ficar
Num canto qualquer
do teu coração
O amor reviverá

Guarda a rosa que eu te dei
Esquece os males que eu te fiz
A rosa vale mais
que a tua dor

Uma Trova de Cabedelo/PB
Maria Aparecida Coutinho Vilhena

Anoitecemos na rede,
muita luz...sombras depois;
silhuetas na parede,
denunciando nós dois.

Um Poema de Curitiba/PR
Janske Niemann Schlencker

Convite para o café

Observo a mesa posta. Com cuidado
coloco cada coisa em seu lugar:
a xícara mais bela deste lado
e logo poderemos nos sentar.

O pão quentinho (o aroma paira no ar...)
o guardanapo limpo, bem dobrado.
Colho um botão de rosa; meu olhar
se alegra ao ver chegar o convidado.

Esta manhã de inverno, um pouco fria,
parece que aumentou minha alegria
e me aqueceu enquanto eu esperei.

O filho chega - alegre e desatento -
(não vê que eu esperava este momento)
e apenas diz:"Café? Eu já tomei..."

Um Haicai de Bandeirantes/PR
Daniel Góes Fernandes
(Escolar, Modalidade Educação Especial)

Muito frio e chuva
na parede descascada
do vizinho pobre.

Uma Trova de Cambuci/RJ
Éstia Baptista Lima

Longe de mim, ó tristeza...
Pinto o cinza como esteta,
da vida fruo a beleza:
- Sorte minha ser poeta!

Um Poema de Curitiba/PR
Janske Niemann Schlencker

Ser sílaba

Não me ouvirás queixume nem lamento
(só o frio da manhã me reanima...)
e mesmo estando triste de momento,
não me ouvirás chorar, pois choro em rima.

Não me verás a dor, pois mostro apenas
a mão que apara os golpes mais adversos.
Um lânguido sorriso esconde as penas:
não me verás chorar, pois choro em versos.

Ser frágil como pétala intocada
e ainda assim ser símbolo da paz;
ser luz... ser sombra... e se não for mais nada,
ser sílaba, que em versos se desfaz...

Hinos de Cidades Brasileiras
Xambioá/TO

Nestes lindos babaçuais
Grandes heróis garimpeiros,
Na procura dos cristais
Foram teus belos pioneiros.

A cachoeira São Miguel
Com grandes encantos faz,
Com que as bênçãos num anel
Tragam do céu toda paz.

Oh! Xambioá
Terra bela e cheia de amor
Teu céu, solo e meigo luar,
Resplandecem com fervor.
O Rio Araguaia ao se agitar
Faz todos sempre te amar,
Te amar, te amar, ah! ah! ah!

Sei que em ti impera o progresso
E a esperança do Brasil.
Tua marcha não há regresso.
Teu povo é varonil.

Como é maravilhoso
Ter nascido neste chão,
Ter sentido o ar tão gostoso
Nas margens do teu poção.

Oh! Xambioá
Terra bela e cheia de amor
Teu céu, solo e meigo luar,
Resplandecem com fervor.
O Rio Araguaia ao se agitar
Faz todos sempre te amar,
Te amar, te amar, ah! ah! ah!

Uma Trova de São Paulo/SP
Ana Cristina de Souza

Despedida, a liberdade,
te esqueci, ponto final!
- Mas me mandaste a saudade
no perfume de um postal...

Um Poema de Curitiba/PR
Janske Niemann Schlencker

Despedida

Lembro bem daquele dia em que partiste:
tudo em volta escureceu. Se dissipou.
Essa dor, que me invadiu (mas tu não viste)
foi tão grande que ela quase me matou...

Outro sonho mais bonito não existe
do que aquele que o meu coração sonhou.
Só depois da despedida muito triste
é que enfim a gente sabe o quanto amou...

Minha vida se tornou um labirinto:
ora finjo uma alegria - que não sinto -
ora aceno com um gesto de desdém!

Já tirei o teu retrato da parede
mas agora, saciando a minha sede,
faço versos desse amor... para ninguém!

Chuvisco Biográfico da Poetisa
Janske Niemann Schlencker nasceu em 1933, em Amsterdam/ Holanda.
         Veio com seus pais para o Brasil em 1934 e aqui ficaram até Janske completar quatro anos, quando voltaram à Holanda, permanecendo por lá cerca de um ano.
         Voltando ao Brasil se radicaram em Petrópolis/RJ.
         Cresceu falando várias línguas, o português, o holandês e o alemão e mais tarde o inglês. Ainda criança descobriu a inclinação para a poesia.                              Estudou música e foi organista.
         Escreveu suas primeiras poesias com 15 anos. Aos 18 começou a publicá-las na Tribuna de Petrópolis.
         Em 1957 casou-se e se fixou em Curitiba.
         Também, desde 1981 colabora com "O Fanal", da casa do Poeta Lampião de Gás, de São Paulo, fundado por Colombina, voltado exclusivamente para poesia.
         Seu primeiro livro “Deixa que eu chore", foi publicado em 1985 e foi premiado pelo programa Chamada Geral, com o apoio da Fundação Cultural e da Biblioteca Pública do Paraná.
         Em 1999 foi publicado “Deixa que eu fale", que contou com o apoio do Centro de Letras do Paraná, na ocasião sob a presidência da poetisa Adélia Maria Woellner.
         Depois publicou “Deixe que doa”.
         Trabalhou muitos anos como secretária bilíngue e tradutora.
         Janske pertence a diversas entidades culturais, é Sócia do Centro de Letras do Paraná e na Academia Paranaense de Poesia, ocupa a cadeira 16, cuja Patronesse é Graciette Salmon.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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