Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

José Feldman (Chuva de Versos n. 328)


Uma Trova de Bandeirantes/PR
Caroline Portugal

Somente o Homem não crê
que a Natureza, num grito,
chora muito, quando vê:
Pinheiro virar "palito"!...

Uma Trova de Belém/PA
Antônio Juraci Siqueira

Mata a revolta em teu peito,
não a deixes florescer:
rio com pedras no leito
não pode alegre correr!...

Um Poema de Itanhaém/SP
Filemon F. Martins

REVISITANDO A INFÂNCIA

Refaço, de memória, a longa estrada,
caminhos que trilhei desde menino.
De manhã cedo, ainda na alvorada,
eu preparava a terra, meu destino.

Tempos depois, aposentei a enxada,
para estudar, no chão diamantino.
A vida era feliz lá na Chapada,
quando brilhava a luz do sol, a pino...

Tudo passou, bem sei, tão de repente,
meu coração, parece, anda descrente
e o sentimento, quantas vezes, trunca...

Hoje, guardo no peito, com cuidado,
lembranças que marcaram meu passado
e uma saudade que não passa nunca… 

Uma Trova Humorística de Santos Dumont/MG
Luiz Montezi Evangelista

O porco acordou suando,
pois teve um sonho confuso:
- Sonhou que estava morando
com a porca... de um parafuso!

Uma Trova de Fortaleza/CE
Leda Costa Lima

Se a revolta me alucina
e a solidão me consome,
a saudade sempre assina
seu nome sobre o seu nome!...

Um Poema de Itanhaém/SP
Filemon F. Martins

PREFIRO SER...

Prefiro ser a flor
Que perfuma, ainda que fira com seus espinhos...

Prefiro ser o orvalho da noite
Que cai, aos poucos, umedecendo a terra
E deixando as plantas e flores com seiva e vida...

Prefiro ser o pássaro, em algazarra,
Pulando de galho em galho
No cantar das manhãs.

Prefiro ser a água que corre pelos rios
Entre serras e vales, contornando obstáculos
Até chegar ao oceano...

Prefiro ser o mar imenso e forte,
que apesar de belo,
Traz na valentia a marca da morte...

Prefiro ser a praia com areia branca e fina
Beijando as ondas que vão e vêm... Inconstantes...
Como se fossem inquietos amantes.

Prefiro ser um sonho bom cheio de cores e sons
De quem ama e sonha...
De quem nunca sonhou...

Prefiro ser a lua que vagarosamente ilumina a todos
E emociona os casais de namorados
Inspirando-lhes idílios de amor...

Prefiro ser o sol que brilha intensamente para todos
E até empresta sua luz à lua
para iluminar a noite...

Mas prefiro ser mesmo
A esperança no rosto da criança que, infelizmente,
O mundo nunca viu e sempre a abandonou...
Mas traz, dentro de si,
o futuro, a paz, o amor e o perdão! 

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Meu pai julga que me tem
fechadinha na varanda.
Coitadinho de meu pai
que bem enganado anda...

Uma Trova Hispânica da Argentina
Guillermo Magliarelli

Es hermoso imaginar,
la sonrisa del Señor,
cuando pudo disfrutar,
con los niños tanto amor.

Um Poema de Itanhaém/SP
Filemon F. Martins

MORTE DA ÁRVORE 
(Lendo o soneto ÁRVORE MORTA, do Padre Saturnino de Freitas)

Árvore triste, que ontem foi bonita,
Não tens mais ramos, frutos e nem flores,
Dos pássaros não és mais favorita
E não abrigas mais tantos amores.

Neste teu tronco já ninguém habita,
Sequer amantes loucos, sonhadores,
Que outrora segredavam na mesquita
De suas folhas vivas, multicores...

Quantas vezes ouviste namorados
Em carinhos e beijos, descuidados,
Como se o tempo não fosse passar.

Hoje, teus galhos secos, ressequidos,
São lembranças de sonhos esquecidos,
Que nunca mais, na vida, vão voltar! 

Trovadores que deixaram Saudades
Jeremias Ribeiro dos Santos
Gentio do Ouro/BA (antiga Gameleira do Assuruá)1926 – 1999,
Ipupiara/BA

Nas asas fortes da trova,
mando a cada trovador
o aperto de mão, que prova
a força do nosso amor.

Um Poema de Itanhaém/SP
Filemon F. Martins

O AMOR

É como a flor que nasce no jardim
e vai florindo com cuidado e zelo.
O amor também floresce e cresce assim
com carícia, paixão, amor, desvelo...

É preciso cuidar, plantando, enfim,
compreensão, carinho e defendê-lo
da praga do ciúme tão ruim
que teima em desfazer e ser, sem sê-lo.

Um grande amor toda a beleza exprime,
porque o amor faz a vida mais sublime
e exige inspiração de quem o quer.

A vida a dois há de ficar mais bela,
se houver no coração a flor singela
e um sorriso feliz de uma MULHER.

Uma Trova de Natal/RN
Maria Antonieta B. Dutra

Acenda a luz da esperança
ante a angústia de um momento...
Com revolta não se alcança
o cessar de um sofrimento!

Um Haicai de Irati/PR
Wedson José Zloty
(10 anos)

Férias de verão
Cantando em pleno dia
Estão as cigarras.

Um Poema de Itanhaém/SP
Filemon F. Martins

NOITE E VERSOS

Vai alta a noite. A madrugada é fria,
a insônia chega, fica e me namora.
Levanto-me à procura da poesia,
mas ela, impaciente, vai embora.

Percorro o céu do amor, da fantasia,
fico em vigília e vejo a luz da aurora:
- que paz a humanidade alcançaria,
se o amor reinasse pelo mundo afora.

Ouço distante, o farfalhar do vento,
e por que minha voz não tem alento,
- se o dia vai nascer como criança?

Surge, então, o cantar da passarada
e outros versos virão, na madrugada,
talvez mais coloridos de esperança.

Uma Trova de Orós/CE
Liduína Sombra Vicente

Meu coração sendo o espaço
de um amor que não tem volta,
mesmo sem o teu abraço
não cede espaço à revolta!

Um Poema de Itanhaém/SP
Filemon F. Martins

CONFIDENTE

Velho mar, meu eterno confidente,
quantas vezes chorei ao confessar:
esta mágoa que fere, inconsequente,
e o tempo que não pode mais voltar.

E me dizes, então, naturalmente:
só o amor é capaz de me curar,
enquanto tuas ondas, mansamente,
os meus pés, com carinho, vêm beijar.

Exerces sobre mim grande fascínio,
porque tens sobre todos o domínio
e és tão frio nas tuas mutações.

Ao contrário de ti, eu sofro tanto,
e fico aqui a derramar meu pranto,
onde sepulto as minhas ilusões!

Uma Trova de Caucaia/CE
João Batista Serra

Dói demais, é muito triste
a cruel separação...
A revolta sempre existe,
onde existe a ingratidão.

Um Poema de Itanhaém/SP
Filemon F. Martins

VELHO MAR

Nasci longe do mar, mas seduzido
por seu fascínio belo, encantador,
fico ouvindo, na praia, o seu gemido
e os madrigais de um velho pescador.

Mas às vezes me sinto assim perdido
como um barco singrando sem motor,
ouço as ondas num grito dolorido,
uma angústia que cala a própria dor.

Vejo, da praia, a imensidão do mar,
as ondas que o rochedo vêm beijar,
depois, voltam serenas sem rancor.

Cada onda que vem morrer na praia,
parece a minha vida que desmaia
ao pensar em perder o teu amor.

Um Haicai de São Paulo/SP
Ana Carolina Costa Souza de Jesus
(13 anos)

Garça solitária
Na beira do rio calmo
Espreita o peixe.

Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Eugênio Morato

Fácil falar em ternura,
quando se trata de amor...
Difícil é, na amargura,
ser terno, dentro da dor...

Um Poema de Itanhaém/SP
Filemon F. Martins

ELOGIO AO AMOR

Neste caminho eu sigo contemplando
a Natureza exuberante e bela,
passarinhos nos ramos saltitando
entoando canções em aquarela.

Aonde quer que eu vá, eu vou cantando
a pureza do amor, pintado em tela,
que Deus o produziu, por certo amando,
para mostrar ao mundo, em passarela.

O amor? Triste de quem não tem amor,
nem sentiu nesta vida alguma dor,
nem teve uma saudade a recordar?

Pois o amor é um sublime sentimento
que ferve, vibra e invade o pensamento,
e  nos leva ao delírio para amar!

Recordando Velhas Canções
Fica comigo esta noite
(samba-canção, 1961)

Nelson Gonçalves e Adelino Moreira


Fica comigo esta noite
E não te arrependerás
 Lá fora o frio é um açoite
 Calor aqui tu terás.
                      
Terás meus beijos de amor
Minhas carícias terás
Fica comigo esta noite
 E não te arrependerás.

Quero em teus braços, querida
Adormecer e sonhar
Esquecer que nos deixamos
Sem nos querermos deixar.
                      
Tu ouvirás o que eu digo
Eu ouvirei o que dizes
Fica comigo esta noite
E então seremos felizes.

Uma Trova de Pouso Alegre/MG
Aprygio Nogueira

Ternura - ponte afetiva
construída de calor,
que serve, quando se avisa,
de passagem para o amor.

Um Poema de Itanhaém/SP
Filemon F. Martins

O AMOR II

Como a planta que nasce no quintal,
se bem  cuidada cresce e fica linda.
Também o amor que nasce natural
pode crescer, viver, florir, ainda.

É preciso, porém, que o amor normal
seja cuidado com ternura infinda.
O verdadeiro amor não tem rival,
a beleza do corpo é que se finda.

Quando o amor se revela por inteiro,
o carinho renasce e vem primeiro
ornando a vida e sobrepondo a dor.

E juntos seguem pela vida afora
vivendo intensamente a nova aurora,
iluminados  pela luz do amor. 

Um Haicai de Mogi das Cruzes/SP
Sara Ramos Dias
(14 anos)

Abrindo-se devagar
nasce um pouco a cada dia.
Flor de maio.

Uma Trova de Taubaté/SP
Flávio Bellegarde Nunes

Olhos lindos, amendoados,
de ternura sem igual,
são o mal dos meus pecados,
são remédios do meu mal!

Um Poema de Itanhaém/SP
Filemon F. Martins

LEMBRANDO MINHA MÃE
(Homenagem às mães que já partiram)

Quanta falta me faz
o teu colo, mamãe.
Às vezes me pego sonhando
e confabulando sobre assuntos diversos.
Um relicário de saudade!

Quantas vezes ouvi tua voz severa e dura,
mas cheia de ternura e de carinho
ao falar comigo, quando ia visitar-te.
Quantas vezes choraste em silêncio
com a ausência de teus filhos?

Como pode a dor pesar tanto no meu peito?
A saudade toma conta do meu coração.
Um sonho bonito e risonho foi desfeito.
Se me viste nascer, crescer, viver e partir,
por que partiste sem dizer adeus?

Meu coração soluça de saudade,
que tortura é sofrer e chorar?
A dor de viver na orfandade
nunca vai acabar.

Estes versos escrevo chorando,
- por que não te vi morrer?
Lágrimas vou derramando
mergulhado no desgosto
de nunca mais te ver.

Eu te bendigo, mãe, onde estiveres
com todo amor e minha inspiração,
meus versos são teus, se quiseres,
como também é teu meu coração! 

Hinos de Cidades Brasileiras
Ipupiara/Ba

Nasce o sol a brilhar lá na serra!
Ao saudar o seu povo varonil,
Que batalha para seu progresso
E ao progresso do Brasil.

Ibipetum!
Terra alegre e formosa,
Com o seu povo gentil
Que ao sol da terra, carpina,
Pra autonomia alcançar!

Tuas serras e seus cristais,
O teu povo a garimpar,
Almejando melhorias e vitórias
E o progresso do lugar.

Ibipetum!
Terra boa e amiga
Para quem lhe visitar;
Em seu manto mui sagrado
E Santo Antonio a abençoar!

Os campos verdes de suas matas
E o plantio a se ganhar,
O sertanejo trabalha contente
Pr'o progresso familiar!

O teu nome eleva o seu rumo,
É a riqueza do fumo por vir;
Seu topônimo é da língua Tupi,
Ibipetum!
Tu és a terra do fumo!

Viva Ibipetum! Viva Ibipetum!
–––––––
Nota:
O topônimo Ipupiara é derivado da língua indígena tupi e significa deusa das águas.
O município de Ipupiara possui o distrito sede e o distrito de Ibipetum, por onde estão distribuídos mais de 69 povoados.

Uma Trova de Nova Friburgo
José Coelho de Babo

A doença, malandrice
da criança abandonada,
tem a cura na meiguice
que a ternura tem guardada.

Um Poema de Itanhaém/SP
Filemon F. Martins

MEU VERSO

Meu verso vem do Nordeste,
vem do roçado, vem do Sertão,
vem das veredas lá do agreste,
vem das cacimbas e dos grotões.

Meu verso vem dos garimpos,
das catras dos garimpeiros,
da coragem dos vaqueiros
vestidos no seu gibão,
vem do sereno da noite
do perfume do Sertão.

Meu verso simples, sem medo,
vem do sítio, do rochedo,
vem do povo do Sertão,
que com a luz do arrebol
trabalha de sol a sol
para ganhar o seu pão.


Vem da Serra do Carranca
onde a beleza não manca,
e a onça faz sentinela.
Da Serra da Mangabeira
onde a Lua vem brejeira
tecer a renda mais bela.

Meu verso vem da goiaba,
do puçá e da mangaba,
da seriguela e do mamão.
Da pinha e da acerola,
da atemóia e graviola
plantadas no roçadão.

Nasceu na bela Umbaúba,
Boa Vista, Bela Sombra,
na Lagoa de Prudente,
na Chiquita e no Vanique,
onde há muito xique-xique
e o sol parece mais quente.

Brejões, Lagoa do Barro,
Santo Antonio, Traçadal,
Olho D´Água, Rio Verde,
Baixa dos Marques, Coxim,
Ibipetum, depois Pintada,
onde passa a velha estrada,
Zequinha e Lamarca morreram.

Sodrelândia, Deus me Livre,
Pé de Serra, Poço da Areia,
Riacho das Telhas também.
Poço do Cavalo, Matinha,
Mata do Evaristo e Veríssimo,
Olhodaguinha e Ipupiara.

Meu verso nasceu no mato,
não tem brilho, nem ornato,
vem do Morro do Mocó,
da Serra do Sincorá,
vem do morro do Araçá,
nasceu pobre e vive só…

Colar de Trovas

Estendendo as nossas mãos

ESTENDENDO AS NOSSAS MÃOS,
mesmo aos nossos inimigos,
será um mundo de irmãos,
sem guerras e outros perigos.
José Miranda Jordão
Rio de Janeiro - RJ

“Sem guerras e outros perigos”
seria o mundo uma flor,
sem maldades, sem castigos,
só de amor, de muito amor.
Kideniro F. Teixeira
Fortaleza - CE

“Só de amor, de muito amor”
e de sonho mais profundo,
se eu pudesse, sonhador,
viveria nesse mundo!
Daniel de Carvalho
Nova Friburgo - RJ

“Viveria nesse mundo”
sempre com muita alegria,
se o amor fraterno e profundo
existisse todo dia.
Inocêncio Candelária
Mogi das Cruzes - SP

“Existisse todo dia”
vontade firme pro bem,
na certa, o Cristão daria
exemplos de fé... no além.
Mário R. Barreto
Ipiaú - BA

“Exemplos de fé... no além”
e a harmonia como meta,
seria a vida também
mais fácil, menos inquieta.
João E. Nascimento
Mogi das Cruzes - SP

“Mais fácil, menos inquieta,”
é a esperança de um porvir
que só a alma do poeta
é capaz de traduzir.
Armando de Toledo
Santos – SP

“É capaz de traduzir”
a grandeza do Universo,
quem consegue transmitir
belas mensagens no verso.
Jerry Filho
São Paulo - SP

“Belas mensagens no verso”
são elas bem transmitidas,
quem não olha o lado inverso
das coisas belas da vida!
Rodolfo C. Cavalcante
Salvador - BA

“Das coisas belas da vida”
que colhi, em profusão,
eis a mais nobre e querida:
Em cada verso – um irmão.
Filemon F. Martins
São Paulo - SP

“Em cada verso – um irmão”
há de encontrar, em verdade,
quem cultivar a Razão
na lavoura da Humildade.
Paulo Monteiro
Passo Fundo - RS

“Na lavoura da humildade”
quem planta boa semente
desfruta felicidade,
recolhe amigos somente.
Álvaro Faria
Rio de Janeiro - RJ

“Recolhe amigos somente”
quem ajuda seus irmãos.;
o amor é sempre crescente,
ESTENDENDO AS NOSSAS MÃOS.
Mário Ribeiro Martins
Palmas - TO

O QUE É COLAR DE TROVAS
por Filemon F. Martins

Trata-se de um conjunto de 13 trovas, obedecendo algumas regras básicas.
São trovas interligadas pelo último verso.
Paulina Martha Frank, na 2ª Coletânea dos Colares, nos dá as regras para a formação dum colar, entre outras:
1ª) Todo colar deve ser formado de 13 contas (trovas).
2ª) Cada trova deve ter sentido perfeito, podendo ser destacada do colar, e, quando publicada, o 1º verso deverá estar entre aspas, e o fecho, em maiúsculas, identificando-se assim pertencer a um colar.
3ª) No colar perfeito, o mesmo trovador só poderá figurar uma vez.
4ª) A última trova (13ª), além de começar com o último verso da precedente, deve, como fecho, terminar com o 1º verso da primeira trova.
5ª) O colar pode, depois de pronto, ser aberto em qualquer trova.
6ª) O último verso de cada trova deve sempre dar um bom começo para a trova seguinte, evitando-se os começos com pronomes neutros, conjunções, etc.
7ª) No colar o assunto é livre, não sendo necessário fixar-se num tema só, a não ser em casos especiais, como homenagens, excursões, festas, durante os quais se concretiza um colar.
8ª) Para a estética aprimorada, convém evitar as rimas da trova anterior, exceto a do 4º verso.
9ª) Por fim, o penúltimo participante (12º) deve levar em conta a rima que não pode ser igual ao fecho para não ocasionar dificuldades ao último trovador que arca com o ponto mais difícil que é fechar um colar.

Trovador Destaque

A distância é que nos mata
pois logo vem a saudade;
saudade – presença ingrata
da antiga felicidade.

A felicidade é um sonho,
- por que deixar pra depois?
O amor é sempre risonho
na vida vivida a dois.
  
Aquele beijo de Judas
no cenário da traição,
revela que as trevas mudas
podem trair nosso irmão.

Cai a chuva na vidraça
e eu fico triste, porque
não há beleza nem graça
nesta casa sem você.

Céu azul, todo estrelado,
sorrindo, ao clarão da lua,
e o meu peito, apaixonado,
a chorar a ausência tua.

Ciúme é cuidado e zelo
que temos do nosso bem,
pois não queremos perdê-lo
para os olhos de outro alguém.

Como é bom viver à toa
e sempre fazer o bem,
que a Natureza abençoa
quem vive em Itanhaém.

Criança és flor, és bonança
espargindo luz e amor,
porque trazes a esperança
de um futuro promissor.

Criança, teu riso é tudo,
traz um brilhante porvir,
se amparada com estudo,
o mundo volta a sorrir.

“Das coisas belas da vida”
que colhi, em profusão,
eis a mais nobre e querida:
em cada TROVA um irmão!

Da vida não quero a glória
que tanto engana e seduz.
Prefiro não ter história
a renunciar minha cruz.

De manhã, sinto o perfume
das flores no meu jardim,
e um beija-flor – que ciúme,
chegou bem antes de mim.

Do fruto vem a esperança,
depois da bonita flor.
Assim também a criança,
depois de um florido amor.

É Natal! Nossa Esperança
de ser bom, fazer o bem,
nasce com aquela criança
na manjedoura em Belém.

Eu sinto nos braços teus,
um carinho, um aconchego,
e me torno um semideus
vivendo em paz, no sossego.

Falando de amor, Maria,
que saudades sinto agora
daquela doce alegria
que em teus olhos vi outrora.
 
Gosto da vida pacata,
homens simples dos sertões,
pois vejo usando gravata
por aqui muitos ladrões.

Meu peito canta, sorrindo,
ao ver o clarão do dia,
enquanto a noite fugindo
deixa rastros de alegria.

Minha mãe – como eu quisera
do meu amor dar-te prova,
e o meu carinho – pudera
enviar-te numa TROVA.

Não julgue pela aparência,
não condene sem saber;
às vezes com paciência
algo bom temos de ver.

Nenhum poema é mais belo
e inspira tanta esperança
do que um sorriso singelo
no rosto de uma criança.

No livro da NATUREZA
as lições são sem iguais.
Tenho, por isto, certeza
que é onde se aprende mais.

No meu balaio carrego
sonhos de amor e venturas,
mas muitos sonhos, não nego,
se tornaram desventuras.

No teu sorriso, criança,
vejo o mais belo perfil,
porque tu és a esperança
do futuro do Brasil.

Quantas noites, meu amor,
olhando, no céu, a lua,
eu me sinto um trovador
pensando na imagem tua.

Quem conversa sem saber,
querendo ser sabichão,
cuide, que vai receber
severa repreensão.

Que o teu futuro, criança,
seja de luz e esplendor,
vislumbre de confiança
no mundo do desamor.

Segue uma estrada florida
quem, na verdade, tiver
a glória de ter, na vida,
um coração de MULHER!

Sinto um perfume na rua
fazendo a gente feliz,
enquanto a noite flutua
nas flores de bogaris.

“Sorriria de feliz”
e o mundo teria paz,
se o coração que maldiz
soubesse perdoar mais.

Tenho certeza que a trova
– poema feito de amor -
é um sonho que se renova
na vida de um trovador.

Escada de trovas I

“É FRIO, A NOITE DESCANSA;
O ESPAÇO É VASTO E MEDONHO.
DE REPENTE, A LUA MANSA
SURGE NOS BRAÇOS DE UM SONHO.”
Humberto Del Maestro (Vitória/ES) 

“SURGE NOS BRAÇOS DE UM SONHO”
numa beleza sem fim,
e a poesia que componho
fica mais perto de mim.

“DE REPENTE, A LUA MANSA”
aparece sorridente
dando vivas à esperança
e sorrindo à minha frente.

“O ESPAÇO É VASTO E MEDONHO”
quase sempre me dá medo,
que às vezes fico tristonho
pensando no teu segredo.

“É FRIO, A NOITE DESCANSA”
e eu sonho com as estrelas
tão belas, ninguém alcança,
- só é permitido vê-las.

Escada de trovas II

“A LUA DIVINA E BELA,
NUM CAPRICHO ASSIM DESFEITO,
INVADE A MINHA JANELA
E VEM SONHAR NO MEU LEITO.”
Hedda Carvalho (Nova Friburgo/RJ) 

“E VEM SONHAR NO MEU LEITO”
nesta noite enluarada,
quero ver-te junto ao peito
esperando a madrugada.

“INVADE A MINHA JANELA”
fique aqui, feliz e calma,
que o perigo da procela
não resiste a paz da alma.

“NUM CAPRICHO ASSIM DESFEITO”
ainda há luz e beleza
que o clima fica perfeito
- o amor é paz e  certeza.

“ A LUA DIVINA E BELA”
reina perene no céu,  
lua que a todos,  revela
quem ama, não vive ao léu.

Escada de trovas III

Filemon Martins e Tânia Voigt
Sonhos Sepultados

NÃO ME ESQUEÇO DO PASSADO
QUANDO ME DISSESTE ADEUS.
MEU CORAÇÃO, DESOLADO,
SEPULTOU OS SONHOS MEUS.


SEPULTOU OS SONHOS MEUS
sem nenhuma piedade...
Rogo que diga, por Deus,
por que tamanha maldade?! (Tânia)

MEU CORAÇÃO, DESOLADO,
não sabe o que aconteceu
ao ver um sonho encantado
num olhar que se perdeu. (Filemon)

QUANDO ME DISSESTE ADEUS
tu levaste a minha vida
grudada nos passos teus...
Ah, que sina imerecida! (Tânia)

NÃO ME ESQUEÇO DO PASSADO
e do teu beijo também,
como era doce o pecado,
como te quero, meu bem. (Filemon) 

Chuvisco Biográfico do Poeta e trovador
        Filemon Francisco Martins, nasceu em 1950, em Ipupiara/Bahia.
         Após os estudos primários em sua terra natal, estudou também em Morpará, na Bahia. Mudou-se para São Paulo em 1969, passando a estudar em lugares diferentes. Prestou serviços à Empresa Folha da Manhã S.A e jornal de Apucarana/PR, bem como à Prefeitura Municipal de São Paulo. Cursou Administração de Empresas, na Faculdade de Administração e Ciências Econômicas “Santana”, em São Paulo. Por Concurso Público, tornou-se funcionário do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, lotado na Subsecretaria de Feitos da Presidência-UFEP, onde se aposentou. Escritor, Ensaísta, Pesquisador. Pensador, Intelectual, Ficcionista. Literato, Contista, Cronista, Ecologista. Administrador, Educador, Memorialista. Poeta. Casou-se com Celene Jinkings Martins.

         Membro de diversas entidades sociais, culturais e de classe, entre as quais,
Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras,
Academia de Letras de Ipaussu,
Academia de Letras de Uruguaiana (RS),
Associação Uruguaianense de Escritores e Editores,
Academia Internacional de Ciências Humanísticas,
Clube Baiano de Trova, Salvador (BA),
Instituto Cultural do Vale Caririense, em Juazeiro do Norte (CE),
Postal Clube (RJ),
União Brasileira dos Trovadores/Seção São Paulo,
Acadêmico Benemérito “Ad Honorem” do Centro Cultural Literário e Artístico, de Felgueiras (Portugal),
e outras.

Suas obras:
“FLORES DO MEU JARDIM” (Poemas),
“ANSEIOS D`ALMA” (Poesias),
“FAGULHAS” (Artigos e Crônicas),
“Dicionário Genealógico da Família Ribeiro Martins” (em coautoria com Mário Ribeiro Martins)

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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