Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

José Feldman (Chuva de Versos n. 338)



Uma Trova de Curitiba/PR
Nei Garcez

Em qualquer fase da vida,
sempre que a incerteza ocorre,
sem que a fé seja perdida
a esperança nos socorre.

Uma Trova sobre Esperança, de São Paulo/SP
Renata Paccola

Um sorriso de criança
inocente, doce e aberto
é uma chuva de esperança
em meu caminho deserto!

Um Poema de Drummond
Carlos Drummond de Andrade
Itabira do Mato Dentro (1902 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

Imortalidade

Morre-se de mil motivos
e sem motivo se morre
de saudade,
morreu o poeta
sem morrer à eternidade
ele que fez de uma pedra
louvor para sua cidade
gauche, grande destro
sem querer celebridade
pelos mil que era
num só se fez único
ficando no seu primeiro
caráter de bom mineiro
jamais morrerá
e sempre será.

Uma Trova Humorística de Niterói/RJ
Eraldo Corrêa

Coroinha bem sapeca,
pôs pimenta no rapé
e o padre, que era careca,
ficou de peruca em pé!!!

Uma Trova sobre Esperança, de Caicó/RN
Professor Garcia

Ao sopro da brisa mansa
minha esperança se esmera,
dobrando a paz que me alcança
no amanhecer que me espera!

Um Poema de Drummond
Carlos Drummond de Andrade
Itabira do Mato Dentro (1902 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

Poema de Sete Faces

Quando nasci um anjo torto
desses que vive na sombra
disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
Que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
Não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
Pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Quando o sobreiro der baga
e a cortiça for ao fundo,
só então se hão de acabar
as más línguas deste mundo.

Uma Trova Hispânica da Argentina
María Cristina Fervier

Porque soy luz intercambio
luz de paz del Creador.
Busco para el mundo cambio
un cambio sólo de amor.

Um Poema de Drummond
Carlos Drummond de Andrade
Itabira do Mato Dentro (1902 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

Poema patético

Que barulho é esse na escada?
É o amor que está acabando,
é o homem que fechou a porta
e se enforcou na cortina.

Que barulho é esse na escada?
É Guiomar que tapou os olhos
e se assoou com estrondo.
É a lua imóvel sobre os pratos
e os metais que brilham na copa.

Que barulho é esse na escada?
É a torneira pingando água,
é o lamento imperceptível
de alguém que perdeu no jogo
enquanto a banda de música
vai baixando, baixando de tom.

Que barulho é esse na escada?
É a virgem com um trombone,
a criança com um tambor,
o bispo com uma campainha
e alguém abafando o rumor
que salta do meu coração.

Trovadores que deixaram Saudades
Milton Nunes Loureiro
Campos/RJ, 1923 – 2011, Niterói/RJ

Esta pergunta te faço,
meu coração sonhador:
- se possuis tão pouco espaço,
como guardas tanto amor?...

Um Poema de Drummond
Carlos Drummond de Andrade
Itabira do Mato Dentro (1902 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

Poema-orelha

Esta é a orelha do livro
por onde o poeta escuta
se dele falam mal
ou se o amam.
Uma orelha ou uma boca
sequiosa de palavras?
São oito livros velhos
e mais um livro novo
de um poeta ainda mais velho
que a vida que viveu
e contudo o provoca
a viver sempre e nunca.
Oito livros que o tempo
empurrou para longe
de mim
mais um livro sem tempo
em que o poeta se contempla
e se diz boa-tarde
(ensaio de boa-noite,
variante de bom-dia,
que tudo é o vasto dia
em seus compartimentos
nem sempre respiráveis
e todos habitados
enfim.)
Não me leias se buscas
flamante novidade
ou sopro de Camões.
Aquilo que revelo
e o mais que segue oculto
em vítreos alçapões
são notícias humanas,
simples estar-no-mundo,
e brincos de palavra,
um não-estar-estando,
mas de tal jeito urdidos
o jogo e a confissão
que nem distingo eu mesmo
o vivido e o inventado.
Tudo vivido? nada.
Nada vivido? Tudo.
A orelha pouco explica
de cuidados terrenos;
e a poesia mais rica
é um sinal de menos.

Uma Trova de Astolfo Dutra/MG
Cezar A. Defilippo

Na boemia, no abandono...
de tanta dor eu suspeito,
que até saudade sem dono
faz morada no meu peito!

Uma Quadra Humorística de São Paulo/SP
Idel Becker
(1910 – 1994)

Eu não quero, nem brincando,
dizer adeus a ninguém:
quem parte, leva saudades,
quem fica, saudades tem.

Um Poema de Drummond
Carlos Drummond de Andrade
Itabira do Mato Dentro (1902 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

Parolagem da Vida

Como a vida muda.
Como a vida é muda.
Como a vida é nuda.
Como a vida é nada.
Como a vida é tudo.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho.
Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.
Como a vida é forte
em suas algemas.
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.

Como a vida é isto
misturado àquilo.
Como a vida é bela
sendo uma pantera
de garra quebrada.
Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora
de saber que é vida
e nunca nunca nunca
leva a sério o homem,
esse lobisomem.
Como a vida ri
a cada manhã
de seu próprio absurdo
e a cada momento
dá de novo a todos
uma prenda estranha.
Como a vida joga
de paz e de guerra
povoando a terra
de leis e fantasmas.
Como a vida toca
seu gasto realejo
fazendo da valsa
um puro Vivaldi.

Como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida
em flor e formiga
em seixo rolado
peito desolado
coração amante.
E como se salva
a uma só palavra
escrita no sangue
desde o nascimento:
amor, vidamor!

Um Poema de Drummond
Carlos Drummond de Andrade
Itabira do Mato Dentro (1902 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

Necrológio dos desiludidos do amor

Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.
Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.
Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas nos veremos
seja no claro céu ou turvo inferno.
Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia.
Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados competentemente
(caixões de primeira e segunda classe).
Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.

Uma Trova de Curitiba/PR
Vanda Alves da Silva

Restam horas já passadas,
da história de uma paixão:
lembranças esfumaçadas,
nas sombras do carrilhão.

Um Poema de Drummond
Carlos Drummond de Andrade
Itabira do Mato Dentro (1902 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

Entre o ser e as coisas

Onda e amor, onde amor, ando indagando
ao largo vento e à rocha imperativa,
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva.

As almas, não, as almas vão pairando,
e, esquecendo a lição que já se esquiva,
tornam amor humor, e vago e brando
o que é de natureza corrosiva.

N'água e na pedra amor deixa gravados
seus hieróglifos e mensagens, suas
verdades mais secretas e mais nuas.

E nem os elementos encantados
sabem do amor que os punge e que é, pungindo,
uma fogueira a arder no dia findo.

Um Haicai de São Paulo/SP
Camila Jabur

vento nas cortinas
fico atenta
ao que a manhã ensina

Uma Trova de São José dos Campos/SP
Nadir N. Giovanelli

Eu vejo o tempo passar,
recordo os anos dourados,
mil bailes para dançar,
e os sonhos realizados!

Um Poema de Drummond
Carlos Drummond de Andrade
Itabira do Mato Dentro (1902 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

Aula de Português

A linguagem
na ponta da língua
tão fácil de falar
e de entender. A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, equipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.

Recordando Velhas Canções
Quem é
(fox, 1959)

Oldemar Magalhães e Osmar Navarro 

Quem é . . .
Que lhe cobre de beijos
Satisfaz seus desejos
E que muito lhe quer . . . . quem é

Quem é . . .
Que esforços não mede
Quando você lhe pede
Uma coisa qualquer

Quem é . . .
Que de você tem ciúmes
Quem é
que lhe ouve os queixumes

Uma Trova de Santos/SP
Maria Nelsi Sales Dias

Nem bem partiste... e a saudade
já me causando transtorno,
não vê num mar de ansiedade
a hora do teu retorno.

Um Poema de Drummond
Carlos Drummond de Andrade
Itabira do Mato Dentro (1902 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

Ao Amor Antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mais pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

Um Haicai de Itapecerica/MG
Célia Lamounier de Araújo

O verde se pinta
mostrando serenas tramas
recriando a tinta.

Uma Trova de Porto Alegre/RS
Flávio Roberto Stefani

Marcando as horas da vida,
o relógio da parede,
embala os sonhos, querida,
quando me deito na rede!...

Um Poema de Drummond
Carlos Drummond de Andrade
Itabira do Mato Dentro (1902 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

Campo de flores
       
Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus-ou foi talvez o Diabo-deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.

Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.

Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.

Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.

E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.

Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada.

Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.

Hinos de Cidades Brasileiras
Itabira/MG

Tem belezas minha terra
Vou cantar a minha lira
A primeira é mais sublime
O seu nome é Itabira

Ela tem três altas serras
Com a Serra do Esmeril
O seu ferro é dos melhores
É o primeiro do Brasil

Minha terra tão querida
A cidade mais gentil
Mais formosa e pitoresca
Não há outra no Brasil.

Em seus campos verdejantes
Nascem flores a granel
Em seus bosques almejantes
Frutos mais doces que o mel.
Tem o poço d'Água Santa
E as fontes do Pará
Quem de suas águas bebe
Não se esquece mais de lá.

Minha terra tão querida
A cidade mais gentil
Mais formosa e pitoresca
Não há outra no Brasil

Ali canta o sabiá
Patativa e Bem-te-vi
O canário, o pintassilgo
A saudosa juriti.

Ela voa no progresso
Porque ama a instrução
E seus filhos dela esperam
Do Brasil a salvação

Minha terra tão querida
A cidade mais gentil
Mais formosa e pitoresca
Não há outra no Brasil

Uma Trova de Sorocaba/SP
Dorothy Jansson Moretti

Passa o tempo, sem piedade,
mas o casal sonhador
celebra, em meio à saudade,
a eternidade do amor.

Um Poema de Drummond
Carlos Drummond de Andrade
Itabira do Mato Dentro (1902 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

Elegia

Ganhei (perdi) meu dia.
E baixa a coisa fria
também chamada noite, e o frio ao frio
em bruma se entrelaçam, num suspiro.

E me pergunto e me respiro
na fuga deste dia que era mil
para mim que esperava,
os grandes sóis violentos, me sentia
tão rico deste dia
e lá se foi secreto, ao serro frio.

Perdi minha alma à flor do dia ou já perdera
bem antes sua vaga pedraria?
Mas quando me perdi, se estou perdido
antes de haver nascido
e me nasci votado à perda
de frutos que não tenho nem colhia?

Gastei meu dia. Nele me perdi.
De tantas perdas uma clara via
por certo se abriria
de mim a mim, estrela fria.
As árvores lá fora se meditam.
O inverno é quente em mim, que o estou berçando
e em mim vai derretendo
este torrão de sal que está chorando.

Ah, chega de lamento e versos ditos
ao ouvido de alguém sem rosto e sem justiça,
ao ouvido do muro,
ao liso ouvido gotejante
de uma piscina que não sabe o tempo, e fia
seu tapete de água, distraída.

E vou me recolher
ao cofre de fantasmas, que a notícia
de perdidos lá não chegue nem açule
os olhos policiais do amor-vigia.
Não me procurem que me perdi eu mesmo
como os homens se matam, e as enguias
à loca se recolhem, na água fria. Dia,
espelho de projeto não vivido,
e contudo viver era tão flamas
na promessa dos deuses; e é tão ríspido
em meio aos oratórios já vazios
em que a alma barroca tenta confortar-se
mas só vislumbra o frio noutro frio.

Meu Deus, essência estranha
ao vaso que me sinto, ou forma vã,
pois que, eu essência, não habito
vossa arquitetura imerecida;
meu Deus e meu conflito,
nem vos dou conta de mim nem desafio
as garras inefáveis: eis que assisto
a meu desmonte palmo a palmo e não me aflijo
de me tornar planície em que já pisam
servos e bois e militares em serviço
da sombra, e uma criança
que o tempo novo me anuncia e nega.

Terra a que me inclino sob o frio
de minha testa que se alonga,
e sinto mais presente quando aspiro
em ti o fumo antigo dos parentes,
minha terra, me tens; e teu cativo
passeias brandamente
como ao que vai morrer se estende a vista
de espaços luminosos, intocáveis:
em mim o que resiste são teus poros.
E sou meu próprio frio que me fecho
Corto o frio da folha. Sou teu frio.

E sou meu próprio frio que me fecho
longe do amor desabitado e líquido,
amor em que me amaram, me feriram
sete vezes por dia em sete dias
de sete vidas de ouro,
amor, fonte de eterno frio,
minha pena deserta, ao fim de março,
amor, quem contaria?
E já não sei se é jogo, ou se poesia.


A Lua, cantada em verso,
o Sol, ardente e fecundo,
são luzeiros do universo,
clareando os pagos do mundo!

A paisagem se ilumina
ante a cena sem igual:
- O rio beijando a Usina
num lindo cartão postal!

A paixão, com seus enredos,
quando em "êxtase" se inflama,
queima tabus, rompe os medos
do coração de quem ama!

Assombração ou fantasma,
nada disso me malogra...
Mas tenho até crise de asma
quando avisto... a minha sogra!

À tardinha, mansamente,
ofuscando a luz da rua
se encontram furtivamente
dois amantes... Sol e Lua...!

A vida que a gente leva...
que sempre amena ela fosse;
p'ra cada dia de treva,
um bem claro e outro, bem doce!

Bendigo a tecnologia
se usada for para o bem...
E que não "mate" a poesia
que todo "feito-a-mão" tem!

Carências... são desventuras...
qualquer coisa-de-sofrer...
Sou carente... de almas puras
que amenizem meu viver.

Certeiro, de mira boa,
é o que nos fala a razão;
toda mentira ressoa
com ecos de imprecisão...

Coração... não foste apenas
um figurante qualquer...
- Roubaste todas as cenas
da vida "desta" mulher!...

Dançar foi tudo que eu quis...
meu sonho desfeito em dor...
Mas finjo que sou feliz
compondo versos de amor.

Depois que desce a cortina,
quando o amor desata os laços,
não é um show que termina...
é a vida feita em pedaços.

De esperas fiz meu passado...
e compondo a vida assim,
tornei-me um barco ancorado
no cais do porto de mim...

De lembranças vou vivendo,
abraçada à solidão...
- E a saudade... vou moendo
na usina do coração!…

Desejei ser bailarina...
e foi meu sonho dourado...
Mas meu sonho de menina
permaneceu encantado...

Em cada verso que fiz,
pedaços de mim deixei...
o sonho de ser feliz...
o pranto que derramei...

Eu já me perdi no horário...
nas palavras, no caminho...
Mas, no meu imaginário,
só não perdi teu carinho!

Eu sempre estou na fronteira
do que é certo e o que é errado...
- Limítrofe verdadeira
entre a virtude... e o pecado...

Felicidade... esqueci
que jeito tem e onde mora...
Se tive um dia, a perdi
no instante em que foste embora.

Feliz é quem só procura,
rompendo os nós do caminho,
criar elos de ternura,
pondo algemas de carinho!!!

Magia é o instante - perfeito -
em que nós dois somos um,
quando, entre o seu e o meu peito,
não sobra espaço... nenhum!

Meu coração, ao relento,
qual mendigo, no abandono,
já não tem mais sentimento...
-bicho perdido sem dono...!

Meu mundo... é um mundo perdido
entre regras sem valor...
E eu só quis - sonho vencido -
viver um mundo de amor.

Minha alma às vezes se agita
e este mundo eu sinto avesso...
Passada a dor - fé bendita -
em Deus, vejo o recomeço.

Nas tantas voltas da vida
aprendi, do sofrimento,
que para toda ferida,
existe sempre um alento. ...

No cais da ilusão, deixei
meu coração sonhador...
E jamais desatraquei
meus lindos sonhos de amor...

Nos momentos de emoção,
quebro as regras que me imponho
e deixo que o coração
viaje ao mundo do sonho.

Nós somos dois mascarados...
você ator, e eu atriz...
dois bobos, apaixonados,
com medo de ser feliz!....

Nosso retrato... nós dois...
quanto amor havia então...
Agora - tempos depois -
só lembrança e solidão...

Os meus sonhos de menina,
réstias de luz se apagando,
são coriscos na neblina
que em silêncio vão passando...

... Palavras nem sempre são
só palavras, como é dito;
quando vêm do coração,
parecem vir do Infinito!

Para mim, nem mais nem menos;
o equilíbrio leva à paz.
Gestos grandes ou pequenos?
- Importa é o Bem que se faz!

Pensando a vida me ponho,
mas conclusões não alcanço...
Então, dou asa ao meu sonho,
pois de sonhar não me canso!

Procurei em todo canto,
um lugar para pousar...
-Ave, perdida de encanto,
fiz meu pouso em teu olhar!

Quando as luzes se apagarem
e a Terra, em fendas, se abrir,
se dois corações restarem,
a vida há de ressurgir!

Quando o “Minuano” assobia,
rasgando o espaço, imponente,
é um vendaval de poesia
soprando na alma da gente!

Se navegar é preciso...
Se é necessário sonhar...
eu sonho no teu sorriso,
navegando em teu olhar!...

Se pudesse, eu abriria
as portas do coração,
mas a chave - que ironia -
se perdeu numa ilusão...

Só lembrança é o que restou
do adeus que te fez distante...
Foste um vento que passou,
levando tudo por diante!...

Somente um beijo... quem dera
pudesse eu de ti roubar...
mas teu beijo é uma quimera
com que só posso sonhar...

Tem mais graça de viver
quem dá asa ao coração;
ter um simples bem-querer
é melhor... que ter razão! ...

Ternura... palavra doce
que o mundo esquece e não diz...
- Quem dera que o Homem fosse
só de ternura aprendiz!...

Toda vez que a nostalgia
invade o meu pensamento,
é nos braços da poesia
que eu sempre encontro um alento!

Um cenário de magia
surge aos versos que componho:
- Um reator de poesia
na imensa usina do sonho!

Um contraste indisfarçável,
entre nós dois, tão estranho,
é o nosso amor, indomável,
onde me enlevo e... me arranho...! ...

Um coração, sem amor,
um amor, sem se entregar,
são como... um vaso sem flor
e um barco... longe do mar...

Chuvisco Biográfico do Poeta
         Carlos Drummond de Andrade, filho do fazendeiro Carlos de Paula Andrade e D. Julieta Augusta Drummond de Andrade, nascido em Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais, a 31 de outubro de 1902, nunca foi dado aos cuidados da terra e desde muito cedo deu preferência às letras.
         Foi aluno interno do Colégio Arnaldo, da Congregação do Verbo Divino, em Belo Horizonte. Interrompeu os estudos no segundo período escolar em 1916 por problemas de saúde. No ano seguinte teve aulas particulares e em 1918 foi aluno interno do Colégio Anchieta, da Companhia de Jesus, em Nova Friburgo.
         Em 1920 foi expulso por “insubordinação mental” e do colégio guardou o modo de andar com os braços colados às pernas e a cabeça baixa.
         Cursou Farmácia em Belo Horizonte para onde a família se mudara em 1920.
         Em 1924 envia carta a Manuel Bandeira manifestando sua admiração pelo poeta. É também neste ano que conhece Mário de Andrade e Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral.
         No início dos anos 20, o jovem Drummond participava do Jornal Falado do Salão Vivacqua. Tratava-se de saraus idealizados por Mariquinhas, uma das filhas de Antônio Vivacqua. A família, natural do Espírito Santo, havia se mudado para Belo Horizonte porque o poeta Achilles, um dos filhos de Antônio, estava com tuberculose e o ar da capital mineira era recomendado para o tratamento da doença.
         A beleza, inteligência e senso de humor de Mariquinhas logo cativaram Drummond. O namoro na praça era acompanhando por duas irmãs mais novas de Mariquinhas: Eunice e Dora, que anos mais tarde viria a se transformar em Luz del Fuego. O romance não foi muito longe. Em uma noite entediante, Drummond e o amigo Pedro Nava imaginaram uma forma de as irmãs Vivacqua (seis belas moças, além das três crianças Eunice, Cléa e Dora) “saírem à rua de camisola, feito libélulas esvoaçantes. Com um pedaço de papel, atearam um foguinho na seteira do rés do chão que ficava sob o quarto das moças. O fogo se alastrou, tomando conta de todo o porão da casa. Esquecidos das poéticas libélulas, os apavorados incendiários deram eles mesmos o alarme e ajudaram a apagar o incêndio”. A brincadeira foi perdoada por Aquilles e Mariquinhas, mas Antônio Vivacqua proibiu os encontros da filha com Drummond.
         Em 1925, Mariquinhas casou com um poeta fluminense e Drummond casou com Dolores Dutra de Morais. o poeta voltou para Itabira sem interesse pela profissão de farmacêutico e sem conseguir se adaptar à vida de fazendeiro. Dois anos depois, nasce seu filho Carlos Flávio, que só viveu por alguns instantes.
         Em 1928 publica na Revista Antropofagia, de São Paulo, o poema No meio do caminho, que se torna um verdadeiro escândalo literário. No mesmo ano nasce sua filha Maria Julieta. Filha única e sua grande paixão, Maria Julieta seria sua eterna musa, um verso meu, iluminando o meu nada, diria no poema A mesa. A cumplicidade entre os dois existia no mais singelo olhar e também na vocação. Escritora, Julieta jamais conseguiria destaque, sufocada pelo sobrenome famoso que carregava.
         Alguma Poesia, seu primeiro livro, foi editado em 1930. Foram apenas 500 exemplares. Em 1931, morre seu pai, aos 70 anos. Três anos depois transferiu-se para o Rio de Janeiro e não mais voltou a sua cidade natal: Itabira é apenas uma foto na parede / mas como dói!
         Drummond conseguia, a um só tempo, ser Chefe de Gabinete do ministro Gustavo Capanema, do Estado Novo, e usar suas palavras para destruir o capitalismo. Do gabinete ministerial, saiu direto para a condiçaõ de simpatizante do Partido Comunista Brasileiro.
         Agnóstico, conseguia clamar aos céus uma ajuda aos irmãos necessitados numa prece bem brasileira: Meu Deus,/ só me lembro de vós para pedir,/ mas de qualquer modo sempre é uma lembrança./ Desculpai vosso filho, que se veste/ de humildade e esperança/ e vos suplica: Olhai para o Nordeste/ onde há fome, Senhor, e desespero/ rodando nas estradas/ entre esqueletos de animais.
         O modernismo e estilo de Drummond levou-o, com sua linguagem em diferentes ritmos, à popularização em um país onde se lê pouco. No meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do caminho ou E agora, José?/ A festa acabou/ a luz apagou/ o povo sumiu são versos que entraram para a História como ditos populares. Mantem-se presente no linguajar popular de forma excepcionalmente bela: Mundo mundo vasto mundo/ se eu me chamasse Raimundo/ seria uma rima, não seria uma solução.
         A morte, assim como o humor, foi uma constante em sua obra:

    Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
    Teus ombros suportam o mundo
    e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
    As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
    provam apenas que a vida prossegue
    e nem todos se libertaram ainda.
    Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
    preferiram (os delicados) morrer.
    Chegou um tempo em que não adianta morrer.
    Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
    A vida apenas, sem mistificação.

         Misturou o amor e a doença que levou sua filha com seu típico humor em Versos Negros (mas nem tanto): O amor, então, é a grande solução?/ Amor, fonte de vida... Essa é que não./ Amor, meu Deus, amor é o próprio câncer.
         Em 1982 completa 80 anos. São realizadas exposições comemorativas na Biblioteca Nacional e na Casa de Rui Barbosa. Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
         No ano seguinte declinaria do troféu Juca Pato.
         Em 1984 assina contrato com a Editora Record, após 41 anos na José Olympio.
         A escola de samba Estação Primeira de Mangueira o homenageia em 1987 com o samba-enredo O reino das palavras e é campeã do carnaval carioca naquele ano.
         No dia 5 de agosto morre a mulher que mais amou, sua amiga, confidente e filha Maria Julieta. Desolado, Drummond pede a sua cardiologista que lhe receite um “infarto fulminante”.
         Apenas doze dias depois, a 17 de agosto de 1987, Drummond morre numa clínica em Botafogo, no Rio de Janeiro, de mãos dadas com Lygia Fernandes, sua namorada com quem manteve um romance paralelo ao casamento e que durou 35 anos (Drummond era 25 anos mais velho e a conheceu quando ele tinha 49 anos). Era uma amor secreto, mas nem tanto. Lygia contaria ao jornalista Geneton Moares Neto (a quem Drummond concedeu sua última entrevista) que “a paixão foi fulminante”.
         O poeta mineiro deixou livros inéditos que foram publicados postumamente pela Editora Record: O avesso das coisas (1987), Moça deitada na grama (1987), O amor natural (1982) e Farewell (1996).
         O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros de Drummond, Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), em que o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar.
         Vem daí o rigor, que beira a obsessão. O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo. Em Sentimento do mundo (1940), em José (1942) e sobretudo em A rosa do povo (1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.

Iº CONCURSO INTERNACIONAL DE TROVAS ESPANHA 2015. 
Prazo: Até 10 de abril de 2015

PROMOÇÃO:
UBT (União Brasileira dos Trovadores) - Espanha,
OMT (Organização Mundial dos Trovadores)- Espanha

REGULAMENTO :

1) ÂMBITO / MODALIDADE e TEMA:

Língua portuguesa - Língua Hispana [O tema deve constar na trova].

1.1. Nacional / Internacional – [ Duas Trovas por tema – constar o tema na Trova]:

Tema " MÚSICA" L / F
Aberto (a todos os Trovadores – Nacionais / internacionais. Destinado a homenagear a profissão dos Artistas que interpretam seus sentimentos por meio da Música.

2. ENDEREÇO PARA A REMESSA DAS TROVAS EM PORTUGUÊS

Por E-mail direção eletrônica gislainecanales@gmail.com
 Gislaine Canales

c.c. Cristina Olivera Chávez
ColibriRoseBelle@aol.com

Nome Completo:
Pais:
E-mail:

3. PRAZO:
Até o 10 de abril de 2015.

4. PREMIAÇÃO:

Diploma para cada um dos classificados: 5 vencedores, 5 Menções honrosas , 5 Menções Especiais, 5 destacadas Os diplomas serão enviados pela internet. Pela Diretora de Arte Eunate Goikoetxea criadora dos diplomas.

NOTA:

Os Trovadores que saiam classificados e desejem ter sua foto no diploma quanto sejam notificados por favor enviem a foto à maior brevidade possível.

a Eunate Goikoetxea
5 . JURADO: A UBT- e a OMT formarão as comissões julgadora e apuradora do concurso e suas decisões serão irrevogáveis. A simples participação no concurso autoriza a publicação dos trabalhos não eliminados pelas comissões julgadora e apuradora, inclusive livros, Revistas, Jornais, Redes Sociais ou noticiários da UBT e da OMT. Os trabalhos não serão devolvidos.

Espanha , Janeiro 10 de 2015.

María Sánchez Fernández
Vicepresidente Nacional - OMT España
Delegada de la UBT - Úbeda (Jáen) Espanha

 


Iº CONCURSO INTERNACIONAL DE TROVAS 
ISRAEL 2015
 
Prazo: Até 5 de abril de 2015 

PROMOÇÃO:
UBT (União Brasileira dos Trovadores) - Jerusalém
OMT (Organização Mundial dos Trovadores) – Israel

REGULAMENTO :

1) ÂMBITO / MODALIDADE e TEMA:

Língua portuguesa - Língua Hispana [O tema deve constar na trova].

1.1. Nacional / Internacional – [ Duas Trovas por tema – constar o tema na Trova]

Tema " PAZ" L/F
ABERTO (a todos os Trovadores – Nacionais / internacionais. Destinado a Promover a PAZ mundial.

2. ENDEREÇO PARA A REMESSA DAS TROVAS EM PORTUGUÊS:

Por E-mail endereço eletrônico:

gislainecanales@gmail.com  
Gislaine Canales

cc Cristina Olivera Chavez
Nome Completo:
Pais:
E-mail:

3. PRAZO:

Até o 5 de abril de 2015.

4. PREMIAÇÃO:

Diploma para cada um dos classificados:

5 vencedores, 5 Menções honrosas , 5 Menções Especiais, 5 destaques
Os diplomas serão enviados pela internet, Pela Diretora de Arte Eunate Goikoetxea criadora dos diplomas.
NOTA :  
Os Trovadores que saiam classificados e desejem ter sua foto no diploma quanto sejam notificados por favor enviem a foto à maior brevidade possível.

5 . JULGAMENTO:

A UBT- formará as comissões julgadora e apuradora do concurso e suas decisões serão irrevogáveis. A simples participação no concurso autoriza a publicação dos trabalhos não eliminados pelas comissões julgadora e apuradora, inclusive livros, Revistas, Jornais, Redes Sociais ou noticiários da UBT e da OMT. Os trabalhos não serão devolvidos.

Jerusalém Israel , 10 de Janeiro de 2015.

ADY YAGUR
Presidente Nacional da Organização Mundial de Trovadores OMT / Israel
Delegado da UBT / Jerusalem
 


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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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