Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 18 de janeiro de 2015

José Feldman (Chuva de Versos n. 342)


Uma Trova de São Mateus do Sul/PR
Gérson Cesar Souza

Nas mãos de Deus tudo entrego
fazendo um pedido assim:
que estes sonhos que carrego
não morram antes de mim!

Uma Trova de Petrópolis/RJ
Gilson Faustino Maia

Não sonhei quando dormia,
sempre sonhei acordado.
Quando o seu barco partia,
sonhava estar ao seu lado.

Um Poema de São Francisco de Itapaoana/RJ
Roberto Pinheiro Acruche

FAVELA

Favela
Aquarela
Vida Amarela
No Morro ou na Periferia
Ora é alegria
Ora e tristeza,
Fome, pobreza...
Ora é realeza!

Gente que com esperteza
Dribla a sorte
Escapa da Morte
Tem que ser forte
Faz carnaval!
Favela
Festival...
De sonhos e esperança
Mesmo quando não alcança
Vencer o carnaval.

Favela...
Do bem e do mal
Onde se faz poesia
Da pobreza e da tristeza
Transformando em alegria
A triste realidade
Com tanta verdade

Que aonde ninguém queria viver
E vive sem querer
Precisa viver
Pra vida vencer
E não deixar morrer
Os sonhos, a esperança,
E como tal
O Carnaval.

Uma Trova Humorística de Belo Horizonte/MG
Graziella Lydia Monteiro

A solteirona, a infeliz
viu sua casa assaltada;
ladrão levou o que quis,
menos a pobre coitada!

Uma Trova de Fortaleza/CE
Geraldo Amâncio Pereira

Da velhice não me contem
a solidão que apavora,
o que vovô sentiu ontem
eu estou sentindo agora.

Um Poema de Fuseta/Algarve/Portugal
Maria José Fraqueza

HÁ POESIA NO CÉU

O Céu abriu as portas par em par…
Florbela, recebeu-te com Amor…
A Poesia cantada num altar…
Cada poema é benção do Criador

Florbela e Marilena, vou louvar,
Que o meu poema seja como flor…
Meus olhos já cansados de chorar
Por andar a carpir a minha dor!

A dor, esta saudade tão sentida…
Com a mágoa dolorosa da partida,
Que se sofre,  num elo de Amizade!

Vosso corpo desceu à terra fria,
Mas na Terra ficou a Poesia…
Que falará por Vós Eternamente

(Marilena Gomes Ribeiro foi Presidente da Associação de Escritores de Niterói)

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Alegria dos meus olhos    
é ver a quem quero bem:  
quando não vejo quem quero
não quero ver mais ninguém.

Uma Trova Hispânica do México
Giselle Rossainzz

Cuando de rodillas oro,
cuando soy agradecido,
cuando a mi hermano valoro
¡El cambio ya ha sucedido!

Um Poema de Vila das Aves/Portugal
Ferdinando Fernandes

SORRISO PERDIDO

Recolho ainda os restos de um vazio
Ficados no eflúvio som dos tempos,
Janela aberta nas margens de um rio
Onde medram tristes meus lamentos.

O Sol que alimentava esse teu brio
Que se perdeu no gemer dos ventos,
E torna o meu anseio sempre frio
Como a vida feita de tormentos...

O amor que incendiou o nosso olhar
Mendiga, na esperança de encontrar
A sombra que escondeu o teu sorriso...

Lembro ainda o gosto do teu beijo
E a pura carne, quente de desejo
Na liberta expressão de um paraíso.

Trovadores que deixaram Saudades
Gabriel Vandoni de Barros
Corumbá/MS (1907 – 1988) Rio de Janeiro/RJ

Esse olhar, quase de pena,
que me atiras num segundo,
é esmola muito pequena
para um amor tão profundo!

Um Poema de Santa Fé/Argentina
Alberto Peyrano

ÁGUA NA ALMA

Eu vi tuas lágrimas a correr por tuas bochechas
E essa água benta, que minha sede matou,
Chegou até minha boca num suspiro
E inundou meu coração.

Que felicidade sem fim senti naquele instante,
Quanto de ti passou à minha alma...
Um pássaro cantava no jardim
Sob a intensa chuva de teu amor.

Peguei tua mão e a fiz tocar meu rosto
E, oh, milagre!... de teus dedos
Brotaram rosas encarnadas
Que o orvalho de minhas lágrimas cobriu.

(Tradução por Ógui Lourenço Mauri) 

Uma Trova de Ribeirão Preto/SP
Geraldo de Maia Campos

Não dá um bom resultado
sendo tu verde e eu maduro;
Eu tenho apenas  passado
e tu, meu bem, tens futuro!

Um Haicai de São Paulo/SP
Áurea de Arruda Féres

O azul da fumaça
tem o fascínio dos sonhos.
Perfume de incenso.

Um Poema de Niterói/RJ
Wanderlino Teixeira Leite Netto

Poema da manhã sem tarde

Em tudo a impermanência:
nos amores contingenciais,
na vida efêmera das flores.
Em tudo a ausência do constante,
quando até o instante se transforma
naquilo que já não é.
Nada se abriga sob teto consistente,
nada se obriga,
nada se pauta no amanhã.
Vive-se o presente da manhã sem tarde:
tudo urge, tudo arde, tudo se desfaz
na crepitante fogueira do fugaz.

Uma Trova de Recife/PE
Geraldo Lyra

Motorista da ilusão,
pelas estradas da vida
vou deixando o coração
no adeus de cada partida!

Um Poema de Brusque/SC
Maria Luiza Walendowsky

TRISTEZA

Tristeza d´alma
vá para longe...
não fiques me sufocando
com esta angústia,
dor no peito
sem fim.
- De onde vens?
São tantos os motivos...
mas por que insistes em ficar?
Deixe-me ser livre... solta!
Voar bem alto
e, no infinito,
mergulhar em meu íntimo,
a sorrir com orgulho,
de uma vida prestes
a desabrochar...
tímida e imprevista.
- Por favor,
não insistas mais
em ficar.

Uma Trova de Caçapava/SP
Gilda Porto

O que levo na bagagem?
Um bocado de  intenções
mas, só no fim da viagem,
que verei os arranhões...

Um Poema de Setúbal/Portugal
Manuel Du Bocage
1765 – 1805, Lisboa/Portugal

PROPOSIÇÃO DAS RIMAS DO POETA

Incultas produções da mocidade
Exponho a vossos olhos, ó leitores:
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade,
Que elas buscam piedade, e não louvores:

Ponderai da Fortuna a variedade
Nos meus suspiros, lágrimas e amores;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração de seus favores:

E se entre versos mil de sentimento
Encontrardes alguns cuja aparência
Indique festival contentamento,

Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela mão do Fingimento,
Cantados pela voz da Dependência.

Um Haicai de Itapecerica/MG
Célia Lamounier de Araújo

Sobe, desce só.
Desce só quem já subiu...
desce, vira pó.

Uma Trova de São José do Mipibu/RN
Gilberto Guerreiro Barbalho

Há tanta leveza e graça
no teu porte, ao caminhar,
que o vento forte que passa,
faz-se brisa ao te encontrar…

Um Poema de Niterói/RJ
Vilmar de Abreu Lassance
1915 – 2009

DESCANSA, CORAÇÃO

Ausentei-me do amor - vou descansar.
Tudo cansa, afina, até o amor...
Dei demais, de mim mesmo, sem pensar,
e, agora, vou parar, para recompor

meu pobre coração que, sem cessar,
levou anos e anos num furor
de paixões, num querer sem fim, sem par,
num paroxismo que atingia à dor.

Hoje, vou descansar - fechei a porta
à última ilusão, ja quase morta,
que pretendia penetrar-me o peito:

disse "não", ao amor que retornou.
Ao amor que se foi e, hoje, voltou,
eu disse, num soluço: - "Não te aceito!"

Recordando Velhas Canções
Prelúdio para ninar gente grande
(balada, 1962)

Luís Vieira

Quando estou nos braços teus
Sinto o mundo bocejar
Quando estás nos braços meus
Sinto a vida descansar

No calor do teu carinho
Sou menino passarinho...
Com vontade de voar...
Sou menino passarinho
Com vontade de voar

Uma Trova de São Gonçalo/RJ
Gilvan Carneiro da Silva

Ó minha alma, por que anseia
ir tão longe os vôos seus?...
O universo é um grão de areia
na palma da mão de Deus...

Um Poema de Recife/PE
Olegário Mariano
(Olegário Mariano Carneiro da Cunha) 
1889 – 1958, Rio de Janeiro/RJ 

A ÚLTIMA CIGARRA

Todas cantaram para mim. A ouvi-las,
Purifiquei meu sonho adolescente,
Quando a vida corria doidamente
Como um regato de águas intranqüilas.

Diante da luz do sol que eu tinha em frente,
Escancarei os braços e as pupilas.
Cigarras que eu amei! Para possui-las,
Sofri na vida como pouca gente.

E veio o outono... Por que veio o outono ?
Prata nos meus cabelos... Abandono...
Deserta a estrada... Quanta folha morta!

Mas, no esplendor do derradeiro poente,
Uma nova cigarra, diferente;
Como um raio de sol, bateu-me à porta.

Um Haicai de São Paulo/SP
Clície Pontes

Relãmpago na noite!
Revelando na colina
A capela branca...

Uma Trova de Campanha/MG
Gioconda do Carmo Labecca de Castro

Meu coração é pequeno
mas é cheio de esperança,
e desconhece o veneno
do demônio da vingança.

Um Poema de Catanduva/SP
Ógui Lourenço Mauri

Felicidade

Às vezes, absorto em minha introspecção,
À mente me chega com facilidade
A visão tão minha de "felicidade",
Ao sabor do pulsar de meu coração.

Felicidade é de longe ser querido,
Num pacto de amor e de mútua confiança.
Felicidade é sonhar, ter esperança...
Saber que, nessa fé, sou correspondido.

Felicidade é navegar em teus poemas,
É enfronhar no sentido de tuas rimas.
É decorar e aplaudir tuas obras-primas,
Já que, com elas, me colocaste algemas.

Felicidade é amar tu'alma primeiro,
Antes de sentir ao vivo teu calor.
Encantar-me com tua beleza interior
Para depois ver teu corpo por inteiro.

Felicidade é ter o pressentimento
De que estaremos, em breve, frente a frente.
Eu espero afoito por este presente,
Uma recompensa pro meu sofrimento.

Hinos de Cidades Brasileiras
Arquipélago de Fernando de Noronha/PE

Entre ondas bravias, azuis
Sob um céu sempre cheio de luz,
Há um pedaço da minha terra,
Esta ilha, que a todos seduz.
Brancas praias, rochedos, luar
E o Pico, altaneiro, sem par,
Fernando de Noronha é um sonho
Do qual ninguém quer despertar.

Quem já viu qualquer coisa mais bela
Que os abismos do Sancho e Sapata,
Italcable, Cacimba do Padre
E o mar, espumando na Rata?
Atalaia, baía Sueste,
E, no mastro do forte, a bandeira,
São cenários que nunca se esquece,
São lembranças para a vida inteira!.

Uma Trova de Fortaleza/CE
Giselda Medeiros

As trovas são diamantes
que certo ourives, um dia,
com suas mãos operantes,
cravou no anel da poesia.

Um Poema de Niterói/RJ
Alda Corrêa Mendes Moreira
1926 – 2009 

ETERNA ILUSÃO

Com a alma vestida de Poesia,
cheia de fantasia,
caminho por uma estrada enluarada
à procura apenas
de tua companhia.

Olho o espaço e me refaço;
um sonho de encantamento me invade
e me traz felicidade.

Ao contemplar os astros,
banhada de muita luz,
inundo todo o meu ser
com uma imensa ternura
que só a ti me conduz.

E nesta hora,
tomada agora
de uma total fascinação,
fitando o céu,
faço-te a minha revelação
e deixo meu corpo todo se envolver
com o doce véu
da minha eterna ilusão.

Uma Glosa de Niterói/RJ
Angela Stefanelli de Moraes

Glosando Alda Corrêa Mendes Moreira (RJ)

DOCE GUARIDA

Mote:
Modifico a minha vida
quando fico a contemplar
esta estrada tão florida
e os pássaros a cantar.

Glosa:

Modifico a minha vida
quando eu admiro um jardim.
Sinto que tenho guarida
ao vislumbrar o jasmim.

Curo minh’alma ferida
quando fico a contemplar
uma alegre margarida
tão doce a desabrochar.

Fico muito embevecida
ao olhar na primavera,
esta estrada tão florida
que me traz tanta quimera.

Eu admiro a majestade
deste cenário sem-par
que traz amabilidade
e os pássaros a cantar.

 

À falta de inteligência,
são argumentos de estulto
o destempero, a violência,
a gritaria, o tumulto.

A insegurança, a tristeza
dos que se dizem ateus
é nunca terem certeza
da inexistência de Deus!

Ante a dor do desgraçado,
quem se faz indiferente
tem o ouvido calejado
e a consciência dormente.

As fluentes, cristalinas
cataratas dos teus beijos
fazem girar mil turbinas
da usina dos meus desejos.

Até agora, meu bem,
ao certo saber não pude
se teu carinho faz bem
ou se me agrava a saúde.

A tua boca precisa
de levar esparadrapo,
para ver se imobiliza
a tua língua de trapo.

Como o sábio é ponderado,
comedido, tolerante,
o néscio é precipitado,
oco, vaidoso, arrogante.

Da vida de toda gente
quis o medíocre saber;
e a si mesmo, que era urgente,
não tratou de conhecer.

De palavras más, intensas,
trago os ouvidos vazios,
pois jogo fora as ofensas,
guardo só os elogios.

Do meu filho, homem formado,
eu conservo na retina
de alegre pai deslumbrado,
o guri vivo e traquina.

Do pensamento em conflito
ressalta a ideia serena:
ao mundo sofrido e aflito
vim somente pagar pena.

Em meio às lutas da vida
afirmo-te compensado:
nosso casório, querida,
tem sido um longo noivado.

Esta moda divertida
na mulher mais se acentua:
velha e feia - bem vestida;
bela e jovem - quase nua!

Mais do que o verbo inflamado,
me encanta, nas assembléias,
os grandes prélios travados
no terreno das ideias.

Musicando o riso e o pranto,
minha Itaocara aprendeu
as doces aulas de canto
que o Paraíba lhe deu.

Na luta do pensamento
o que se torna empolgante
é que, no fraco, o talento
pode torná-lo um gigante.

Numa alternância vadia,
a vida atira em meu rosto
um minuto de alegria
para um ano de desgosto.

Paraíba caudaloso,
nas tristes tardes de estio
sinto um murmúrio queixoso
nos marulhos deste rio.

Para amenizar o estio
de jornada tão sofrida,
vez por outra nasce um rio
no deserto desta vida.

Parece que, sem comando,
para chegar neste ponto,
de tanto viver rodando
o mundo já ficou tonto.

Pela vida entre perigos
dos caminhos percorridos,
tive nobres inimigos
e tive amigos fingidos.

Por mais negro e perigoso
que seja o mundo, nós temos,
em Deus, um sol luminoso,
para os momentos extremos.

Por-me-iam desnorteados
seus trejeitos atrevidos,
se eu não fosse vacinado
contra amores proibidos.

Quem sabe fazer alarde
a sua fama constrói,
por isso há muito covarde
condecorado de herói.

Tomba o trono, a majestade,
a glória em breve se vai,
mas do cimo da humildade,
meu amigo, ninguém cai.

Uma estátua a humanidade
deveria, solidária,
erguer em cada cidade
à professora primária.

Vai-se o dia sem promessa,
uma folha a mais caída,
o outono chega depressa
ao bosque de nossa vida.

Viúva, no inverno da vida,
sem carinhos do vovô,
vovó, no canto, esquecida,
coitadinha, faz tricô.

Vivido, bem tarimbado,
que experiência expressiva:
já vi o orgulho humilhado,
já vi a humildade altiva.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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