Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

José Feldman (Chuva de Versos n. 345)


Uma Trova de Maringá/PR
Jeanete Monteiro De Cnop

Não sei se é pecado ou vício,
bobeira... sei lá mais quê...
esse agridoce suplício
de só pensar em você!

Uma Trova de Canavieiras/BA
Jacinto Barbosa

O coração desprezado
pelo amor que lhe convém,
é relógio complicado:
- nunca mais trabalha bem!

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Clevane Pessoa

A POESIA – MISTÉRIOS

A poesia é ninfa, lírio, cactus e adaga,
possui qualquer manifestação
dos quatro elementos:
ar, fogo, ar, terra...
E o éter, o quinto, aparece
simbolizando a eternidade...
Alfa e ômega, Aleph e todos os sinais
da árvore da vida,
na Cabala , mistérios...
Toca-nos o imaginário,
descreve-nos o fadário,
maná em pleno deserto
e vergel na praia...
Mel e mar, sol
e anêmona, sal e cerejeira,
explode quando o AMOR
desaba em aguaceiro ou cresta
a terra dos sonhos
se há estiagem...
Ah, a Poesia é alimento
do Outro e de si própria,
secante e tangente,
oroboros de círculo perfeito,
transcende a vã condição humana
e se mascara de frágil e efêmera,
papilonácea lilás
a espantar os poros da escuridão...
Na verdade, é cerne,
é forte e indestrutível,
face de mil caras,
máscaras de ouro
a simular pirita,
lata dourada
que assemelha-se
a um tesouro
cujos significados e significantes
é preciso decifrar…

Uma Trova Humorística de São Paulo/SP
Maria Helena Calazans M.Duarte

Num beco, ao ser sequestrado:
- E o resgate, seu ladrão?
- Em dez vezes, parcelado.
Estamos em promoção.

Uma Trova de Caicó/RN
Jayme Paulo Filgueira

Nos bons tempos de criança,
sonhava rei ser na vida.
Hoje toda esta esperança
é ser teu servo, querida.

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Clevane Pessoa

ORIGAMI DA SORTE

A folha de papel A4, totalmente em branco
é uma tentação a que eu derrame a alma,
para sempre marcando-a com a magia da Palavra...
Meu lado artesã/artista discute com meu lado poetisa:
desenhar, dobrar, fazer
em vez de apenas escrever...
Então, aliso a folha nívea,
triangulo o gesto,
corto a sobra e obtenho
um perfeito quadrado...
As dobraduras se sucedem, aqui e ali,
faço um dos mais básicos origamis:
uns dizem que é um saleiro,
outros, um açucareiro
para qualquer escoteiro,
mas os sonhadores,
viram-no do lado oposto,
encaixam nas abas os polegares e indicadores
e se põem a ler a sorte, a partir de números
pedidos ao acaso...
Para falar de sorte ou atraso,
perdas e ganhos,
amores,
levanto cada espaço
e neles escrevo trovas
sem nenhum embaraço...
assim , ao chamar a menina
que cochilava dentro de mim,
resolvi o impasse:
fiz um objeto, escrevi versos
e pude brincar como se a infância
nunca tivesse acabado…

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Amar e não ter ciúmes,
isso não é querer bem;
quem não zela o bem que ama,
muito pouco amor lhe tem.

Uma Trova Hispânica da Venezuela
José Rafael Diaz

Cambio no dañar mañanas
soñar un mundo mejor,
sin divisorias y aduanas
Dios escucha mi clamor.

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Clevane Pessoa

INFÂNCIA PERDIDA, INFÂNCIA ROUBADA

Não sei se perdida ou roubada,
por certo não pela própria vontade
a infância está diluída
num País de meia idade
vivendo em novo milênio...
Uns nas ruas, sem ter
para onde voltar,
outros cola a cheirar,
tantos trombadinhas a roubar
pertences alheios,
sem ter quem lhes direcione a vida...
No sinais, a vender balas, chicletes, frutas
E se não venderem o encomendado,
cada um é surrado, humilhado
e pode ir deitar sem comer...
Nas carvoarias, nas cozinhas,
em vez de soltar pipas,
Pular as amarelinhas,
Jogar bola e brincar de pique,
Trabalham além de seus limites,
Exaustos, queimados, cobrados...
Alguns são filhos de putas,
Outros são filhos de santas,
Muitos sofrem pela sedução,
Das drogas, do sexo precoce...
Abuso, estupro, prostituição,
Gravidez, aborto: meninas mulheres
fazem mil erros para ganhar o suficiente
Para o leite, para o pão...
Muitas jogadas fora
Quais cães sarnentos...
Quantas crianças alugadas, vendidas, desaparecidas...
Ao ver animaizinhos enjaulados
para serem vendidos, nos dias de hoje,
o que parece muito natural,
pois todos se esquecem
que é livre, o animal
não posso deixar de perguntar:
daqui a quantos anos, crianças enjauladas
para um livre comércio parecerão
aos nossos olhos então já acostumados,
algo muito natural?...

Trovadores que deixaram Saudades
Jader de Andrade
Goiana/PE (1886 – 1931)

Parece incrível, parece,
mas é verdade patente
que a gente nunca se esquece
de quem se esquece da gente...

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Clevane Pessoa

CONSTATANDO... 

Eu, que nunca discrimino,
tratando a todos igual,
na mesma coluna assino
e uso o mesmo embornal,
fui cativa de assassino,
mas fugi, alada, afinal! 

Uma Trova de Cruzeiro/SP
Jaime Ribeiro da Silva

Espera que, nesta vida,
tudo tem explicação.
- Não há causa que, perdida,
não nos traga uma lição.

Um Haicai de Niterói/RJ
Luís Antônio Pimentel

Homens sol a sol,
suor e subnutrição...
nasce o arranha-céu...

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Clevane Pessoa

KANTHÁROS(I)

A natureza
“ chovendo
a cântaros”...

Dentro de
meu âmago
meus prantos
são cantares
de fertilização…

Uma Trova de Corinto/MG
Jefferson Leão de Almeida

Felicidade: um ranchinho...
uma viola afinada...
uma cabocla... um filhinho...
saúde... paz... e mais nada!

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Clevane Pessoa

CICLO

A fonte murmurante
O rio rumoroso
A cachoeira barulhenta
Todos errantes,
Participantes de uma orquestra
Cujo regente
Fica invisível à luz dos dias,
Oculto à luz do luar,
Torna-se dourado junto às luas claras...

Mais tarde, serão
Garoa
Neblina
Orvalho pranto:
Sutis presenças
Com lições de umidade,
De humildade,
De humanidade…

Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Jerônimo Guimarães
(???? – 1897)

O pranto que por ti verto,
querida, só terá fim,
quando a morte um outro túmulo
junto ao teu abrir pra mim.

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Clevane Pessoa

PENSARES

São meus pensamentos malabares
giram em espirais.
fazem volteios,
como nas guirlandas
que mesclam cipó e fitas
ou em caminhos de seios
contornados por carícias...
São meu pensamentos, cantares
Repetitivos como trinados
De muitos passarinhos
Ou desiguais quais aqueles
Que imitam os vizinhos
Na verdade, os produtos
Dessa minha algavaria
São traduções atávicas
E renascem reinventados
Dos labirintos da alma
Que não quer imitar sons
Que já foram emitidos:
Da siringe,os meus pios
Atingem longas distâncias
Para alcançar os demais...

Meus pensamentos são mares
De muita profundidade,
Mas que rasantes nas areias
Lambem o calor que encontram,
Ajudam a esfriar as orlas
Com suas ondas agitadas...
Às vezes fazem redemoinhos
Em caldeirão perigoso ...
Podem chegar a maremotos,
Em fenômenos encadeados,
Mas a maré esperada
Somente depende dos ciclos
Caprichosos das faces de dona lua...

Meus pensamentos são ninhos
Com ovos sempre a chocar
Esperando ver nascer
Novas vidas a trinar...

Meus pensamentos,
Ramalhetes de rosas
Lama de barro sagrado,
Nascentes e rios,
Fogos de artifício, fogueiras
Estrelas e parafusos...
Tear de tudo, roca e fusos
Artesanato de fitas e vime
Guirlandas de oferendas,
Nuvens macias e prenhes
Para a chuva na seara
Para o choro das pedras
Para o riso das montanhas
Para o grito das cavernas
Meus pensamentos interpretam
Tudo e todos, até a mim
Que apesar de tantas buscam
nem sequer sei quem sou…

Um Haicai de São José dos Pinhais/PR
Leopoldo Scherner

Amor é silêncio.
Outro silêncio maior.
Depois de um silêncio

Uma Trova de Campos/RJ
Jesy Barbosa

Vou dizer-te, bem no ouvido,
minha angústia e desespero:
eu te odeio, meu querido,
pelo muito que te quero!

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Clevane Pessoa

FUNÇÃO 

Lençóis d’água
Subterrâneos frescores
A amenizar
Os fogachos da menopáusica
Mãe Terra...

Jasmins d’água
Em touceiras.
O olor pungente
Bordeja o rio
que borda a Terra...
De longe, querubins
Em miniatura
Adejando brancas asas...
De perto, parecem
Borboletas que não voam,
Presas ao verde...
De quando em vez,
Caem pétalas
Sem ruído perceptível
E cada qual beija a água
Respingando ternura
Flutuando, leves plumas,
Por certo merecem
Que meu olhar
De brasas acesas
Perscrute o ondulado
E fri caminho...
ATÉ ONDE IRÃO? Aonde
Deságua a água
Cantando,
Ao mar se entregando?
Ou...Fenecerão antes
Que o Tempo as insulte
Roubando-lhes a beleza?…

Recordando Velhas Canções
Leva eu Sodade
(toada, 1962)

Tito Guimarães e Alberto Cavalcanti

Ô leva eu,
Minha sodade,
Eu também quero ir,
Minha sodade,
Quando chego na ladeira,
Tenho medo de cair,
Leva eu, (leva eu)
Minha sodade. 

Menina tu não te lembra,
(Minha sodade),
Daquela tarde fagueira,
(Minha sodade)
Tu te esqueces,
E eu me lembro,
Ai, que sodade matadeira,
Leva eu, (leva eu)
Minha sodade.
 
Na noite de São João,
(Minha sodade),
No terreiro uma bacia,
(Minha sodade),
Que é pra ver se para o ano,
Meu amor ainda me via,
Leva eu, (leva eu)
Minha sodade.

Uma Trova de Baependi/MG
J. Isidoro Júnior

O grande mal desta vida
não é o fim pela morte;
é a contingência dorida
das divergências da sorte!

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Clevane Pessoa

ANJO CAÍDO
 (Para o artista João Werner)

O preto na paleta,
pingos de branco.

A mistura chega ao cinza,
as cãs, a neve suja, os dias de chuva,
as nuvens plúmbeas , a alma desanimada.

A velhice é cinzenta,
sempre que a esperança verde
se esvai em goteiras de abandono.

A alma é gris na solidão ,
a voz perdida, a falta de carinho,
o desânimo que instiga o Instinto de Thânatos.

O artista ama as cores
e mesmo assim, na  compreensão a maior,
de um mundo desigual,
mistura branco ao preto,
preto ao branco,
e faz um anjo,
desanimado de tantas misérias,
canalhices, perdas,
bancarrotas, vícios, traições , guerras,
fome e desesperanças,
espantado com os Homens,
que perdem cada vez mais 
o supremo bem da paz
absoluta
 e simples,
abrir a boca de espanto ,
cair das própria altura,
em pleno vôo de reconhecimento,
e sentar-se desanimado, cansado de lutar
 por uma humanidade falida e inconstante…

Um Haicai de Ponta Grossa/PR
Leonilda Hilgenberg Justus

Ao homem andando
com a esperança no peito
o horizonte é perto

Uma Trova de Recife/PE
José Cabral da Rocha

Numa "caixinha de trovas"
- obra de fino lavor,
em concerto, rimas novas
são versos do trovador.

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Clevane Pessoa

NEO FÊNIX

...Às vezes,
embaixo de cinzas,
crepito,
aqueço-me e em labaredas,
refaço a LUZ antiga.

Subitamente
ardo em cadeia
acendo-me e
acendo tudo mais
que há por perto…

Hinos de Cidades Brasileiras
São José de Mipibu/RN

São José de Mipibu, terra linda de coqueirais
Em teu seio onde está a tua gente
Terra linda de carnavais, com seus verdes canaviais
Que estarão sempre a embelezar

REFRÃO
Mostrarás tua cultura, teu orgulho e teu esplendor
Seus artistas, suas famílias, seus poetas
E um povo trabalhador...

São José de Mipibu, para sempre triunfarás
No agreste, no sertão e litoral
Os seus rios, os seus pássaros e a bonita Mata da Bica
Vão ser sempre o jardim do seu quintal

Seus sobrados, suas casas e os Índios de Mopebus
Na lembrança do seu povo ficarão
Os engenhos de outrora e os seus filhos mais ilustres
Para sempre o seu povo lembrará.

Uma Trova de Pacatuba/SE
José de Andrade Sucupira

Saudade... doce ternura,
espinho que se bendiz,
flor que fere com doçura
e deixa a gente feliz.

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Clevane Pessoa

UM COPINHO D'ÁGUA, UM RIO, A POÇA...E A SEDE...

 Um simples copinho d'água,
 se posto ao alcance do olhar,
 é promessa de que em breve,
 a sede se vai saciar...
 Mesmo quem anda na neve.
 como quem dorme na praia,
 fica sempre a  cobiçar
 o frio e claro lenitivo...

 E no amor, há quem, sedento
 não mais o consiga  alcançar:
 pois para longe o empurram,
 como enxotam o cão sarnento
 -quantos o chutam, esmurram,
 e já foi de estimação...

 No abandono explode a ponte
 cada um fica num lado,
 com sede à beira da fonte,
 sem poder descer ao rio...
 Cada olhar alcança o amado,
 faz calor e sentem frio...

 Descobrem então que o ausente
 lhes parece cheio de espinhos,
 e que amar não é suficiente
quando se esgotam carinhos..
A história dos dois se esgarça,
não importa quem mais amou...
 Baixa o pano sobre a farsa,
 mas a sede não acabou...

Um copo, um cão ,uma ponte
nada possuem em comum
 apenas aparentemente...

Se você souber, me conte
como voltar a ser um:
 a sede enfraquece a gente...

 Sem poder chegar ao copo
 A sede nos seca a boca...

 Boca seca

seca...
 sede...

 E o copo rola,se parte,
 ao sabor da ventania...

Parece que vou morrer...
Se eu fosse cão, lamberia
 a poça d'água no chão...
 Mas por certo cortaria
 minha língua exposta, então...
 Essa imagem me apavora
 e ante tal alegoria,
as mãos desamarro, saio
 vou viver noutro lugar!
 Descalça, tropeço e caio,
 outro copo vou buscar...
uma água me espera agora
minha sede vou matar...

Uma Glosa do Rio de Janeiro/RJ
Regina Coeli RJ

Glosando Humberto-Poeta (SP)

Mote:
Nessas rosas em que espelhas
teus delicados primores,
meu amor, tu te assemelhas
a uma flor me dando flores!

Glosa:

Nessas rosas em que espelhas
teu perfume e tua cor,
há um exército de abelhas
tornando em mel teu amor.

Sinto em tão doce fragrância
teus delicados primores,
pinçados com elegância
das rosas em belas cores.

Se o telhado tem nas telhas
instrumento pra abrigar,
meu amor, tu te assemelhas
à pérgula a perfumar.

Teu doce encanto me enleva
a jardins encantadores;
comparo-te — luz na treva —
a uma flor me dando flores!

 

A flor da fraternidade
floresce no coração
de quem ama de verdade
o próximo como irmão.

A mulher traduz ternura,
doação, vida e amor;
colabora com doçura
com a obra do Criador.

As árvores são sagradas,
são um milagre da vida;
no entanto, são derrubadas
pela ambição desmedida.

As paixões desenfreadas,
excessos de comilança,
mostram vidas desregradas
onde falta temperança.

Camélia é flor delicada,
tal qual um floco de neve.
Sentida, fica queimada,
mesmo com um toque leve.

Capricho da natureza?!...
Mão humana em gesto arteiro?!...
Cenário de tal beleza,
só se Deus for brasileiro...

Com roupagens só de amor
vistamos o coração,
sem ódio e nenhum rancor
para abrigar um irmão.

Contemplar o mar infindo,
entender sua poesia,
ver o sol se despedindo
é sentir paz e alegria.

Dama da noite, de branco,
com as vestes de cetim,
enfeita à noite o barranco
transformando-o num jardim.

De nada vale o rancor
que só deixa cicatrizes;
tecendo laços de amor
seremos bem mais felizes.

Engrinaldada de flores,
surge a mais bela estação,
e a alegria chega a cores
a cantar no coração.

Família ideal é aquela
onde há paz, docilidade;
por mais que seja singela,
tem um quê de majestade.

Gorjeiam os passarinhos
na ramaria orvalhada.
Primavera, nos caminhos,
vai despertando a florada.

Não adianta modelar
o corpo com perfeição,
se não soubermos moldar
com amor o coração.

Não importa a cor da pele,
o que importa é a inspiração
de uma trova, que revele
o que sente o coração.

Nesta era da informática,
computadores de mão,
sugam da família, a prática
da confraternização.

Nesta vida o tempo ensina:
quem partilhar seu amor
a paz também dissemina,
exterminando o rancor.

O esforço de uma formiga,
mais que exemplo é uma lição:
seu objetivo persiga
com fé e determinação.

Ó geração gananciosa,
desperta, presta atenção!
A arara azul, tão graciosa,
corre o risco da extinção!

O sonho de uma criança
pode a nós ser aplicado:
à luz da perseverança
poderá ser realizado...

Para encantar a velhice,
ser tranquilo, sonhador,
há que, desde a meninice
plantar sementes de amor…

Paz nasce do coração
de quem aprendeu a amar
a todos, sem distinção,
porque soube perdoar.

Pelas ruas, no passado,
nos realejos risonhos,
um periquito amestrado
passava vendendo sonhos.

Plante uma árvore, amigo,
que ela é sinal de esperança.
Se não lhe servir de abrigo,
servirá a uma criança.

Porque a “Fé move a montanha”,
não posso deixar de crer
que esta saudade (tamanha!)
vai um dia perecer.

Primavera e juventude,
presentes da Providência:
cores, vida em plenitude
que alegram nossa existência!

Protegida, a natureza
dará frutos a granel,
flores de rara beleza
e favos prenhes de mel.

Quando o amor fala mais alto
o mais prudente é calar;
coração em sobressalto
dá o recado pelo olhar.

Quem espalha em seu caminho
a paz, o amor e a alegria,
não caminhará sozinho,
terá Deus por companhia.

Rosa é a rainha das flores,
outra mais bela não há;
nem mesmo, com seus primores,
a flor do maracujá.

Seja em estrada de ferro,
seja em estrada florida,
posso dizer e não erro:
-assim vai o trem da vida!

Será livre de verdade
quem fizer a diferença,
quebrando o elo da maldade
e abraçando a benquerença.

Sob os tons crepusculares,
sem ninguém que nos impeça,
nosso barco cruza os mares
sem destino, sem ter pressa...

Sobre as vagas do oceano,
voando num céu de anil,
sinto alegria e me ufano
de estar voltando ao Brasil!

Sonha o menino acordado
com a bola e pé no chão,
ser um craque consagrado
e integrar a seleção...

Sonho um mundo colorido,
flores perfumando a estrada,
sem um ai, sem um gemido
de criança abandonada.

Tão humilde, a margarida,
sem perfume, sem magia,
para não ser esquecida,
por entre os ramos, espia.

Um casal alicerçado
no amor e na compreensão
deixará grande legado
à futura geração.

Um desafio na vida
é vencer tribulações
e a paciência nos convida
a refrear emoções.

Um trevo de quatro folhas
nascido no meu jardim,
trouxe entre tantas escolhas,
muita sorte para mim.

Chuvisco Biográfico da Poetisa
Clevane Pessoa de Araújo Lopes, nasceu em São José do Mipibu, Rio Grande do Norte, em 1947.
         Trabalhou ativamente na imprensa de Juiz de Fora-Mg, nos Anos de Chumbo, mantendo a página Gente, Letras & Artes e a coluna diária Clevane Comenta, entre outras- na Gazeta Comercial.
         Aos dezesseis/dezessete anos, foi a redatora chefe de Voz das Mil, jornal Literário do Colégio Sagrado Coração de Jesus. Sua  primeira resenha foi publicada na Revista da Presidência, em 1964. Depois, escreveu em jornais por onde passou.
         Radicou-se em Belo Horizonte ao se casar com o engenheiro civil Eduardo Lopes da Silva, que então trabalhava na Via Expressa em viadutos e passarelas.
         Tendo iniciado Psicologia no CES (Centro de Ensino Superior) de Juiz de Fora, então formou-se na FUMEC desta capital (Belo Horizonte).
         Foi editora de Literatura e Arte do tablóide de vanguarda Urgente, entre outros, como A Voz de Rio Branco, de Visconde de Rio Branco, MG, onde mantinha “A Voz da Mulher”.
         Escreveu na revista “o Lince” e em outras. Atualmente, é psicóloga, ilustradora, palestrante e oficineira de Poesia e Conto.
         Até aposentar-se, trabalhou na Casa da Criança e do Adolescente do HJK, que fundou e coordenou (SAISCA-Serviço de Atendimento Integral ao Adolescente, seu projeto criado em S.Luiz Maranhão, encampado pelo Ministério da Saúde, tornado OS a posteriori) e levado a Belém , Pará, de 1996 a 1990, quando retornou a BH/MG).Esse projeto, alcança Poesia e Artes, crianças, adolescentes e família, além de atendimento à saúde.
         Em 1993, participa intensamente, pelo HJK, com a seção de Psicologia, da organização do Congresso Internacional L’espoir sem Frontiers (Esperança Sem Fronteiras). No evento, desenvolveu uma oficina sobre família e participou de mesas.
         O livro Mulheres de Sal, Água e Afins, reúne contos com protagonismo feminino.
         “O Sono das Fadas” foi lançado na Bienal do Rio em 2009 e em vários espaços e cidades.
         É verbete no Dicionário de Afrânio Coutinho e no Dicionário de Mulheres de Hilda Huber Flores(RS)
         Em novembro de 2011, nos III Juegos Florales do aBrace, lança “Lírios sem Delírios”, com poemas e desenhos, alguma poesia em espanhol, a maioria em Português, Editora aBrace.
         É consultora de teatro, revisora de textos, roteirista de peças teatrais.
         No ano de 2007, completou 50 anos de Poesia, pois começou a escrever, publicar e fazer saraus aos dez .
         Foi, pela” excelência da obra”, agraciada com o título de” Poeta Honoris Causa”, do Clube Brasileiro de Língua Portuguesa, para oito países lusófonos. O título foi concedido por sua Presidenta, a poeta Silvia de Araújo Motta , em 2007.
         Em maio de 2009, recebe o título de Doutora Honoris Causa em Filosofia (Ph.I.), em sua posse na ALB/Mariana.
         Pertence à REBRA, Rede Brasileira de Escritoras, Academia Virtual Brasileira de Letras à Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN, do virARTE.
         Membro da IWA (Estados Unidos) .
         Pertence à Rede Catitu de Cultura, é colaboradora da ONG Alô Vida. Por premiações em concursos, pertence ao CLESI(Clube dos escritores de Ipatinga);
         Chanceler da Arcádia Litterária de Aracaju, Membro Honorário de Mulheres Emergentes, Conselheira do Instituto Imersão Latina.
         Ilustrou, a bico de pena, “100 Trovas de Juiz de Fora” – Programa Contraponto.
         Fez 25 desenhos para a III Edição do “Original-Livro de Artistas”, no tema “A Forma do Pote vazio, tendo um dos desenhos apresentado no Palácio Galveias, em Lisboa, em maio de 2010.
         Em 2011, lançou, pela Editora aBrace – da qual é representante em Belo Horizonte-MG- “Lírios sem Delírios, de Poemas, que também traz suas ilustrações.
         Desde março de 2009, a mostra Graal Feminino Plural, com seus desenhos e poemas, sobre questões do gênero feminino, circula, a partir da Galeria da Árvore (MUNAP_Parque Municipal Américo Renê Gianetti) , para os Centros Culturais de Belo Horizonte(Pref.Munic.) e Regional Oeste.
         A mesma também faz parte, em 2010, do festival Internacional de Cultura e Gastronomia de Tiradentes, no largo das Forras-Espaço Cultural. Banco do Brasil.
         Humanista, sempre lutou pela criança, família, mulher e adolescentes, sendo pioneira nas ações brasileiras pelo atendimento integral, multidisciplinar à criança e à adolescência (desde os Anos 80).
         Pelo Ministério da Saúde, ministrou oficinas em vários Estados brasileiros, quando trabalhava no Hospital Júlia Kubitscheck, onde coordenou e criou a Casa da Criança e do Adolescente, com equipe multidisciplinar. A pedido do MS, organizou no HJK, o I Seminário Brasileiro de Saúde Reprodutiva e Sexualidade na Adolescência, no qual foi ainda palestrante, mediadora, debatedora e oficineira de sexualidade humana..
         Possui vinte e dois e-books, quatro dos quais infantis, um de memórias, um ensaio, os demais de poesias, gêneros vários ( os e-books podem ser baixados gratuitamente no Recanto das Letras, no site da AVBL e na Vila das Artes, além de Cá estamos Nós e recentemente, no ISSUUM, disponibilizou , pela Catitu, seus livros Erotissima e O sangue das Fadas.
         Participa dos jornais e revistas virtuais zaP (São Paulo) , DESTAQUE, Revista Nota Independente, Guatá, Gaceta Literália, Isla Negra (Argentina), aBrace, Varanda das Estrelícias (Portugal) ,Caderno Literário (Pragmatha/RS), entre outros.
         Possui uma antologia poética em http://www.direitoepoesia.com e participa de várias coletâneas virtuais , inclusive várias de BLOCOS ON LINE, entre as quais, por três vezes, da SACIEDADE DOS POETAS VIVOS.
         Colabora e é colunista virtual , inclusive possui uma escrivaninha em http://www.recantodasletras.com , onde disponibiliza seus textos. Seu site pessoal é http://www.clevanepessoa.net.blog.php
         Luta pelos Direitos Autorais, pela propriedade imaterial, pelas minorias carentes, pela ecologia, e, sobretudo, pela PAZ em todos os níveis.
         É Dama da Sereníssima Ordem da Lyra de Bronze, delegada de “A palavra do Século XXI, membro da SPVA(Sociedade dos Poetas Vivos e Afins, do RN), acadêmica correspondente de várias academias e outras instituições.
         Premiada no Brasil e no Exterior em versos e prosa.
         Em 2010 tomou posse como Acadêmica Correspondente na ALTO-Teófilo Otoni-MG.
         Em 2011, tomou posse nas Academias Menotti del Picchia (membro correspondente), no PEN Clube de Itapira, na academia Pré Andina de Artes, Cultura y Heráldica .
         Em novembro, tomou posse na AILA, Academia Itapirense de Letras e Artes, na qualidade de Membro Correspondente Titular, cadeira 05, patronímica de Luiza da Silva Rocha Rafael
         Em 2010/abril recebeu placa da UCCLA/Capitania das artes, em Natal, RN, no I Encontro de escritores de Língua Portuguesa, sendo a única mulher dos quatro autores homenageados.
         Em novembro de 2010, recebeu a Medalha Tiradentes/FALASP/JF.
         Faz parte dos Poetas pela Paz e Pela Poesia e é Consultora de Arte da AMI (Associação Mineira de Imprensa).
         Cônsul Poeta Del Mundo,
         Embaixadora Universal da Paz (Cercle Univ. de Les Ambassadeurs de la Paix-Genebra, Suiça) ;
         Poeta Honoris Causa pelo CBLP, para oito países Lusófonos , Patronesse da AVSPE ;
         Diretora regional do inBrasCi (Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais) em Belo Horizonte, integra a rede Catitu” na “Núcleo de Representante do Movimento Cultural aBrace (Uruguai Brasil), na capital mineira
         Delegada da ALPAS XXI por MG e Bahia.
         Presidiu, a convite do fundador da UBT , Luiz Otávio, a seção de Juiz de fora, MG, nos Anos 60, onde também foi empossada no NUME, Núcleo Mineiro de Escritores, após receber seu primeiro prêmio Literário (primeiro lugar de crônica, Troféu Domervilly Nóbrega)
         Pertence à Academia de Trovas do RN desde 1968 e a outras Academias Literárias , na qualidade de Membro Correspondente.
         Escreve também aldravias e haicais (com o pseudônimo “Hana Haruko”)

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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