Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 31 de janeiro de 2015

José Feldman (Chuva de Versos n. 353)

Arlene é de Maringá/PR

Uma Trova de Maringá/PR
Alberto Paco

O barro de que fui feito,
em tempo que longe vai,
foi modelado com jeito
por bom oleiro: meu pai!

Uma Trova de São Paulo/SP
Alba Christina Campos Neto

Se falta a Universidade,
e falta uma vida rica,
contabilizando a idade
sempre alguma coisa fica

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Meireles 
1901 – 1964

DOS CRAVOS ROXOS

Esta noite, quando, lá fora,
campanários tontos bateram
doze vezes o apelo da hora,
na minha jarra, onde a água chora,
meus dois cravos roxos morreram...
Meus dois cravos roxos morreram!
Meus dois cravos roxos defuntos,
são como beijos que sofreram,
como beijos que enlouqueceram
porque nunca vibraram juntos...
São como a sombra dolorida
de olhos tristes, que se perderam
nas extremidades da vida...
Oh! miséria da despedida...
Meus dois cravos roxos morreram...
Meus dois cravos roxos morreram!
Meus dois cravos roxos, fanados,
crepuscularam, faleceram,
como sonhos que se esqueceram,
alta noite, de olhos fechados...

Eu pensava numa criatura,
quando os campanários bateram...
Tudo agora se me afigura
irremediável desventura...
Irremediável desventura!
Meus dois cravos roxos morreram...

Uma Trova Humorística de Sete Lagoas/MG
Alfredo Alisson Valadares

Cai a velha na lagoa
sendo a custo resgatada,
mas seu genro não perdoa:
Tanto barulho por nada?!!!

Uma Trova de Magé/RJ
Adolfo Macedo

Condeno toda arbitragem
que muda as regras da história...
- Vencer no grito é vantagem,
mas sem gosto de vitória.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Meireles 
1901 – 1964

CANÇÃO PÓSTUMA

Fiz uma canção para dar-te;
porém tu já estavas morrendo.
A Morte é um poderoso vento.
E é um suspiro tão tímido a Arte...

É um suspiro tímido e breve
como o da respiração diária.
Choro da pomba. E a Morte é uma águia
cujo grito ninguém descreve.

Vim cantar-te a canção do mundo,
mas estás de ouvidos fechados
para os meus lábios inexatos
- atento a um canto mais profundo.

E estou como alguém que chegasse
ao centro do mar, comparando
aquele universo de pranto
com a lágrima da sua face.

E agora fecho grandes portas
sobre a canção que chegou tarde.
E sofro sem saber de que arte
se ocupam as pessoas mortas.

Por isso é tão desesperada
a pequena, humana cantiga.
Talvez dure mais que a vida.
Mas à Morte não diz mais nada.

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Lá vai uma ave voando
com as penas que Deus lhe deu,
contando pena por pena,
mais penas padeço eu.

Uma Trova Hispânica da Venezuela
Ángela Desirée Palacios

El buen cambio  se produce
cuando al otro perdonamos,
y a liberar nos conduce
el rencor que almacenamos

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Meireles 
1901 – 1964

MONÓLOGO

Para onde vão minhas palavras,
se já não me escutas?
Para onde iriam, quando me escutavas?
E quando me escutaste? - Nunca.

Perdido, perdido. Ai, tudo foi perdido!
Eu e tu perdemos tudo.
Suplicávamos o infinito.
Só nos deram o mundo.

De um lado das águas, de um lado da morte,
tua sede brilhou nas águas escuras.
E hoje, que barca te socorre?
Que deus te abraça? Com que deus lutas?

Eu, nas sombras. Eu, pelas sombras,
com as minhas perguntas.
Para quê? Para quê? Rodas tontas,
em campos de areias longas
e de nuvens muitas.

Trovadores que deixaram Saudades
Ademar Macedo
Santana do Matos/RN (1951 – 2013) Natal/RN

Deus a nada nos obriga,
são livres os passos meus;
porque Deus jamais castiga,
se castigasse... Meu Deus!!!

Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Abílio de Alvarenga Lessa Filho

Tu não falaste. O piano
é que me conta os segredos
que te traem, por engano,
pelas pontas de teus dedos…

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Meireles 
1901 – 1964

MAR EM REDOR

Meus ouvidos estão como as conchas sonoras:
música perdida no meu pensamento,
na espuma da vida, na areia das horas...

Esqueceste a sombra no vento.
Por isso, ficaste e partiste,
e há finos deltas de felicidade
abrindo os braços num oceano triste.

Soltei meus anéis nos aléns da saudade.
Entre algas e peixes vou flutuando a noite inteira.
Almas de todos os afogados
chamam para diversos lados
esta singular companheira.

Uma Trova de São Paulo/SP
Adelino Moreira Marques

Do livro da minha vida
arranquei, com mão irada,
tua página, fingida...
...e a guardo toda amassada!

Um Haicai de Ilhéus/BA
Abel Silva Pereira

Vagalumes luzem
em meio a incompreensões,
e são compreendidos.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Meireles 
1901 – 1964

HERANÇA 

Eu vim de infinitos caminhos,
e os meus sonhos choveram lúcido pranto
pelo chão.

Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos,
essa vida, que era tão viva, tão fecunda,
porque vinha de um coração?

E os que vierem depois, pelos caminhos infinitos,
do pranto que caiu dos meus olhos passados,
que experiência, ou consolo, ou prêmio alcançarão?

Uma Trova de Recife/PE
Aderbal Melo

Não há tristeza mais triste
que ser triste na alegria...
Muita gente não resiste
a tanta melancolia.

Uma Aldravia de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

a
turba
ruge
o
tiro
ecoa

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Meireles 
1901 – 1964

INTERLÚDIO

As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.

Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente - claro muro
sem coisas escritas.

Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.

Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.

Fico ao teu lado.

Uma Trova da Cidade de Goiás/GO
Antonio Geraldo Ramos Jubé

Adeus, ilusões queridas,
lume bom dos sonhos meus...
Em vós vivi tantas vidas!
- Ilusões, adeus, adeus!...

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Meireles 
1901 – 1964

O MENINO AZUL

O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
- de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)

Um Haicai de Curitiba/PR
Alice Ruiz

Rede ao vento
Se torce de saudade
Sem você dentro.

Uma Trova de Santana do Livramento/RS
Alma Doris
(Eloah Oliveira Puggina)

Sete sílabas apenas,
duas rimas... quatro versos...
E, nessas trovas pequenas,
quantos destinos dispersos!

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Meireles 
1901 – 1964

NOTURNO

Quem tem coragem de perguntar, na noite imensa?
E que valem as árvores, as casas, a chuva, o pequeno transeunte?

Que vale o pensamento humano,
esforçado e vencido,
na turbulência das horas?

Que valem a conversa apenas murmurada,
a erma ternura, os delicados adeuses?

Que valem as pálpebras da tímida esperança,
orvalhadas de trêmulo sal?

O sangue e a lágrima são pequenos cristais sutis,
no profundo diagrama.

E o homem tão inutilmente pensante e pensado
só tem a tristeza para distingui-lo.

Porque havia nas úmidas paragens
animais adormecidos, com o mesmo mistério humano:
grandes como pórticos, suaves como veludo,
mas sem lembranças históricas,
sem compromissos de viver.

Grandes animais sem passado, sem antecedentes,
puros e límpidos,
apenas com o peso do trabalho em seus poderosos flancos
e noções de água e de primavera nas tranquilas narinas
e na seda longa das crinas desfraldadas.

Mas a noite desmanchava-se no oriente,
cheia de flores amarelas e vermelhas.
E os cavalos erguiam, entre mil sonhos vacilantes,
erguiam no ar a vigorosa cabeça,
e começavam a puxar as imensas rodas do dia.

Ah! o despertar dos animais no vasto campo!
Este sair do sono, este continuar da vida!
O caminho que vai das pastagens etéreas da noite
ao claro dia da humana vassalagem!

Recordando Velhas Canções
Garota de Ipanema
(samba bossa, 1963)

Vinícius de Moraes e Tom Jobim

Olha que coisa mais linda,
mais cheia de graça
É ela a menina
que vem e que passa
Num doce balanço,
caminho do mar

Moça do corpo dourado,
do sol de Ipanema
O seu balançado
é mais que um poema
É a coisa mais linda
que eu já vi passar

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
que quando ela passa
O mundo sorrindo
se enche de graça
E fica mais lindo
por causa do amor
Por causa do amor

Uma Trova de Cambuci/RJ
Almir Pinto de Azevedo

Entre as escolhas que fiz,
eu sofri e sei por que:
uma só me fez feliz,
foi essa de amar você!

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Meireles 
1901 – 1964

MULHER AO ESPELHO

Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

Uma Haicai de São Paulo/SP
Alonso Alvarez

lua mínima
a tarde minguante
abre um sorriso

Uma Trova de Maroim/SE
Alfredo Moraes

Ao pensarmos em saudade,
ficamos em confusão:
- O passado nos invade,
ou ele sofre invasão?!...

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Meireles 
1901 – 1964

POEMA DO AMOR PERFEITO

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.

Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.

Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre pálpebras de areia...

Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.

Uma Trova de Santa Cruz/ES
Alydio Carvalho e Silva

 Se passas muito apressada,
fugindo à minha atenção,
eu sinto a tua pisada
esmagar meu coração.
 

Hinos de Cidades Brasileiras
Santo André/SP

Santo André, livre terra querida,
Forja ardente de amor e trabalho,
Em teu solo semeias a vida,
Em teus lares há pão e agasalho.

Salve, salve, torrão Andreense
Gigantesco viveiro industrial!
Teu formoso destino pertence
Aos que lutam por um ideal!

Três figuras de heróis bandeirantes
Isabel, 0 Cacique e 0 Reinol
Constituíram Os troncos gigantes
Das famílias paulistas de escol.

Salve, salve, torrão Andreense
Gigantesco viveiro industrial!
Teu formoso destino pertence
Aos que lutam por um ideal!

Se tu foste, no início, um castigo
Hoje és benção dos céus sobre nos.
Santo André , o teu nome bendigo,
Berço e tumba de nossos avós.

Salve, salve, torrão Andreense
Gigantesco viveiro industrial!
Teu formoso destino pertence
Aos que lutam por um ideal!

Eia, pois, a caminho da glória,
Santo André do herói quinhentista!
Tu serás para sempre na história
Marco zero da história Paulista!

Salve, salve, torrão Andreense
Gigantesco viveiro industrial!
Teu formoso destino pertence
Aos que lutam por um ideal!

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Meireles 
1901 – 1964

SONHOS DA MENINA

A flor com que a menina sonha
está no sonho?
ou na fronha?

Sonho
risonho:

O vento sozinho
no seu carrinho.

De que tamanho
seria o rebanho?

A vizinha
apanha
a sombrinha de teia de aranha...

Na lua há um ninho
de passarinho.

A lua com que a menina sonha
é o linho do sonho
ou a lua da fronha?

Uma Trova de Santos/SP
Antonio Colavite Filho

Eu  guardo  com  tanto  enlevo
este  enredo  que  é  só  nosso...
- Posso contá-lo?  Não devo!
- Devo contá-lo?  Não posso...

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Meireles 
1901 – 1964

PUS O MEU SONHO NUM NAVIO

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Sobre a Canção “Garota de Ipanema”
         Naquele 1962 em que a canção foi feita, a bela Heloísa Eneida Pais Pinto, mas todos a chamam de Helô (Helô Pinheiro, depois de casada), tinha quinze anos e passava todos os dias pelo bar Veloso, situado na mesma rua Montenegro onde ela morava. Foi a inspiradora de “Garota de Ipanema”, segredo só revelado pelos autores em 1965.
         Mas, se a visão da musa aconteceu no Veloso, a criação do samba teve lugar noutros ambientes e em etapas distintas. Inicialmente, em Petrópolis, Vinícius aprontou-lhe a letra, até com certa dificuldade, tendo composto duas versões, para aproveitar a segunda (a primeira chamava-se “A Menina que Passa”). Em seguida, foi a vez de Tom musicar o poema, tarefa também trabalhosa, que ele realizou em sua então nova moradia na rua Barão da Torre. Ao final, o compositor deu a “Garota de Ipanema” uma de suas mais originais melodias, igualmente alegre e triste, bem de acordo com a letra que exalta a beleza radiante da moça que passa, ao mesmo tempo em que lamenta a solidão do poeta, condenado a admirá-la à distância.
         Destinada a uma comédia chamada “Blimp”, jamais concluída por Vinícius, “Garota de Ipanema” acabou sendo lançada no show “Encontro”, que estreou em 2 de agosto de 62 e permaneceu 45 dias em cartaz na boate Au Bon Gourmet, em Copacabana. Este espetáculo reuniu pela única vez num palco os três grandes da bossa nova — Antônio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto — mais o conjunto Os Cariocas,
(Fonte: Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. A Canção no Tempo. Vol. 2. Editora 34).



Acorda, logo, Alencar,
não faças tanto ruído!
Esqueceste de tomar,
pra dormir, teu comprimido!...

Ante insucessos de partos,
da mãe preta há gestos nobres
em ceder seus seios fartos
a órfãos que não são pobres!

- Ao andar, sinto cansaço.
Que me aconselha, doutor?
- Nenhum remédio lhe passo,
só tome um táxi, senhor!

Ao fone da Previdência
responde o "boy', que é modesto:
- Não mais trabalha, Excelência,
aqui, ninguém por Honesto!...

A tragédia em profusão,
vai matando em tom profundo:
- É Deus chamando a atenção
dos pecadores do mundo!

Cada vez que és malcriada,
fica branco o meu cocó!
- Mãe, como foste danada:
repara as cãs da vovó!...

Carro-de-bois, és toada
cadenciada e sem fim;
enquanto gemes na estrada,
mais geme a saudade em mim!

Cem anos de lucidez
fez vovô, e sem canseira,
pois o velho, todo mês,
corre atrás da cozinheira!...

Com uma frase, somente,
eu tento a fé descrever:
a fé, resumidamente,
é acreditar sem se ver!

Contra a constante injustiça,
que a maldade, às claras, solta,
lanço aos donos da cobiça
o meu clamor de revolta.

Depois de preso à corrente
dos seus braços, que ironia!
Ela me deu, finalmente,
um alvará de alforria!

Depois de tanto fracasso
que nesta vida sofri,
me transformei em palhaço,
um palhaço que não ri!

De que vale ter diamantes,
jóia aos montões, ser incréu,
se, em libertinos instantes,
chegar a perder o Céu?

Diante da mãe barriguda,
o garoto olha assustado:
- É barriga d'água, Arruda.
- E o nenê morre afogado?...

Diz-nos, Deus, basta de guerra,
quando, alegrando aos mortais,
descerá, por sobre a terra,
a pomba branca da paz?

Em cada dia primeiro,
pese o seu filho, senhor.
Logo retruca o açougueiro:
- Com ou sem ossos, doutor?

Essas constantes matanças,
o roubo e a imoralidade
navegam nas águas mansas
e negras da impunidade!

Eu vejo um mundo safado,
sem fé, sem paz, em meu pranto,
só rejeitando, aloucado,
o que é de Deus, o que é santo!

Feito o mundo, Deus projeta
de logo um duplo desejo:
deu a saudade ao Poeta
e a tristeza ao sertanejo!

Felicidade - eu diria,
através da sutileza,
é uma fração de alegria
entre inteiros de tristeza!

Inda veremos nas liças,
outros horrores insanos,
por causa das injustiças
e dos delitos humanos!

Meu amor é tão perfeito,
que sempre ao ver-te, menina,
escuto, dentro do peito,
um carrilhão em surdina!...

Meu troféu é mais que prata,
mais que o mais fino brilhante;
ele, deveras, retrata
minha trova - o meu diamante!

- Meu viver é turbulento,
queixando-se, diz Seu Paiva:
- Neste ano não tive aumento,
é "roxo" o meu, mas... de raiva!

Minhas rugas, meus cansaços
e esses cabelos tão brancos
vão responder por meus passos,
entre trancos e barrancos!

Nada cobiço, querida,
sou venturoso, porque,
se tenho sorte na vida,
a minha sorte é você!...

Neste vale de pecado,
o pendor para o perdão
só pode ser conquistado
sob o poder da oração!

Nossos momentos, quem vê,
os vê felizes, querida:
eu descobri com você
o doce encanto da vida!

O mundo gira, lascivo,
com todos os vícios seus,
violento, injusto, opressivo,
porque distante de Deus!

- O que é bígamo, papai?
Me venha então explicar.
- Um imprudente que vai
por duas vezes errar.

O saber, o mais profundo,
a fama e a riqueza até,
não os troco neste mundo
pelo dom da minha fé!

Para que reine a harmonia
neste mundo de profanos,
urge que vença a alforria
e os tais direitos humanos.

Por ser um cara safado,
conquistador de má fama,
veio a morrer o tarado
de um espirro sob a cama!

- Que burrada! Que burrada!
- Já sei! Não vá repetindo!
- Não sou eu, meu camarada,
é o eco que está saindo!...

- Tal qual meu pai, ao crescer,
bom dinheiro vou ganhar!
- Tal qual mamãe, podes crer,
vou, tão somente, gastar!

Tua beleza era tanta,
tua oração tão ardente,
que em vez de fitar a santa,
eu te fitava somente!

Uma casinha singela
e um chameguinho, o melhor,
de um casal a viver nela...
- Para que sorte maior?

Um leito fofo e adornado
de cetim, brocado e flor,
de carícias abrasado,
foi palco do nosso amor!...
Olympio S. Coutinho (Histórias da Trova) Capítulo II – Meus Irmãos, os Trovadores 

         Enquanto vivia os doces anos da adolescência em Ubá, sempre fazendo trovas, acompanhava de longe o movimento trovadoresco.                           
As iniciativas de Luiz Otávio
Tirem-me tudo que tenho,
neguem-me todo o valor!
– Numa glória só me empenho:
a de humilde trovador...

         e J. G. de Araújo Jorge
Neste dia belo e doce
de festa, - sentimental
- quem dera que você fosse
meu presente de Natal!

promovendo os primeiros “Jogos Florais” e, ainda, a edição de trovas de outros autores, como o “Cantigas de Muita Gente”.                                   
 Zalkind Piatgorsky, que mantinha um programa de trovas na TV Continental,
Vou sorrindo com cuidado,
sondando bem a pessoa,
pois ser feliz é um pecado
que pouca gente perdoa!

em parceria com Aparício Fernandes
Parti do Norte chorando,
que coisa triste, meu Deus,
eu vi o mar soluçando
e o coqueiral dando adeus.

 lançava a coleção “Trovas e Trovadores” e o primeiro, em parceria com Magdalena Léa, a coleção “Trovas do Brasil”.
Quando volto ao meu rincão
piso a terra comovida;
- Cada pedaço de chão
conta um pedaço de vida.

         Nesta época, jornais como ”O Globo” e “O Jornal” (dos Diários Associados) davam certo destaque às trovas.
         No “O Globo”, Antônio Olinto, conterrâneo de Ubá, mantinha coluna chamada “Porta de Livraria”, onde, além de outras notícias literárias, prestigiava diversos Jogos Florais, principalmente os de Nova Friburgo, publicando as trovas classificadas; além dele, Helena Ferraz publicava a coluna “Na Boca do Lobo”, onde sempre saia uma trova na seção “Quadra no Quadro” e Elza Marzulo editava o “Jornal Feminino”, suplemento de “O Jornal”, no Rio de Janeiro, onde a trova aparecia sempre com destaque.

continua…
Chuvisco Biográfico da Poetisa
         Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, em 7 de novembro de 1901, filha dos açorianos Carlos Alberto de Carvalho Meireles, um funcionário de banco, e Matilde Benevides Meireles, uma professora.
         Foi a única sobrevivente dos quatro filhos do casal. O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos. Filha órfã criada por sua avó açoriana, D. Jacinta Garcia Benevides, natural da ilha de São Miguel.
         Aos nove anos, ela começou a escrever poesia.
         (...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."

         Frequentou a Escola Normal no Rio de Janeiro, entre os anos de 1913 e 1916 estudou línguas, literatura, música, folclore e teoria educacional. Diplomando-se no Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, em 1917, passa a exercer o magistério primário em escolas oficiais do antigo Distrito Federal.
         Em 1919, aos dezoito anos de idade, Cecília Meireles publicou seu primeiro livro de poesias, Espectros, um conjunto de sonetos simbolistas. Embora vivesse sob a influência do Modernismo, apresentava ainda, em sua obra, heranças do Simbolismo e técnicas do Classicismo, Gongorismo, Romantismo, Parnasianismo, Realismo e Surrealismo, razão pela qual a sua poesia é considerada atemporal.
         No ano de 1922 casou com o artista plástico português Fernando Correia Dias, com quem teve três filhas. Seu marido, que sofria de depressão aguda, suicidou-se em 1935. Voltou a se casar, no ano de 1940, quando se uniu ao professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo, falecido em 1972. Dentre as três filhas que teve, a mais conhecida é Maria Fernanda que se tornou atriz.
         Teve ainda importante atuação como jornalista, com publicações diárias sobre problemas na educação, área à qual se manteve ligada, tendo fundado, em 1934, a primeira biblioteca infantil do Brasil.
         Observa-se ainda seu amplo reconhecimento na poesia infantil com textos como Leilão de Jardim, O Cavalinho Branco, Colar de Carolina, O mosquito escreve, Sonhos da menina, O menino azul e A pombinha da mata, entre outros. Com eles traz para a poesia infantil a musicalidade característica de sua poesia, explorando versos regulares, a combinação de diferentes metros, o verso livre, a aliteração, a assonância e a rima. Os poemas infantis não ficam restritos à leitura infantil, permitindo diferentes níveis de leitura.
         Em 1923, publicou Nunca Mais… e Poema dos Poemas, e, em 1925, Baladas Para El-Rei.
         Entre 1925 e 1939, dedicou-se a sua carreira docente publicando vários livros infantis e fundando.
         De 1930 a 1931, mantém no Diário de Notícias uma página diária sobre problemas de educação.
         Em 1934, organiza a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, ao dirigir o Centro Infantil, que funcionou durante quatro anos no antigo Pavilhão Mourisco, no bairro de Botafogo.
         Profere, em Lisboa e Coimbra - Portugal, conferências sobre Literatura Brasileira.
         De 1935 a 1938, leciona Literatura Luso-Brasileira e de Técnica e Crítica Literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ).
         Publica, em Lisboa - Portugal, o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria.
         Colabora ainda ativamente, de 1936 a 1938, no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico.
         Cecília reaparece no cenário poético, com “Viagem” (1939), considerado um marco de maturidade e individualidade na sua obra: recebeu o prêmio de poesia daquele ano da Academia Brasileira de Letras. Daí em diante, dedicou-se à carreira literária, publicando regularmente até a sua morte.
         Católica, escreveu textos em homenagem a santos, como Pequeno Oratório de Santa Clara, de 1955; O Romance de Santa Cecília e outros.
         Em 1951 viajou pela Europa, Índia e Goa, e visitou pela primeira e única vez os Açores, onde na ilha de São Miguel contatou o poeta Armando César Côrtes-Rodrigues, amigo e correspondente desde a década de 19403 .
         Cecília Benevides de Carvalho Meireles foi uma das mais habilidosas, apresentando cuidadosa seleção vocabular, numa linguagem que explora simbolismos complexos frequentemente simples na forma.
         Uma poesia que contém imagens sugestivas, sobretudo as de forte apelo sensorial, reflexiva, de fundo filosófico.
         Abordou, entre outros, temas como a transitoriedade da vida, a efemeridade do tempo, o amor, o infinito, a natureza, a criação artística. Além disso, a frequência com que os elementos como o vento, a água, o mar, o ar, o tempo, o espaço, a solidão e a música aparecem em sua poesia dá-lhe um caráter fluido e etéreo, que confirmam a inclinação neo-simbolista da sua poesia, confirmando sua importante posição na literatura brasileira do século XX.
         Publica, em 1939/1940, em Lisboa - Portugal, em capítulos, "Olhinhos de Gato" na revista "Ocidente".
         Em 1940, leciona Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas (USA).
         Em 1942, torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro (RJ).
         Aposenta-se em 1951 como diretora de escola, porém continua a trabalhar, como produtora e redatora de programas culturais, na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro (RJ).
         Em 1952, torna-se Oficial da Ordem de Mérito do Chile, honraria concedida pelo país vizinho.
         Realiza numerosas viagens aos Estados Unidos, à Europa, à Ásia e à África, fazendo conferências, em diferentes países, sobre Literatura, Educação e Folclore, em cujos estudos se especializou.
         Torna-se sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, em Goa, Índia, em 1953.
         Em Délhi, Índia, no ano de 1953, é agraciada com  o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Délhi.
         Recebe o Prêmio de Tradução/Teatro, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1962.
         No ano seguinte, ganha o Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro "Poemas de Israel", concedido pela Câmara Brasileira do Livro.
         Falece no Rio de Janeiro a 9 de novembro de 1964, sendo-lhe prestadas grandes homenagens públicas. Seu corpo é velado no Ministério da Educação e Cultura. Recebe, ainda em 1964, o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro "Solombra", concedido pela Câmara Brasileira do Livro.
         Ainda em 1964, é inaugurada a Biblioteca Cecília Meireles em Valparaiso, Chile.
         Em 1965,  é agraciada com o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra, concedido pela Academia Brasileira de Letras. O Governo do então Estado da Guanabara denomina Sala Cecília Meireles o grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro.
         Uma cédula de cem cruzados novos, com a efígie de Cecília Meireles, é lançada pelo Banco Central do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ), em 1989.
         O governo federal, por decreto, instituiu o ano de 2001 como "O Ano da Literatura Brasileira", em comemoração ao sesquicentenário de nascimento do escritor Silvio Romero e ao centenário de nascimento de Cecília Meireles, Murilo Mendes e José Lins do Rego.
         Há uma rua com o seu nome em São Domingos de Benfica, uma freguesia da cidade de Lisboa. Na cidade de Ponta Delgada, capital do arquipélago dos Açores, há uma avenida com o nome da escritora.
         Traduziu peças teatrais de Federico Garcia Lorca, Rabindranath Tagore, Rainer Rilke e Virginia Wolf.

Alguns livros:
Poesias 

“Vaga Música” (1942)
“Mar Absoluto e Outros Poemas” (1945)
“Retrato Natural” (1949)
“Romanceiro da Inconfidência” (1953)
“Metal Rosicler” (1960)
“Poemas Escritos na Índia” (1962)
“Solombra” (1963)
“Ou Isto ou Aquilo” (temática infantil, 1964).

         Escreveu também em prosa, dedicando-se a assuntos pedagógicos e folclóricos. Produziu também prosa lírica, com temas versando sobre sua infância, suas viagens e crônicas circunstanciais. Algumas de suas obras em prosa: "Giroflê, Giroflá" (1956), "Escolha seu Sonho" (1964) e "Inéditos" (crônicas, 1968).

Teatro:
1947 - O jardim
1947 - Ás de ouros
"O vestido de plumas"; "As sombras do Rio"; "Espelho da ilusão"; "A dama de Iguchi" (texto inspirado no teatro Nô, arte tipicamente japonesa), e "O jogo das sombras" constam como sendo de Cecília, mas não são conhecidas.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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