Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 1 de fevereiro de 2015

José Feldman (Chuva de Versos n. 354)


Uma Trova de Curitiba/PR
Paulo Walbach Prestes

Hoje, que dia mais lindo
lembrando as águas do mar,
do inverno que já está vindo,
para o poeta sonhar!...
   
Uma Trova de Cuiabá/MS
Paula Faria

Quando veremos cessados
da guerra os cruéis horrores
e a mudança de soldados
em úteis trabalhadores?

Um Poema de Campinas/SP
Guilherme de Almeida
1890-1969, São Paulo/SP+

SONETO ÚNICO

Vejo a sombra partir-se pelo meio
e pôr-me duas pálpebras na face;
minha boca de sede bebe o seio
de alguma estrela que me amamentasse;

tem um peso de terra o corpo alheio
que há no meu corpo; em meus ouvidos nasce
uma árvore cantando um vento cheio
de céu em cada enlace e desenlace;

em minhas mãos paradas pousam ninhos;
vão os passos de todos os assombros
andando as minhas veias de caminhos;

e há, para o vôo aceso numa aurora,
pressentimentos de asas nos meus ombros
— quando a Moça da Foice me namora.

Uma Trova Humorística de João Pessoa/PB
Paulo Nunes Batista

O Zezinho da comadre
casou bem - casou nos três:
- casou no juiz, no padre,
e, antes, casou no xadrez.

Uma Trova de Caicó/RN
Prof. Garcia
(Francisco Garcia de Araújo)

Morre a tarde!... E ao fim do dia,
na imagem do sol poente,
há tintas de nostalgia
do fim da tarde da gente!

Um Poema de Campinas/SP
Guilherme de Almeida
1890-1969, São Paulo/SP+

NÓS, I

O pequenino livro, em que me atrevo
a mudar numa trêmula cantiga
todo o nosso romance, ó minha amiga,
será, mais tarde, nosso eterno enlevo.

Tudo o que fui, tudo o que foste eu devo
dizer-te: e tu consentirás que o diga,
que te relembre a nossa vida antiga,
nos dolorosos versos que te escrevo.

Quando, velhos e tristes, na memória
rebuscarmos a triste e velha história
dos nossos pobres corações defuntos,

que estes versos, nas horas de saudade,
prolonguem numa doce eternidade
os poucos meses que vivemos juntos.

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Meu amor, vai pelo mundo:
ir pelo mundo é um bem;
o mundo também é regra
para aqueles que a não têm.

Uma Trova Hispânica do Peru
Paúl Torres Arroyo

Dos luceros son tus ojos
nácar y armiño tu piel,
tu sonrisa en labios rojos
es el cuadro y el pincel.

Um Poema de Campinas/SP
Guilherme de Almeida
1890-1969, São Paulo/SP+

NÓS, IX

Nessa tua janela, solitário,
entre as grades douradas da gaiola,
teu amigo de exílio, teu canário
canta, e eu sei que esse canto te consola.

E, lá na rua, o povo tumultuário,
ouvindo o canto que daqui se evola,
crê que é o nosso romance extraordinário
que naquela canção se desenrola.

Mas, cedo ou tarde, encontrarás, um dia,
calado e frio, na gaiola fria,
o teu canário que cantava tanto.

E eu chorarei. Teu pobre confidente
ensinou-me a chorar tão docemente,
que todo o mundo pensará que eu canto.

Trovadores que deixaram Saudades
Paulo Emílio de Almeida e Silva
Cantagalo/RJ (1936 – 2013) São Fidélis/RJ

Eu não troco a minha vida
pela vida de ninguém,
que nenhuma é mais florida
que a minha, junto ao meu bem.

Um Poema de Campinas/SP
Guilherme de Almeida
1890-1969, São Paulo/SP+

NÓS, XV

Falam muito de nós. Quanta maldade,
quanta maledicência, quanta intriga!
"É um pobre sonho de felicidade..."
"É um romance de amor à moda antiga!"

"Isso não passa de uma história, que há de
acabar como todas..." E há quem diga:
"Já são muito mal vistos na cidade
aquele moço e aquela rapariga!"

Diz-se... E eu sinto, num trêmulo alvoroço,
que vou ficando cada vez mais moço,
que vais ficando cada vez mais bela...

Nosso mundo (fale o outro: pouco importa!)
fica todo entre o quadro de uma porta
e o retângulo azul de uma janela.

Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Peri Ogibe Rocha

Muita gente se parece
com o vaga-lume, também:
– Seu brilho só aparece
onde não brilha ninguém.

Um Haicai de Belo Horizonte/MG
Angela Togeiro Ferreira

Lágrima imatura!
Quando ouvi o seu triste adeus,
Traiu meu orgulho.

Um Poema de Campinas/SP
Guilherme de Almeida
1890-1969, São Paulo/SP+

NÓS, XXII

Tu senhora, eu senhor, ambos senhores
de um pequenino mundo. No caminho,
nunca vi flores em que houvesse espinho,
nunca vi pedras que não fossem flores.

Naquele quarto andar, longe das dores
e tão perto dos céus, com que carinho,
com quanto zelo edificaste o ninho
do mais feliz de todos os amores!

Tudo passou. Um dia, triste e mudo,
deixaste-me sozinho. Hoje tens tudo:
és rica, és invejada, és conhecida...

E eu tenho apenas, desgraçado e louco,
daquele amor que te custou tão pouco
esta saudade que me custa a vida!

Uma Trova de Campos/RJ
Phocion Serpa

A dor é castigo... é queda?!
Mentira! É, antes, subida
da alma que colhe a moeda
mais pura e bela da vida!

Um Poema de Campinas/SP
Guilherme de Almeida
1890-1969, São Paulo/SP+

"SPLEEN"

E a vida continua... E continua
o mesmo outono e o mesmo tédio... Os galhos
vão ficando tão nus, a alma tão nua,
e os meus cabelos pretos tão grisalhos!

Vem aí Dom Inverno... Vem com sua
neurastenia... Uns últimos retalhos
de folhas mortas passam pela rua:
e passa o bando dos meus sonhos falhos...

Triste inutilidade desta vida!
Uma árvore ainda espera, aborrecida,
uma impossível primavera... E ao ver

sua silhueta rendilhando o poente,
penso em alguém que espero inutilmente,
numa inútil vontade de viver!

Uma Trova deJuiz de Fora/MG
Pedro Ângelo Teixeira Pinto

Cantou de galo o chinês,
num trambique na cozinha:
- de um simples frango ele fez
cem coxinhas de galinha!...

Um Poema de Campinas/SP
Guilherme de Almeida
1890-1969, São Paulo/SP+

DOR OCULTA

Quando uma nuvem nômade destila
gotas, roçando a crista azul da serra,
umas brincam na relva; outras, tranqüila,
serenamente entranham-se na terra.

E a gente fala da gotinha que erra
de folha em folha e, trêmula, cintila,
mas nem se lembra da que o solo encerra,
da que ficou no coração da argila!

Quanta gente, que zomba do desgosto
mudo, da angústia que não molha o rosto
e que não tomba, em gotas, pelo chão,

havia de chorar, se adivinhasse
que há lágrimas que correm pela face
e outras que rolam pelo coração!

Um Haicai de Manaus/AM
Anibal Beça
(1946-2009)

No alto a lua fria;
no prato a sobra da janta:
biju desprezado.

Uma Trova de Sobral/CE
Paulo Ximenes Aragão

Quem se dedica aos malfeitos
dos outros a censurar,
é que seus próprios defeitos
quer, dessa forma, ocultar.

Um Poema de Campinas/SP
Guilherme de Almeida
1890-1969, São Paulo/SP+

FELICIDADE

Ela veio bater à minha porta
e falou-me, a sorrir, subindo a escada:
"Bom dia, árvore velha e desfolhada!"
E eu respondi: "Bom dia, folha morta!"

Entrou: e nunca mais me disse nada...
Até que um dia (quando, pouco importa!)
houve canções na ramaria torta
e houve bandos de noivos pela estrada...

Então, chamou-me e disse: "Vou-me embora!
Sou a Felicidade! Vive agora
da lembrança do muito que te fiz!"

E foi assim que, em plena primavera,
só quando ela partiu, contou quem era...
E nunca mais eu me senti feliz!

Recordando Velhas Canções
Ave Maria dos namorados
(samba-canção, 1963)

Evaldo Gouveia e Jair Amorim

Ave-Maria,
rogai por nós os namorados
Iluminai,
com vossa luz, nossos amores
Se somos nós,
hoje ou depois, mais pecadores
Por nós rogai,
e o nosso amor, perdoai

Bendita sois,
por todo o bem que me fizestes
E abençoai o amor que destes para mim
Mas não deixeis que entre nós dois  
exista mais ninguém
Que seja assim,
Até o fim,  
Amém.

Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Palmyra Maria Goulart Duarte

Firmeza nas atitudes
é a base da honestidade.
Cultivar boas virtudes
traz sempre felicidade.

Um Poema de Campinas/SP
Guilherme de Almeida
1890-1969, São Paulo/SP+

SILÊNCIO

Silêncio — voz do amor, voz da alma, voz das cousas,
suave senhor dos céus, dos claustros e das grutas;
quebra-te o encanto o vôo, em trêmulas volutas,
do bando singular das lentas mariposas!

Silêncio — alma da dor de pálpebras enxutas;
reino branco da paz, dos círios e das lousas;
quando me calo, és tu, só tu, Silêncio, que ousas
falar-me, e quando falo, és só tu que me escutas!

Irmão gêmeo da morte, ó mística linguagem
com que se fala a Deus! Meu coração selvagem
segreda-te a impressão que à flor da alma resvala:

e tu lhe fazes, mudo, a confidência triste
que te faz a mudez de tudo quanto existe,
porque és, Silêncio, a voz de tudo o que não fala!

Uma Trova de Nova Friburgo/RJ
Paulo Belório Faier

Capaz de qualquer façanha
contra um mal que não tem fim,
a fé remove a montanha
que existe dentro de mim...

Um Poema de Campinas/SP
Guilherme de Almeida
1890-1969, São Paulo/SP+

TRISTEZA

Tristes versos que a pena entristecida
Foi, por o gosto de penar, traçando,
Sem saber que me estava retalhando,
A alma, o peito, a razão, o sonho, a vida:

Em quais terras da terra será lida
A confidência que ides confiando?
E, bem mais e melhor que lida, quando,
Em qual tempo dos tempos, entendida?

Às terras, e ainda aos tempos mais diversos,
Ide, sem pressa aqui, ali sem pausa,
Pois só por o partir foi que partistes.

Qual glória hei de esperar, meus tristes versos,
Se já vos falta aquela vossa causa
De serdes versos e de serdes tristes?

Hinos de Cidades Brasileiras
São Jerônimo da Serra/PR

Foi a fibra do valente pioneiro
Desbravando o sertão do jatai
Que fez nascer neste solo alvisseiro
Junto as margens do rio Tibagi

Tão formosa e fagueira cidade
Para orgulho de imparra gentil
Berço augusto de prosperidade
Que ornamenta o querido Brasil

És as joias mais linda que há
neste recanto feliz do Paraná
São Jerônimo da Serra, meu torrão
viverás para sempre em meu coração

Rio Tigre de alvura singular
Serra da Esperança, a mais linda que há
São tesouros a ornamentar as riquezas que temos aqui

São Jerônimo, adorado padroeiro
Abençoa com seu manto esta terra
Protegendo este povo hospitaleiro
Que impulsiona São Jerônimo da Serra

Isto será passageiro
E verás, quando passar
que em lindo sol
Pioneiro em teu céu há de brilhar

Por que em tua juventude
Em tuas sábias crenças
reside a maior virtude
Depósito de esperança
São Jerônimo da Serra,
Simples e muito mais
Eu pisei em tua terra,
Não te esquecerei jamais

Uma Trova de Natal/RN
Pedro Grilo Neto

A nostalgia me alcança
quando, branda, a tarde cai,
cravando-me a aguda lança
da saudade do meu pai.

Um Poema de Campinas/SP
Guilherme de Almeida
1890-1969, São Paulo/SP+

LONGEVIDADE

Claros fios de prata em minha fronte,
Que tanto me abreviais a vida breve,
E os dias, que me leva o tempo leve
E que eu não quis contar, mandais que conte:

Se até mesmo do pranto a pura fonte,
Por que verter não possa quanto deve,
Vosso frio rigor converte em neve,
Quem há aí que vos fuja, ou vos afronte?

Esquecestes, entanto, brancos fios,
Que, quanto mais sois brancos, e mais frios,
Mais própria em vós se espelha a maravilha

De um sonho meu de luz, dourado e eterno:
Pois o sol é mais sol quando é inverno,
E a neve é menos neve quando brilha.

Olympio S. Coutinho (Histórias da trova) Capítulo II – (2a. Parte) Meus Irmãos, os Trovadores 

Na Rádio Globo, Aparício Fernandes alimentava de trovas o Programa Luiz de Carvalho. Na Bahia, o trovador popular Rodolfo Coelho Cavalcanti, então presidente do Grêmio Brasileiro dos Trovadores, editava um jornal de trovas, “O Trovador”, e muitos outros trovadores, nos diversos recantos do País, também se encarregavam de divulgar o movimento trovadoresco. Nesta mesma época, surgiu a União Brasileira dos Trovadores (UBT), hoje com ramificações em praticamente todo o Território Nacional, em capitais e no interior dos Estados.

Introduzo aqui um comentário do trovador João Costa, delegado da UBT em Saquarema (RJ),

É nobre o gesto de quem
o sofrimento ameniza,
partilhando o que mal tem
com alguém que mais precisa

que, em artigo publicado In Poesis, julho de 2004, tendo como fonte de pesquisa “Uma Análise do Trovismo”, do saudoso e grande estudioso da trova Eno Thedoro Wanke, escreveu: “A trova atravessou os séculos e chegou até nossos dias, tendo seu primeiro movimento, seu apogeu, nos anos 60 e 70, graças a Luiz Otávio e J. G. de Araújo Jorge.

Antes, porém, havia chegado à capital cultural do país, o Rio de Janeiro, através do pernambucano Adelmar Tavares

Oh linda trova perfeita
que nos dá tanto prazer!…
Tão fácil depois de feita,
tão difícil de fazer…

e quase estourou como movimento literário, mas o Modernismo esfriou os ânimos. A trova, inclusive, chegou a ser chamada de “boboca” por alguns modernistas mais empolgados. Mas, a verdade é que um trovador chegou à Academia Brasileira de Letras e a trova continuou tendo um lugar especial nos corações brasileiros”.

Na busca para corresponder-me com os trovadores, descobri endereços de Luiz Otávio, JG, Aparício Fernandes,
Álvaro Faria
Mais pobre do que não ter
nem mesmo pão em seu lar,
é ter muito a receber
e nada ter para dar

e muitos outros. Enviava trovas, pedia opinião e recebia respostas que deixavam o então jovem trovador cada vez mais entusiasmado.

continua…

Chuvisco Biográfico do Poeta
        Guilherme de Andrade de Almeida, nasceu em Campinas/SP, a 24 de julho de 1890, filho de Estevam de Araújo Almeida, professor de direito e jurisconsulto, e de Angelina de Andrade.
         Filho do jurista e professor de Direito Estevam de Almeida, estudou nos ginásios Culto à Ciência, de Campinas, e São Bento e N. Sra. do Carmo, de São Paulo. Cursou a Faculdade de Direito de São Paulo, onde colou grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, em 1912.
         Dedicou-se à advocacia e à imprensa em São Paulo e no Rio de Janeiro. Foi redator de O Estado de São Paulo, diretor da Folha da Manhã e da Folha da Noite, fundador do Jornal de São Paulo e redator do Diário de São Paulo.
         Foi casado com Belkiss Barroso de Almeida
         A publicação do livro de poesias Nós (1917), iniciando sua carreira literária, e dos que se seguiram, até 1922, de inspiração romântica, colocou-o entre os maiores líricos brasileiros.
         Foi, com seu irmão, Tácito de Almeida (1889 - 1940), importante organizador da Semana de Arte Moderna de 22, tendo criado em 1925 conferência para difusão da poesia moderna, intitulada "Revelação do Brasil pela Poesia Moderna", que foi apresentada em Porto Alegre, Recife e Fortaleza.
         Foi ainda um dos fundadores da Revista Klaxon, que visava a divulgação da ideias modernistas, tendo realizado sua capa, assim como os arrojados anúncios da Lacta, para a mesma Revista. Elaborou também a capa da primeira edição do livro "Paulicea Desvairada", de Mário de Andrade.        Colaborou também com a Revista de Antropofagia, tendo escrito poemas-piada à moda de Oswald de Andrade.
         Percorreu o Brasil, difundindo as idéias da renovação artística e literária, através de conferências e artigos, adotando a linha nacionalista do Modernismo, segundo a tese de que a poesia brasileira “deve ser de exportação e não de importação”. Os seus livros Meu e Raça (1925) exprimem essa orientação fiel à temática brasileira.
         A essência de sua poesia é o ritmo “no sentir, no pensar, no dizer”. Dominou amplamente os processos rímicos, rítmicos e verbais, bem como o verso livre, explorando os recursos da língua, a onomatopéia, as assonâncias e aliterações. Na época heróica da campanha modernista, soube seguir diretrizes muito nítidas e conscientes, sem se deixar possuir pela tendência à exaltação nacionalista. Nos poemas de Simplicidade, publicado em 1929, retornou às suas matrizes iniciais, à perfeição formal desprezada pelos outros, mas não recaiu no Parnasianismo, porque continuou privilegiando a renovação de temas e linguagem. Sobressaiu sempre o artista do verso, que Manuel Bandeira considerou o maior em língua portuguesa.
         A sua entrada na Casa de Machado de Assis significou a abertura das portas aos modernistas. Formou, com Cassiano Ricardo, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia e Alceu Amoroso Lima, o grupo dos que lideraram a renovação da Academia.
         Um dos poemas de Guilherme, "A Carta Que Eu Sei de Cor", presente em seu livro "Era uma vez", foi declamado na Faculdade de Letras de Coimbra, em 1930, na importante conferência "Poesia Moderníssima do Brasil"
         Combatente na Revolução Constitucionalista de 1932 e exilado em Portugal, após o final da luta, foi homenageado com a Medalha da Constituição, instituída pela Assembléia Legislativa de São Paulo.
         Sua obra maior de amor a São Paulo foi seu poema Nossa Bandeira. Ainda, o poema Moeda Paulista e a pungente Oração ante a última trincheira. É proclamado "O poeta da Revolução de 32".                           
Escreveu a letra do "Hino Constitucionalista de 1932/MMDC", O Passo do Soldado, de autoria de Marcelo Tupinambá, com interpretação de Francisco Alves.
         Autor da letra do Hino da Televisão Brasileira, executado quando da primeira transmissão da Rede Tupi de Televisão, realizada por mérito de seu concunhado, o jornalista Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo.
         Entre outras realizações, foi o responsável pela divulgação do poemeto japonês haikai no Brasil.
         Distinguiu-se também como heraldista. É autor dos brasões-de-armas das seguintes cidades: São Paulo (SP), Petrópolis (RJ), Volta Redonda (RJ), Londrina (PR), Brasília (DF), Guaxupé (MG), Caconde, Iacanga e Embu (SP). Compôs um hino a Brasília, quando da inauguração da cidade.
         Em concurso organizado pelo Correio da Manhã foi eleito, 16 de setembro de 1959, foi coroado o quarto "Príncipe dos Poetas Brasileiros" (depois de Bilac, Alberto de Oliveira e Olegário Mariano).
         Era membro da Academia Paulista de Letras; do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; do Seminário de Estudos Galegos, de Santiago de Compostela; e do Instituto de Coimbra.
         Traduziu, entre outros, os poetas Paul Géraldy, Rabindranath Tagore, Charles Baudelaire, Paul Verlaine e Jean Paul Sartre.
         Residia no bairro do Pacaembu, em São Paulo, na casa que carinhosamente chamava de "Casa da Colina" . E ele a descreveu: "A casa na colina é clara e nova. A estrada sobe, pára, olha um instante e desce". Nela, o poeta viveu até 1969 e nela faleceu. Nela realizou saraus sempre presentes os amigos Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Victor Brecheret, Noemia Mourão, René Thiollier, Saulo Ramos, Roberto Simonsen, Carlos Pinto Alves e tantos outros.
         Faleceu em 11 de julho de 1969.

JOGOS FLORAIS DE CANTAGALO - 2015 (Resultado Final)


ÂMBITO NACIONAL

CATEGORIA "NOVOS TROVADORES"

Trovas Líricas/Filosóficas

Tema: Carinho

VENCEDORES

01 – Eulinda Barreto Fernandes  (Bauru/SP)
02 – Ronnaldo Andrade  (São Paulo/SP)
03 – Luzia Brisolla Fuim (São Paulo/SP)
04 – Rita Márcia Jardim Daflon Gama (Cantagalo/RJ)
05 – Valter Rodrigues Mota (Taubaté/SP)
06 – Reovaldo Paulichi  (Atibaia/SP)
07 – Pedro Figueira da Silva  (Cordeiro/RJ)
08 – Leni Costa Siqueira  (Cordeiro/RJ)
09 – Maria Aparecida Ferreira de Vasconcelos (Santos/SP)
10 – Mariângela Tavares  (São Gonçalo/RJ)

MENÇÕES HONROSAS

01 – Carlos Henrique Furtado Leite (Cantagalo/RJ)
02 – José Feldman  (Maringá/PR)
03 – Alex Sandro Alves  (Ibiporã/PR)
04 – Agenir Leonardo Victor  (Maringá/PR)
05 – Pedro Albuquerque  (Itaboraí/RJ)
06 – Plácido Ferreira de Andrade  (Caicó/RN)
07 – Eulinda Barreto Fernandes  (Bauru/SP)
08 – Rita de Cássia Tozatto  (Cruzeiro/MG)
09 – Roderique Pedro Albuquerque  (Itaboraí/RJ)
10 – Antônio Fernandes do Rêgo  (Natal/RN)

ÂMBITO NACIONAL
Tema: Rancor

VENCEDORES

01 – Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho  (Juiz de Fora/MG)
02 – Hélio Pedro Souza  (Natal/RN)
03 – Sônia Maria Ditzel Martelo  (Ponta Grossa/PR)
04 – Arlindo Tadeu Hagen  (Juiz de Fora/MG)
05 – Darly O. Barros (São Paulo/SP)
06 – Dáguima Verônica de Oliveira (Santa Juliana/MG)
07 – Wanda de Paula Mourthé  (Belo Horizonte/MG)
08 – Wandira Fagundes Queiroz  (Curitiba/PR)
09 – Giva Rocha  (São Paulo/SP)
10 – Vanda Fagundes Queiroz  (Curitiba/PR)

MENÇÕES HONROSAS

01 – J. B. Xavier  (São Paulo/SP)
02 – Angélica Maria Villela Rebello  (Taubaté/SP)
03 – Heder Rubens Silveira Souza  (Natal/RN)
04 – A.. A. de Assis  (Maringá/RN)
05 – José Valdez de Castro Moura  (Pindamonhangaba/SP)
06 – Professor Garcia  (Caicó/RN)
07 – Eduardo A. O. Toledo  (São Sebastião da Bela Vista/MG)
08 – Matusalém de Moura  (Vitória/ES)
09 – Olympio da Cruz Simões Coutinho  (Belo Horizonte/MG)
10 – Glória Tabet Marson  (São José dos Campos/SP)

ÂMBITO ESTADUAL
(apenas trovadores domiciliados no Estado do Rio de Janeiro)

Tema: Amor

VENCEDORES

01 – Giovanelli  (Nova Friburgo)
02 – Ailson Cardoso de Oliveira  (Magé)
03 – Jessé Nascimento  (Angra dos Reis)
04 –  Maria Madalena Ferreira  (Magé)
05 – Ruth Farah Nacif Lutterback  (Cantagalo)
06 – João Costa  (Saquarema)
07 – Heloysio Alonso Teixeira  (Cantagalo)
08 – Adalto Marques Machado  (Cantagalo)
09 – Luiz Gilberto de Barros  (Rio de Janeiro)
10 – Fátima Corrêa Daniel  (São Gonçalo)

MENÇÕES HONROSAS

01 – Therezinha Tavares  (Nova Friburgo)
02 – Ailto Rodrigues  (Nova Friburgo)
03 – Dirce Montechiari (Nova Friburgo)
04 – Dyrce Pinto Machado  (Cantagalo)
05 – Jota de Jesus  (Saquarema)
06 – Almerinda Liporage (Rio de Janeiro)
07 – Almir Pinto de Azevedo  (Cambuci)
08 – Agostinho Rodrigues (Campos dos Goytacazes)
09 – Josafá Sobreira da Silva (Rio de Janeiro)
10 – Abílio Kac  (Rio de Janeiro)

ÂMBITO NACIONAL
(Trova Humorística)

Tema: Dente

VENCEDORES

01 – Gerson Silvestre A. Gonçalves  (Belo Horizonte/MG)
02 – Ruth Farah Nacif Lutterback  (Cantagalo/RJ)
03 – Maria Aparecida Pires  (Curitiba/PR)
04 – Maurício Fernandes Leonardo  (Ibiporã/PR)
05 – Rita Márcia Daflon Gama  (  Cantagalo/RJ)
06 – Wanda de Paula Mourthé  (Belo Horizonte/MG)
07 – Gilvan Carneiro da Silva  (São Gonçalo/RJ)
08 – Therezinha Dieguez Brisolla  (São Paulo/SP)
09 – Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho  (Juiz de Fora/MG )
10 – Myrthes Mazza Maziero  (São José dos Campos/SP)
                     
MENÇÕES HONROSAS

01 – Eliana Ruiz Jimenez  (Balneário Camboriú/SC)
02 – Abílio Kac  (Rio de Janeiro/RJ)
03 – Maria Madalena Ferreira  (Magé/RJ)
04 – A. A. de Assis  (Maringá/PR)
05 – Angélica Maria Villela Rebello  (Taubaté/SP)
06 – Darly O. Barros  (São Paulo/SP)
07 – Argemira Fernandes Marcondes  (Taubaté/SP)
08 – Ronnaldo Andrade  (São Bernardo do Campo/SP)
09 – Roderique Pedro Albuquerque  (Itaboraí/RJ)
10 – Luiz Gilberto de Barros  (Rio de Janeiro/RJ)

Parabéns a todos os vencedores!

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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