Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

José Feldman (Chuva de Versos n. 363)


Uma Trova de Curitiba/PR
Wandira Fagundes Queiroz

A Fé, a Escola, a Família,   
caminhando de mãos dadas,
são três faróis, em vigília,
iluminando as estradas.

Uma Trova de Juiz de Fora/MG
Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho

Quisera ver conduzida
a infância que pede esmola,
do negro quadro da vida
ao quadro negro da escola. 

Um Poema de Itajaí/SC
Samuel da Costa

ESCADA PARA O CÉU

Escrevo um poema com toda a urgência
Escrevo com poesia
Sem regra e sem lógica

Preciso escrever o poema perfeito!!!
Re-produzir a vida sem regra
Re-escrever a vida
Sem crase...
Sem vírgula...
E sem ponto final

Escrever o poema perfeito
Com poética!
Milimetricamente errado
Em uma mimese
Que não imita nada

Re-produzir o vazio dentro de mim
Nas belas-letras
Sem grito
Sem sustos
E sem ponto final

Quero ver a minha poesia
Virar a página
Ganhar as ruas
Dobrar a esquina
E subir aos céus

Uma Trova Humorística de Santos Dumont/MG
Luiz Montezi Evangelista

O porco acordou suando,
pois teve um sonho confuso:
- Sonhou que estava morando
com a porca... de um parafuso!

Uma Trova de Porto Alegre/RS
Milton Souza

Luz que ilumina a partida,      
luz que brilha nos caminhos:
os alicerces da vida
são lar e escola, juntinhos...

Um Poema de Itajaí/SC
Samuel da Costa

SELVAGEM VERGEL

És a musa perfeita
Que vagueia livremente
Nos devaneios meus...

És à flor de estirpe rara
Que um eflúvio sutil
Exala!

Tu és a flor transplantada
Para o meu selvagem vergel

Materializasse em ti
O sonho outonal do nefelibata
Alma transpassada...
Do aedo em dor
Que sofre... que sangra
Que chora...
Que ama em desespero

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Tudo o que é triste no mundo
tomara que fosse meu,
para ver se tudo junto
era mais triste do que eu.

Uma Trova Hispânica da Argentina
Libia Beatriz Carciofetti

Donde no hay educación
faltan principios morales
si de ella no hay inserción
habrá abundancia de males.


Um Poema de Itajaí/SC
Samuel da Costa

NOITES PERDIDAS, NOITES INSONES

É meia noite
Todos se foram!
Jazeram derrotados
Alguns preferiram ficar.
No front...

Mas é meia noite!
E todos se foram
Foram dormir!
O sono dos incautos!
Menos eu...

Outros acordados ficaram!
No sono profundo.
No sono profano
Sono narcotizado
Irreal
Surreal
Virtual
O sono dos desesperados.
Dos impuros!

Alguns jazeram
Vencidos...
Derrotados...
No front...

Embora eu preferisse ficar.
Sozinho!
Na escuridão.
Em tua sagrada companhia.
Junto a tua triste companhia;
Em meio ao nada!
No vazio existencial...
Que habita em ti...
No vazio dos dias atuais!
Mundo sintético
Plastificado...
Superficial e descartável!
Um universo de mentiras
Que construísse
Só para o teu bel-prazer

Trovadores que deixaram Saudades
Waldemar Dinis Alves Pequeno
Piraí/RJ (1892 – 1988) Belo Horizonte/MG

Se o sonho se foi, Maria,
não julgue o mundo medonho:
- depois de um dia, outro dia,
depois de um sonho, outro sonho.

Uma Trova de Amparo/SP
Eliana Dagmar

Meu tesouro é singular,
superlativo e tão pleno...
E, mesmo assim, no meu lar,
cabe num berço pequeno!

Um Poema de Itajaí/SC
Samuel da Costa

ALMA MATER( POEMA MÃE)
Para Lara Alves 

Alma pura! Em sonho de liberdade.
Entre retratos em branco e preto!
Um sonho... Uma vida!

Acorda e sonha...
Um sonho de mulher
Que grita:
- Sonho em ser Mãe!

Alma Mater em transcendência!
Alma pura que diz:
- Quero ser Mãe!

Um sonho de mulher.
Alma pura que brada
Aos quatro ventos:
- Vou ser mãe!

Uma Trova de Porto/Portugal
Domingos Freire Cardoso

O meu reino é o meu destino
numa terra inacabada,
onde sou um peregrino
perdido no pó da estrada.

Um Haicai de Magé/RJ
Alexandre Maciel
(15 anos)

As flores do campo
desabrocham ao vento –
Manhã de verão.

Um Poema de Itajaí/SC
Samuel da Costa

SIGNIFICAÇÕES 

Agora eu sei...
Lutei & lutei
Mas perdi...
A confiança nas pessoas
Perdi a fé em mim mesmo
Perdi meus direitos mais sagrados
Perdi o rumo
Meus amigos de luta e fé
Perdi a vontade prosseguir em frente
E com rancor renasci
Uma nova pessoa
Cheia de magoas
Contudo, mais puro..
Mais duro
E com toda a ferocidade...
Renasci em mim mesmo
Um outro ser
Que agora desconheço
Mas quem sabe a dor...
Mas quem sabe a esperança
De dias melhores
De ver seu semblante novamente
Quem sabe você de novo
Na minha vida...
De forma avassaladora...
Consumir todo o meu ser 

Uma Trova de Mangualde/Portugal
Elisabete Aguiar

Andar por ínvios caminhos
buscando a Felicidade
é como colher espinhos
na Rosa da Eternidade.

Um Haicai de Magé/RJ
Caíque Elias Gonçalves Correa 
(13 anos)

A rosa menina
a mais bela do jardim
brilha em meu olhar.

Um Poema de Itajaí/SC
Samuel da Costa

NÊNIA 01: INTER-VOX

Conduz-me
Re-duz
Re-produz

A minha triste e nova condição
O meu papel na atualidade
Na realidade virtual

Conduz-me
Para a hiper-realidade
Virtual sem fim
Que só existe... Dentro de mim...

Traduz-me
O hiper-texto para mim
Explica-me o inexplicável
O porquê do intolerável!

Conduz-me
Re-duz
Re-produz
Para mim
A minha nova condição
Na hiper-realidade

Diz pra mim agora
Qual é o meu lugar
Na dita pós-modernidade

Uma Trova de Santos/SP
Carolina Ramos

“Não volta!” – escrevi, mas, logo
fracassei, pois, com revolta,
a saudade em que me afogo,
riscando o “Não”, gritou: “Volta!”

Uma Glosa de Fortaleza/CE
Nemésio Prata

Glosando José Feldman (Maringá-PR)

Mote...
Carnaval... tanta folia.
Sincopados corações...
Desfile de alegoria...
Passarela de ilusões!
Glosa...

Carnaval... tanta folia.
Alegria "mascarada"...
Foliões, com distonia,
destoam na batucada!

Carnaval.. quanta apatia.
Sincopados corações
batucam, sem alegria
no peito dos foliões!

Carnaval... quanta ironia!
Colombinas e Pierrôs...
Desfile de alegoria...
Foliões borocochôs!

Carnaval... que desalento!
Desfiles sem emoções...
Foliões em fingimento...
Passarela de ilusões!

Um Poema de Itajaí/SC
Samuel da Costa

NÊNIA 02: INFRA-ESTRUTURA

Têm pedaços de metal retorcidos
Espalhados por ai!
Existe uma realidade re-torcida e destorcida
Perdida por ai!

Têm pedaços soltos de poemas
Belas-letras ultra-modernas!

Existe uma arte retórica evasiva
Dentro de mim...
Arte pós-moderna!
Metal re-torcido...
São peças galvanizadas
De arte vulgar dentro de mim
São peças ocas e vazias
Dentro de mim

Existe uma realidade fugaz
Re-torcida em mim!

Existem peças soltas
Espalhadas
Perdidas por ai...
Livres a caminhar mundo afora
No vazio da realidade virtual

Têm pedaços de metal re-torcidos
Espalhas
Perdidos por ai!
São pedaços de belas-artes na pós-modernidade!
Amorfas e galvanizadas...
Metal enviesado!
Perdidas e espalhadas
Peças ultra-modernas...
Perdidas dentro de mim
Soltas e perdidas no mundo ultra-moderno!
Mundo virtual e vazio

Um Haicai de Magé/RJ
Thuana Penha França
(14 anos)

No frio da noite
as pétalas da violeta
lembram-me você.

Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Antonio Couri

Relógio, a tua batida
tem algo de diferente
por marcar a despedida
de cada instante da gente.

Um Poema de Itajaí/SC
Samuel da Costa

SAFOS, VÊNUS E ATENA & ALGUMAS DEUSAS MAIS
(Para Eleane T. da Costa)

 Em tempos de celebridades instantâneas!
Que se proliferam em reality Shows...
E devoradas pelas massas...
Sedentas de novidades descartáveis!
E vazias... 
O que sobrou para a mulher de hoje?
Senão...
Ganhar pouco!
Trabalhar muito!
Ser hostilizada em seu vestido cor-de-rosa!
Na academia...  
Se candidatar a presidência?
Parir filhos cada vez mais tarde?
Ser a deípara da vez?
Ou a deia encantada, no imaginário...
...de algum poeta desavisado?
 Se regozijar quando os filhos voltam para casa?
 Quando voltam!
Se converter em estatísticas...
E ficar em casa para sofrer...
...o destino da Maria da Penha?
Talvez não!
Talvez a minha oblação...
Não morreu no vazio!
E os deuses imortais não mais permitam...
Que Cronos devore meus filhos!
E que Safos, Vênus e Atena me abençoe...
Toda vez que eu for me deitar!
E não permitam que eu chore por nada
E que Iemanjá não permita
Que eu seja queimada viva!
Na fogueira em praça pública!   
E que meu reino se expanda para além
Das fronteiras do meu lar...
Quero me libertar das correntes dos láricos
Que os mitos e lendas me tirem do altar!
Da imaterialidade... 
Quero celebrar meus dias!
Para além do 8 de Março!
Quero viver meus amores!
E meus dissabores!
Quero ser livre!

Recordando Velhas Canções
O menino das laranjas
(canção, 1964)

Theo de Barros

Menino que vai pra feira
Vender sua laranja até se acabar
É filho de mãe solteira
Cuja ignorância tem que sustentar

É madrugada, vai sentindo frio
Porque se o cesto não voltar vazio
A mãe já arranja um outro pra laranja
Esse filho vai ter que apanhar

Compra laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!
Compra laranja, laranja, laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!

Lá, no morro, o mundo acorda cedo
E é só trabalhar
Comida é muito pouca e muito a roupa
Que a cidade manda pra lavar

E já madrugada, ele, menino, vem pra feira
Tentando encontrar
Um pouco pra comer, viver até crescer
E a vida melhorar

Compra laranja doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!
Compra laranja, laranja, laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!

É madrugada, vai sentindo frio
Porque se o cesto não voltar vazio
A mãe já arranja um outro pra laranja
Esse filho vai ter que apanhar

Compra laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!
Compra laranja, laranja, laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!

Lá, no morro, a gente acorda cedo
E é só trabalhar
Comida é muito pouca e muito a roupa
Que a cidade manda pra lavar

E já madrugada, ele, menino, vem pra feira
Tentando encontrar
Um pouco pra comer, viver até crescer
E a vida melhorar

Compra laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!
Compra laranja, laranja, laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!

Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Edmar Japiassú Maia

No amargor das despedidas
nossas vidas se afastaram;
mas, para as almas unidas,
despedidas não separam...

Um Poema de Itajaí/SC
Samuel da Costa

EU E TU...
(a Rute Margarida Rita)

Eu e tu! Um caso complicado...
Uma simbiose
Que ninguém explica...
Tu e eu sozinhos...
Um ocaso de amor
Um amor
Inexplicável
Eu e tu! Um caso complicado
Um caso de amor
Que ninguém explica...
Tu e eu! Juntos andando por ai...
Sozinhos
Livres
Um inexplicável ocaso de amor
Você para mim...
É assim...
Um caso inexplicável
Um sonho da Pós-Modernidade
No pós-realismo
Uma realidade complexa e irreal
Um sonho surreal
Andando livremente por ai
Sozinha e livre
Um inexplicável ocaso de amor...

Um Haicai de Magé/RJ
Valdecir Fontes Rangel Santos
(16 anos)

Chega a primavera.
Flores por todos os lados
E a moça perfumada.

Uma Trova de Taubaté/SP
Oscar Vieira Soares

Basta que o peito palpite,
a chamá-la, levemente,
saudade aceita o convite
e invade o peito da gente!

Um Poema de Itajaí/SC
Samuel da Costa

TUMBEIRO 

Amarga e sonha!
Transporta tumbeiro
A negra dor
A negra carne
A carne negra
Lacera e lacera...
 A negra vida
Transporta
Enrique-se
O mundo branco!
O branco luxo
A negra dor
Transporta
E lacera a negra carne
Transborda
De riqueza
O mundo branco!
Mundo reluzente
Racional
Transporta o negro
Ouro
A negra sina
O negro pranto

Hinos de Cidades Brasileiras
Puxinanã/PB

Enchei de orgulho vossos corações
para o nosso torrão exaltar!
"Cidade dos Lagedos" imponentes,
que ostenta como marco singular.
Outrora, foi a nobre e boa fonte
que a sede de tantos matou;
por isso, ao espelho das águas
gente amiga teu núcleo formou.

Puxinanã, a nossa fé desponta
na tua gente brava e sem temor!
Hás de crescer por nossas mãos,
fiéis que somos, pelo vosso amor!

Ó terra mãe por crença de teus filhos,
rua independência se fez!
Joaquim Limeira e Zoroastro
erguerão o pavilhão, com altivez,
da luta pelo Desenvolvimento
com teu Trabalho e União.
No campo, mostra tua riqueza,
na Cultura, também na Educação.

Já inspiraste a musa do Poeta
com "As flores de Puxinanã",
que evoca o vigor da juventude:
a tua esperança do amanhã..
"Lagoa da Pedras", foste no começo,
amada pelos ancestrais;
agora, mais do que outrora,
os teus filhos te adoram muito mais.

Uma Trova de Pelotas/RS
Wilma Mello Cavalheiro

Sonha, poeta! Benditos
são teus sonhos... teus desvãos...
que rasgam céus... infinitos...
trazendo estrelas nas mãos.

Um Poema de Itajaí/SC
Samuel da Costa

SURTO MODERNISTA

Não há uma só...
...gota de sangue em cada poema...
[somente o ruído das máquinas]
Que gritam o teu nome...
Não há uma só...
...gota de sangue em cada poema...
É sua voz a gritar o meu nome
Em horas impróprias...
São as suas mãos...
...a vagar pelo meu corpo
Não há uma só...
...gota de sangue em cada poema...
 Às vezes...
...fico a noite a te fitar
E em meus pensamentos...
Estou só!
Na solidão a dois...
E a dor que não passa...
É ferida que não sara...

A mesma rua... o sobrado...
a igreja, a esquina, o jardim...
e uma porção de passado
grisalho, dentro de mim!

Amor de outono é profundo,
calado, intenso, tranquilo;
e não há forças no mundo
que consigam destruí-lo!

Bate ao longe a Ave Maria...
A noite vem, devagar,
e o farol é a estrela-guia
para os pastores do mar…

Chorou meu rosto escondido
quando você me deixou...
Naquele instante sofrido,
minha máscara chorou!…

Colho as bênçãos generosas
que iluminam meus caminhos,
entre a incerteza das rosas
e a certeza dos espinhos…

Com que ardor nos abraçamos...
E do sonho entre os desvãos,
de olhos fechados rezamos
uma prece a quatro mãos!

Com teu calor, vem e aquece
meu triste corpo vazio...
Vem, meu amor, que anoitece,
e estou tremendo de frio.

Despedida... o adeus rolando
de nossas mãos, devagar;
e as nossas almas chorando,
sem se poder separar!

Do crepúsculo à alvorada,
entre gorjeios dispersos,
o canto da passarada
é rima para os meus versos!

Embora o amor me convença
de que você vai voltar,
o espantalho da descrença
não me permite sonhar!…

Entre esperanças tão minhas,
cada verso que componho
esconde, nas entrelinhas,
os mistérios do meu sonho!

Era o adeus... palavras breves...
Que grande castigo o nosso:
podes lembrar-me e não deves;
quero esquecer-te e não posso!

Exerces tanto domínio
tanto poder sobre mim,
que eu abençoo o fascínio
dessa magia sem fim…

Foste embora... E eu, sem revolta,
sem mais ouvir tua voz,
tenho o mundo à minha volta,
e uso a máscara dos sós!

Libertei-me dos seus braços,
e desatei, nó por nó,
dos sonhos, todos os laços:
hoje eu sou livre... mas só!

Máscara... O rosto do avesso,
a dor buscando a ilusão,
que o sorriso não tem preço,
quando esconde a solidão!…

Mascara o teu sofrimento,
disfarça o teu dissabor,
que os amores de um momento
não são momentos de amor!

Meu pensamento vagueia
num mar de angústia sem fim;
a tua ausência semeia
tristeza, dentro de mim.

Na esquina da minha crença,
você, que estranha miragem -
fez-se ausência na presença;
foi meu porto sem viagem…

Na incerteza dos caminhos,
sem amanhã nem depois,
chego à esquina dos sozinhos,
procurando por nós dois.

No espelho das águas mansas,
a lua cheia, a brilhar,
vai guiando as esperanças
dos que anoitecem no mar!

Os teus braços me abraçando...
Tuas mãos dentro das minhas...
Devaneio, adivinhando
que tu também me adivinhas...

Ouvindo, a cada momento,
o que você não me diz,
fecho os olhos, lento e lento,
devaneio... e sou feliz!

Partilhaste, às escondidas,
de um amor, só de nós dois,
sabendo que em nossas vidas
não haveria o “depois”...

Passeio as mãos no teu rosto,
devagar... devagarinho...
Devaneios de sol posto,
no outono do teu caminho!

Pelo que eu busco e não tenho,
pelo que eu tive e não quis,
fecho os olhos e me empenho
em sonhar que sou feliz...

Por que tanta indiferença,
calculada, presumida,
se eu sei que sou a presença
mais presente em sua vida?!

Por timidez me afastei
quando seguias meus passos,
mas em sonhos eu te amei,
e amanheci nos teus braços…

Quando era pequenina,
brincava de esconde-esconde;
os meus sonhos de menina
a vida escondeu - mas onde?

Quantas almas irmanadas
por sentimentos iguais,
têm que viver separadas
por convenções sociais!

Quebrem-se amarras, correntes,
que o sonho de liberdade
não morreu com Tiradentes,
ficou para a eternidade…

Saudade - ausência dorida
nas cordas de um violão;
- a canção de minha vida
na vida de uma canção.

Se é proibido este amor,
que em prantos me faz rainha,
louvado seja o Senhor,
por esta dor que é tão minha!

Tiradentes, firmes passos,
vai para a morte, com fé:
- o corpo, rola aos pedaços,
os sonhos ficam de pé!...

Tu sofreste de tal jeito...
Não sofri menos, bem vês...
Um sonho de amor, desfeito,
fere dois de cada vez.


Você voltou... e o tormento
da longa espera sofrida,
se transformou no momento
mais feliz da minha vida!…

Vós, esperanças, por serdes
mensageiras da alegria,
tornastes muito mais verdes
meus sonhos de cada dia!

Chuvisco Biográfico do Poeta
        Samuel Congo da Costa nasceu a 5 de agosto de 1975, em Itajaí/SC.
        Cursou publicidade & Propaganda da Univali de Itajaí e curso de Letras da Uniaselvi de Balneário Camboriú.
        Funcionário publico municipal, colabora em diversos jornais e sites: Jornal de Santa Catarina, Diário do Litoral, Diário da Cidade, site Palanque Marginal, site O Guruça, site Revista Virtual Partes, site Fundação Palmares, caderno literário ‘’O Estilingue’’, caderno literário ‘’O Papa- siri’’ e em destaque o jornal luso-francês ‘’A voz de Portugal’’ entre outros.
Livros do autor
- Horizonte vermelho(versos) 2006
- Uma Flor Chamada Margarida( versos e prosa) 2008

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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