Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

José Feldman (Chuva de Versos n. 365)

O Chuva de Versos completa hoje 1 ano de existência de número diários, salvo nas raras ocasiões que tive que viajar que ficou sem número. Iniciou-se em 4 de Janeiro de 2014. Começou engatinhando até chegar no que é hoje. Fazendo uma somatória dos 365 números, conta com cerca de 4.800 páginas, milhares de poemas, milhares de trovas, centenas de haicais e outros gêneros poéticos. Uma enciclopédia.

Um agradecimento especial às minhas revisoras, Therezinha D. Brisolla e Dorothy J. Moretti que me auxiliam diariamente na revisão da métrica, da gramática, das trovas e de outros gêneros poéticos, só pelo prazer de dividir estes versos com todos que se molham nele.
Também a todos que ocasionalmente me alertam sobre algum erro que passou desapercebido.
E não posso deixar de agradecer aos que colaboram enviando seus versos.
Obrigado a todos que recebem esta Chuva direta ou indiretamente, por se molhar junto a mim e tantos outros nesta chuva.


Uma Trova de Maringá/PR
A. A. de Assis

O mar, a jangada, o vento;
a bordo, ao luar, nós dois.
Construa no pensamento
a cena que vem depois...

Uma Trova de Caicó/RN
Prof. Garcia

Nas areias calcinadas
desse deserto sem fim...
A vida deixou pegadas
perdidas dentro de mim!

Um Poema de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

ÁLBUM

Desfolhando o velho álbum de retratos,
que jazia abandonado em alguma prateleira,
relembrei pessoas, que estavam esquecidas,
e não reconheci imagens que eram minhas.
O tom amarelado esmaecia
sorrisos jovens que ficaram tristes:
tirava o viço de vidas tão distantes
e que, um dia, foram parte de minha vida.
Entre as velhas amizades retratadas,
revi amigos dos quais eu lembro os nomes
e outros, dos quais, nada mais resta,
porque ficaram perdidos pelo tempo.
Ao contemplar aquelas fotos desbotadas,
vou rejuntando, aos poucos, os pedaços
de uma história que nem sei se já vivi.

Uma Trova Humorística de Bandeirantes/PR
José Regínaldo Portugal

Estes carecas sofridos,
sem cabelos .. que ironia,
deixam piolhos perdidos
por falta de moradia!

Uma Trova de Belém/PA
Antonio Juracy Siqueira

Na tua imagem gravada
sobre as dunas da ilusão,
deixei, em cada pegada,
pedaços do coração!...

Um Poema de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

CENA COTIDIANA

O cidadão de bem foge aterrorizado –
tenta escapar de seus perseguidores
que não sabe quem são.
Sente-se acuado por sombras indistintas
que espalham a morte
sem alvo definido e sem motivo algum.
A mãe, levando o filho à escola,
tem a rotina diária interrompida
e, escondendo-se atrás de uma barraca,
tenta proteger com seu corpo magro
a criança que chora, apavorada.
Por outro lado surgem mais atiradores,
misturam-se bandidos e policiais
não identificáveis como seres humanos
e irreconhecíveis como animais.
O fogo cruzado vai se intensificando
e a bala perdida atinge mais alguém
no dia a dia de terror, na cidade grande.
Esse crime é mais um que não será computado
nas listas estatísticas, de tão banalizado.
A bala perdida que hoje mata
um cidadão de bem,
torna-se apenas
uma repetitiva notícia de jornal.

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Ó morte, ó tirana morte,
contra ti tenho mil queixas
quem hás de levar, não levas,
quem deves deixar, não deixas!

Uma Trova Hispânica do Panamá
Adiyeé N. Castillo

Trovador es... en la vida
El cortador de Diamantes
que para Trovar convida
octosílabos brillantes.

Um Poema de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

INVASÃO

A primavera chegou de madrugada
e entrou pela janela do meu quarto
vestida de prateado.
Enluarando a minha cama
cobriu o meu corpo insone
e anestesiou os meus sentidos.

Trovadores que deixaram Saudades
Auta de Souza
Macaíba/RN (1876 – 1901) Natal/RN

Paixão é diamante bruto,
que burilado, a rigor,
surge mudado no tempo
em linda estrela de amor.

Uma Trova de São Simão/SP
Thalma Tavares

O sol pela rocha aberta
parece aviso divino,
indicando a rota certa
ao barqueiro sem destino.

Um Poema de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

CHEGADA

A primavera chegou
ao final da manhã
sem alarde, discretamente
vestida de cinza.
Esperançosa, aguarda o domingo
com flores que se abrirão
em sorrisos azuis
à luz do sol.

Uma Trova de Fortaleza/CE
Francisco José Pessoa

É nos grandes desafios
quando penso estar sozinho,
que Deus faz luz nos pavios
pra clarear meu caminho!

Um Haicai de Magé/RJ
Alex Garcia Rodrigues Júnior
(13 anos)

Ao entardecer
O sol bem fraquinho
Parado sobre a paisagem.

Um Poema de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

PRIMAVERA EM MIM

Começou a primavera,
nasceu ontem, é bebê,
insegura e fragil
ainda não teve coragem
de se despir de núvens
e mostrar o azul.
Mesmo assim, algo muda
comemorando o sábado o inverno que existe em mim
transformado por uma profusão
de flores e cores.
De bem com o mundo
já consigo ouvir
sua manifestação triunfal,
com o acorde dos pássaros
em saudação inaugural.

Uma Trova de Campos dos Goytacazes/RJ
Diamantino Ferreira

A luz da lua perfura,
impoluta, o vasto espaço...
Deixa a mensagem mais pura
e ao remador seu abraço!

Um Haicai de Lençóis/BA
Júlio Afrânio Peixoto
(1876 - 1947) Rio de Janeiro RJ

Disparidade

Derrete-se o gelo.
Porém se resfria a água:
Ela fria, eu ardo...

Um Poema de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

DESESPERANÇA

A boca vazia
os olhos grandes,
vazios…
O prato vazio,
panelas brilhantes,
vazias…
Menino vazio,
sem graça, sem jeito,
sem nada no mundo,
sem sonho, sem ânsias,
sem nada a esperar,
espera cansado
a vida seguir.

Uma Trova de Ribeirão Preto/SP
Nilton Manoel

No barco tenue da vida
sonhos mil... mil aventuras
escarpas, predios... que lida
romances ternuras puras.

Um Haicai de Magé/RJ
Kelvynn Yelenrique Cidade Ferreira
(13 anos)

Ao cair da noite
A estrela de inverno brilha
Muito longe, bem fria.

Um Poema de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

PALAVRAS

Palavras – para quê?
Quando podemos expressar a felicidade
não somos tão felizes.
Também o sofrimento
é algo inexprimível.
O silêncio diz muito mais
daquilo que sentimos.
A morte nunca falou
mas terá o seu momento.
O futuro é mudo, incerto,
surpreendente e inevitável.
Para sentimentos profundos,
gratidão, amor, carinho,
não achamos tradução.
Não há palavras bastante
para expressar a emoção.
Então, palavras – para quê?

Um Haicai de Magé/RJ
Israel Lucas S. de Sousa
(14 anos)

Parece um gemido
Na noite silenciosa,
Mas é um trovão.

Uma Trova de Bauru/SP
João Batista Xavier Oliveira

A gôndola que desliza
sem testemunhas dos lados,
convida o beijo da brisa
em nossos rostos colados!

Um Poema de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

ÊXTASE

A noite me abraça
carinhosamente,
e a seu torpor
me entregoi,
inebriada.
As estrelas povoam meus sentidos
e tocam música
em meus ouvidos.
Um frescor de brisa perfumada
penetra no meu ser involuntário.

Recordando Velhas Canções
Aquarela brasileira
(samba-enredo/carnaval, 1964)

Silas de Oliveira

Vejam esta maravilha de cenário
É um episódio delicário
Que um artista num sinho genial
Escolheu para esse carnaval
E o asfalto como passarela
 Será  a tela do Brasil em forma de  aquarela
Passeando pelas cercanias do Amazonas

Conheci vastos seringais
e  no Pará , a ilha de  Marajó
E a  velha cabana do Timbó
Caminhando ainda um pouco mais
Deparei com lindos Coquerais
Estava no Ceará,  terra de Iatapuã
De Iracema e Tupã
Fiquei radiante de alegria
Quando cheguei na Bahia
Bahia de Castro Alves
Do Acarajé
Das noites de magia do Candomblé
Depois de atravessar as matas do Ipú
Assisti em Pernambuco a festa do frevo e do maracatu
Brasília tem o seu destaque   
na arte, na beleza e arquitetura
Feitiço de garoa apela serra
São paulo engrandece a nossa terra
do leste por todo centro-este
Tudo é belo e tem lindo matiz
E o Rio dos Sambas e batucadas
dos malandros e mulatas de requebros febris

Brasil estas nossas verdes matas
Cachoeiras e  cascatas
Do colorido sutil
E este lindo céu azul de  anil
Emoldura em aquarela o meu Brasil
lalalalaiá .....la la lalaiá

Uma Trova de Niterói/RJ
Bruno P. Torres

Tenho, amor, um sonho antigo,
que afinal vou confessar:
chegar às nuvens contigo
numa gôndola, ao luar...

Um Poema de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

DEVANEIO

Andar na praia, com pés descalços
que afundam na areia molhada
sem deixar vestígios.
Sorver a água de um côco,
até o último gole,
relembrando momentos azuis que,
trazidos pelo mar,
arrebentam na alma, em turbilhão.
Viver a vida inteira num só dia,
de maneira intensa e passional,
perpetuada, que seja, “ad infinitum”.
Contemplar as estrelas resplendentes
e segurar com os olhos, a cadente,
formulando pedidos inaudíveis.

Um Haicai do Paraná
Helena Kolody
Cruz Machado/PR (1912 – 2004) Curitiba/PR

A flecha de sol
pinta estrelas na vidraça.
Despede-se o dia.

Uma Trova de São José dos Campos/SP
Myrthes Masiero

Nossa  infância  é uma criança,
que muito alegre e brejeira,
colhe flores de esperança
e  espalha-as  na  terra inteira!

Um Poema de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

CENA TRANSITÓRIA

O vento sopra, a folha cai,
o sol se esconde, a noite vem,
a lua passa de cheia a minguante.
Nada na vida é igual,
somos todos mutantes.
O tempo passa sem retornar
e tudo muda
na transitoriedade da vida.

Hinos de Cidades Brasileiras
Osasco/SP

De mãos dadas, unidos, mil sonhos
Gestaremos no sul do querer
O ontem vitória dos tempos
Faz o hoje feliz florescer
É Osasco cantando a História
As glórias de um povo em ação
O movimento dos autonomistas (bis)
E voos que a vista
Dá no coração

Osasco
Osasco brilha
Na América do Sul
Foi em Osasco que o Homem
Sonhou e conquistou
O céu azul

Osasco
Osasco trilha
Os corações do porvir
Do trabalho ao esporte: a semana (bis)
A arte proclama
Um jeito de ser Brasil

De mãos dadas, cultura e raças
Se embalaram num mesmo querer
E do sonho se fez a cidade
Que hoje se orgulha de ser
"Osasco-Cidade Trabalho"
Bandeira de um povo em ação
Unido na fé e esperança (bis)
Brasão da vitória
Do "SIM" sobre o "NÃO"

Osasco
Osasco brilha
Na América do Sul
Foi em Osasco que o Homem
Sonhou e conquistou
O céu azul

Osasco
Osasco trilha
Os corações do porvir
Do trabalho ao esporte: a semana (bis)
A arte proclama
Um jeito de ser Brasil

Uma Trova de Juiz de Fora/MG
Arlindo Tadeu Hagen

Não sei de temeridade
maior do que andar sozinho.
A presença da amizade
encurta qualquer caminho.

Um Poema de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

REPRESENTAÇÃO

A vida é uma grande peça
que nos pregam ao nascer.
Dela somos personagens
de tragédias, de comédias,
do teatro do Absurdo
no absurdo do mundo.
De um ato para outro,
em muitas cenas presente,
convencendo em alguns momentos,
em outros não convincente,
passamos de heroi a vilão,
conforme a situação.
Inimigos enfrentamos,
que com intrigas e deslealdade
nos surpreendem a cada instante.
Mas, cenas de amor e romance,
alegria e entendimento
vão aliviando a tensão
até que, o final do drama
promete a reconciliação
e o puxar das cortinas
traz a paz aos bastidores,
com o Diretor Geral
abençoando os atores.
 
Anos Dourados, Maria,
são nossos gritados ais,
nenhuma fotografia,
sequer nunca nem jamais.

Aqueles que seguem sonhos,
não encontram obstáculos,
nem temem sustos medonhos,
pois já previnem seus cálculos.

Como turista quis ser:
Viver sem construir laços;
mas eu só sinto prazer
após cair em seus braços.

Elis Regina quer casas,
mas a criança quer campo,
pois a pipa lhe dá asas
para os voos que eu encampo.

Esqueça das horas mortas,
que o futuro se anuncia,
pois tudo que mais importa
é termos um novo dia.

Essa tarde e esse mar,
nossa infância assim sem medo,
nossa rede a nos ninar
fazem qualquer um aedo.

Esse céu de puro anil,
o nosso mar e as araras
pintam de azul meu Brasil,
a terra das jóias raras!

Felicidade é encanto
que se vive por um triz,
mas celebro, por enquanto,
apenas o que Deus quis.

Foi de Maria Fumaça,
a gente ali, lado a lado,
e você esbaldando graça
no meu peito acorrentado.

Formiga não acha feio
mostrar seu fardo no templo;
mas quem come o pão alheio
foge dela pelo exemplo.

Fugir é partir a esmo,
mas isso eu jamais cometo,
pois aprendi por mim mesmo
que fujão finda no gueto.

Imagem e semelhança,
Deus fez todos filhos seus;
será que alguém afiança
qual é a raça de Deus?

Já fui João de Maria,
trafegando em corda bamba:
Naveguei na calmaria
embalado pelo samba.

Meus horizontes azuis,
cheios de mar, sol e ventos,
só se alegram com seus uis
ao fogo dos sentimentos.

Meus passos à beira mar,
vão construindo caminhos,
sob o clarão do luar
entre beijos e carinhos.

Na multidão em que sigo,
há anseios por demais;
cada um leva consigo
sua bandeira de paz.

Nosso céu, sempre tão lindo,
passa dia, cruza Era,
faz o verão que vem vindo
nos cobrir de primavera.

O poeta não tem quadrante,
por ser ele universal,
um tremendo viandante,
inclusive virtual.

Paixão, doação, entrega,
cada um sabe da sua;
ninguém vê como se apega,
mas vai pro mundo da lua.

Quem escreve não se rende,
nem a Brutus nem ao Demo;
pois a pena não se vende
nem atende a Polifemo.

Quem quiser ser um artista,
tem que seguir as canções,
passar a vida na pista
para abalar corações.

Sempre vivi por aí,
sem as razões nem as fontes,
mas o sol, depois que eu vi,
faz-me cruzar quaisquer pontes.

Terra, mãe nas mãos dos filhos,
gesto por demais bonito;
mas se andássemos nos trilhos,
se ouviriam menos grito...

Todos cantam sua terra,
como fez Gonçalves Dias;
mas só Cazuza descera
os véus das hipocrisias.

Uma vez que o tema é copa,
e tens a bola no pé,
sou do tipo que não topa,
jamais, levar um olé.

Um raio de sol me guia
por onde o amor impera,
mostrando-me mais um dia
nos reinos da primavera.

Vai sem olhar para trás,
quem acha que sempre acerta,
sem saber que a vida faz
estoque de porta aberta.

Chuvisco Biográfico da Poetisa

        Cecy Barbosa Campos, é natural de Juiz de Fora (MG), Bacharel em Direito e Licenciatura em Letras (inglês) pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Especialização em Teoria Literária e diversos cursos de aperfeiçoamento em inglês nos Estados Unidos e na Inglaterra. Professora de Literatura Inglesa e Norte-Americana, aposentada. Leciona nos cursos de graduação e pós-graduação do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora.
        Tem artigos de pesquisa literária publicados em revistas especializadas e anais de congresso e trabalhos em prosa e verso premiados em concursos

Entidades a que pertence
Academia Juizforana de Letras.
Academia Granberyense de Letras, Artes e Ciências.
Academia de Letras Rio-Cidade Maravilhosa;
Academia Rio Pombense de Letras, Ciências e Artes.
Academia de Letras e Artes de Fortaleza
Clube de Escritores de Piracicaba.
Academia de Letras do Brasil/ Mariana
Academia de Letras do Brasil/Seccional Suiça
Ateneu Angrense de Letras e Artes
Associação Brasileira de Literatura Comparada
Academie Mérite et Dévouement Français
Divine Academia des Arts, Lettres et Culture Française

Publicações:
- The Iceman Cometh: a carnavalização na tragédia
- O Reverso do Mito e outros ensaios.
- Recortes da Vida: contos e crônicas.
– Cenas (poemas)
– Crepusculares (aldravias)

Trabalhos em Congressos e Encontros Literários:
- Maya Angelou`s and Conceição Evaristo`s Social Poetry. São José do Rio Preto, 2009.
- O Teatro do Absurdo nos Estados Unidos: uma visão comparativa. Juiz de Fora, 2008.
- Escritores Afro-descencentes. Belo Horizonte, 2007.
- Conceição Evaristo e Toni Morrison: convergências e divergências.
- Toni Morrison`s Beloved: from novel to film. Fortaleza, 2005.
- O Teatro Inglês. Muriaé, MG, 2004.
- Preconceito em uma sociedade materialista: The Sculptor`s Funeral de Wila Cather. Divinópolis, MG, 2003.
- Good Country People, de Flannery O`Connor. 2002.
- A presença ausente de personagens femininas em peças de O`Neill. Londrina,PR, 2001.
- Women Characters in some of Flannery O`Connor`s short-stories: the reversal of the myth. Gadsden, Alabama, USA. 2000.

Participações:
– Coleção Prosa e Verso, do Grupo Sul-mineiro de Poesia e Academia Varginhense de Letras.
- Modernos Contos Brasileiros.
- Antologia da Academia Dorense de Letras.
- Antologia Letras Contemporâneas.
- Prêmio Missões.
- Antologia del`Secchi.
– Antologia da Academia Chapecoense de Letras.
– Antologia Lumens (prêmio Walmir Ayala, 2012),
– A Écrivains contemporains du Minas Gerais (França),
– Livro das Aldravias (Portugal), etc.

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to