Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 4 de março de 2015

José Feldman (Chuva de Versos n. 380)

 
Uma Trova de Bandeirantes/PR

Istela Marina Gotelipe Lima

A brisa que suave espalha
perfume de primavera,
por entre as folhas farfalha,
em lindas flores se esmera.

Uma Trova Humorística de Bandeirantes/PR
Wanda Rossi de Carvalho

Pernas tortas, magricela,
assusta até o cirurgião...
para que a vejam mais bela,
aconselha: a escuridão.

Um Soneto do Rio de Janeiro/RJ
Rita Moutinho

SONETO DA PROPOSTA

"Não sob o mesmo teto, unidos sob
o mesmo guarda-chuva, eventualmente,
em passeios de marcha-adágio, doces,
amalgamados, mas não decorrentes,

protegidos dos ímpetos dos ciclones,
fluiremos no tempo, não no sempre.
— Amantes? — Não sabemos. — Que tal pôneis
impúberes, quais são os lestos flertes?"

Assim começa a história, assim prossegue
com décadas de goma e de ostracismo
e com respeito-músculo nos freges.

Perpassamos, sem culpas, o proscrito,
praticando — insensatos? — uma ascese,
porque quem nos designa é o deus Destino.

Uma Trova Humorística de Bandeirantes/PR
Lucília Alzira Trindade Decarli

“Compre-me uma fechadura!”
- disse ao beber no gargalo.
Como entendeu “ferradura”,
comprou também o cavalo!...

Uma Trova de Bandeirantes/PR
Adriano Ribeiro

Teu jeito meigo e indeciso,
que me encanta e me alucina,
tem o jeito de um sorriso
no teu jeito .. de menina!

Um Soneto do Rio de Janeiro/RJ
Rita Moutinho

SONETO DO ENCONTRO DOS SENTIDOS

Almas se fundem. Vinho, sol das horas,
dá calor à palavra unilabiada.
Somos um em dueto, mote e glosa,
lendo nas bocas, sempre defrontadas,

sentidos gemelares de argolas.
Os olhos se defrontam, e nossas sagas
são narradas contando-nos o outrora,
enquanto o hoje é só a madrugada.

Noites a fio ponteiros absortos
nos fazem alheados da escrita:
somos os dois casados, mas com outros.

Nada importa. Estão mortas pré-histórias.
Não nos sentimos ícones de crias
sociais: valem as almas analógicas.

Uma Trova Popular
Autor Anônimo

Minha mãe, case-me cedo,
enquanto sou rapariga,
que o milho sachado tarde
não dá palha, nem espiga.

Uma Trova Hispânica da Argentina
Libia Beatriz Carciofetti

Un niño es una plantita
que hay que regar diariamente
alquimia de Dios bendita
con un alma transparente.

Um Soneto do Rio de Janeiro/RJ
Rita Moutinho

SONETO DOS DESENLACES

São cristais com clivagem os casamentos.
Sabemos sem restauro as alianças
que foram de ouro em dilatado tempo
e hoje são doridas dissonâncias.

Urge rarefazer ares sem esto,
e juntos, amparados, na balança
pesamos o bolor dos desalentos,
cogitamos no abrir nossas ventanas.

Nosso encontro fundava os desenlaces,
mas não nos prometíamos: apenas,
assemelhados com a alma azul das aves,

azulávamos nuvens dos combates
como éramos: sensíveis tais avencas
com raízes/hastes na eternidade.

Trovadores que deixaram Saudades
Rodolpho Abbud
Nova Friburgo/RJ (1926 – 2013)

O mundo, a cada minuto,
mostra a ironia presente,
pois, nem sempre colhe o fruto
a mão que planta a semente!...

Uma Trova de Bandeirantes/PR
Francyelle Volpato

O teu sorriso, que encanto
 só me traz felicidade.
Vai - se embora todo pranto
e  leva junto .. a saudade!

Um Soneto do Rio de Janeiro/RJ
Rita Moutinho

SONETO DO SUPERAR E DO OPTAR

Passados muitos anos fundeada
nesse charco funesto, a solidão,
fui beijada por príncipe e elevada
do raso ao riso de uma afloração.

Vida nova e uma filha em mim gestada,
reedifiquei tão logo um coração
de uma cor rubra, mas aquarelada,
que convive com os tons pastéis da opção.

Pincelo de zarcão esta corrente
que me ata, mas não fere a liberdade,
grilhão/guarita da destemperança.

Para fechar comportas das torrentes
que te amedrontam a emotividade,
como eu, também te atrelas na aliança.

Uma Trova de Bandeirantes/PR
José Marcos dos Santos Albergate

Na leveza dos acenos,
sorrisos... mãos estendidas,
moram os gestos pequenos
que mudam as nossas vidas.

Um Haicai de Balneário Camboriú/SC
 
Um Soneto do Rio de Janeiro/RJ
Rita Moutinho

SONETO DA AUSÊNCIA SELETA

A saudade, hoje, é alvo da pungência
e certa flecha bêbada vagueia
na aura da chama anil da inconsciência,
porque a verdade de hoje escamoteia

realidade avessa, de carência,
que não quero entender porque a meia
estadia na vida, por sua ausência,
faz-me vítima, abate-me e fundeia.

O que queria ver é o que vês,
o que queria ser é o que és,
o que queria ter é o que tens.

Mas nunca para isso haverá vez:
somos aos nossos, não a nós, fiéis
e seleta é a sensata insensatez.

Uma Trova de Bandeirantes/PR
Maria Helena Cristovo

Prisioneiro em seus dilemas,
meu traído coração
arrebentou as algemas...
ao lhe dar o meu perdão!

Uma Aldravia de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

estrelas
choram
lágrimas
prateadas
lamentando
ausências

Um Soneto do Rio de Janeiro/RJ
Rita Moutinho

SONETO DO DESADORMECIMENTO

Durante anos, nos víamos rareados,
tensos e espessos como dois moitedos.
Os ápices dos duetos do passado
estavam confortáveis no degredo.

Por vínculos do ofício, amiudado
passamos a nos ver, porém represo
o vestígio de antigos namorados
nos incitou a novos desconcertos.

Em cartas — raros oásis — nos mirávamos,
transmitindo sinais, desassossegos,
e no mesmo cigarro que tragávamos

nos beijávamos úmidos segredos.
De repente, de novo éramos pássaros
e os faróis para vôos foram acesos.

Uma Trova de Bandeirantes/PR
Elson Souto

Meu medo não é morrer
por quem amo tanto assim.
Meu dilema é não saber
se esse alguém morre por mim.

Uma Escada de Trovas, de Itanhaém/SP
Filemon F. Martins

Sonho

Naquele dia, tristonho,
pousaste os olhos nos meus:
– Vivi na tarde do sonho,
morri na noite do adeus!
(Maria Thereza Cavalheiro – São Paulo/SP)

Subindo:
Morri na noite do adeus
quando de casa, saíste,
meu sofrimento só Deus
sabe que ainda persiste.

Vivi na tarde do sonho
quando entraste em minha vida,
tornei-me um homem risonho,
mas, chorei na despedida.

Pousaste os olhos nos meus
dando-me luz e esperança,
quase fui um semideus
e sorri como criança.

Naquele dia, tristonho
como doeu, ao saber,
que foste embora, suponho,
por deixar de me querer.

Um Soneto do Rio de Janeiro/RJ
Rita Moutinho

SONETO DA CLAREAÇÃO DO BREU

Anos a fio, busco os ancestrais
desta angústia que sinto — precisão
de entender os contornos de entes duais
que se amam no ar e não no esteio-chão.

Interno-me no breu. Não saturnais,
temos, porém, orgíaca união
quando nos encontramos nos beirais
das palavras melífluas da emoção.

Preciso saber se fui real amada,
se aplicam os vernáculos "amante"
e "amor" na nossa história. A alma apurada

exige este radar na madrugada.
Depois de anos, — serena concludente —
posso dizer que somos mago e fada!

Um Haicai de Magé/RJ
Amanda Silva de Carvalho
13 anos

Trovão de inverno
Soa ao longe um atrás do outro.
Dia de chuva.

Uma Trova de Bandeirantes/PR
Maria Calil Zambon

Nos beijos que tu me dás
há um milagre verdadeiro:
minha alma se enche de paz
e de luz meu corpo inteiro!

Um Soneto do Rio de Janeiro/RJ
Rita Moutinho

SONETO DO GRANDE REENCONTRO

Sucessivos encontros, ou viagem
(pois nós nos transladamos pr'outra esfera),
divinaram confrontos sãos: coragem,
carinho, riso, lágrima e quimera

se cingiram a conversas na voragem,
de viver o vigor da primavera.
Brotamos jovens, lá na garimpagem,
da mina rica em amor que há na paquera.

Depois, em sincronia como o maduro
estágio em que estão corpos e almas,
sempre sem dar um rosto pro futuro.

Sulcamos novo traço em nossas palmas:
desígnio de clareiras no ar escuro.
Na praia, as ondas eram águas calmas.

Recordando Velhas Canções
Guarânia da saudade
(guarânia, 1966)

Luís Vieira

Esta saudade que é de ti me alucina
Me desespera esta saudade me tortura
Silenciosa a ausência tua me ensina
A ler no livro desta solidão minha amargura
Quero que voltes como voltas a primavera
E nos teus olhos tragas todos os encantos
Que são teus
Quando voltares,
não digas nada,
e vai entrando
Que te esperando estarão também
Todos os beijos meus

Mas não demores muito,
não demores nada
Venhas ligeirinho,
sejas camarada.

Uma Trova de Bandeirantes/PR
Janete de Azevedo Guerra

Por mais que o mundo propague
que a vida eterna é irreal,
viva em mim e não se apague...
“a Luz de um grande ideal”!

Um Soneto do Rio de Janeiro/RJ
Rita Moutinho

SONETO DE MAIS UM ADEUS

Neste domingo, o céu gris e pesado
há de trazer tristeza a nós, os pássaros,
que em pétalas pousamos no intervalo
da rotina: verão ocluso e diáfano.

Com asas, mas sujeitos a gaiolas,
os pássaros — que outra coisa? — se amaram,
roçando almas, sãos, dias afora,
roçando peles, vãos, em sonhos-navas.

Raras planícies, muitas cordilheiras
são o real da nossa geografia:
as vias para o ardor são muito estreitas.

Parte! Aqui ficarei como nereida,
presidindo o mar, vendo acrobacias
da antítese do pássaro, a baleia.

Um Haicai de Magé/RJ
Laís Batista Torres
13 anos

Trovão de inverno
Com seus ruídos distantes
Fazem-me dormir.

Uma Trova de Bandeirantes/PR
Neide Rocha Portugal

Quando a velhice aparece,
a vida gira ao contrário.
A primavera floresce
apenas no calendário.

Um Soneto do Rio de Janeiro/RJ
Rita Moutinho

SONETO DO PROVÉRBIO

Depois da temporada de enlevo,
retorno à condição de submarino.
Ficarei mergulhada, sem relevo,
embalando o silêncio de ser sino.

Sinos só soam em horas muito raras.
São, é certo, instrumentos solitários,
mas plenos, mais plenos que as claras
orquestras que iluminam os cenários.

No recato da sombra, vou vivendo,
sem saber quando o lume se desnubla,
diversa de Penélope, escrevendo.

Sua grande atriz brilha no mundo,
nos bastidores, sou a chã que dubla,
mas, no escuro, o cintilo é mais profundo.

Hinos de Cidades Brasileiras
Flores da Cunha/RS

Envolvido por um sonho
Sua Itália deixou,
Enfrentando a dor nos mares,
O imigrante aqui chegou;

E da serra indomável,
A videira se adornou,
Sendo mastro da bandeira
De uma história que ficou.

Jorra vinho, giram taças
Espumantes de prazer,
A brindar Flores da Cunha,
Terra do Galo e do bem-viver.

A semente é lançada
Pela mão do agricultor,
Outra mão mais delicada
Faz a arte do sabor.

No trabalho da madeira
Nascem jóias de artesão;
As agulhas trançam malhas
Como pautas de canção.

Uma torre imponente
Representa o vigor
De um povo religioso
Alicerçado em seu labor.

As cascatas, que parecem
Espumantes naturais,
Também lembram tantas lágrimas
Dos bravos ancestrais.

Uma Trova de Bandeirantes/PR
Maria Lúcia Daloce

Quando há inverno maltratando
braços nus, sem cobertores,
peço a Deus um frio brando,
primavera, sol e flores!

Um Soneto do Rio de Janeiro/RJ
Rita Moutinho

SONETO DO EQUINÓCIO ADIADO

Hoje o silêncio corta o fio do equador
e incomunicáveis os pólos orbitam
desgarrados da esfera terrestre. O calor
e a ardência tropical, mudos, se gelificam.

No equinócio, dia e noite — assim como o amor —
se equivalem e por isso se presentificam
o equilíbrio, a medida-anel do cobertor
e do corpo gelado quando se unificam.

Estamos na distância e no incomunicável
por motivos que nem os astros nos explicam.
Medo? Será o medo que faz dissociável

a junção dos amantes que se estigmatizam?
A nódoa do pecado no imo é implacável.
E, súbito, equinócio e harmonia se adiam.

Maria Rita Rodrigo Octavio Moutinho nasceu no Rio de Janeiro, em 28 de junho de 1951.
Começou a orientar oficinas de poesia na OLAC – Oficina Literária Afrânio Coutinho, em 1982, tendo depois ministrado aulas na Estação das Letras e em sua própria residência.
Foi Editora de Pesquisa da primeira edição da Enciclopédia de literatura brasileira e coordenadora, junto com Graça Coutinho, da segunda edição.
Atualmente chefia o Setor de Lexicografia da Academia Brasileira de Letras.
Obras publicadas:
Em Poesia:
A hora quieta, 1975; A trança, 1982; Uma ou duas luas (plaqueta), 1987; Vocabulário: um homem, 1995; Romanceiro dos amantes, 1999; Sonetos dos amores mortos, 2006.
Ensaio:
A moda no século XX, 2000.
 

Ao homem, na sua essência,
diante a sua fraqueza,
deu-lhe Deus com sapiência,
por amparo, a fortaleza!

Ao ver, a morte estampada,
na face de uma criança,
vê-se, ali, riste, ceifada,
para sempre, uma esperança,

Até mesmo o passarinho,
deixa a seca, a região,
para formar novo ninho,
onde houver fartura em grão.

Canta, canta, ó menestrel,
ante a lua a te acolher,
mais um tango de Gardel
que nos faz enternecer…

Com frases que vêm do peito,
meu coração se declara
ao verso, mais que perfeito:
— A trova, esta joia rara!

Como que por acalanto,
descerra a noite, o seu véu.
Cobre a terra com seu manto,
expondo estrelas no céu!

Com teu verso, solto ao vento,
levaste, a trova, aos altares,
com poesia e talento,
Ó Sebastião Soares!

Confirmando as suas lendas,
por capricho, o velho mar,
cobre as areias de rendas,
quando a praia vem beijar...

Desista, irmão, dessa guerra,
abrace a paz benfazeja,
pois a vida, enfim, se encerra,
onde o combate, sobeja.

Eis a serra majestosa!
Na natureza, um painel...
— Imponente, imperiosa,
altiva, buscando o céu!

Ela vem com seu achaque,
nossa paz, ela degreda,
a sogra é que nem conhaque:
- Aos poucos, ela embebeda!

Em noite de lua cheia,
envolto a tanto esplendor,
um poeta galhardeia,
versando trovas de amor.

Em uma folha vazia,
ponho em versos, sentimentos:
- Meu prazer, minha alegria,
minhas dores, meus tormentos...

Nada detém tanto encanto,
nem tanta essência de amor,
qual o feito sacrossanto,
do desabrochar da flor!

Não podia acontecer!
Do verbo, qual seu conceito?
Diz Juquinha, sem temer:
- Preservativo imperfeito!

Na roça, o suor do rosto,
mostra todo o ardor da lida,
e nesse cansaço exposto:
- Uma esperança de vida!

No grande palco da vida,
desse enredo tão atroz,
em cada cena exibida,
há sempre um pouco de nós.

No plenilúnio, na noite,
do aconchego dos seus ninhos,
vem a lua como açoite,
aclarar, os passarinhos!

No voo, a linda graúna,
com graça e simplicidade,
entoa, por sobre a duna,
seu canto, de liberdade.

O bombeiro, seu Clemente,
no boteco, faz seu jogo,
já se apaga, na aguardente,
combatendo o próprio fogol

O jardim perdeu as cores,
todo o belo feneceu;
as rosas, sem seus olores,
tal qual o destino meu…

Pelos caminhos da lida,
quantos castelos ergui...
- E esses sonhos, pela vida,
com trabalho, os consegui!

Por ser um real tormento,
indefinível ao pintor
e um sublime sentimento:
– A saudade não tem cor!

Por volúpia ou por feitiço,
todo amor, se faz mister,
no encantamento e no viço,
dos braços de uma mulher.

Quando a lua prateada,
resplandece na amplidão,
faz da trova uma morada,
em forma de inspiração.

Quando a queimada ameaça,
a vida, sem complacência,
a mata, pela fumaça,
vai aos céus, pedir clemência.

Quando a tarde prenuncia,
revoam os passarinhos
e levam toda a magia,
para o abrigo de seus ninhos.

Quando o céu, na lua cheia,
expõe os encantos seus,
a serra se galhardeia,
por estar mais junto a Deus.

Quando no espelho me exponho,
a velhice me valida,
com marcas de um lindo sonho
e gratidão pela vida...

Saudade é dor que se sente,
por quem, por qual, ou razão.
Um vazio que há na gente:
— Mistério de um coração!...

Se, a tua noiva, não bebe,
com ela, nunca te cases,
se não bebe, ela percebe,
o que fazes e não fazes,

Se a vida traz cicatrizes
por algo que nos aporte,
pelos meus dias felizes,
agradeço a Deus, a sorte.

Se os bons ventos são bem vindos,
por trazer-nos sempre o bem,
que levem, após advindos,
os nossos males, também...

Só a idade evidencia,
os rumos da nossa essência,
nos dando a sabedoria,
consolidando a existência.

Tendo a trova como canto,
o poeta em oração,
põe, em versos, todo encanto,
da mais sublime expressão!

Tens meiguice e sedução,
tens, oh Mãe, tanta bondade,
és de Deus, a criação,
que concebe, a humanidade.

        Fabiano de Cristo Magalhães Wanderley, ou simplesmente Fabiano Wanderley, nasceu em Natal/RN.
        Ainda novo, com apenas 13 anos, iniciou sua carreira artística como cantor, na Rádio Educadora de Natal/RN, que, posteriormente, passou a chamar-se Rádio Poty e, atualmente, Rádio Clube.
        Destacou-se, também, nos programas radiofônicos dominicais, ao vivo, a cargo dos saudosos radialistas Genar Wanderley e Luiz Cordeiro, nos principais cinemas de nossa cidade.
        Em março de 1976, formou o famoso Trio Cigano, juntamente com Francisco Franklin de Souza e Manoel Félix (Neco), com os quais gravou 3 (três) LPs, num período de 17 anos de convivência musical. Em seguida, passou a cantar solo, tendo gravado um CD intitulado; "Eu, a vida e a Canção".
        No ano de 1997, publicou com enorme sucesso, seu primeiro livro de poesia ''Alhos & Bugalhos" e, depois "Versos DI Versos".
        Abrangente, com seu estro primoroso - passeia pelos campos da poesia clássica e moderna, sem esquecer, inclusive, das raízes regionais, como a Glosa e a Sextilha, tâo apreciadas pelos nordestinos,
        Fabiano Wanderley, além de cantor, poeta, compositor e escritor, pertence à Academia de Trovas do RN (ATRN) ocupando a Cadeira n° 30, cujo Patrono é o poeta e trovador Minervino Wanderley, bem como à União Brasileira de Trovadores (UBT-Seçâo de Natal).
        Detém, dezenas de medalhas, troféus e diplomas, fruto de suas conquistas nos diversos concursos a que concorreu, ao longo de sua trajetória como poeta e emérito trovador.

Folclore Brasileiro
A Lenda das Cataratas do Iguaçu
Gideon Marinho Gonçalves
Cataratas do Iguaçu

Eu vi as Cataratas, não, não eram cataratas
eram lágrimas jorrando dos olhos dessa terra.
Vi-me ali enorme vertendo todas aquelas lágrimas.
Não era o Iguaçu que chorava, eram meus olhos
que inundavam o meu coração de solidão.

Fui ver as Cataratas, mas encontrei a solidão.
Tantas águas abundantes por todos os lados
Impetuosas, brotando de qualquer lugar.
Aleatórias, debochadas e soberbas.

Olhei com atenção e profundidade as Cataratas.
Resolvi ir mais perto prá ser respingado pelo suor do Iguaçu.
Fiquei encharcado, meu coração congelou de medo.
Medo da turbulência da solidão que esbanjava regozijo.

Saí logo dos respingos do Iguaçu e voltei apressado
para a minha introspecção. Estava só e meus olhos
não desprendiam da sua impetuosidade.
Senti a sua verdade inundando o meu coração.

Caminhei displicente, mas sem perder você de vista.
O som do Iguaçu inundava meus ouvidos afinados.
Pude perceber certa harmonia tensa e grave.
Não captei a melodia que soava por lá.

Fui às Cataratas ver o Iguaçu chorar.
Senti o seu suor e inundei o meu coração de solidão.
Voltarei lá agora com o saxofone a postos
para criar uma melodia para a harmonia triste, grave e tensa
do Iguaçu e lavar o meu coração com o seu som.
___________

Primitivo Paes
Foz do Iguaçu

Oh! Que verde tão bonito.
Olha o azul infinito
Misturando-se nas pedras
Das águas, na cachoeira
E a clorofila das folhas
Alimenta o arvoredo
Transportando energia,
Do caule até a raiz.
E a gente na passarela
Cruzando por transeuntes,
Pessoas que nunca vi,
Em cada rosto um sorriso
Em cada olhar um aviso,
Dizendo: sou tão feliz!
Cataratas do Iguaçu,
Escute o que vou lhe dizer:
Eu queria ser poeta,
Fazer versos pra você!
Cataratas, me desculpem,
Mas não existe poeta
Aqui na face da terra
Que possa te descrever!
Olha a explosão das águas
Na cachoeira maior,
Caindo lá das alturas,
Formando nuvens de pó,
São nuvens de hidrogênio
Se junta ao oxigênio,
Formando uma chuva só.
Cruzando na passarela,
As pessoas se molhando,
Tomando banho de sol
E de chuva, como se diz,
Banho de felicidades
Porque na realidade
A gente vira criança
Brincando num chafariz!...

A Lenda das Cataratas do Iguaçu – Naipi e Tarobá
por Hardy Guedes

O Iguaçu pertencia a M'Boi. Por isso, até hoje, as águas desse rio serpenteiam imitando os seus movimentos. Porque M'Boi é M'Boitatá, o deus - serpente, e o Iguaçu é, também, uma enorme serpente que vai se arrastando pelo chão do Paraná. Aonde M'Boi ia, o Iguaçu o acompanhava. É por isso que quase todos os rio deságuam no mar, mas o rio - serpente, não.
Ele nasce pertinho do Atlântico, no Planalto de Curitiba. Bastaria se lançar Serra do Mar abaixo e sem dificuldades levaria as suas águas para o Oceano. Mas o Iguaçu é um rio avesso e tem destino contrário aos demais. O traçado do Iguaçu foi escolhida de M'Boi e ele quis correr para o interior.
O Deus - serpente desejava chegar em outro mar: o de Xaraés. Era assim que as tribos antigas chamavam o Pantanal de Mato Grosso. E foi abrindo o seu caminho, rasgando o chão, arrancando mata, alagando baixada.
O Iguaçu tinha muito peixe e o índio Kaigang muita fome. Índio queria peixe, mas peixe pertencia a M'Boi que era dono do rio. Índio ia pescar, canoa virava. Perdia peixe, perdia vida. Kaigang resolveu fazer trato com o deus - serpente. M'Boi deixava índio pescar. Índio dava cunhã para M'Boi. Todo ano, uma cunhã. Cunhã era moça bonita. Bonita como Naipi, a mais linda de toda a tribo Kaigang.
Muitos queriam se casar com Naipi. Eram tantos, que os Kaigang preparavam uma enorme festa. Nela, os bravos guerreiros, com o corpo pintado com as cores da alegria, disputariam o amor de Naipi. E começaram as lutas e os risos e os cantos. Tarobá, um jovem forte e belo, foi o vencedor.
M'Boi ouviu o barulho da festa e quis saber o que estava acontecendo. M'Boi viu Naipi e pediu a moça pra ele. Mas Tarobá havia vencido as lutas. Naipi era de Tarobá. Tarobá não quis dar Naipi para o deus - serpente. M'Boi desfez o trato com índio. Voltou a espantar peixe. Voltou a virar canoa. Voltou a matar índio. Índio não tinha mais peixe. Índio voltou a sentir fome.
Os Kaigang se reuniram. Ofereceram outras moças a M'Boi. M'Boi não aceitou. Ofereceram outras moças a Tarobá. Tarobá também não aceitou. Lutara por Naipi. Vencera por Naipi. Naipi era de Tarobá.
A fome aumentou. Os Kaigang decidiram roubar Naipi de Tarobá para entregar a M'Boi. A moça foi levada para a beira do Iguaçu. Índio gritou chamando M'Boi. M'Boi veio depressa. Tarobá ouviu algazarra. Veio depressa também.
Tarobá chegou primeiro. Pegou Naipi. Fugiu mata adentro. M'Boi correu atras, rasgando chão, derrubando mata, alagando baixada. Tarobá era guerreiro forte. Tarobá era muito ligeiro. Tarobá era muito esperto. M'Boi é deus - serpente. É ligeiro e manhoso também. Por onde Tarobá corria com Naipi, M'Boi fechava o caminho com as águas do Iguaçu, serpenteando pra lá e pra cá. Tarobá, sem saída, encontrou canoa, remou ligeiro. M'Boi foi atrás. Queria virar canoa. Queira Naipi.
Tarobá era bom no remo. Canoa não virava, não. Nem mesmo o deus - serpente podia vencer Tarobá. Mas o Iguaçu era de M'Boi e fazia o que ele queria. M'Boi viu um grande abismo. Se Naipi não era dele, de Tarobá não seria. M'Boi mandou o Iguaçu se jogar no precipício. O Iguaçu, obediente, lançou-se imensidão abaixo, arrastando canoa com Tarobá e Naipi.
Tupã viu tudo, mas nada pode fazer. Tupã é deus do trovão. M'Boi é deus - serpente. Dois deuses não lutam entre si. Tupã fez do corpo de Tarobá uma grande pedra, e o deixou lá embaixo, no grande abismo onde ele caiu, e transformou Naipi na espuma das águas.
Desde então, todos os dias, Naipi, a espuma, procura acariciar o corpo do seu amado Tarobá. E toda vez que eles se encontram, nas águas das Cataratas do Iguaçu, aparece um belo arco-íris. O castigo do Iguaçu foi acabar ali, juntando-se ao rio Paraná, tendo de correr de vota um grande caminho, em direção ao Atlântico. M'Boi, o deus - serpente, foi-se embora para o Mar de Xaraés e povoou a região de serpentes gigantes, que são as assustadoras sucuris.

http://profmarcelocascavel.blogspot.com.br/2012/08/folclore-paranaense-naipi-e-taroba.html

Daiana S. Moura
Análise interpretativa do poema "Antífona", do poeta simbolista Cruz e Souza.

Antífona

Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares, de neves, de neblinas!
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras

Formas do Amor, constelarmante puras,
De Virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de lírios e de rosas ...

Indefiníveis músicas supremas,
Harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...

Visões, salmos e cânticos serenos,
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
Dormências de volúpicos venenos
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...

Infinitos espíritos dispersos,
Inefáveis, edênicos, aéreos,
Fecundai o Mistério destes versos
Com a chama ideal de todos os mistérios.

Do Sonho as mais azuis diafaneidades
Que fuljam, que na Estrofe se levantem
E as emoções, todas as castidades
Da alma do Verso, pelos versos cantem.

Que o pólen de ouro dos mais finos astros
Fecunde e inflame a rima clara e ardente...
Que brilhe a correção dos alabastros
Sonoramente, luminosamente.

Forças originais, essência, graça
De carnes de mulher, delicadezas...
Todo esse eflúvio que por ondas passa
Do Éter nas róseas e áureas correntezas...

Cristais diluídos de clarões alacres,
Desejos, vibrações, ânsias, alentos
Fulvas vitórias, triunfamentos acres,
Os mais estranhos estremecimentos...

Flores negras do tédio e flores vagas
De amores vãos, tantálicos, doentios...
Fundas vermelhidões de velhas chagas
Em sangue, abertas, escorrendo em rios...

Tudo! vivo e nervoso e quente e forte,
Nos turbilhões quiméricos do Sonho,
Passe, cantando, ante o perfil medonho
E o tropel cabalístico da Morte…

         Antes de iniciarmos a análise interpretativa do poema "Antífona", de Cruz e Souza, retornaremos brevemente sobre o período do Simbolismo, tendo início no final do século XIX.
         Esta fase literária inicia-se com a publicação em 1893, de Missal e Broquéis, do poeta João da Cruz e Souza. A linguagem simbolista se caracterizava como abstrata e sugestiva, atribuindo um certo misticismo e religiosidade as obras. Os poetas dessa época valorizavam muito os mistérios da morte e dos sonhos, carregando os textos de subjetivismo. A morte é vista como uma espécie de libertação. Os principais representantes do Simbolismo foram: Cruz e Souza e Alphonsus de Guimarães.
         Segundo o dicionário da Língua Portuguesa por Evanildo Bechara, o significado da palavra antífona é indicado como: Antífona. sf. Liturgia. Versículo recitado no início e final de um salmo, e que o coro repete.
         As antífonas se cantam a duas vozes, uma responde à outra, e pode ter citações das escrituras cristãs. A leitura do poema, então, deve ter a solenidade do ritual religioso, e o ritmo sagrado da música sagrada. De início será abordado um pouco sobre a estrutura do poema, em que se fundamentava gramaticalmente Cruz e Souza e suas principais características no plano temático e no plano formal.
         O poema é distribuído em onze estrofes, cada estrofe com quatro versos, ou seja, em quadras. Apresenta figuras de linguagem, tais como: sinestesias ("Tudo! Vivo e nervoso e quente e forte"), aliterações (2ª estrofe) e metáforas ("... da alma do Verso, pelos versos cantem."), uma certa obsessão por brilhos / metáfora da incompreensão e pela cor branca / metáfora da paz e da pureza. Podemos notar aspectos noturnos do Simbolismo, herdados do Romantismo: o culto da noite, o pessimismo, a morte e etc. A preocupação formal que o aproxima dos parnasianos, como a forma lapidar, o gosto pelo soneto, o verbalismo requintado, a força das imagens.
         O drama da existência revela uma provável influência do filósofo alemão Schopenhauer. Cruz e Souza vivia um drama pessoal, um drama racial, um sentimento de opressão, um profundo desejo de fugir da realidade, como podemos notar nos versos "... Desejos, vibrações, ânsias, alentos / Fulvas vitórias, triunfamentos acres.." . A sua consciência girava em torno da dor de ser negro, da dor ser homem, uma poesia com investigação filosófica e com a angústia metafísica , como nota-se na penúltima estrofe "Flores negras do tédio e flores vagas /De amores vãos, tantálicos, doentios... / Fundas vermelhidões de velhas chagas / Em sangue, abertas, escorrendo em rios...".
         A musicalidade também estava presente na vida do poeta e o mesmo tentava aproximar a poesia da música, dando ênfase nos fonemas, trabalhando com as sinestesias.
         Outra característica presente nesse poema como em outros poemas, é uma predisposição para a formação de imagens através das palavras. O poeta brinca com as palavras, nos fazendo imaginá-las em nossa mente a partir da significação no contexto em que estão inseridas. Como quando o poeta inicia o poema, enfatizando as formas alvas, brancas, as formas do amor. Remetem-nos claramente ao termo Simbolismo, relacionado ao signo icônico, semiótico, símbolo e pensamento por imagem.
         No plano temático apresenta características relacionadas à morte, a transcendência espiritual, a integração cósmica, o mistério, o sagrado, o conflito entre matéria e espírito, a escravidão, atenção especial por brilhos e pela cor branca, a angústia e a sublimação sexual. No plano formal, as sinestesias, imagens surpreendentes, a sonoridade das palavras (expressam desejos), a predominância de substantivos, utilização de letras maiúsculas, com a finalidade de dar um valor absoluto a certos termos.

http://www.webartigos.com/artigos/analise-interpretativa-do-poema-antifona-de-cruz-e-souza/73825/#ixzz3TKtzLGSY

Um comentário:

Rosemildo Sales Furtado disse...

A importância de passar aqui está em tudo aquilo que a gente aprende.

Abraços,

Furtado.

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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