Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Trovador Homenageado (Aloysio Alves da Costa)

Após acender o isqueiro
"desaparece" o rapaz.
Não viu o grande letreiro:
– PERIGO - NÃO FUME – GÁS.
As tuas mãos displicentes,
no meu rosto a deslizar,
são mansas águas correntes
sem pressa de desaguar…
A terra, embora cansada
não guarda o menor rancor;
devolve a cada enxadada,
alimento, sombra e flor.
A trova tem a magia
de revelar de repente
a tristeza ou a alegria
ocultas dentro da gente.
Cada vez me fica a prova
e eu me convenci, enfim,
que palpita em cada trova
um bom pedaço de mim.
 
Eu fugindo da saudade,
ocultei-me num abrigo;
ela, porém, por maldade,
foi lá pernoitar comigo.
Eu leio no teu sorriso
o que diz teu coração;
por isso, não é preciso
tanta dissimulação.
Meus filhos, esta criança
nascida do amor primeiro,
será, por certo, a bonança,
do meu viver derradeiro.
Muita moça maltrapilha,
sem brinco, broche ou cordão,
tem uma estrela que brilha,
no céu do seu coração.
Mulher que não acredita
no dom da maternidade,
pode ser mulher bonita,
mas, não, mulher de verdade.
Mulher se faz elegante,
mesmo sem a passarela.
A moda mais importante
é a nobreza dentro dela.
Na mansão da dona Wanda,
se o marido vai pescar,
a luz verde na varanda
é o sinal que eu posso entrar.
Não desespere, querida,
eu sei que o fracasso dói;
mas nas bigornas da vida.
é que se forja o herói.
Não quero vela, nem flor,
enfeitando a minha cova;
mas escrevam, por favor,
a minha mais bela trova.
No calor da discussão
no lar, emprego ou na rua,
não exija educação,
mas sempre demonstre a sua.
No enterro do seu Terêncio,
era grande o falatório;
defunto gritou: Silêncio!
esvaziou-se o velório.
Odeio o espelho do quarto,
quando reflete o meu rosto.
Confesso que eu ando farto
de encarar tanto desgosto.
O governo sanguessuga.
para as dívidas saldar,
quer que até a tartaruga,
pague imposto pra morar.
O índio, com estardalhaço.
diz para o filho pequeno:
– Joga fora este pedaço,
carne de padre é veneno.
O seu lábio semi-aberto
e seu olhinho fechado,
me convidam, estou certo,
para um beijo apaixonado.
Por carta, mando-te um beijo
muito antecipadamente;
em breve, terei o ensejo
de dá-lo pessoalmente.
Por ter chegado aos cinquenta,
não me sinto na pior;
bacalhau - diz Dona Benta -
quanto mais seco melhor.
Quando, à tarde, o sol descansa
de um dia de muita lida,
a lua lhe envia, mansa,
um beijo de despedida.
Quem quiser ganhar o mundo
conquistando-o por inteiro,
faça um esforço profundo
de domar, a si. primeiro.
Respeite a terra cansada,
meu amigo lavrador,
não dê só golpes de enxada,
mas também carinho e amor.
Se queres ser trovador,
fazer trovas de verdade,
coloque rimas de amor
nas canetas da humildade.
Temos no exemplo dos rios
uma lição modelar;
Eles vencem desafios,
porque sabem contornar.
Transparente é minha mágoa,
que nem consigo fingir,
pois meus olhos rasos d'água
já não permitem mentir!
_________________________________________________________
Aloysio Alfredo Silva, escritor, poeta, trovador, articulista, professor, advogado, aposentado do Banco do Brasil, nasceu em Juiz de Fora/MG, a 2 de janeiro de 1931. Segundo ele: "Em Juiz de Fora eu nasci/no dia dois de janeiro./ Sorríu-me a lua Jaci/ que foi quem me viu primeiro./A Jesus agradeci/por ter nascido mineiro.
            Filho único de Norival José da Silva (falecido), natural de Angustura (MG) e de Dona Maria da Glória do Nascimento Silva, de São Pedro Pequeri (MG). Casou-se com Vera Lúcia Calzavara, ceramista e escultora. Trabalhou apenas em dois empregos: Cia Mineira de Eletricidade (16 anos) e Banco do Brasil (26 anos). Pelo banco exerceu funções em Volta Redonda, Barra Mansa e Três Rios. Aposentou-se aos 55 anos de idade em Juiz de Fora. Somente na terceira idade que iniciou a sua carreira literária propriamente dita, embora já escrevesse esporadicamente. Tem o Curso Técnico de Contabilidade e Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora.
            Kardecista desde a juventude.
            Participa como titular das: Academia de Letras de Juiz de Fora, Academia Juizforana de Letras, Academia dos Poetas e Prosadores de Minas Gerais, Casa do Poeta Belmiro Braga, Academia Municipalista de Letras do Estado de Minas Gerais, Associação Cultural Luso-Brasileira, União Brasileira de Trovadores, Galeria dos Trovadores do Brasil e Academia Ubaense de Letras.
            Livros publicados:
"Gênios ou Ingênuos" (1983 e 1988); "As Águas Sagradas de Todos os Tempos" (1984); "Os Cometas e a Estrela de Belém" ((1985); "Os Vilões do Templo" (1985); "Sou Mineiro. Uai" (1994); "IX Anos de Trova" (1994); "Sobre Natural" (1996); "Reminiscências Juizforanas" (1996); "Minhas doces e amargas redondilhas" (1997) e "A morada eterna" (1998).           
            Tem matéria publicada em prosa e/ou em verso em todos os jornais e revistas de Juiz de Fora e 25 jornais do interior do país.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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