Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Chuva de Versos n. 422

Organização e seleção: José Feldman
Revisão: Therezinha Dieguez Brisolla e Dorothy Jansson Moretti
Uma Trova de Curitiba/PR
Roza de Oliveira
Hoje eu defino a fofoca,
tão velha como a sequóia,
como uma simples minhoca
que se transforma em jibóia.
Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Clevane Pessoa
Gatos à noite são bardos,
miam versos para a lua.
Dizem que então ficam pardos
parecem da cor da rua...
Um Poema de Paris/França
Charles-Pierre Baudelaire
1821 – 1867
O Gato
Vem cá, meu gato, aqui no meu regaço;
Guarda essas garras devagar,
E nos teus belos olhos de ágata e aço
Deixa-me aos poucos mergulhar.
Quando meus dedos cobrem de carícias
Tua cabeça e o dócil torso,
E minha mão se embriaga nas delícias
De afagar-te o elétrico dorso,
Em sonho a vejo. Seu olhar, profundo
Como o teu, amável felino,
Qual dardo dilacera e fere fundo,
E, dos pés a cabeça, um fino
Ar sutil, um perfume que envenena
Envolvem-lhe a carne morena.
Uma Trova Humorística de Porto Alegre/RS
Milton Souza
Gatos miam no telhado,
mas ela nunca reclama:
– o som abafa o “miado”
do ‘gato’ da sua cama!
Uma Trova de Porto Alegre/RS
Delcy Canalles
A lágrima mais doída
não é a que aos olhos vem,
mas a que fica escondida
sem se mostrar a ninguém!
Um Poema de Lisboa/Portugal
Fernando Pessoa
(Fernando António Nogueira Pessoa)
(1888 – 1935)
“O Gato”
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
Uma Trova de São Paulo/SP
Héron Patrício
Sobre a minha campa nua,
se tu chegares, amor,
em cada lágrima tua,
há de brotar uma flor!
Uma Trova Hispânica da Venezuela
Carlos Rodriguez Sanchez
Unos labios amorosos
que nos brindan su sonrisa,
nos dan momentos dichosos
en forma clara y precisa.
Um Poema do Chile
Pablo Neruda
Parral/Chile (1904 – 1973) Santiago/Chile
Ode ao gato
Os animais foram
imperfeitos,
compridos  de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.
Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa só
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa
de uma nave.
Os seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogara as moedas da noite
Oh pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.
Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
certamente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertence
ao habitante menos misterioso,
talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
do seu gato.
Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica,
o gineceu com os seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos tem números de ouro.
 
Trovadores que deixaram Saudades
Rodolpho Abbud
Nova Friburgo/RJ (1926 – 2013)
Alcançando a eternidade,
dia e noite ela palpita:
- A lágrima da saudade
tem dimensão infinita!
Uma Trova de São Simão/SP
Thalma Tavares
No aceno discreto e mudo,
que entre lágrimas fizeste,
teus olhos disseram tudo
do amor que nunca disseste.
Um Haicai de Ilhéus/BA
Abel Silva Pereira
Bucolismo
Canção matinal.
Campinas. Vacas turinas.
Cheiro de curral.
 
Uma Trova de São Paulo/SP
Ronnaldo Andrade
Em mim mora uma criança
que na praia, em lua cheia,
passeia com esperança
de encontrar passos na areia.
Um Poema de São José dos Campos/SP
Cassiano Ricardo
(1895 – 1974) Rio de Janeiro/RJ
O Gato Tranquilo
Ei-lo, quieto, a cismar, como em grave sigilo,
vendo tudo através a cor verde dos olhos,
onça que não cresceu, hoje é um gato tranquilo.
A sua vida é um "manso lago", sem escolhos...
Não ama a lua, nem telhado a velho estilo.
De uma rica almofada entre os suaves refolhos,
prefere ronronar, em gracioso cochilo,
vendo tudo através a cor verde dos olhos.
Poderia ser mau, fosforescente espanto,
pequenino terror dos pássaros; no entanto,
se fez um professor de silêncio e virtude.
Gato que sonha assim, se algum dia o entenderdes,
vereis quanto é feliz uma alma que se ilude,
e olha a vida através a cor de uns olhos verdes.
Uma Trova de Mogi-Guaçu/SP
Olivaldo Júnior
Vou andando e, sem barulho,
vem à tona um triste fato:
- a saudade é um pedregulho
que não sai do meu sapato!
Um Haicai de São Paulo/SP
Cláudio Daniel
dia de finados
o branco da nuvem
e o crisântemo
Uma Trova de Porto Alegre/RS
Flávio Roberto Stefani
Na ausência que não nos poupa,
saudade é formiga arisca
que fica dentro da roupa
e volta e meia belisca.
 
Um Poema de Portugal
Bocage
(Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage)
Setúbal (1765 – 1805) Lisboa
Os dois gatos
Dois bichanos se encontraram
Sobre uma trapeira um dia:
(Creio que não foi no tempo
Da amorosa gritaria).
De um deles todo o conchego
Era dormir no borralho;
O outro em leito de senhora
Tinha mimoso agasalho.
Ao primeiro o dono humilde
Espinhas apenas dava;
Com esquisitos manjares
O segundo se engordava.
Miou, e lambeu-o aquele
Por o ver da sua casta;
Eis que o brutinho orgulhoso
De si com desdém o afasta.
Aguda unha vibrando
Lhe diz: “Gato vil e pobre,
Tens semelhante ousadia
Comigo, opulento, e nobre?
Cuidas que sou como tu?
Asneirão, quanto te enganas!
Entendes que me sustento
De espinhas, ou barbatanas?
Logro tudo o que desejo,
Dão-me de comer na mão;
Tu lazeras, e dormimos
Eu na cama, e tu no chão.
Poderás dizer-me a isto
Que nunca te conheci;
Mas para ver que não minto
Basta-me olhar para ti.”
“ Ui! (responde-lhe o gatorro,
Mostrando um ar de estranheza)
És mais que eu? Que distinção
Pôs em nós a Natureza?
Tens mais valor? Eis aqui
A ocasião de o provar.”
“ Nada (acode o cavalheiro)
Eu não costumo brigar.”
“Então (torna-lhe enfadado
O nosso vilão ruim)
Se tu não és mais valente,
Em que és sup'rior a mim?
Tu não mias?” - “Mio.” - “E sentes
Gosto em pilhar algum rato?”
“Sim.” - “E o comes?” - “Oh! Se como!...”
“Logo não passa de um gato.
Abate, pois, esse orgulho,
Intratável criatura:
Não tens mais nobreza que eu;
O que tens é mais ventura.”
Um Haicai de Curitiba/PR
Delores Pires
CREPÚSCULO
Luz de fim do dia.
E a tua imagem flutua...
Vaga nostalgia!
Uma Trova de Sorocaba/SP
Dorothy Jansson Moretti
Vivemos longe, é verdade,
mas estejas onde for,
eu chego lá “de saudade”:
- a ponte aérea do amor.
  
Um Poema do Rio de Janeiro
Millor Fernandes
(Milton Viola Fernandes)
1923-2012
Gato ao crepúsculo
Gato manso, branco,
Vadia pela casa,
Sensual, silencioso, sem função.
Gato raro, amarelado,
Feroz se o irritam,
Suficiente na caça à alimentação.
Gato preto, presságio,
Surgindo inesperado
Das esquinas da superstição.
Cai o sol sobre o mar.
E nas sombras de mais uma noite,
Enquanto no céu os aviões
Acendem experimentalmente
suas luzes verde-vermelho-verde,
Terminam as diferenças raciais.
Da janela da tarde olho os banhistas tardos
Enquanto, junto ao muro do quintal,
Os gatos todos vão ficando pardos.
Recordando Velhas Canções
Foi um rio que passou em minha vida
(samba, 1970)
Paulinho da Viola
Se um dia
Meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração tem manias de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos
Ficou, ficou
Só um amor pode apagar
As marcas dos meus desenganos
Ficou, ficou
Só um amor pode apagar
Porém, ai porém
Há um caso diferente
Que marcou um breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de carnaval
Carregava uma tristeza
Não pensava em novo amor
Quando alguém
Que não me lembro anunciou :
Portela, Portela
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou
Ai, minha Portela
Quando vi você passar
Senti meu coração apressado
Todo o meu corpo tomado
Minha alegria voltar
Não posso definir aquele azul
Não era do céu
Nem era do mar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
Foi um rio que passou
Em minha vida
E meu coração se deixou levar
Laiá laiá
laiá lalalá
laiá laiá
laiá   laiá   laiá   lalalá  laiá
Uma Trova de Pindamonhangaba/SP
José Valdez Castro Moura
Partiu, deixando o seu traço
no meu caminho dos sós...
- A saudade é esse espaço
que existe sempre entre nós.
 
Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Artur da Távola
(Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros)
1936 – 2008
Poema para os gatos
Silêncio,
eis a tarefa
de todos os gatos.
Poucos sabem perscrutar
(talvez ninguém em plenitude)
o grau de solidão necessária
ao saber auto suficiente
para ser felino e doméstico
em sua tarefa de monge
guardião do inextricável
em quem o homem não percebe
a metafísica natural,
recolhimento
saber
sensualidade
e aceitação.
Um Haicai de Belo Horizonte/MG
Eolo Yberê Libera
As cores da noite
recamadas de silêncio
preparam o dia.
Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Luiz Carlos Abritta
Vou definir a saudade
e não sei se estarei certo:
- saudade é aquela vontade
de que o longe fique perto.
Um Poema de Porto Alegre/RS
Joaquim Moncks
O gato
O gato chega
de incursões noturnas
começadas há três dias.
Chega com ar impostor
dos guerreiros que retornam.
E nós, urbanos,
o esperamos
com olhos de espanto
e respeito.
Enfim, corrijo,
chega um guerreiro
capaz de armistícios
e repouso.
Hinos de Cidades Brasileiras
Diamantina/MG
Quando a noite a linda lua
Torna as pedras cor de prata
Diamantina sai à rua
Transformada em serenata.
Seresteiros indomados
Dedilhando violões
Levam música aos ouvidos
E saudade aos corações.
A seresta apaixonada
Corre as ruas do Macau
Capistrana Cavalhada
São Francisco, Burgalhau.
Essas ruas serpeantes
É tão fácil entendê-las
Descem doidas por diamantes
Sobem ávidas de estrelas.
O Itambé mesmo de longe
Ouve os sons quase em surdina
Ergue as mãos azuis de monge
E abençoa Diamantina.
Se de um sonho nada resta
Só saudade, só, mais nada,
Como é linda uma seresta,
Numa noite enluarada.
Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Maria Nascimento Carvalho
A saudade é um bem guardado
que nos volta, de repente,
num presente do passado,
quando o passado é presente.
Um Poema de São Luís /MA
Ferreira Gullar
O ronron do gatinho
O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.
Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.
É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ronron
para mostrar gratidão.
No passado se dizia
que esse ronron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.
Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ronron em seu peito
não é doença - é carinho.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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