Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 4 de agosto de 2015

José Feldman (Chuva de Versos n. 416)

Uma Trova de Maringá/PR
A. A. de Assis
Encher de trovas os muros,
é prova de inteligência.
É um dos modos mais seguros
de combater a violência.
Uma Trova Vencedora em Caicó/2015, de Pindamonhangaba/SP
Nélio Bessant
Lenhador, o lenho é duro
e a seiva que dele escorre
é o teu choro, no futuro,
pelo verde que hoje morre.
Um Poema de Ribeirão Preto/SP
Miguel Perrone Cione
Canta Poeta
Quando ouvires no teu peito a tua lira,
farás do poema o salmo que seduz,
e com o verso quente que a fé te inspira
tua alma iluminarás com a própria luz.
Não esqueças o bem que nos transporta
à crença tutelar da nossa lida,
à divina esperança que conforta
aqueles que aguardam algo em sua vida.
Essa riqueza suave de querer,
poeta, sempre a terás em teu poder,
porque a inspiração milagres faz.
Canta tudo o que aspiras e que sentes...
Sonha... faz do sonhar muitas sementes
para semeares neste mundo a paz!
Uma Trova Humorística de São Paulo/SP
Débora Novaes de Castro
Trocando alho por bugalho,
escurinho, eis o problema;
o namorado erra o galho
beija a sogra no cinema!
Um Diálogo em Versos entre Maringá/PR e Fortaleza/CE
Nemésio Prata
Fortaleza/CE
Toda vez que o Trovador
das bandas do Paraná
me pede pra botar "lenha"
num fogo, eu, cá, do Ceará,
vou buscar, lá na "caieira",
"carvão", e sem dar bobeira,
atendo ao de Maringá!
Meu carvão não é de luxo,
feito do Pinho sulista,
porém dá uma boa queima,
e olhe não sou artista;
o carvão do Ceará
se iguala ao do Paraná:
este é o meu ponto de vista!
José Feldman
Maringá/PR
Este vate do Ceará,
não é brincadeira não,
mostra o muito que ele sabe,
espalhando seu maná.
Bota lenha na caldeira
de versos, uma fogueira
mais voraz que o Carcará!
Nemésio Prata
Fortaleza/CE
Não é brincadeira não,
quando vem de Maringá,
deste Trovador irmão,
que derrama o bom maná
de versos, o atestado
que este Poeta sincopado
versa "quinem" Carcará!
Fico todo encabulado,
sem jeito, pelo elogio
de tão distante postado,
mas, como é do meu feitio
desde agora o agradeço,
só não sei se bem mereço:
pois pra mim é um desafio!
Pra não esquecer a Trova...
Neste Brasil se congraçam
Trovadores, sem fronteiras,
levando, por onde passam,
seus Versos nas algibeiras!
José Feldman
Maringá/PR
Congraçado ou "sengraçado",
agradeço, meu irmão!
Neste mundo revirado
que hoje, nem se tem mais chão.
Mas eu creio, está a esperança,
mesmo que ela não se alcança,
fincada no coração.
Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Olympio S. Coutinho
Feliz de quem não permite
que o domínio da razão
seja mais forte e limite
o que sente o coração.
Um Poema de Ribeirão Preto/SP
Miguel Perrone Cione
A Flor
Eu vi o botão de rosa pequenino,
crescer e enrubescer a cada hora,
e, aos afagos do orvalho matutino,
tornar-se flor ao despontar da aurora.
Agora vejo que, dolente e mansa,
no festival da sua realeza,
a bela flor na haste se balança,
ostentando suas vestes de princesa.
Auscultando esse místico labor,
esse milagre que a própria flor,
nos revela através da sua beleza,
eu vos afirmo, sem nenhum temor:
— São as flores as mãos do Criador,
que se abrem para nós na Natureza...
Uma Quadra Popular
Autor Anônimo
Adeus plantas, adeus rios,
adeus gente do lugar.
Vou partindo, vou chorando,
com vontade de voltar.
Fonte: Azevedo,Teófilo de. Literatura popular do norte de Minas: a arte de fazer versos.São Paulo, Global Editora, 1978. Cultura Popular, 3.
Uma Trova Hispânica de Israel
Ady Yagur -Israel
La música es dulce canto
eco del alma que sana,
lleva paz, lleva el encanto
de esperanza en el mañana.
Um Poema de Ribeirão Preto/SP
Miguel Perrone Cione
O Sabiá
Pela manhã, na velha laranjeira,
quando os clarões do sol se aproximavam,
a voz do sabiá era a primeira,
na orquestração das aves que cantavam.
Foi o meu carrilhão da madrugada,
esse cantor de asas e de penas,
punha em meu dia a forma aveludada
de um claro céu de nuvens mais serenas.
Certa manhã faltou...e sua ausência
foi como se da flor faltasse a essência,
como a estrela que logo se apagou.
A vida traz estranhas semelhanças:
também em nossos sonhos de esperanças,
há sempre um sabiá que não voltou!…
Trovadores que deixaram Saudades
Ferreira Itajubá
(Manuel Virgílio Ferreira)
Touros/RN (1876 – 1912) Rio de Janeiro/RJ
Eu vi teu rastro na areia
pela derradeira vez
e dei-lhe um milhão de beijos
pensando no pé que o fez…
Um Haicai de Balneário Camboriú/SC
 
Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Sônia Sobreira
Vão-se as pombas sem escolta,
livres, buscando os pombais.
Levam seus sonhos de volta,
os meus, não voltam jamais!
Um Poema de Ribeirão Preto/SP
Miguel Perrone Cione
O Colibri
Já não te encontro de asas flutuantes,
lépido, em meu vergel, como te via
com a plumagem de cores radiantes,
aos lampejos do sol flavo do dia.
Faz algum tempo que já não te vejo
embriagar-se no néctar do jasmim,
levar à rosa o teu furtivo beijo,
depois sumir-se pelo azul sem fim...
Igual a ti, meu colibri risonho,
é a felicidade um dourado sonho,
que bem poucos conseguem realizar.
Quando a sentimos, vai-se sem demora,
breve nos deixa e vai-se logo embora,
sem nos dizer se ainda vai voltar...
Uma Trova de Caçapava/SP
Élbea Priscila de Sousa e Silva
A orquídea, plena de vida,
faz de um tronco seu suporte;
ele a sustenta, florida,
e a bela lhe enfeita a morte.
Um Poema de Ribeirão Preto/SP
Miguel Perrone Cione
As Palavras de Amor
Palavras queridas, amenas, sinceras,
trocadas no mútuo convívio do amor,
palavras de afeto, meigas, macias,
que tangem desejos, no anseio de amar.
Palavras de amor, na alma nascidas,
que geram nos olhos as lágrimas puras,
da nossa ternura, da nossa emoção,
que rolam nas faces e molham as mãos.
Palavras de amor... não sei quem mais sente,
se quem as profere abrindo sua alma,
vivendo momentos de plena ventura,
se quem as espera ansiosamente
dos lábios sensuais e doces de alguém.
Palavras que falam aos corações,
redondas de sonhos, às vezes tão leves,
às vezes tão breves que embargam a voz
e mal pronunciam as juras de amor.
Palavras de amor... eterna bonança,
que fazem a esperança mais clara se abrir.
Palavras de amor... momentos divinos,
que marcam destinos, mistérios sem fim.
Palavras benditas, que os céus abençoam,
são salmos que voam em busca de luz!
Palavras de amor... adornos da vida.
Quem nunca as falou? Quem nunca as ouviu?
São mais que palavras, pedaços da gente...
— São minhas, são tuas, são belas,
são nossas palavras de amor!...
Uma Trova de Porto Alegre/RS
Flávio Roberto Stefani
Todo vício, cá na terra,
tem seu mal, que se reprova.
Mas existe um vício santo:
– o vício de fazer trova.
Um Poema de Ribeirão Preto/SP
Miguel Perrone Cione
Revendo a Casa da Infância
Eu, que ardendo em saudades e ternura
venho rever tua presença amada,
vejo-te hoje, sobre a terra dura,
em merencórias ruínas debruçada.
O jardim, o pomar que encontro agora,
são fantasmas de árvores sem viço...
- Por que voltei a este rincão de outrora,
magoar meu coração com tudo isso?
Lembro-te linda, de mimosas cores,
adornada de pássaros, de flores,
tão terna que jamais te esquecerei.
Foram-se todas essas coisas belas,
Eram tão minhas... onde foram elas?
Onde estaria tudo que deixei?...
Recordando Velhas Canções
O pequeno burguês
(samba, 1969)
Martinho da Vila
Felicidade, passei no vestibular
Mas a faculdade, é particular
Particular, ela é particular
Particular, ela é particular
Livros tão caros
Tanta taxa pra pagar
Meu dinheiro muito raro
Alguém teve que emprestar
Meu dinheiro alguém teve que emprestar
Meu dinheiro alguém teve que emprestar
Morei no subúrbio
Andei de trem atrasado
Do trabalho ia pra aula
Sem jantar e bem cansado
Mas lá em casa à meia-noite
Tinha sempre a me esperar
Um punhado de problemas
E crianças pra criar
Para criar, só crianças pra criar
Para criar, só crianças pra criar
Mas felizmente
Eu consegui me formar
Mas da minha formatura
Nem cheguei a participar
Faltou dinheiro pra beca
E também pro meu anel
Nem o diretor careca
Entregou o meu papel
O meu papel, meu canudo de papel
O meu papel, meu canudo de papel
E depois de tantos anos
Só decepções, desenganos
Dizem que sou burguês
Muito privilegiado
Mas burgueses são vocês
Eu não passo de um pobre coitado
E quem quiser ser como eu
Vai ter que penar um bocado
Um bom bocado
Vai penar um bom bocado
Um bom bocado
Vai penar um bom bocado
Uma Trova de Maceió/AL
Aristheu Bulhões
1909 – 2000, Santos/SP+
Vejo na estrela cadente,
em seu destino fatal,
a glória de muita gente
que tem falso pedestal.
Um Poema de Ribeirão Preto/SP
Miguel Perrone Cione
O Trigo de Deus
A seara do Senhor e franca e linda
como a nada se possa comparar,
tem a fartura de uma messe infinda
para quem dela queira se abastar.
Lá, o trigo de Deus germina e cresce,
aureolado de bênçãos e bonança,
e no divino amor amadurece
a virtude sublime da esperança.
É desse trigo que o mundo mais carece,
o trigo da fé e da harmonia,
o trigo que enriquece a minha prece.
É aonde vou buscar com alegria
esse trigo de Deus que me fornece
o pão da minha paz de cada dia.
Uma Trova de Londrina/PR
Cidinha Frigeri
Vem tua alma comovida,
com rosas para me dar
nas doces fugas da vida
em que me perco a sonhar .
Um Poema de Ribeirão Preto/SP
Miguel Perrone Cione
Felicidade
Felicidade é nuvem peregrina
na inconstância do vento a caminhar;
nem sempre está onde se imagina,
onde não se suspeita pode estar.
Se formos procurar essa ventura,
nas paixões da vida, avidamente,
ela será um bem que pouco dura,
um sopro de ilusão inconsistente.
Mas se a buscarmos no lugar mais certo,
na humildade da fé, na paz que amamos,
todo esse amor nos levará mais perto
dessa felicidade que sonhamos!
Hinos de Cidades Brasileiras
Tapauá/AM
I
Na amplidão desta terra bendita,
ressoou firme voz no sertão;
nordestinos a mata adentraram,
conquistando este enorme torrão.
Pelo imenso Amazonas subiram,
penetraram por todos os rios;
o esplendor e o perigo da selva,
despertaram em todos, os brios.
Tapauenses unidos fiquemos
num abraço fraterno e viril.
Deus proteja esta terra querida,
linda flor deste imenso Brasil.
II
No Purus descobriram riquezas,
em suas margens e em seus afluentes:
castanhais, seringais, ricas peles,
atraíram grandes levas de gentes.
Do Ipixuna na boca instalaram
graciosa, ridente cidade;
muito feito trazendo à memória,
lembranças à suas mocidade.
III
Pelos rios e lagos sem conta
deste solo feliz, generoso,
há tesouros e riquezas tantas,
prenunciando porvir bem glorioso.
Quais heróis forjados esta pátria,
realizamos parcela da história.
Pela fé, pela ciência e o trabalho,
esta terra verá muita glória.
Uma Trova de Natal/RN
José Lucas de Barros
Olhando o primor da teia,
eu fico aos céus inquirindo:
como é que a aranha tão feia
traça um desenho tão lindo?
Um Poema de Ribeirão Preto/SP
Miguel Perrone Cione
Um Pouco de Vinho
O vinho é como o amor... devagarinho
nos envolve em seus filtros singulares...
Na essência borbulhante do bom vinho,
como no amor, diluem-se os pesares.
Se estamos tristes, ele nos transporta
ao enlevo envolvente da alegria,
na solidão, nos abre sempre a porta
às esferas joviais da fantasia.
Nos festivais das mais vistosas galas,
o vinho flui contagiando as salas,
com sua emanação terna e sem fim.
E cria um mundo bom, sem inimigos,
onde todos se abraçam como amigos.
— Que bom se o mundo fosse mesmo assim!...

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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