Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 3 de outubro de 2015

Chuva de Versos n. 428



Uma Trova de Curitiba/PR
Vanda Alves da Silva
A minha saudade enlaço
nas rimas que foram ditas,
e hoje sinto o teu abraço,
vindo das folhas escritas...
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Uma Trova de Santos/SP
Dalva de Araujo
Num lodaçal despontou
um pé de rosa encarnada...
Nem por isso ela deixou
de ser rosa perfumada.
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Um Soneto de Lisboa/Portugal
Luis de Camões
136
A fermosura fresca serra,
e a sombra dos verdes castanheiros,
o manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;
o rouco som do mar, a estranha terra,
o esconder do sol pelos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;
enfim, tudo o que a rara natureza
com tanta variedade nos ofrece,
me está (se não te vejo) magoando.
Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando
nas mores alegrias, mor tristeza.
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Uma Trova Humorística de Juiz de Fora/MG
Angelo T. Pinto
Unha-de-fome ... Munheca...
Sabe em que pensa o Rabelo ?
- Não ter, depois de careca,
que repartir o cabelo!
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Uma Trova de Fortaleza/CE
Francisco José Pessoa
É nos grandes desafios
quando penso estar sozinho,
que Deus faz luz nos pavios
pra clarear meu caminho.
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Um Soneto de Lisboa/Portugal
Luis de Camões
114
Ah! Fortuna cruel! Ah! duros Fados!
Quão asinha em meu dano vos mudastes!
Passou o tempo que me descansastes,
agora descansais com meus cuidados.
Deixastes-me sentir os bens passados,
para mor dor da dor que me ordenastes;
então n’hora juntos mos levastes,
deixando em seu lugar males dobrados.
Ah! quanto melhor fora não vos ver,
gostos, que assim passais tão de corrida,
que fico duvidoso se vos vi:
sem vós já me não fica que perder,
se não se for esta cansada vida,
que por mor perda minha não perdi.
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Uma Quadra Popular
Autor Anônimo
Batatinha quando nasce
esparrama pelo chão,
meu benzinho quando dorme
põe a mão no coração.
Fonte: Azevedo,Teófilo de. Literatura popular do norte de Minas: a arte de fazer versos.São Paulo, Global Editora, 1978. Cultura Popular, 3.
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Uma Trova Hispânica da Argentina
Maria Cristina Fervier
Necesito de tu abrazo
que entre letras y distancia
me limpie como cedazo
y nutra con tu sustancia.
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Um Soneto de Lisboa/Portugal
Luis de Camões
101
Ah! minha Dinamene! Assim deixaste
quem não deixara nunca de querer-te?
Ah! Ninfa! Já não posso ver-te,
tão asinha esta vida desprezaste!
Como já para sempre te apartaste
de quem tão longe estava de perder-te?
Puderam estas ondas defender-te,
que não visses quem tanto magoaste?
Nem falar-te somente a dura morte
me deixou, que tão cedo o negro manto
em teus olhos deitado consentiste!
Ó mar, ó Céu, ó minha escura sorte!
Que pena sentirei, que valha tanto,
que inda tenho por pouco o viver triste?
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Trovadores que deixaram Saudades
Waldir Neves
Rio de Janeiro/RJ (1924 – 2007)
Tem cabelo só dos lados;
mas como há jeito pra tudo,
ele faz uns repuxados
e é um... careca-cabeludo!
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Uma Trova de Nova Friburgo/RJ
Jorge A. A. Gomes
Trabalhando noite e dia
numa mesma pulsação,
o relógio, quem diria,
sonha ser um carrilhão.
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Um Haicai de Cotia/SP
Débora Böttcher
Madrugada nos pólos
Lobos no gelo
Brincadeira de amar...
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Um Soneto de Lisboa/Portugal
Luis de Camões
013
Alegres campos, verdes arvoredos,
claras e frescas águas de cristal,
que em vós os debuxais ao natural,
discorrendo da altura dos rochedos;
Silvestres montes, ásperos penedos,
compostos em concerto desigual,
sabei que, sem licença de meu mal,
já não podeis fazer meus olhos ledos.
E, pois me já não vedes como vistes,
não me alegrem verduras deleitosas,
nem águas que correndo alegres vêm.
Semearei em vós lembranças tristes,
regando-vos com lágrimas saudosas,
e nascerão saudades de meu bem.
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Uma Trova de Porto Alegre/RS
Lisete Johnson
Ditoso o que vai deixando,
no chão, as suas pegadas
e os caminhos demarcando
aos que fogem de emboscadas!
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Um Haicai de Belo Horizonte/MG
Eolo Yberê Libera
Neste bosque urbano
árvore feita em concreto
- meu corpo estremece.
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Um Soneto de Lisboa/Portugal
Luis de Camões
080
Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
algu'a causa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder te,
roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver te,
quão cedo de meus olhos te levou.
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Uma Trova de Santos/SP
Maryland Faillace
Educar é mais que um ato,
é uma atitude de amor,
de ética sem aparato,
com segurança e valor.
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Um Soneto de Lisboa/Portugal
Luis de Camões
083
Amor, co’a esperança já perdida,
teu soberano templo visitei;
por sinal do naufrágio que passei,
em lugar dos vestidos, pus a vida.
Que queres mais de mim, que destruída
me tens a glória toda que alcancei?
Não cuides de forçar me, que não sei
tornar a entrar onde não há saída.
Vês aqui alma, vida e esperança,
despojos doces de meu bem passado,
enquanto quis aquela que eu adoro:
nelas podes tomar de mim vingança;
e se inda não estás de mim vingado,
contenta te com as lágrimas que choro.
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Um Haicai de São Paulo/SP
Eunice Arruda
Noite estrelada
O céu - brilhando - se abaixa
Silenciosamente
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Uma Trova de Campos dos Goytacazes/RJ
Neiva Fernandes
Amigo eu trago guardado
com muita dedicação,
naquele lugar sagrado,
que se chama coração.
___________________
Um Soneto de Lisboa/Portugal
Luis de Camões
005
Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
________
Recordando Velhas Canções
Bloco da solidão
(marcha-rancho/carnaval, 1971)
Evaldo Gouveia e Jair Amorim
Laia laia laia laia laia laia
La laia laia la laia
Angústia solidão
Um triste adeus em cada mão
Lá vai meu bloco vai
Só desse jeito é que ele sai
Na frente sigo eu
levo um estandarte
De um amor
do amor que se perdeu
No carnaval lá vai meu bloco
E lá vou eu também
Mais uma vez sem ter ninguém
No sábado e domingo
segunda e terça-feira
E quarta-feira vem
o ano inteiro
É todo assim
por isso quando eu passar
Batam palmas pra mim
Aplaudam quem sorrir
Trazendo lágrimas no olhar
Merecem uma homenagem
Quem tem forças pra cantar
Tão grande a minha dor
pede passagem
Quando sai comigo só
Lá vai meu bloco vai
Laia laia laia laia laia laia
La laia laia la laia la ia
___________________
Uma Trova de Pelotas/RS
Olga Maria Dias Ferreira
Ao ver a chuva cair,
de manso, sobre nós dois,
sinto minha alma sorrir,
num presente, sem depois...
___________________
Um Soneto de Lisboa/Portugal
Luis de Camões
042
Amor, que o gesto humano n’alma escreve,
vivas faíscas me mostrou um dia,
donde um puro cristal se derretia
por entre vivas rosas e alva neve.
A vista, que em si mesma não se atreve,
por se certificar do que ali via,
foi convertida em fonte, que fazia
a dor ao sofrimento doce e leve.
Jura Amor que brandura de vontade
causa o primeiro efeito; o pensamento
endoidece, se cuida que é verdade.
Olhai como Amor gera num momento,
de lágrimas de honesta piedade
lágrimas de imortal contentamento.
___________________
Um Haicai de Rio de Janeiro/RJ
Franklin Magalhães
Sombra e água fresca.
Samambaias fazem a festa
na beira do poço.
___________________
Uma Trova de Cantagalo/RJ
Ruth Farah Nacif Lutterback]
Ó Deus Pai, todo bondade,
cessai a guerra voraz,
fazendo da humanidade
celeiro de amor e paz.
___________________
Um Soneto de Lisboa/Portugal
Luis de Camões
058
A Morte, que da vida o nó desata,
os nós, que dá o Amor, cortar quisera
na Ausência, que é contr’ ele espada fera,
e co’ Tempo, que tudo desbarata.
Duas contrárias, que u’a a outra mata,
a Morte contra o Amor ajunta e altera:
u’a é Razão contra a Fortuna austera,
outra, contra a Razão, Fortuna ingrata.
Mas mostre a sua imperial potência
a Morte em apartar dum corpo a alma,
duas num corpo o Amor ajunte e una;
porque assim leve triunfante a palma,
Amor da Morte, apesar da Ausência,
do Tempo, da Razão e da Fortuna.
___________________
Hinos de Cidades Brasileiras
Itaperuna/RJ
Minha cidade querida
Cheia de encantos sem par,
Floresce em ti minha vida,
Meus belos sonhos, meu lar
Amo-te e sempre hei de amar
Tudo o que fala de ti.
Ouço a voz do teu rio
Murmurante no arrepio
do vento a cantar!
Amo a suave carícia
Do teu sublime luar.
Tudo aqui fala de sonho
E a gente fica a sonhar.
Quero viver na delícia
Destes teus campos em flor.
Itaperuna, em ti ponho
Todo o meu sonho de amor.
___________________
Uma Trova de Americana/SP
Geraldo Trombin
É no braço entrelaçado
– meu repouso, meu regaço –
que me sinto apaziguado:
assim é o calor do abraço!
___________________
Um Soneto de Lisboa/Portugal
Luis de Camões
068
Apartava se Nise de Montano,
em cuja alma partindo se ficava;
que o pastor na memória a debuxava,
por poder sustentar se deste engano.
Pelas praias do Índico Oceano
sobre o curvo cajado s’encostava,
e os olhos pelas águas alongava,
que pouco se doíam de seu dano.
Pois com tamanha mágoa e saudade
(dizia) quis deixar me a que eu adoro,
por testemunhas tomo Céu e estrelas.
Mas se em vós, ondas, mora piedade,
levai também as lágrimas que choro,
pois assim me levais a causa delas!
___________________

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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