Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 30 de março de 2016

Chuva de Versos n. 442


Uma Trova de Maringá/PR
A. A. de Assis

Milhões e milhões de estrelas...
que utilidade terão?
- Só sei, meu irmão, que ao vê-las
sinto Deus no coração!
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Uma Trova de Porto Alegre/RS
Flávio Roberto Stefani

Quando a tristeza me alcança,
vencido pelos cansaços,
iço a vela da esperança,
rumo ao porto dos teus braços.
________________________
Um Rondel de Santa Juliana/MG
Dáguima Verônica

FARELOS DE DOR

Farelos de dor, caídos,
sobre a mesa da saudade,
montes de pó corroídos,
por filetes da maldade.

Grita a voz da realidade,
dissipando os tais ruídos:
Farelos de dor, caídos,
sobre a mesa da saudade.

Sentimentos, já roídos,
exigem  autoridade
sobre tempos escondidos
em gavetas - na verdade -
farelos de dor, caídos.
________________________
Uma Trova Humorística de Bandeirantes/PR
Maria Lúcia Daloce

À velha, o doutor confessa:
- Um susto ser-lhe-á fatal!
E o genro mais que depressa,
põe fantasmas... no quintal !
________________________
Uma Trova de Brusque/SC
Maria Luiza Walendowsky

O teu carinho constante
é  música a me embalar
encantando o meu instante
e me fazendo te amar.
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Um Poema de São Paulo/SP
Débora Novaes de Castro

ESTRELAS PEREGRINAS

E nunca nesta vida, o sonho, tão presente,
deixei que me fugisse, ao tempo, a cada instante,
tropel driblando a trave, instigante, esfuziante,
do poente chamejante, às alvas, sorridente.

Sem melindres, em taça, ergui-o, refulgente,
vinho de fino trato a servir-se, expectante,
viajeiro da esperança e em brilho, cativante,
a fênix que em renovo, o charme não desmente.

E voa, sonho, voa... e constrói teu carinho
na forquilha mais alta e galho enfolharado,
assim não o destrua, o vento ou mãos ferinas.

E qual ave 'inda implume em quente, fofo ninho,
emplumarás o lume, o viço, o teu brocado
sob a prata da lua e estrelas peregrinas!

Uma Quadra de Montargil/Portugal
Miguel Mendes

Meu pai não tinha dinheiro,
tive que ir para pastor,
o que pra mim hoje em dia
não é menos que doutor.
Uma Trova Hispânica do México
Manuel Salvador Leyva Martínez

Si en todo el mundo existiera
auténtica honestidad,
una eterna primavera
sería la humanidad.

Um Poema de Porto Alegre/RS
Ialmar Pio Schneider

POEMA DA SOLIDÃO

Sinto tua presença
nesta minha suave solidão
e há em tudo isso uma suavidade imensa
me acalentando o coração.

E a música é como uma brisa acalentadora
[ e perfumada
penetrando na alma fatigada
numa tarde quente de estio.

A música é como a fragrância das flores
e ai daquele que a não sentiu
não gozou de seus favores.

A vida é vaporosa
e fez-me assim
A vida é caprichosa
e fez-te um jasmim.

Eu quisera que soubesses o quanto me és amada
aquilo que nunca me foi possível
te externar com palavras corriqueiras.

Eu quisera que soubesses, e enlevada
do enorme amor, do amor incrível,
que me enche a alma, noites inteiras.

E então com um olhar que repousasses
[ em meus olhos
arrancasses os abrolhos
fincados em meu coração;
e com um simples sorriso
me indicasses o paraíso
de uma mútua solidão !
________________________
Trovadores que deixaram Saudades
Amália Max
Ponta Grossa/PR (1929 – 2014)

Na casa da viuvinha
um "fantasma" me apavora:
- pula a janela à noitinha
e despula pela aurora!
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Um Poema de Magé/RJ
Benedita Azevedo

Manhã na aldeia

Um abóbora morno
no horizonte anuncia
o amanhecer.

Vultos dos pescadores
e o barulho do chumbo
no fundo das canoas
juntam-se ao cheiro
amoníaco de maresia.

O galo amiúda o canto
E o dia acorda, num salto
espalha-se pela praia
pelas ruas e quintais.

A fumaça nas chaminés
e o cheiro quente de café
acordam a aldeia.

Aos poucos um vozerio
acerca-se da praia e mistura-se
ao pregão dos pescadores.

A estreita rua frente à praia
Fervilha num vai e vem de carros,
Bicicletas, carro de mão e garças,
Muitas garças misturadas às pessoas.

Homens e mulheres vão saindo
com sacolas, caixas, pacotes
carregando o peixe que será almoço
de ricos e pobres.

Rápido a praia volta ao silêncio inicial
e o sol já alto troca o abóbora
pelo prateado quente
que aquece a vida em todo universo.
________________________
Uma Trova de Porto Alegre/RS
Ialmar Pio Schneider

À tardinha solitário,
fico a lembrar minha infância,
enquanto no campanário
sinos tangem à distância...
________________________
Um Poema de Mogi-Guaçu/SP
Olivaldo Júnior

Um alguém que não conheço

Um alguém que não conheço
fez morada em minha alma,
me expulsou de um endereço
em que achei estar a calma.

Um alguém que não conheço
fez da estrada minha palma,
me levou por qualquer preço
que se paga ao que desalma.

Hoje escrevo o que não vivo
e lhe conto o que não sei,
pra testar meu próprio crivo,

próprio jugo que inventei;
hoje eu morro de olho "vivo":
quero ver quem eu matei.
________________________
Uma Trova de Itajaí/SC
Ari Santos de Campos

O nosso amor foi demais:
– tudo em nós era risonho !...
Mas já ficou, para trás,
e transformou-se num sonho.
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Um Poema de Balneário Camboriú/SC
Pedro Dubois

DESDIZER

Absorto. Rezo indistintos espíritos: sofro
a materialidade do ato no desconsolo
por estar sozinho. Entrego ao nada o destino
e o predador avança suas presas. Sou
presa fácil. Destruo a casa no evitar
dizer sobre o pai. O pântano interior
congela a imagem no submerso
transfigurado em herói. Acordo
em orações ligeiras: em perigo
acudo ao dito pelo não dito.
________________________
Recordando Velhas Canções
Canta canta, minha gente
(samba, 1974)

Martinho da Vila

Canta, canta minha gente
Deixa a tristeza pra lá
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar

Cantem o samba de roda
O samba-canção e o samba rasgado
Cantem o samba de breque
O samba moderno e o samba quadrado

Cantem ciranda e frevo
O coco, maxixe, baião e xaxado
Mas não cantem essa moça bonita
Porque ela está com o marido do lado

Canta, canta minha gente
Deixa a tristeza pra lá
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar

Quem canta seus males espanta
Lá em cima do morro ou sambando no asfalto
Eu canto o samba-enredo
Um sambinha lento ou um partido alto

Há muito tempo não ouço
O tal do samba sincopado
Só não dá pra cantar mesmo
É vendo o sol nascer quadrado
________________________
Uma Trova de Balneário Camboriú/SC
Gledis Tissot

Enquanto durar o amor
você viverá com medo,
mas seus olhos têm calor
que mostram o seu segredo!
________________________
Um Poema de Urussanga/SC
Sílvia Goulart Vidoto

RECORDANDO, REFLETINDO

Depois daquele grito ensurdecedor
O silencio incomodativo toma conta...
Unicamente nota-se uma lagrima
Mover-se devagar pelo desgosto
Revivendo aquele momento que passou
Permanecem os extermínios do passado
Sempre eu o senti longínquo
Mesmo assim permaneço ao seu lado
Sem uma direção ou lugar para ir
Abriguei-me no inferno
Em certas ocasiões temia você
Seus olhos refletiam ódio
Em outras teu abraço era afetuoso
Envolvia por completo meu coração
Mas foi dilacerado pelo seu desamor
Restou-me tão somente naquele momento
Por para tocar nossa canção e trancar meu coração
Sepultando os mais belos sentimentos
Tranquei-me naquele quarto e olhei-me no espelho
Resolvi vestir um sorriso mesmo forçado
Esquecer tudo por um segundo.
Mas apesar de tudo
Serei eternamente grata
Uma vez que me instruíste
A ser uma pessoa que realmente não sou
Aprendi batalhar sem aparelhas
Deixar a lagrima sorrir em meio a um sorriso
Sorvo ininterruptamente dentro de mim
A única força que necessito.
“O AMOR”
________________________
Uma Trova de Cruz Alta/RS
Dalvina Fagundes Ebling

Esse amor que eu não vivi,
machucou meu coração,
meu doce sonho eu perdi
hoje choro essa ilusão!
________________________
Um Poema de Curitiba/PR
Paulo Walbach Roberto Prestes

Sobre a música “Adágio”, de Albinoni

O cavaleiro a encontra na mata
já fria e sem emoção...
seus olhos fechados inspiram
a morte de seu coração...

Molhada, a chuva tão fria
as vestes roçando no chão,
caída nos braços amigo
palpita o seu coração...

Seus olhos reabrem aos poucos
sua cor é tão pardacenta
seu rosto reflete tristeza
de quem a vida não mais aguenta.

Bom moço a cobre de abraços
aperta em seu peito viril
- Acorda minha princesinha...
o céu já está todo anil!.

O sol se reflete de novo
o corpo se aquece em vida
o beijo molhado levita
a bela adormecida.
________________________
Uma Trova de Curitiba/PR
Maurício Norberto Friedrich

Na penumbra, o teu semblante,
doce e meigo, dá a ilusão,
de ativar, num só instante,
nosso fogo da paixão!
_______________________________
Hinos de Cidades Brasileiras
Hino do município de Abatiá/PR

Salve! Salve! Abatiá
Pedacinho deste rico Paraná
Tu és brasileira a primeira
Do alfabeto desta terra hospitaleira.

Tuas verdes matas e teus limpos cafezais
Teus recantos cheios de encantos mil
Completam a riqueza e a beleza
E a grandeza do teu povo varonil
Salve! Salve! Abatiá
Pedacinho deste rico Paraná
Tu és brasileira a primeira
Do alfabeto desta terra hospitaleira.

O teu orgulho representa o pendão
E a fé viva nossa religião
O teu cenário, verde-azul
Mostra as cores do Cruzeiro do Sul.

Salve! Salve! Abatiá
Pedacinho deste rico Paraná
Tu és brasileira a primeira
Do alfabeto desta terra hospitaleira.

Tuas divisas por caudalosos rios,
Tu és servida por belas rodovias
Pra dar vazão, na produção.
Do transporte desta grande nação!
________________________
Uma Trova de Ponta Grossa/PR
Sônia Ditzel Martelo

Com retalhos de lembrança
que arranquei do coração
teci colcha de esperança
e agasalhei a ilusão!...
___________________
 Um Poema de Catanduva/SP
Ógui Lourenço Mauri

O FASCÍNIO DO TEU SORRISO

Não sei como consegues ser assim!...
Nenhum transtorno tira teu sorriso.
Eu queria essa postura pra mim,
É desse tipo de humor que preciso...

De tua euforia, faço remédio;
Qual terapia, é teu rosto risonho.
Com tua alegria, eu espanto o tédio;
Aos fluidos de tu'alma me recomponho.

Se Deus me desse teu temperamento...
De quem sorri mesmo às horas mais duras,
A esperança me inflaria de alento,
Colocando meu astral nas alturas.

Este teu sorriso é puro fascínio,
Tem o charme de matiz cativante.
Deixou meu coração sob teu domínio,
Bem preso a outro, num peito triunfante.

Ao notar, de orelha a orelha, teus lábios,
Um traço horizontal num rosto lindo,
Vejo-te a usar a estratégia dos sábios,
Certo de que me ganhaste sorrindo.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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