Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 24 de abril de 2016

Chuva de Versos n. 445


Uma Trova de Ponta Grossa/PR
Sônia Ditzel Martelo

A minha Vida hoje eu traço
nestas linhas de meu verso,
assim acho meu espaço
e tenho todo o Universo !…
Uma Trova de São Paulo/SP
Maria Thereza Cavalheiro

A saudade é uma semente
de lágrimas orvalhada;
brota na noite do ausente
e floresce na alvorada.
Um Poema de São Paulo/SP
Amaryllis Schloenbach

A QUE NÃO FOI

Você não me embalou o berço,
mas construiu o meu leito;
não me amamentou,
mas escolhe e prepara,
com cuidado, o meu alimento;
não viu meu primeiro sorriso,
mas enxuga os meus prantos;
não me cuidou da catapora,
mas vigia, com desvelo,
minhas dores maiores.
Você não me ensinou o bê-á-bá,
mas escavou com paciência
o curso de minha palavra;
não me deu castigos,
mas apara os golpes
que o Destino me desfere;
não foi minha mãe de sangue,
mas o é pelo coração;
não foi quem me deu à luz,
mas é quem me dá a Luz.
Uma Trova Humorística de São Paulo/SP
Campos Sales

A receita é de colírio
mas, o bebum se apavora
e diz, cheio de delírio:
– Pinga, só uma vez por hora?!
Uma Trova de Maringá/PR
Alberto Paco

O vento, soprando forte,
do galho derruba o ninho.
Dos filhos chorando a morte,
pia triste o passarinho.

Um Poema de Sorocaba/SP
Alex André Sorel

COISAS QUE TEM NOMES      

Luzia na cidade enquanto luzia o dia,
Luzia à cidade enquanto luzia dormia,
Luzia à noite,
A noite luzia para luzia,
Luzia mulher,
Luzia a cruz,
Luzia o verbo,
Luzia a luz,
Luzia também os sonhos de Luzia,
Enquanto dormia,
Luzia luzia na noite fria.
Uma Trova Hispânica da Espanha
Artesana

Me enciendes con tu sonrisa
y se derrite mi pena,
del amor nace la brisa
que te acaricia morena.
  
Um Poema de São Paulo/SP
Ângela Maria de Godoy Theodorovicz

MEU FUTURO NO PRESENTE   

Quero, a partir de agora,
Viver o futuro
De um modo mais de perto.
Não quero o duvidoso, o hipotético
Nem tão pouco um composto.
Quero-o simples,
E mesmo que limitado, o presente.
A partir deste momento
Serei feliz sim,
Incondicionalmente.
Irei apenas aonde quero
Sem precisar de ter um guia.
Viverei cada segundo
E pouco importa o fim do dia.
A partir deste momento
Tenho eu por companhia,
Farei tudo que desejo,
Mostrarei os meus talentos
E de um jeito atrevido
Enfrentarei todos meus medos.
A partir deste momento
Nada me escapará,
Não ficarei mais ausente.
De agora em diante
O instante seguinte não será,
Simplesmente.
Não haverá mais talvez.
Não falarei mais quem sabe.
Não perguntarei mais por quê.
Trovadores que deixaram Saudades
Durval Mendonça
Rio de Janeiro/RJ (1906 – 2001)

Ah, como são transitórias
minhas raras alegrias!
Elas me vêm de vitórias
num mundo de fantasias.
Um Poema de Sorocaba/SP
Cláudia Salck

QUERO SER GRANDE

Quero ser grande
pra poder voar sem asas,
pra ter as chaves de casa;

Quero ser grande
pra poder comprar presentes
pras pessoas que eu amo,
meus amigos e parentes;

Mas eu quero mesmo ser grande
para ser bem diferente
da maioria dos adultos
que não acreditam que a gente
pode transformar a Terra
num planeta inteligente;

Quero ser grande
pra poder mudar o que há de errado
no mundo e que gera tanta tristeza,
acabar com a violência, as drogas,
a poluição, ignorância, a pobreza,
o preconceito e a falta de amor
para com o homem e a natureza;

Quero ser grande
pra tentar buscar a cura das doenças,
ajudar a quem precisa,
sem ver raça, classe social ou crença;

Quero ser grande
pra contar histórias boas para as crianças
pra ensinar que o bem sempre vence o mal,
e que é preciso ter esperança
porque eu consegui mudar as coisas erradas
que um dia vi na minha infância!
Uma Trova de Santos/SP
Antonio Colavite Filho

Eu sempre narrei um fato
da minha falta de fé:
– Eu não tinha nem sapato
até ver alguém sem pé…
Um Poema de Pilar do Sul/SP
Gislaine Vieira

ALMA      

No mundo atual, diz a propaganda
"Olhe e vista a alma do lado de fora"
enquanto a alma do lado de dentro a gente engana
com que a propaganda que chama e a devora.

A alma do lado de dentro pede e implora,
mas o concreto é o que impera.
E  o alimento, alimenta e explora
o corpo e a alma de lado de fora.

Enquanto a alma interior,
só há o nome, e assim encolhe e some,
pois não tendo importância seu clamor,
a alma interior passa a fome e morre.

A propaganda veste a alma do lado de fora!
E a alma interior?! vive a nudez e o desamor
Será? que a alma do lado de dentro que hoje chora,
irá conseguir na propaganda vestir-se de amor?
Um Haicai de Belo Horizonte/MG
Eolo Yberê Libera

Havia o escuro
mas eu não sabia onde;
teu rosto era sol.
Uma Trova de Porto Alegre/RS
Milton Sebastião de Souza

Leitor viciado e indefeso:
- sempre um livro em frente a face...
eu seria um grande obeso,
caso a leitura engordasse...

Um Poema de Sorocaba/SP
Márcia Sewaybricker

RASTRO DE LUZ

Mesmo se o sol não me iluminasse mais
Se as estrelas se apagassem
E me negassem o seu brilho,
Se a brisa leve já não soprasse em meu rosto,
Ainda assim eu continuaria a viver.

Mesmo se o fogo se apagasse
E eu não conseguisse mais sentir seu calor,
Se a água da chuva não mais pudesse
Refrescar-me molhando meu corpo,
Ainda assim eu continuaria a viver.

Mesmo se ao caminhar na praia já não sentisse
A águas do mar a molhar meus pés,
E se eu não pudesse mais meditar
Ouvindo o canto dos pássaros,
Ainda assim eu continuaria a viver.

Pois o amor que me envolve e me faz viver,
É infinitamente grande.
Ilumina mais que o sol e as estrelas,
É como o fogo que aquece, sendo
Ao mesmo tempo suave como a leve brisa.

Esse amor que vem de Deus,
Faz-me sentir me viva e sentir o desejo de amar,
Transformando-me aos poucos
Para que seja um dia
A minha vida, “Um Rastro de Luz”.
Recordando Velhas Canções
Acorda Maria Bonita
(marcha, 1967)

Volta Seca (Antônio dos Santos)

Acorda Maria Bonita
Levanta vai fazer o café
Que o dia já vem raiando
E a polícia já está de pé

Se eu soubesse que chorando
Empato a tua viagem
Meus olhos eram dois rios
Que não te davam passagem

Cabelos pretos anelados
Olhos castanhos delicados
Quem não ama a cor morena
Morre cego e não vê nada
Uma Trova de Itararé/SP
Filemon F. Martins

Gosto da vida pacata,
homens simples dos Sertões,
pois vejo usando gravata
por aqui muitos ladrões.
Um Poema de Sorocaba/SP
Marcelo Bancalero

INSEGURANÇA

Quando o desejo ardente da paixão
É sufocado pela nossa insegurança
Que não quer deixar nosso coração
Acreditar que para nós ainda há esperança

O medo vem minar nossos sentimentos
E tememos cair em desilusão
Por causa de outros tristes momentos
Colocamos nosso amor em uma prisão

Por isso se torna difícil se entregar
Tentar ser feliz de verdade
Mesmo estando loucos pra amar
E acabar com essa ansiedade
Um Haicai de São Paulo/SP
Eunice Arruda

Noite estrelada
O céu - brilhando - se abaixa
Silenciosamente

Uma Trova de Angra dos Reis/RJ
Jessé Nascimento

Com respeito e amor, de fato,
um mundo melhor se faz;
e simbolizando o ato:
– a pomba branca da paz.
Um Poema de Sorocaba/SP
Neusa Padovani Martins

QUASE NINGUÉM   

Tão pequenino e secundário.
Indiferentes aos que passam.
Perdido em seus pensamentos.
Sentindo-se abandonado.

Parecendo ser tão perene.
Inerte ao futuro e perdido no passado.
Olhando fica por todos os lados, absorto.
Um ausente no presente.

Tão sutil nos entremeios.
Replicando a própria história.
Vais perdido dentro de si mesmo.
Onde sua verdade mora.

Uma Trova de Petrópolis/RJ
Gilson Faustino Maia

Desde o berço à sepultura
caminharei sem temor,
conduzindo esta ventura:
ter nascido trovador.
Hinos de Cidades Brasileiras
Hino do município de Arapongas/PR

Cidade dos Passarinhos*
És o orgulho do sertão
Alegres e bem juntinhos
Cantamos tua fundação.

Avante bela Arapongas
Forte esteio da Nação
Guardo tua bandeira
Dentro do meu coração.

Arapongas... Arapongas...
Muito forte varonil
Arapongas... Arapongas...
Um celeiro do Brasil

* Faz uma alusão aos pássaros que haviam em abundância. Atualmente, há algumas espécies que ainda sobrevivem.

Uma Trova de São Francisco de Itabapoana/RJ
Roberto Pinheiro Acruche

Foi no banco de uma praça,
no tempo da bela idade,
que encontrei cheia de graça
quem agora é só saudade.
Um Poema de Sorocaba/SP
Tânia Maria Orsi

ÚLTIMA VIAGEM     

  Quando eu morrer
Assim bem velhinha
Como deve ser,
Quero flanar
Nas asas de um anjo bêbado e feliz
E aterrisar
Na horda de uma legião de Querubins

Quero estar despida
E louca
De marota leviandade vestida
Sem carnes, só o céu da boca.

Quero brincar
E rir por nada
Trocar o dia pela madrugada
Viajar pelo céu desconhecido
Desmanchar-me feliz e fatigada
Num asteróide distante e esquecido

Mas não quero ir rasa,
Sem mergulho
Levo o amor que juntei e extravasa
E deixo as mágoas para embrulho

Depois de tudo conhecer
E de tudo perder
Porque de meu
Nem a verdade,
Quero encontrar os olhos de Deus
Sentir a última saudade
Chorar pela última vez
Fundir-me à lágrima
Que a tez
Reservou para o oceano

Da Eternidade.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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