Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Chuva de Versos n. 448




Uma Trova de Londrina/PR
Leonilda Yvonneti Spina

Antes, a família à mesa,
em sagrada comunhão.
Hoje, silêncio e frieza,
por conta da evolução.

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Luis Alfredo Santos

A ARTE DE TECER POENTES

De tardinha quando a solidão açoita
o mais impreciso dos caminhos
Eu paro no lado esquerdo dos fios e me perco
na nuvem de pássaros que engrandece a altura do poste.
Todos os dias nessa mesma hora,
eles me esperam com a mão cheia de grãos,
o peito vazio de eclipses e o olhar repleto
como se eu estivesse no meio deles.
Não sei porque se unem sempre na mesma hora.
Se por sono, desejo
ou por esses recreios que a morte ousa.
Espio a junção indesejável que o escuro provoca
e não me distraio com nenhum outro silêncio
capaz de me tocar no fundo onde a palavra
consente a dor que afasta.
Se eu tivesse a clareza dos que têm o céu como berço,
talvez desenharia com a água dos olhos outra versão
para minha coleção de abandonos.
Insisto em costurar meu peito
de um jeito doce, como se a quentura
dos ninhos fosse coisa boa de se deixar.
Cicatrizo pelos atalhos, rastros fortes
para ser seguido e deixo a porta aberta
acaso queiram curar insônias.
Os pios da tarde arremedam sons longínquos
de quando a família não era só um retrato
pregado na sala e a infância não cirandava longe,
igual tristeza de flauta doce.
Deito em estado de multidão, com um par
de asas inventado e a dor livre do excesso de penas.
Os pés esfriam na altura onde o firmamento
deserta os ciscos que em mim aninham forças
para que eu me levante, atravesse o quarto
e apague a luz da memória para me abençoar poente.
Seja lá como for
Amanhã na mesma hora,
eles me esperam com a mão cheia de grãos,
o peito vazio de eclipses e o olhar repleto
como se eu estivesse no meio deles.

(3o. lugar – Prêmio Cataratas, 2014)
Uma Trova Hispânica da Argentina
Manuel Salvador Leyva Martinez

Juventud – dijo el poeta –
es un tesoro divino,
por eso ha ser la meta
y el sol de nuestro destino.

Um Poema de Saitama/Japão
Edweine Loureiro da Silva

LEITOR À MODA  ANTIGA

Não quero ler Machado
num tablete enclausurado.
Ou por um kindle navegar
para achar o velho e o mar.
Pois prefiro ainda a mágica
de ter o livro entre os dedos
e pela textura da página
viajar em segredo.

(8o. Lugar – Prêmio Cataratas, 2014)

Uma Quadra Popular
Autor Anônimo

Quem inventou a partida
não entendia de amor.
Quem parte, parte chorando,
quem fica, morre de dor.

Um Poema de Paranamirim/RN
Cefas Carvalho

ENÓLOGO
                                                                          
De vinhos, sei do tanino
E da embriaguez
Nada sei de sermões,
de leis, missais...
Sei dos vãos abissais
das fendas nas rochas
Das erosões e dos corais
De vinhos, sei das garrafas
Que aprisionam devaneios
Sei de umbrais
De obsessões
e de receios
Nos entremeios,
Pisoteio as uvas
E nada mais.

(1O. lugar – Prêmio Cataratas, 2014)


Trovadores que deixaram Saudades
Jacinto Barbosa de Campos
Canavieiras/BA (1900 – 1972) Rio de Janeiro/GB

O meu bom tempo passou!
Debalde o procuro, a esmo…
Depois, vejo que não sou
nem a sombra de mim mesmo!

Um Poema de Araraquara/SP
Lígia Egídia Moscardini

AUDÁCIA

Não venhas descrente
A julgar leviano
O meu cotidiano
De olhar sempre à frente

Quando sou consciente
Do meu desengano;
Nada mais humano
Que a contracorrente...

Pois tomo a medida
Tão bem definida
Se alguém me ignora:

- Minha voz é erguida,
Meu espaço é a vida,
Meu tempo é o agora.

(9o. lugar – Prêmio Cataratas, 2014)

Uma Trova Humorística de Caxias do Sul/RS
Lydia Lauer

A mocinha está contente,
sorrisos ela não nega.
E o pai nada confiante:
– Cuidado, que o bicho pega!...

Um Poema de Cruz/Ceará
José Orestes de Albuquerque

CRAVO IMPACIENTE

Plantei um pé de Roseira
No jardim da minha casa
A formiga criou asa
E ela, nada de Rosa
Não me seja preguiçosa
Minha roseira querida
Me faça sob medida
Com dotes de feiticeira
Uma Rosa bem faceira
Coberta de predicados
De contornos perfumados
Pra me tornar seu escravo
Quem te suplica é o Cravo
Caidinho de amor
Por uma suposta Flor
Que nem saiu do caroço
Me faça mais um esforço
Padeço de longa espera
Aqui da minha janela
Esperando teu rebento
Exijo um acabamento
Não te plantei pra madeira
Tardando segunda feira
Espero um anunciado
Ou te pico no machado
E planto outra Roseira!!!

(10o. lugar – Prêmio Cataratas, 2014)

Recordando Velhas Canções
O bom rapaz
(jovem guarda, 1967)

Geraldo Nunes Pereira

  Parece que eu sabia
  Que hoje era o dia
  De tudo terminar
  Pois logo notei
  Quando telefonei
  Pelo seu jeito de falar

  Eu nunca pensei
  Quem eu tanto amei
  Fosse assim me desprezar
  Mas o mundo é grande
  Vou nem sei pra onde
  Alguém há de me amar

  Já que terminamos
  Só resta agora, o adeus final
  De amar demais
  Ser um bom rapaz
  Foi o meu mal
De amar demais
  Ser um bom rapaz
  Foi o meu mal.

Uma Trova de Balneário Camboriú/SC
Eliana Ruiz Jimenez

O menino da cidade
só aprende o que  é brincar
nos campos, em liberdade,
com uma pipa no ar.

Um Poema de Paranavaí/PR
Dinair Leite

MAGNÍFICA

Em minha vida resta o sabor agro,
do amor, quando só feito de amargura.
Se a dor atroz perdura – Amor – consagro
ao nada, o sentimento e a desventura...

Nada mais sobra desse amor... a cura
é vê-lo tal qual é: – pálido e magro.
Amor vencido... já sem força ou jura,
no vazio de meu peito, agora flagro.

E nasce,ali, então, um sopro rijo;
ordena que agonize, mas não morra;
e seja, eu, o juiz deste meu sonho:

– Jamais expresse ao outro o regozijo –
“Hoje tudo sei!” – desse embuste corra...
Magnífica! Viva o amor risonho!

Um Pantum de Natal/RN
José Lucas de Barros

Trova-tema:
– De ilusões eu fui vivendo…
E a esperança, disfarçada,
viu os meus sonhos morrendo,
mas nunca me disse nada.
(Maria Lúcia Daloce – Bandeirantes/PR)

– E a esperança, disfarçada,
viu que o meu mundo caía,
mas nunca me disse nada.
Desprezou-me à revelia.

Viu que meu mundo caía,
não deu nenhuma atenção;
desprezou-me à revelia
– (Pobre do meu coração!).

Não deu nenhuma atenção,
e eu, sem perder a esperança,
– (Pobre do meu coração!) -
como faz toda criança.

E eu, sem perder a esperança,
outros sonhos fui tecendo…
Como faz toda criança,
de ilusões eu fico vivendo.

Um Poema de Minas Gerais
Odorico Bueno de Rivera Filho
Santo Antonio do Monte/MG (1911 – 1982) Belo Horizonte/MG

O MICROSCÓPIO

O olho no microscópio
vê o outro lado, é solene
sondando o indefinível.

Dramática a paciência
do olho através da lente,
buscando o mundo na lâmina.

A tosse espera a sentença,
o Ieito aguarda a resposta.
0 tísico pensa na morte.

O silencio é puro e o frio envolve
o laboratório.
Os frascos tremem de susto.

0 infinito dos germes
reflete no olho imenso
que pousa na objetiva.

0 avental se levanta.
Os dedos inconscientes
escrevem a palavra ríspida.

0 resultado terrível
entra nos óculos do médico
e ele diz: positivo.

0 doente tira o lenço.
Aperta a mulher e o filho,
chora no ombro da esposa.

Imagina a reclusão
no sanatório, a saudade
e o vento no quarto branco.

olha o papel: positivo.
Cresce a palavra com a tosse.
A febre queima a esperança.

0 microscopista, no entanto,
conta anedotas no bar.
Esta alheio e feliz.

Não sabe que o olho esquerdo
ditou a sentença e a morte.
Paga o café e caminha.

Uma Trova de Porto Alegre/RS
Flávio Roberto Stefani

A pandorga colorida
e o menino brincalhão
formam  dupla bem querida,
movida a vento e canção!

Hinos de Cidades Brasileiras
Jaçanã/RN

Vilas, casinhas pequenas
Teus astros em cena a te agradecer
Com luta amor e mão dadas
Em longas jornadas fizeram crescer

A história de uma linda cidade
Que enfeita a verdade, a paz e o amor
Rio Grande do Norte valeu
Sua História cresceu, nosso povo adorou.

Major Theodorico e Fiúza
São astros da luz da manhã
Trouxeram pra nossa cidade
Um lindo nome Jaçanã.

Encanto do nosso Rio Grande
Estrela dessa região
Jardim do nosso Trairí
Cidade do meu coração.

De origem seu nome era Flores
Que enfeitam as cores reais brasileiras
O verde e o azul desse céu
Com o branco do véu forma nossa bandeira

Seu solo arenito argiloso com clima gostoso
Fecunda as sementes
Rio Grande este povo é teu fã
Assim Jaçanã, de ontem, de hoje e de sempre.

Um Haicai de São Paulo/SP
Eunice Arruda

Malas nas mãos.
Nos olhos tantas lágrimas.
Casa inundada.


Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Fernando Augusto Buarque Franco Netto
(1925 – 1966)

A VOLTA INÚTIL

Um canto de cigarras se acomoda
Na amplidão da tarde e da saudade.
As flores trocam segredos
Que o vento trouxe de longe;
Só tu não estas.

Mas tua evocação se dilata no pensamento,
E na tua presença de milagre
Eu contemplo os tens olhos abatidos
Pela longa espera.
Eu contemplo os teus olhos apagados
Que não me dizem nada,
Como a boca que não sorri ,
E os braços que não se movem.
Quisera que me visses, que falasses,
Como se não estivesses imóvel e fria
Entre as coisas que nunca mais retornam.

Uma Trova de Bandeirantes/PR
Lucília Trindade De Carli

Cores da nossa bandeira
enfeitando este cenário...
E a criança, brasileira,
com sonho em rumo contrário...

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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