Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Chuva de Versos n. 449




Uma Trova de Ponta Grossa/PR
Sônia Ditzel Martelo

Entre todos os recantos
é aqui que me sinto bem:
- o meu Lar tem tais encantos
que outros lugares não têm!

Um Poema de Bauru/SP
João Batista Xavier Oliveira

O AMANHECER DA ESPERANÇA

Quando a esperança dorme em plena aurora
fico pensando... o que será da vida:
– corpo dormente ou alma entorpecida.
( indiferença que a penumbra adora)

As flores refulgentes da avenida
em sendas se dissolvem sem demora;
a brisa breve em lágrima evapora
a dádiva em delírio amanhecida.

Sem esperança nada tem sentido.
O amor maior é o céu ao mar unido;
universo de abraços fraternais.

Se a estrada é longa e a dor é consistente
DEUS nos anima em paz onipresente:
sem esperança amanhecer jamais!

(Homenagem a Munir Zalaf, por ocasião do lançamento do seu livro ‘Lá Fora’)

Uma Trova Hispânica Premiada do México
 Carlos Cortez Bustamante

Humanidad , porqué olvidas
la verdad  tan humillante,
de  la pobreza y heridas
que hacen al hombre  migrante.

Um Poema de Pirapetinga/MG
Amélia Luz

AMOR EM MATEMÁTICA

Minha vida é uma equação
Sem fórmula, sem solução.
Relaciono medidas
Calculo áreas,
Sou mesmo um polígono torto...

Componho um triângulo amoroso, doloroso,
Somo problemas inconsequentes,
Subtraio prazeres incertos
Multiplico questionamentos
Dividindo meus sentimentos...

Sou um teorema estranho,
Inexato, sem explicação,
Coração bigeminado
Caminho desgastado
No perímetro da vida.
Sou Regra de Três
Ou jogo de xadrez
Num xeque-mate
Que não me permite divisibilidade!

Emoções surradas, na teima
Na lida, na espera!
E a segunda milha?
Com quem trilhar? Haverá?
Estrangulada a aorta martela,
Matematicamente batendo a vida,
Num compasso de alternâncias...

Sangue vivo no vai e vem
Martirizando a minha mente,
Injustamente!
Asfixia! Na representação gráfica, a asfixia...
O sangue é tóxico, a vida é vã,
Sem poesias, alegrias ou metáforas...

Temperamental, maníaca,
Nada sabia, entretanto,
Que na matemática da vida
Não há cálculo, nem médias,
Nem sequer regras rígidas.
Não há ciências exatas nas operações...

Escondido, na palma da mão
Eu tenho em segredo
O quociente da situação.
Transformo investimentos afetivos
Com altas taxas de juros
Em saldo real, positivo,
Significando o meu lenitivo
De continuar solta, em abstração,
Na matemática fria da minha emoção.

Uma Quadra de Lisboa/Portugal
Maria Ruth Brito Neto

Com a escola fiz-me à vida
E a vida deu-me saber
Que a vida só é valida
Com um constante aprender.

Um Poema de Mogi-Guaçu/SP
Olivaldo Júnior

CORAÇÃO PEQUENINO

No pequenino coração que Deus me dera, couberam, cabem e caberão todas as coisas. Todas as coisas?! Não!... Todas as formas, cores, cheiros, sabores e ruídos de todas as coisas...

De barbante e papel,
em perfeito destino,
levo em mim o troféu:
coração pequenino.

Não me deixam o céu,
as nuances do sino,
mas escuto o escarcéu:
coração pequenino.

Fosse grande o bastante
para honrar seu intento,
eu, menino e gigante,

dava a si este alento,
de bater com quem cante
seu pequeno lamento.

Trovadores que deixaram Saudades
Marina Bruna
Franca/SP (1935 – 2013) São Paulo/SP

À noite, a areia da praia,
com rendas à beira-mar,
lembra um lençol de cambraia
onde se deita o luar...
________________________
Um Poema de Catanduva/SP
Ógui Lourenço Mauri

ÀS VEZES...

Às vezes, me vêm à mente
Fatos de volta improvável,
Que me fazem, de repente,
Acreditar no inviável

Aquele teu beijo sápido,
De tão doce paladar,
Teve bis num sonho rápido,
Que torço para voltar.

Preciso ser redivivo
De um beijo com substância;
Que volte em sonho ou ao vivo,
Pouco importa a circunstância.

O beijo real roubado,
Senti, porém, diferente;
Não chegou a ser ousado,
Pois foste condescendente.

Às vezes, tenho vontade
De ser de novo ladrão.
Dar um beijo de verdade
E roubar teu coração.

Uma Trova Humorística de Bandeirantes/PR
Wanda Rossi de Carvalho

A "coroa"ouve um ruído
sutil, mas se entusiasma...
deseja tanto um marido
mesmo que seja um fantasma.

Um Poema de Balneário Camboriú/SC
Pedro Du Bois

CONSELHOS

Disse ao filho: insista
em suas propostas e faça
o que entender melhor

o filho resistiu
fez
e o melhor foi pouco
no nada previsto
pelo pai
inquieto
em falsa magnitude

disse o filho: insisti e fiz
e refiz o feito refeito
de todo o nada investido
trouxe a não resolução dos fatos
e o fado apresentado em roto
caminho esfarrapado dos carinhos
trouxe minha volta

o pai ouviu e não insistiu
ao filho o retorno com que o pouco
se fez bastante: nada disse.


Uma Trova Hispânica Premiada da Argentina
Anahi Duzevich Bezoz

Migrantes hacen camino
amor, trabajo y desvelo.
Aferrándose al destino
construyen  su nuevo vuelo.

Recordando Velhas Canções
Maria, carnaval e cinzas
(1967)

Luiz Carlos Paraná

Nasceu Maria, quando a folia
Perdia a noite, ganhava o dia
Foi fantasia seu enxoval
Nasceu Maria no carnaval

E não lhe chamaram assim como tantas
Marias de santas
Marias de flor
Seria Maria, Maria somente
Maria semente de samba de amor

Não era noite não era dia
Só madrugada só fantasia
Só morro samba viva Maria
Quem sabe a sorte lhe sorriria

E um dia viria de porta-estandarte
Sambando com arte puxando cordões
E em plena folia decerto estaria
Nos olhos e sonhos de mil foliões

Morreu Maria, quando a folia
Na quarta-feira também morria
E foi de cinzas seu enxoval
Viveu apenas um carnaval

Que fosse chamada então como tantas
Marias de santas
Marias de flor
E em vez de Maria, Maria somente
Maria semente de samba e de dor

Não era noite não era dia
Somente restos de fantasia
Somente cinzas pobre Maria

Jamais a vida lhe sorriria
E nunca viria de porta-estandarte
Sambando com arte puxando o cordão
E não estaria em plena folia
Nos olhos e sonhos de seus foliões
E não estaria
Em plena folia
Nos olhos e sonhos
De seus foliões
Um Poema em Língua Hispânica da Argentina
Líbia Beatriz Carciofetti

NO TE TARDES

Cuando decidas volver
ruega que no sea tarde
El otoño me atrapa
y mi piel ya no arde.
El crepúsculo muere
y si... Soy cobarde
tengo miedo al destino
y que él, no te aguarde.
Si decides volver
¡Por favor no te tardes!

Uma Trova de Bauru/SP
Ercy Maria Marques de Faria

Com sortilégios e enganos
tu demonstraste quem és…
Eu desisti dos meus planos
para curvar-me aos teus pés…

Um Poema de Itajaí/SC
Samuel da Costa

PRIMA-DONNA DE ÉBANO

Nas noites gélidas.
Escuto o vento encantado a soprar!
São sussurros murmurejantes.
Prantos noturnos...
Orvalhados ao luar!

A tua voz musselinosa...
É uma sinfonia do ocaso!
A bradar lágrimas sonoras
Noturnas!

Tu és a ninfa!
Que habita o bosque encantado...
Arcangélica e augusta...
Sagrada em ritos pagãos!
A minha negra Valquíria.
A vagar!
Na imensidão do universo infindo.

És a Deusa de Ébano!
Que me abraça na hora derradeira.
És a flor negra...
És a Halfeti...
A que vem me buscar!
Pela graça imortal das deusas e deuses.
Há tempos esquecidos!
Pela areia do tempo.

E no verdadeiro fim
Vens com teu abraço glacial
Abraçar-me e dilacerar
A minha alma imortal

E na hora extrema
Na hora derradeira
E partimos juntos
Para além do infinito

Uma Teia de Trovas de Fortaleza/CE
Nemésio Prata

ESPELHO, ESPELHO MEU...

Se o espelho nega a beleza
que tinhas, não te atormentes,
e abranda a tua tristeza...,
pois ela deixou sementes!

O tempo, ser caprichoso,
não perdoa, quando passa,
mesmo um rostinho formoso
vai precisar de "argamassa"!
Quem, hoje, se vê bonita
ao espelho, é bom cuidar
do rosto, pois por desdita
o tempo vai o enrugar!

Pense num ditado certo!
"A beleza não se põe
na mesa"; quando, decerto,
é o caráter que se impõe!

Um Poema de São Paulo/SP
Eunice Arruda

O CHÃO BATIDO

I
Não nos perdoem
os que nascerão
amanhã

Deixamos como herança
a busca inesperada
que fomos

neste chão
batido de
passos incertos
onde cabeças se abaixam
sem resposta

Ainda esperamos aqueles
que hão de
nascer
com as veias sangrando de
angústia e um grito
contido na boca

Não nos perdoem

Uma Trova de Cantagalo/RJ
Ruth Farah Nacif Lutterback

O sortilégio é crendice
ora oculta ou de terreiro,
cujo mal, pela tolice,
“vira contra o feiticeiro”…

Hinos de Cidades Brasileiras
Município de Anajatuba/MA

Sê bendita, querida cidade
Na humildade da Paz Secular,
Cujos anos queremos louvar
Conclamando teu povo Altaneiro

Que o passado em florões de saudade
Com amor te conserva e vigia
Sê bendito, Torrão brasileiro
Bela vila de Santa Maria.

Salve! Salve! Anajatuba
E teu povo varonil
Nos teus campos verdejantes
Brilham as cores do Brasil (bis)

Na beleza do campo infnito
No aboio viril do vaqueiro
Tradições do povão brasileiro
Tu conservas, torrão muito amado

Pela cruz o teu povo Bendito
Quando a sombra de ermida nascida
Fez crescer a riqueza do gado
Nesses Campos de Santa Maria

Salve! Salve! Anajatuba
E teu povo varonil
Nos teus campos verdejantes
Brilham as cores do Brasil (bis)

A poesia que os índios cantavam
No jardim de tua noite estrelada
Fez de ti rara jóia encravada
Na Esmeralda dos campos floridos

E onde outrora os Tupis te habitavam
O teu nome, por certo, Luzia
Por teus anos, tão longos vividos
Sob as bênçãos de Santa Maria

Salve! Salve! Anajatuba
E teu povo varonil
Nos teus campos verdejantes
Brilham as cores do Brasil (bis)

Desabrocham mil flores das ervas
Abre as palmas o belo anajá,
E o futuro, por certo dirá
No vigor de teus jovens agora

Que o passado fiel te conservas
Para a nossa grandeza e alegria
Pois louvamos, também, com outrora
O teu nome de Santa Maria

Salve! Salve! Anajatuba
E teu povo varonil
Nos teus campos verdejantes
Brilham as cores do Brasil (bis)

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Luiz Poeta

PÉTALA DE POETA

Um poeta não precisa de carinho...
quem precisa é o ser humano onde ele mora,
que respira, sente dor, fica sozinho,
silencia e sorri... e às vezes chora.

Abandonos são recursos necessários
para que a comunhão da poesia
com a vida, reproduza itinerários
solidários do amor com a fantasia.

Um poeta é o sonho que ele inventa
e a palavra necessária delineia
numa página tão clara...ou nevoenta,
o silêncio onde a poesia... devaneia.

Quando livre do olhar de uma pessoa
uma lágrima desliza... afetuosa,
há um poeta que navega ou sobrevoa
o orvalho de uma pétala de rosa...

E se a lágrima de amor acaricia,
sutilmente, um rosto triste na moldura
do silêncio de quem ama... a poesia
denuncia a plenitude da ternura.

É a mão inspiração redesenhando
com matizes de um mistério surreal
esse gesto de dizer: - Estou te amando...
da maneira mais sublime e ideal.

Quando o ser humano sonha, ele transmuta
para dentro de si mesmo, esse poeta
que produz, nos abandonos de uma gruta
de ternura...a poesia mais completa.

Com o tempo, o olhar do ser humano
redescobre uma nova miopia:
é aquela que lhe mostra, em outro plano,
o amor tomando a mão da fantasia.

A poesia é uma pétala no vento,.
aguardando o tempo certo de pousar
no silêncio de quem faz do pensamento,
o momento mais sublime... de sonhar...

Uma Trova de Pau dos Ferros/RN
Manoel Cavalcante

Desde os tempos de colégio,
a mocinha da cantina
se tornou o sortilégio
que até hoje me alucina.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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