Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 26 de junho de 2016

Chuva de Versos n. 452



Uma Trova de Maringá/PR
Nilsa Alves de Melo

Prefiro a verdade dita
por amigo ou desafeto
a uma palavra fingida
de um adulador abjeto.

Um Poema de Jataí/GO
José Godoy Garcia

NAMORADA MORTA

Hoje, Rosa,
Depois de seu enterro,
choveu.

Fiquei alegre,
sai pela rua sob a chuva,
muitos ficaram me olhando,
eu não estava triste, Rosa,
estava alegre.

Sempre ouvi dizer em criança
que quando alguém morre
se na cidadezinha chover
esse alguém vai pro céu.

Rosa; choveu...

Uma Trova Hispânica da Argentina
María Rosa Rzepka

Estrella dormida sueña
ver abrirse tu ventana,
para sentirse tu dueña
hasta llegar la mañana.

Um Poema de Maceió/AL
Lêdo Ivo

SONETO DE OUTUBRO

Sê mais que a forma e mais que o pensamento
guardado na vigília, sem temor.
Fica no meu olhar, como no amor
verteria teu nome em verso atento.

Sê mais que a forma sempre em movimento
tornada mais humana pela dor.
Fica dormindo em mim, quando eu me for
e te deixar entregue ao desalento.

Sê minha mesmo que eu não te conheça
e te ame sem te ver, sempre te vendo
na forma que jamais fuja ou pereça.

Para tocar-te, eu sempre as mãos estendo
mas não te alcanço, e em minhas mãos transformas
teu corpo imaginário em puras formas.

Uma Trova de São Paulo/SP
Ronnaldo Andrade

Com seu sorriso de santa,
que a mim encanta e diverte,
e essa voz que me acalanta,
qualquer ateu se converte.

Um Poema de Corumbá/MT
Lourival Almeida Valle

CARTA A UM "PRACINHA" NA ITÁLIA

Caro amigo
Através das tuas linhas discretas
desfiei a corrente dos teus pensamentos.
Tua mãe estará com aqueles olhos grandes
pregados na querida imagem milagrosa da sala de jantar
rezando por ti.
Teu pai aguarda preocupado as últimas notícias da guerra
ouvido colado no rádio.

Seus cabelos já fazem lembrar a neve que cobre teu verde-oliva.
Tua irmã tricota mais um pé de meia de lã para o irmão
que luta na Itália por um mundo melhor.
Tua noiva sempre te espera como sempre te esperará.
Teu último "controle" anda por aí tricotando
beijos com qualquer "acidental". . .
(Esta lembrança porá um sorriso nos teus lábios gretados.)
Teus amigos falam de ti e lembram os estudos e farras célebres.
Teus colegas andam coletando os cigarros que irás fumar.
Estarás pensando nos teus livros silenciosos na estante
e no retrato querido em cima da tua mesa e que te fita animando.
E tua mão enregelada fará um gesto trêmulo de afago.
Acenderás um dos cigarros que a moça brasileira empacotou
assim disfarçaras a decepção do gesto perdido
Meu caro amigo
os olhos e o pensamento de tua gente estão aí
deitados contigo na trincheira
sentindo os projéteis furando o ar gelado.
Os olhos e o pensamento de tua gente te acompanham.

Não te esqueças disso e aprende e pensa.
Quando voltares serás como o homem que voltou com dois olhos
para a terra onde todos são cegos.
E o brilho novo e profundo dos teus olhos dará
novo significado as coisas que todos fitarem.
E a modulação cheia de realidades da tua voz
perfurará tímpanos relaxados.
E os teus gestos compreensivos romperão
pensamentos concêntricos.
Tua noiva te espera e terá o maior sorriso
somado ao teu sorriso profundo
quando nascer o teu filho num mundo melhor
que tuas mãos geladas irão plasmar
e tuas reflexões irão orientar.
Aprende amigo e pensa
para que o teu filho não tenha leito de neve
nem lábios gretados
nem gestos perdidos
nem Natal com sangue e metralha.
Aprende para que a terra não tenha de beber outra vez
lágrimas de mãe ausente
e sangue de filho morto nos campos gelados.

Trovadores que deixaram Saudades
Alonso Rocha
Belém/PA (1926 – 2011)

Por esse amor insensato
eu sei que o céu me condena,
mas a escolha do meu ato
eu troco por qualquer pena.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Luciano Maurício

POESIA PARA O ESQUIFE DO ARTISTA MORTO

Os olhos ficaram sempre abertos
buscando a decifração
da milenar incógnita.
Esqueceram-se das pálpebras
e as noites e os dias sucederam-se
sem encontrar vestígios de cansaço
nos olhos petrificados.
Mas o tempo estendeu as mãos
sobre as pálpebras,
e sepultados ficaram
os segredos do indesvendável
para que outros persistam
em outras manhãs.
.....................................

A poesia informe
dança no espaço.
Captemos a poesia
de uma forma absoluta.
Ela está solta na praia.
esgarçada nos rochedos,
fundindo-se no azul.
Totalmente invertebrada
mostra-se loura, morena
canta cantigas do sul.
Captemos a poesia.
na linha do "papagaio".

Uma Trova Humorística de Taubaté/SP
Angélica Villela Santos

Fugindo pela janela,
o ‘Don Juan” quis “dar no pé”.
- Um fantasma! gritou ela.
E o marido: - Agora é!

Uma Escada de Trovas, de Itararé/SP
Filemon F. Martins

“A lua divina e bela,
num capricho assim desfeito,
invade a minha janela
e vem sonhar no meu leito.”
Hedda Carvalho (Nova Friburgo/RJ)

“E vem sonhar no meu leito”
nesta noite enluarada,
quero ver-te junto ao peito
esperando a madrugada.

Invade a minha janela
fique aqui, feliz e calma,
que o perigo da procela
não resiste a paz da alma.

“Num capricho assim desfeito”
ainda há luz e beleza
que o clima fica perfeito
- o amor é paz e  certeza.

“A lua divina e bela”
reina perene no céu,  
lua que a todos,  revela
quem ama, não vive ao léu.

Um Poema de Pádua/RJ
Luiz de Gonzaga Balbi

PROMESSA

Quando a terra for de todos
já que todos vieram da terra  
E dela é a vida, o alimento, o pão:

quando a Justiça não for uma utopia
e estiver para todos como o dia
ou o sol que a ninguém faz distinção;
quando pudermos crer
- acima de tudo em nós mesmos, ,
quando pudermos pensar
- acima de tudo por nós mesmos,
para sabermos agir;
quando o Direito deixar a indiferença das palavras:
para viver na força das vontades;
quando a verdade for dita sem rebuços
porque a mentira, então, há de manchar os lábios
e a liberdade for um bem inviolável
como a razão de ser dos cidadãos;
quando todos deixarem seu silêncio
o silêncio das bocas e o silêncio das mãos,
- para encher de vozes as praças
- para encher de sulcos o chão...

Nesse dia viveremos
e a todos chamaremos
de irmãos!...

Recordando Velhas Canções
Palmas no portão
(samba, 1967)

Valter Dionísio e D’Acri Luís

Ôôôôô
Há mais de uma semana
Que eu não vejo meu amor
Há mais de uma semana
Que eu não vejo meu amor

De madrugada, bateram palmas no portão
Não era o dono do meu pobre coração
Por isso é que eu chorei
Sentindo a mesma dor
Há mais de uma semana
Que eu não vejo o meu amor

Ôôôôô
Há mais de uma semana
Que eu não vejo meu amor
Há mais de uma semana
Que eu não vejo meu amor

Uma Trova de São Simão/SP
Thalma Tavares

Enquanto o teu ventre sofre,
menino de muitas fomes,
teu patrão guarda no cofre
o lucro do que não comes.

Um Poema de Campos/RJ
Manoel Joaquim da Silva Pinto

DESAMPARO

Quando eu era menino, possuía
um pai gigante além do azul profundo,
que, num bondoso olhar mirando o mundo,
só não me dava o que eu não merecia.

Quando ciciara, absorto, a "Ave-Maria"
e o "Pai-Nosso" ante um Cristo moribundo
me acolchoava num sono manso e fundo,
enquanto o anjo-da-guarda me sorria . . .

O ácido do cismar corroeu-me a crença:
Esse cáustico atroz que a idade trouxe
diluiu o grande pai na curva imensa.

E hoje choro, amputado do Infinito,
aquela fé, mais mágica e mais doce
do que o conto de fadas mais bonito.

Uma Trova de São José dos Campos/SP
Glória Tabet Marson

Com uma enorme tristeza
que invade o meu coração,
eu contemplo a natureza,
fugindo da solidão.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Maria Antonia Sampaio Machado

EU

Cabeça e coração - o meu ser, como um elo.
Para sempre os uniu. Inextinguível chama
Que a vida me consome; introvertido duelo
Vibrando sempre em mim... Motivo do meu drama.

Sentimento e razão - aquele como é belo
E este como é sublime... O destino conclama
De ambos o antagonismo e a um e a outro apelo,
Pois um ordena: pensa; e o outro, segreda: - ama!

Que imenso turbilhão na minha alma se agita,
Para os dois agregar, equilibrando-os, pois
:Não sendo por nenhum quero ser pelos dois

Na luta exasperada, indômita, infinita...
Entre o anseio e a renúncia, o querer e a repulsa
De um cérebro que pensa e um coração que pulsa!

Uma Trova de Bauru/SP
Eulinda Barreto

Folhas mortas ... e eu revivo,
a cada outono que vem,
o nosso laço afetivo
e desse amor sou refém!

Hinos de Cidades Brasileiras
Município de Bacabal/MA

I
Entre tantas frondosas palmeiras
É um leito que corre a banhar
Tuas terras surgistes garridas (bis)
Oh! Cidade que sabes cantar.
II
Entoado som majestoso
Do avante para enaltecer
Aos que imigram e o teu povo inato (bis)
És futuro, és progresso, és viver.

Coro
Tens recursos da natureza
Tens cultura e beleza (bis)
Tens recursos presentes da natureza
Tens cultura e beleza.

III
Terra, luz céu tão azul que brilha
Refletindo valor colossal
Que espreita com viva esperança (bis)
Progredir vivas tu Bacabal.

IV
Altaneira és ideal
Foste ontem a fazenda que agora
O Maranhão tem em ti Bacabal.

V
Se retratas porvir tão risonho
Incentiva o homem a dizer
Bacabal, Bacabal tão querida (bis)
Tua meta é sempre crescer.

VI
Tudo em ti é airoso
És poema és hino também
Resplandece em tua área a nobreza (bis)
Correrás para além muito além.

VII
Oh! Cidade galante deveras
Caudaloso é teu rio Mearim
Babaçu te enleva em paisagem (bis)
Poesia, riquezas, enfim.

Coro
Boa terra de encantos mil
Entre norte e nordeste ficaste
Dando marco de amor ao Brasil.

Uma Trova de Ribeirão Preto/SP
Nilton Manoel Teixeira

Dos meus sonhos eu bendigo
as passadas frustrações;
Hoje é mais puro o meu trigo
sendo humilde nas ações.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Maria Thereza de Andrade Cunha

DEVANEIO

Desceria do céu, muito branco, o luar;
Tomarias meu rosto entre as mãos, devagar,
E eu, meus olhos então cerraria, de leve,
Como quem não quer ver... como quem não se atreve…

Haveria pelo ar um perfume de rosas
E um sussurro de vento entre ramas medrosas.
Falarias depois qualquer coisa, querido,
Qualquer coisa de amor, bem junto ao meu ouvido...

Vibraria com minha alma uma emoção divina;
Eu seria mulher. Morreria a menina.
E o milagre do amor te tornaria um Deus.
... Pousarias, de manso, os teus lábios nos meus.

Uma Trova de Santos/SP
Ana Maria Guerrize Gouveia

Na vida de um Trovador...
florindo sonhos diversos,
a Trova é um Jardim de Amor...
Num trevo de quatro versos!!!


Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to