Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Chuva de Versos n. 453




Uma Trova de Curitiba/PR
Cristiane Borges Brotto

Trovador é “gente” esperta
e só faz rima de artista,
põe todos de boca aberta,
mais do que eu… Que sou dentista!

Um Poema de Rio Pardo/MG
Mario Augusto Barreto

POEMA DE TUAS MÃOS 

Mãos divinas, mãos ardentes, mãos macias,
molhadas de luar.
Adoro as tuas mãos brancas de neve,
que de leve
me levaram
a sonhar.

Mãos de santa, mãos de virgem, mãos de prece,
que tremulam como círios
    crepitantes
        sobre o altar.
Adoro as tuas mãos cheias de afeto,
    mãos de lírios,
    perfumadas
e cheirosas a rezar.

Mãos sedosas, mãos de arminho, mãos de fada,
mãos talhadas,
mãos eleitas
para o amor.

Mãos inquietas, palpitantes e nervosas,
    mãos de rosas,
mãos de flor.

Mãos formosas, mãos de alvura, mãos veladas,
mãos de sonhos submersos.
Adoro as tuas mãos transfiguradas
que no meu coração escrevem versos!

Uma Trova Hispânica da Argentina
Dora Forletti

Con su mochila de sueños
los migrantes van llegando,
de sus sufrimientos dueños,
un mundo justo buscando.

Um Poema de Belém/PA
Mario Cruz

NATUREZA MORTA

Na mesa de charão, uma jarra oriental
com orquídeas heris e rosas doentias,
ao lado de um antigo e singular missal
em velho marroquim com douradas estrias.

Ao canto do salão, um piano vertical
e um biombo japonês pleno de alegorias
estranhas e subtis, com ilhas de coral,
flamívoros, dragões, e montanhas esguias.

Na parede de fundo, uma pintura a fresco.
Manchas de sombra e luz num jogo rembrandtesco
nos ângulos da sala e nos umbrais da porta.

E nos velhos painéis do teto artesoado,
por toda a sala imensa, esse ar vago e parado,
sonolento e sem cor, de natureza morta.

Uma Trova de Soalheira/Portugal
Ana Rolão Preto

Olhando as folhas caídas
que o vento arrasta no chão,
fico a pensar nessas vidas
a que ninguém deu a mão.

Um Poema de Capiberibe (Santa Cruz)/PE
Mario Limeira Alves

QUERO  

Mãos quero louvando.

Lábios, benção, quero
Para sorrir entre névoa.
Quero de ti renascente
A serena face do amor.

Lírios quero florindo
Em teus líricos olhos.
Velas ardentes quero
Em nossa vivida vida.

Amor, quero, de novo
Para sempre - Lenila!

Trovadores que deixaram Saudades
António Aleixo
Vila Real de Santo Antonio/Portugal (1899 – 1949) Loulé/Portugal

Forçam-me, mesmo velhote,
        de vez em quando, a beijar
        a mão que brande o chicote
        que tanto me faz penar.

Um Poema de Alegrete/RS
Mário Quintana

CANÇÃO DE UM DIA DE VENTO  

O vento vinha ventando
Pelas cortinas de tule.
As mãos da menina morta
Estão varadas de luz.
No colo, juntos, refulgem
Coração, ancora e cruz,
Nunca a água foi tão pura...
Quem a teria abençoado?
Nunca o pão de cada dia
Teve um gosto mais sagrado.
E o vento vinha ventando
Pelas cortinas de tule...
Menos um lugar na mesa
Mais um nome na oração.
Da que consigo levara.
Cruz, ancora e coração
(E o vento vinha ventando...)
Daquela de cujas penas
Só os anjos saberão !

Uma Trova Humorística de Bandeirantes/PR
Neide Rocha Portugal

Ante o “flagra”, ela insistiu:
- Você não põe fechadura,
e o vizinho descobriu
que a tramela... não segura!

Um Poema de Barbalha/CE
Martins d' Alvarez

OS OLHOS DA MENINA DO MORRO  

Menina triste,
filha do Morro,
de cara feia,
de olhos enormes...
De olhos tão grandes,
que tanto falam,
que só se calam
quando tu dormes . . .

O mapa-mundi
do teu destino,
trazes nas vestes
esmolambadas.
E estes teus olhos,
no teu destino,
são dois caminhos
cheios de erradas.

Vives sofrendo,
sofres calada,
olhas em torno
sem compreender.

Há muitos olhos
como estes teus,
que andam na treva . . .
Que olham sem ver . . .

Meninazinha
feia, mirrada.
moeda-falsa
da tentação.
Sem estes olhos,
não vales nada!
Mas, os teus olhos
te perderão.

A sorte, em tudo,
te foi madrasta,
nada, na vida,
te concedeu.
Só nestes olhos,
cheios de agouro,
tens o tesouro
que Deus te deu.

Recordando Velhas Canções
Mancada
(1967)

Gilberto Gil

O dinheiro que eu lhe dei
Pro tamborim
Não vá gastar depois jogar a culpa em mim
O dinheiro que eu lhe dei
Não é meu não
É da escola por favor não mete a mão

Você lembra muito bem
No outro carnaval
Você chorou porque não pode desfilar
A fantasia que eu mandei você comprar
Não ficou pronta porque o dinheiro
Que eu lhe dei pra costurar
Você, hum, hum
Eu nem vou dizer
Pra não lhe envergonhar

Uma Trova de Ilhavo/Portugal
Domingos Freire Cardoso

Quando chegaste ao portão
        para saber quem batia,
        batia o meu coração
        que de saudades morria.

Um Poema de Juiz de Fora/MG
Murilo Mendes

O NASCIMENTO DO MITO  

A menina de cabelos cacheados
Brinca com o arco nas nuvens

Escolho as sombras que bem quero
No perfil das árvores

Conto as estrelas pelos dedos
Faltam várias ao trabalho

Alguém transporta Sirius de um lado para outro
A noite explode em magnólias

Escutas as plantas crescerem
E o diálogo sinistro contínuo
Das ondas com o horizonte

Desmontam o universo-manequim
Carregam a areia do mar
Para a ampulheta do tempo

Homens obscuros edificam
Em ligação com os elementos
O monumento do sonho
E refazem pela Ode
O que os tanques desfizera.

Uma Trova de Mangualde/Portugal
Elisabete Aguiar

Na corda bamba da vida,
o futuro sempre em vista,
sou criança divertida
brincando de equilibrista.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Murilo Miranda

CANÇÃO PARA VERLAINE  

Ao vago sonho
Abandonado
Uma voz ouço
Em solidão.

A voz do vento
Que suave chega
Numa palavra
Só de perdão.

Ao vago sonho
Abandonado
Uma voz ouço
Em solidão.

A voz do vento
Que suave chega
Chora em silêncio
No coração.

Uma Trova de Remoães/Portugal
Manuel José Lamas Junior
(1909 – 1973) 

Não vou além do que faço,
nem vou além do que digo.
Meu mundo está num abraço,
quando me abraço contigo...

Hinos de Cidades Brasileiras
Município de Cantanhede/MA

Cantanhede Cidade risonha e hospitaleira história brilhante à ilustrar
O valor cultural de sua força ascendente
O progresso lançando seu povo pra frente
A sua juventude, seu povo a exaltar
A nobreza que lhe vem do coração
Trabalho e Harmonia
Com amor à venerar
Salve a Padroeira “Nossa Senhora Da Conceição”

Cantanhede tu serás sempre radiante
Com a a beleza de teus campos verdejantes
E do majestoso Rio Itapecurú
Recebe o afeto, destes filhos teus
Nesta Homenagem, com as bençãos de Deus

Cantanhede solo fértil generoso
Onde as sementes geram lindos arrozais
Veja a exuberância de seus formosos palmeirais

Cantanhede Cidade risonha e hospitaleira
Com sua história brilhante a ilustrar
O valor cultural de sua força ascendente
O progresso lançando seu povo pra frente
A sua juventude, seu povo a exaltar
A nobreza que lhe vem do coração
Trabalho e Harmonia
Com amor a venerar
Salve a Padroeira “Nossa Senhora Da Conceição”

Cantanhede tu serás sempre radiante
Com a  beleza de teus campos verdejantes
E do majestoso Rio Itapecurú
Recebe o afeto, destes filhos teus
Nesta Homenagem, com as bênçãos de Deus

Cantanhede solo fértil generoso
Onde as sementes geram lindos arrozais
Veja a exuberância de seus formosos palmeirais

Uma Trova de Porto/Portugal
Emília Peñalba Esteves

Eu guardei tua mensagem,
de papel já desbotado,
e assim fechei tua imagem
na gaveta do passado!

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Nelson de Araujo Lima

UMA OFERENDA AO DESTINO

Do que a vida me deu, tenho a inconstância
Do vento e aquela solitária calma
De palmeira que acena, em cada palma,
Os adeuses perdidos na distância...

E se não tenho mais essa fragrância
De asa liberta que, no azul, se espalma,
Conservo o ingênuo olhar de minha infância
E o infinito do céu no fundo d'alma!...

Nada à vida pedi ... Mas, em verdade,
Tive um desejo muito pequenino
Que ontem era esperança e hoje é saudade...

Porém, se ela negou-me o que eu queria,
Veio a noite insondável do destino
E encheu de estrelas minha mão vazia!...

Uma Trova de Travanca dos Lagos/Portugal
Maria Amélia Pinto de Carvalho e Almeida
(1906 – 2010)

Se a doçura de te amar,
por ti fosse ao mar     deitada,  
a própria água do mar
deixava de ser salgada.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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