Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 24 de julho de 2016

Chuva de Versos n. 455


Uma Trova de Curitiba/PR
Andréa Motta

Todo dia de manhã,
ao escutar o sabiá,
lembro da cunha porã
do meu tempo de piá.

Um Poema de Porto Alegre/RS
Rui Rodrigo Fernandes

MOMENTO VERDE

Um verde
de alma nova
nos olhos
do gato morto
e o crepúsculo
nas velas
dos grandes navios
que fizeram amor
com o mar
e se me multiplicaram.

0 velho cais
se afastou
resmungando,
os olhos
do gato
cresceram tanto
que se confundiram
com a sombra
do mundo.

Uma Trova Hispânica da Argentina
María Cristina Fervier

La inmensidad del olvido
que mi corazón desgarra,
en sombra me ha convertido
tu silencio que me amarra.

Um Poema de Santarém/PA
Rui Barata

A FACE TRANSPARENTE

E só agora verás o homem triste a espada do arcanjo Gabriel.
Só agora verás que a tua nudez é maior que o teu egoísmo.
Só agora sentirás a face retratada
nesta negra bandeira que desfralda
o sinistro fulgor do teu exílio.
Quem erguerá do tempo relegado em que apodrece
o último esplendor deste olhar que fenece
entre os grilhões das mortes perpetradas?
Quem ousará transpor o limiar desta porta fechada
que projeta o silêncio de todas as ausências
e a sombra onipotente dos despojos?
Ah! Pudesse eu estrangular o grito desta infância atraiçoada.
pudesse eu extinguir o olhar que bem percebo em mim,
- o pranto que não verga a muralha implacável,
- o nunca mais das horas que avolumam e cantam
a maldição da espécie no punhal da memória.
Pudesse eu expor não mais a tirania com que me desmascaro,
a solidão hostil onde esbraveja, sangra a ruge amordaçada
esta boca impedida por todos os remorsos.

Uma Trova de São Fidélis/RJ
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Amor é brisa suave,
é aconchego, é carinho,
é voo saudoso da ave
indo em busca do seu ninho.
Um Haicai do Rio de Janeiro/RJ
Hermoclydes Siqueira Franco

Na estação das cores,
a chuva de primavera
embeleza as flores!...

Um Poema de Santo Antonio de Pádua/RJ
Ruy Guimarães de Almeida

SERENIDADE

A luz mística
da tarde de finados.
põe a saudade de Deus
n’alma das cousas
e, nos pinheiros, o recolhimento
de Francisco de Assis...

Há murmúrios de preces da floresta,
das fontes, das flores nas campinas,
a elevação de um mesmo pensamento.

- A minha alma vibra de contentamento
como raio de sol em remanso do rio...

Trovadores que deixaram Saudades
Dimas Lopes de Almeida
Sandim/Vila Nova de Gaia/Portugal (1915 – 1994) Carvalhos/Portugal

Perdi o melhor que tinha,
        agora o mundo me enjeita:
        - Ninguém olha para a vinha
        depois da vindima feita.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Salomão Jorge

PECADORA
                                                    
Ó pecadora de olhos langorosos,
Quero pecar contigo alguns momentos,
Beijar teus rubros lábios saborosos
Como a polpa dos frutos sumarentos!
Sentir nos meus braços luxuriosos,
Alvos braços que são os meus tormentos;
Beijar teus olhos úmidos de gozos,
Úmidos de volúpias, sonolentos...

A mim pouco me importa o teu futuro;
O teu corpo é que quero, puro ou impuro,
Na súbita explosão dos meus desejos...

Nossas horas de amor serão bem poucas;
Depois vai à procura de outras bocas
Que irei também em busca de outros beijos!

Uma Trova Humorística de São Paulo/SP
Selma Patti Spinelli

Com a bagunça rolando,
sem ter mais o que falar,
chilique, de vez em quando,
bota tudo no lugar!

Um Haicai de Maringá/PR
A. A. de Assis

Estrela cadente.
Vagalumes se alvoroçam
cobiçando a vaga.
Um Poema de Recife/PE
Solano Trindade

NEGRA BONITA
                                                     
Negra bonita de vestido azul e branco
Sentada num banco de segunda de trem
Negra bonita o que é que você tem?
Com a cara tão triste não sorri pra ninguém?

Negra bonita
É seu amor que não veio
Quem sabe se ainda vem
Quem sabe perdeu o trem
Negra bonita não fique triste não
Se seu amor não vier
Quem sabe se outro vem
Quando se perde um amor
Logo se encontra cem
Você uma negra bonita
Logo encontra outro bem.

Quem sabe se eu sirvo
Para ser o seu amor
Salvo se você não gosta
De gente da sua cor
Mas se gosta eu sou o tal
Que não perde pra ninguém
Sou o tipo ideal
Pra quem ficou sem o bem...

Recordando Velhas Canções
Balada do louco
(1972)

Arnaldo Batista e Rita Lee

Dizem que sou louco
Por pensar assim
Se eu sou muito louco
Por eu ser  feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz

Se eles são bonitos
Sou Alain Delon
Se eles são famosos
Sou Napoleão  
Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz

Eu juro que é melhor      
Não ser um normal
Se eu posso pensar    
Que Deus sou eu 

Se eles têm três carros
Eu posso voar
Se eles rezam muito
Eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz
Não é feliz               

Eu juro que é melhor          
Não ser um normal           
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu
Sim, sou muito louco
Não vou me curar
Já não sou o único
Que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz
Eu sou feliz!

Uma Trova de Arapongas/PR
André Ricardo Rogério

Quando, então, do céu descer
um brilho no teu olhar,
é porque no entardecer
meus sonhos vão te buscar.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Stella Leonardos da Silva Lima Cabassa

CHUVAS E VENTOS

Já reparaste que as chuvas
ajudam a crescer as uvas
no verde dos parreirais?
Findam da terra os martírios
da sede, a bordam de lírios,
as águas dos pantanais . . .

E reparaste que os ventos
se as vezes trazem tormentos,
semeiam louros trigais?
Enfunam velas nos mares,
fazem vibrar nos ares,
arpejos de coqueirais...

Eu creio que as nossas mágoas
que se concentram nas águas
que brotam dos nossos ais,
são feito as chuvas, que puras,
mesmo tristes dão farturas
e claros mananciais...

E creio que os pensamentos
vão assim como esses ventos,
a semear ideais:
se os pensamentos são puros,
quanto bem em bens futuros,
na colheita  dos trigais!

Uma Trova de São Paulo/SP
Darly O. Barros

Porteira de tábua grossa,
pregos velhos, sem rebites,
limitas a minha roça,
não meus sonhos sem limites!
Um Poema de Piracicaba/SP
Vito Pentagna

ARRANQUEI A PÁGINA

Arranquei a página
onde estava escrito teu nome
amarrotei,
pisei,
pus no fogo,
fiz o diabo a quatro
e indiferente segui o meu caminho
resolvido a esquecer
e a levar a boa vida;
porém o que me faz pena
é que entre as folhas do meu livro
haverá sempre uma página arrancada.

Uma Trova de Curitiba/PR
Nei Garcez

Quem diz que eu olho e não vejo
a lágrima em seu olhar
não merece mais meu beijo,
pois sofro a me controlar.

Hinos de Cidades Brasileiras
Município de Carolina/MA

Conterrâneos num canto vibrante
Exaltemos a nossa cidade,
Que com justas razões se destaca,
Na cultura e na sociedade.

Até poucos decênios atrás
Quase nada do avanço mostrava
Totalmente isolada do mundo
Com entraves bem fortes lutava.

Saudemos seu fundador
A figura insinuante
De Elias Ferreira Barros
Um perfeito bandeirante.

Mas depois, com os tempos mudados
E mais livre de tanto embaraço,
A buscar novas fontes do luz,
Desferiu belo vôo pelo espaço.

Numa marcha feliz vai seguindo
Já um lindo porvir vislumbrando
De gozar a sua luz benfeitora,
Muito perto, talvez estejamos.

Saudemos seu fundador
A figura insinuante
De Elias Ferreira Barros
Um perfeito bandeirante.

Exaltemos com a doce esperança
Confiemos na Graça Divina
E o Progresso com seus benefícios,
Há de em breve atingir Carolina.

Nosso anseio resume-se em vê-la
Elevada a certa grandeza
De maneira que possa dar lustre
Às insígnias reais de princesa.

Saudemos seu fundador
A figura insinuante
De Elias Ferreira Barros
Um perfeito bandeirante.

Salve, pois, o feliz sertanista,
Cujos passos ficaram imortais
Salve os outros que tem trabalho
Pelos seus interesses vitais.

Praza os céus que as vindouras contúrias
Tenham a dita de vir encontrá-la
Em um trono ideal de Princesa.
Ostentando os seus trajes de Gala.

Saudemos seu fundador
A figura insinuante
De Elias Ferreira Barros
Um perfeito bandeirante.

Um Poema de Salvador/BA
Wilson Woodrow Rodrigues

BALADA DO RAIO DE LUAR

De uma lagrima vim . . . pingo de lua
feito orvalho de lua sempre a dançar.
Na transparência clara se insinua
que o meu eterno destino é dançar no ar.
Ali! beleza imortal da forma nua
    beijada pelo luar.
E quando a lua, no céu, leve flutua
como se fosse nau a velejar,
eu levo aos anais, de rua em rua,
saudades que vem, de mar em mar.
Ah! beleza imortal da forma nua
beijada pelo luar.

Sempre escuto uma voz que diz "sou tua"
nas noites brancas, brancas de luar,
que os namorados são filhos da lua
e irmãos mais novos do raio de luar.
Ah! beleza imortal da forma nua
beijada pelo luar.

Uma Trova de Londrina/PR
Cidinha Frigeri

O pão e o vinho, que trago
à mesa para nós dois,
são muito mais que um afago,
visando o agora e o depois.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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