Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Chuva de Versos n. 456


Uma Trova de Curitiba/PR
Luiz Hélio Friedrich

Por mais que eu sofra, querida,
com meus sonhos, sigo adiante:
- A iluminar minha vida
levo a luz do teu semblante.

Um Poema de Pirapetinga/MG
Amélia Luz

ILHA DE VERA CRUZ

Barcos de fé ancoraram na baía
Velas portuguesas tremulavam.
Navegantes ambiciosos
Desenharam sonhos de pau brasil,
De açúcar,  ouro e esmeraldas
Debaixo da linha dos Trópicos.
Tribos inteiras entregaram mãos inocentes
Até então livres e soltas na floresta imensa!
Anhanguera!!! Anhanguera!!!
Pesadas correntes de dor sepultaram almas sofridas
Que já não podiam erguer seus olhos
Para clamar na taba por tupã e jaci...
O pajé entristeceu apagando seu cachimbo
Esquecendo suas oferendas e premonições.
Enquanto isso, tambores amordaçados
Já não gritavam, nem batucavam.
Adormeciam calados nos bancos das escolas
Ou debaixo dos buritizais...
Aos domingos pintados de urucum
Adornados de penas coloridas
De araras ou tucanos
Nativos rezavam missas inteiras em latim!!!
“Et  intrito  al   altare   Deum”...

Uma Trova Hispânica do Perú
Jamil William Piscoya Ayala

Ser migrante por amor
debe ser maravilloso,
deberá ser el clamor
del corazón amoroso.

Um Poema de Curitiba/PR
Alice Ruiz

SAUDAÇÃO DA SAUDADE

minha saudade
saúda tua ida
mesmo sabendo
que uma vinda
só é possível
noutra vida
aqui, no reino
do escuro
e do silêncio
minha saudade
absurda e muda
procura às cegas
te trazer à luz

ali, onde
nem mesmo você
sabe mais
talvez, enfim
nos espere
o esquecimento

aí, ainda assim
minha saudade
te saúda
e se despede
de mim

Uma Trova de Ipu/CE
Júlia Jácome de Melo

Saudade é tudo o que resta
de uma eterna nostalgia,
que se torna manifesta
passo a passo, todo dia.

Um Poema de Curitiba/PR
Andréa Motta

NATUREZA ÍNTIMA

Sou pedra plantada.
Quando pedra,sou dura,
implacável com as palavras.

Sou água a correr.
Quando água,sou como um riacho sereno
a deslizar em silêncio.

Sou vulcão em constante erupção.
Quando vulcão,sou imaginação.
Trago na pele, no rosto e,
na alma a cor da paixão.

Sou cigana livre de preconceitos.
Sou nômade,vivo as margens dos rios
minh' alma tem asas brancas e vermelhas,
p'ros voos desta vida incerta.

Tenho os olhos tristes e a voz embargada,
em simultâneo a alegria d'uma criança.
No peito trago contudo, a inabalável certeza
de amar-te eternamente.

Trovadores que deixaram Saudades
Archimino Lapagesse
Florianópolis/SC (1897 – 1966) Rio de Janeiro/RJ

Saudade - ponte encantada
entre o passado e o presente,
por onde a vida passada
volta a passar, novamente...

Um Poema de Maringá/PR
Eliana Palma

ALBATROZ

Albatroz: mensageiro de tormenta.
Dela nunca se afasta; nem mesmo tenta…
Paira sereno sobre os espasmos úmidos do mar.

Altas vagas explodem desconexas
espargindo espumas brancas de água e sal complexas.
O vento desafina tons de ópera funesta
mas o mantém na rota e não contesta
o roteiro alado que teima percorrer.

Como fugir,
se o clarão da tempestade não se esconde?
Para onde ir,
se o rugir dos céus se ouve ao longe?
Onde ficar,
se a segurança não é vista no horizonte ?
Por que temer,
se males vêm e vão
e depois da fúria fica em paz o coração?

O amassado da superfície
deixa escapar grunhidos de profundezas frias.
O negrume baixo do céu congestionado,
por riscos de luz pulsa, iluminado:
espetáculo de força magistral.
Explosão da natureza temperamental!

Exemplo e alento vêm, ave marinha,
ensina a coragem para o embate.
Reforça-nos o bico, prepara o bom combate.
Dá-nos força para vencer o caos que se avizinha!

Sobre a procela flutua o albatroz!
Na certeza que vencerá este momento;
nunca faz do mau tempo seu algoz.
Firme, contra ou a favor do vento,
paira seguro aproveitando o tempo
enquanto voa livre, feliz, veloz!

Uma Trova Humorística de Campo Grande/RJ
Antônio Bastos

Se a mulher é bem astuta,
eu fico sempre “de olho”…
e quanto mais for “enxuta”,
mais ponho “as barbas de molho”!

Um Poema de Curitiba/PR
Isabel Furini

A CASA PATERNA

Trituradas as guelras do silêncio
sobre o velho álbum fotográfico.

O pai (morto há anos) sobrevive nos retratos desbotados.
Revelam-se fisionomia e emoções.

Quantos olhares,
quantos rostos deixei submersos
nos interstícios da memória,
quantos exílios na areia do passado e exílios futuros
projetados no palco dos sonhos.

Genealogias, uivos e fumaça despencam do
álbum fotográfico aberto sobre a mesa.

Observam-nos os mortos,
pousam nas fotografias como estacas de mutismo.

Amam-nos.
Esperam-nos (sedentos de carinho) com os braços paralelos
abertos entre galáxias de culpa e de mistério.
Imensamente abertos.

Recordando Velhas Canções
Casa no campo
(1972)

Zé Rodrix e Tavito

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais

Nota:
         O sucesso desta canção surpreendeu até mesmo o seu letrista, Zé Rodrix, que relembra: “Na época, integrando o grupo Som Imaginário, eu viajava de ônibus para Goiânia, numa turnê com Gal Costa, quando avistei pela janela uma plácida paisagem de macelas-do-campo, contrastando com o difícil momento profissional que eu vivia...”
         Então, inspirado pela paisagem, ele escreveu, ainda na estrada, a letra de “Casa no Campo” que musicada pelo guitarrista mineiro Tavito concorreu no VI FIC, em 71, que tinha seu júri presidido por Elis Regina. Ao ouvir a composição, a cantora resolveu gravá-la, dando-lhe uma suave interpretação em consonância com o desejo de vida alternativa exposto nos versos, lançando-a num compacto juntamente com outra música — “Nada Será como Antes” — que complementava aqueles ideais. Quando chegou a hora de gravar o elepê (o primeiro que fez com arranjos de César Camargo Mariano), Elis já tinha duas canções para puxar a vendagem .
         Posteriormente, “Casa no Campo” internacionalizou-se, em gravações da orquestra de Paul Mauriat e de Orneila Vanoni, cantando em Italiano Há também uma gravação importante de Tavito e coro à cappela, realizada 1979. Já Zé Rodrix, que com Sá e Guarabira é considerado responsável pela criação do chamado rock rural, confessou em entrevista à Folha de S. Paulo que “nunca acreditou muito nesse papo de campo”, considerando-se um sujeito cem por cento urbano
Fonte: Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. A Canção no Tempo. Vol. 2.

Uma Trova de São Jerônimo/RS
Helenara (Alzira Fonseca Magalhães)

No mar imenso da vida,
andamos a navegar,
às vezes, rota perdida…
e a saudade a timonear!

Um Poema de Maringá/PR
Jeanette Monteiro de Cnop

DUAS CRIANÇAS

Em alguma folha
do livro competente,
no cartório da vida,
arquive-se o acordo,
como segue.

Prometo :
a menina curiosa,
arteira e sensível
que aflora, irrompe, desabrocha
e explode em mim
acolhe você,
moleque travesso, irreverente,
deliciosamente sedutor
(ainda que envolto em dualidades e mistérios)
para juntos caminharem
sonhadoramente,
em meio a castelos de nuvens
branquinhas, gordas de fantasias
e desejos compartilhados,
em direção
à porta do céu.

Um Haicai de Curitiba/PR
Helena Kolody

Arco-íris no céu.
Está sorrindo o menino
Que há pouco chorou.

Uma Trova de Aroazes/PI
Elzeni Portela de Araújo Sousa

Aquele velho coqueiro,
sempre, sempre a farfalhar,
beija-o a luz do dia inteiro,
e a noite – a luz do luar.

Um Poema de Maringá/PR
Olga Agulhon

UM HOMEM POETA

Mergulhado em tristeza e solidão,
um homem escreve.
Versos ritmados? Não!
Escreve sobre seus dias,
contando horas vazias.
Escreve, com movimentos lentos,
palavras que tentam definir sentimentos.

É um poeta!
não porque escreve,
querendo escolher a palavra e a alegoria,
mas porque sonha,
perdido em  ilusões e melancolia.

Um homem chora.
Chora por sua vida dura,
querendo esquecer uma amargura.
Chora como todo amante,
que já sofreu o bastante.

É um poeta!
Não porque escreve,
querendo escolher a palavra e os pontos,
mas porque ama,
perdido em solidão e desencontros.
Por isso escreve,
com o coração pequenininho,
querendo seu ninho.
Escreve porque está sozinho
e só o papel lhe dá carinho.

Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Celuta Trindade Chicarino

Suspira a brisa fagueira
na tarde crepuscular,
trazendo a saudade meiga
para o meu rosto alegrar.

Hinos de Cidades Brasileiras
Município de Upanema/RN

I

Localizado na chapada de Apodi
No semi-árido do oeste potiguar
Surgiu um povo de origem indígena
Eram os Pêgas que vieram habitar
Aqui encontraram uma terra muito plana
Sem elevações, com riquezas naturais
Lindas paisagens, com seus campos verdejantes
Do algodoeiro aos mui lindos carnaubais

Refrão

U'a luz brilhando está
Nossa Upanema sempre avante há de brilhar
Lutemos juntos, somos irmãos
Sempre firmados na bandeira da união

II

Inicialmente chamada Curral da Várzea,
Rua da Palha, Conceição de Upanema
Porém a luta deste povo nunca pára
E finalmente a chamaram Upanema
Catequizada pelo padre Adelino
Chegou a distrito com muita abnegação
Foi libertada do jugo campograndense
Graças ao esforço de Rodrigues, nosso irmão

U'a luz brilhando está
Nossa Upanema sempre avante há de brilhar
Lutemos juntos, somos irmãos
Sempre firmados na bandeira da união

III

Força e trabalho deve ser a nossa meta
Pois pra o futuro temos que nos projetar
O nosso povo que é jovem e patriótico
Com seu valor e muita garra vai lutar
Pra garantir a nossa vida no futuro
Para crescermos sem a alienação

Pra suscitar um maior desenvolvimento
Continuemos a cantar este refrão

U'a luz brilhando está
Nossa Upanema sempre avante há de brilhar
Lutemos juntos, somos irmãos
Sempre firmados na bandeira da união

Um Poema de Curitiba/PR
Vanda  Fagundes Queiróz

INTEGRAÇÃO

Ontem eu vi
meu avô curvado,
enxada na mão,
esperança no olhar.

Ontem eu vi
a semente no chão
e a chuva caindo
e o verde a brotar.

Ontem eu vi
a raiz se firmando
o sol fecundando,
a terra a gerar.

Hoje eu vi
uma flor perfumada,
rosa desabrochada
na estrada eu colhi.
A luz, o perfume, a cor,
a colheita que sacia agora
tanto fruto, tanto grão
semeaduras de outra estação.

E o passado se tornou presente,
no verde de ontem que amadureceu,
na espiga de hoje que não semeei
e que abastece, farta a minha mão.

Pois vou plantar. Plantar neste momento,
regar o campo e cultivar também;
o futuro há de vir e ser presente
e eu, passado, saberei que alguém,
nalgum lugar colhe a rosa perfumada,
colhe, feliz, a flor por mim plantada.

Uma Trova de Pouso Alto/MG
Mário Gomes

Pelos vórtices nefandos,
em meu eterno sonhar,
meus barcos, velhos e pandos,
vencem a fúria do mar.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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