Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Chuva de Versos n. 458


Uma Trova de Bandeirantes/PR
Janete de Azevedo Guerra


Cartas de amor escondidas,
no meu baú de esperança,
são testemunhas de vidas
que ficaram na lembrança.
____________________________________
Um Poema de Londres/Inglaterra
John Keats
  (1795 – 1821)

SONETO


Quando fico a pensar poder deixar de ser
antes que a minha pena haja tudo traçado,
antes que em algum livro ainda possa colher
dos grãos que semeei o fruto sazonado;

quando vejo na noite os astros a brilhar
- vasto e obscuro Universo, impenetrável mundo! -
quando penso que nunca hei de poder traçar
sua imagem com arte e em sentido profundo;

quando sinto a fugaz beleza de alguma hora
que não verei jamais - como doce miragem –
turva-se a minha mente, e a alma em silêncio chora
um impulsivo amor. E a sós, me sinto à margem
do imenso mundo, e anseio imergir a alma em nada
até que a glória e o amor me dêem a hora sonhada!
____________________________________
Uma Trova de Caxambu/MG
Vera Milward de Carvalho


Nisto a vida se resume:
nada existe sem defeito,
e, se não fosse o  ciúme,
o amor seria perfeito!
____________________________________
Um Poema da Antuérpia/Bélgica
Christophe Plantin
(1514 – 1589)

A FELICIDADE DESTE MUNDO

                                                     
Ter uma casa limpa, aconchegante e bela,
um florido jardim com canteiros fragrantes,
frutas frescas, bom vinho, e as crianças distantes,
para gozar em paz a fiel presença dela.

Sem dívidas, questões e sem qualquer querela,
herança a repartir, parentes litigantes,
contentar-se com um pouco, evitar intrigantes
e viver com justiça uma vida singela.

Com franqueza jovial, sonhar, sem ambições,
cultivar com prazer as caras devoções,
dominando o desejo e as tentações da sorte,

a alma livre mantendo, o raciocínio, forte,
e em paz, a conversar com Deus, em orações,
aguardar sem temer a presença da morte.
____________________________________
Uma Trova de Taubaté/SP
Cesídio Ambrogi


Que me traias me negas
mas, traindo-me, te trais:
– O perfume com que chegas,
nunca é o mesmo com que sais...
____________________________________
Um Haicai de Balneário Camboriú/SC
Eliana Ruiz Jimenez


Mais um dia nasce.
E esse amor que me vigia
é a luz da manhã.
____________________________________
Um Poema de Popáyán/Colômbia
Guillermo Valencia
(1873 – 1942 )

À MEMÓRIA DE JOSEFINA


Do que foi um Amor, uma doçura
sem par, feita de sonho e de alegria,
resta somente agora a cinza fria
que retém esta pálida envoltura.

A orquídea de esquisita formosura,
a borboleta em vã policromia
deixaram a fragrância e a galhardia,
legado para a minha desventura.

Sua lembrança sobre tudo impera;
de seu sepulcro minha dor a arranca;
minha fé a cultua; o amor a espera;

mas devolvo-a à luz com a mesma e franca
risada matinal de primavera:
nobre, modesta, carinhosa e branca!
____________________________________
Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Cecília Cavalcanti


Das angústias a maior,
a mais terrível das penas...
Como encerrar-te,  ciúme   
em quatro versos apenas?  
____________________________________
Uma Aldravia de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos


perambulando
procuro
me
esconder
vestindo
sombras
____________________________________
Um Poema de Osuna/Espanha
Francisco Rodríguez Marin
(1855 - 1943)

A UM BEM EFÊMERO


Oh, inesperado bem que a mim chegaste
como em meu coração te recolheste,
e em eflúvios celestes o inundaste
e num mar de delicias o envolveste ?

Pois que ao teu fogo o meu amor ardeste
por que ao partir ardendo o abandonaste?
Para durar tão pouco por que vieste?
E se quiseste vir, por que o deixaste?

Relâmpago fugaz, oh bem - meteoro
que no céu cintilou! Nem sei se vi
na noite a tua luz. Mal pude ver-te!

Mas a sorte bendigo a não deploro,
pois perdendo-te assim, enfim perdi
essa angústia e esse medo de perder-te.
____________________________________
Uma Trova Hispânica da Argentina
Libia Beatriz Carciofetti


Llevas tu carga migrante
buscando donde acampar
con tus sueños delirante
Dios no te ha de abandonar,
____________________________________

Um Poema de Buenos Aires/Argentina
Tomás  de Iriarte
(1794 - 1876)

A UMA DAMA MUITO OBRIGADA

Enquanto, suave, a primavera passa,
teu decote é zeloso, na abertura,
mas ao verão ardente, sem censura,
ele entremostra toda a tua graça!

Depois o outono chega e tudo embaça...
Então, vai se fechando, te enclausura,
e ao vir o duro inverno, com usura
ciumento, ao teu pescoço ele se enlaça.

Renego este tempinho madrilenho
de longo inverno e de tão longos xales...
(Sou ilhéu! meu protesto não contenho!)

Mas socorrer-me esta em tua mão:
mesmo em novembro, espero, me regales
com o presente de um dia de verão!
____________________________________
Recordando Velhas Canções
Eu quero é botar meu bloco na rua
(1972)

Sérgio Sampaio


Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero todo mundo nesse carnaval...

Eu quero é botar meu bloco na rua    BIS
Gingar, pra dar e vender
____________________________________
Uma Trova de Portugal
Celeste de Abreu


Teu ciúme faz-me bem
neste nosso apartamento.
Pois ter ciúmes de alguém
é tê-lo no pensamento.
____________________________________
Um Poema de Charleville-Mézières/França
Arthur Rimbaud
(1845 - 1891)

ADORMECIDO NO VALE


É uma clareira verde, onde canta um riacho
prendendo alegremente às ervas seus farrapos
prateados; onde o sol da orgulhosa montanha
brilha. É um valezinho a espumar claridades.

Um jovem soldado, a boca aberta e a cabeça
descoberta a molhar-se na erva fresca, azul,
dorme; está estirado ao chão, a céu aberto,
pálido, no seu leito verde, à luz que chora.

Os pés nos lírios roxos, dorme. E sorri como
sorriria uma criança enferma, em sono leve.
Natureza - aconchega-o bem: ele tem frio!

Os perfumes não mais lhe excitam as narinas;
dorme ao sol; tem a mão abandonada ao peito.
Dois rubros orifícios sangram-lhe a direita.
____________________________________

Uma Trova de Rio Bonito/RJ
Leir Morais


Ciúme é ter-se constante,
no pensamento, o pavor       
de que alguém, a todo instante,
quer roubar o nosso amor.
____________________________________
Um Poema de Dunquerque/França
Auguste Angellier
(1848 - 1911)

AS CARÍCIAS DO OLHAR


As caricias do olhar são as mais adoráveis,
chegam ao fundo da alma, aos limites do Ser,
e libertam assim segredos inefáveis
de outro modo em silencio, a sem ninguém saber.       

Os beijos puros são grosseiros junto a elas,
mais que qualquer palavra o seu falar é forte,
nada exprime melhor, no mundo, as coisas belas
que passam num momento, em efêmera sorte.

Quando a idade envelhece a boca em seu sorrir
que as rugas vão marcando aos poucos de amargura,
intacta ainda mantém sua límpida ternura.

Feitas para inebriar, consolar, seduzir,
guardam toda a doçura, e os ardores e o encanto!
Que outra caricia em luz trespassa o nosso pranto?
____________________________________
Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Alberto Goulart Wucherer


Ciúme é zelo... é cuidado...
é muito egoísmo, também...
Confiar, desconfiando
de quem a gente quer bem...
____________________________________
Hinos de Cidades Brasileiras
Município de Florânia/RN


Florânia terra querida
Linda filha do sertão
Cantaremos em nossa lira
O que plantaste em nosso coração.

Oh! coração do Seridó
Onde se irradia mais fulgor
Os seresteiros vão cantando
Tua beleza e esplendor.

Rincão cercado de serras
Perfumado de Bugi
Cheio de flores tão belas
Que sempre vão nos seguir.

Tua fé e esperança em festa
Numa eterna melodia
Teus espinhos e pedras se transformam
Em canção e poesia.

Solo puro e bravio
O trabalho nos faz crescer
Sempre humilde e hospitaleiro
Cada dia nos faz vencer.

Ao longo de teus caminhos
Vaqueiros tangem o gado.
E o vento leva as cantigas
Ao santo Monte amado.

Cosme de Abreu é teu exemplo
De coragem e bravura.
Na luta, paz e bondade.
Cheio de amor e candura.

Colhemos tua paz
No branco do algodão
Que é nosso orgulho de colheita
Um pouco de nosso pão.

Oh! Florânia terra querida
De riquezas sem igual
Do Brasil tão querido
Tão bela, sem rival.
____________________________________
Um Poema de Stratford-upon-Avon/Grã-Bretanha
William Shakespeare
(1564 – 1616)

SONETO  XXIX


Quando em minha desgraça e sem fortuna sigo
dos homens desprezado, e minha sorte choro,
praguejo contra os céus insensíveis, deploro
meu destino, e em protesto inútil me maldigo.

E os ricos de esperança invejo, e, num momento,
anseio ter também prazeres, alegrias,
tudo o que, à alma nos traz algum contentamento
e de amizades enche o decorrer dos dias...

Mas se assim desolado estou, e penso em ti,
tal como a cotovia ao vir da madrugada,
canto à espera do sol, à luz que ainda não vi,

e me sinto feliz, e sou rico talvez,
pois tendo o teu amor em minha alma encantada,
nem troco o meu Destino e nem invejo os reis!
____________________________________

Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Wagner Luiz Ribeiro

Dos bons biscoitos, "Maria",
tenho ciúme frequente.
Só porque vejo teu nome
na boca de toda gente...
____________________________________
Um Poema de Fuente Vaqueros/Espanha
Federico Garcia Lorca
(1899 – 1936)

O POETA EXIGE QUE O SEU AMOR LHE ESCREVA


Amor de minha carne, viva morte:
espero em vão tua palavra escrita,
penso com a flor já seca, na desdita,
que se vivo sem mim, que importa a sorte?

O ar em torno é imortal. A pedra, inerte,
a sombra, não conhece, nem a evita.
Coração sem, ninguém, não necessita
o mel gelado que a alta lua verte.

Eu te sofri, rasguei as minhas penas;
tigre e pomba envolvi tua cintura
num duelo de carícias a açucenas.

Enche pois de palavras tal loucura,
ou deixa-me viver minha serena
noite de mágoa para sempre escura.
____________________________________
Uma Trova de Curitiba/PR
Serafim França


Seus olhos têm, bem no centro,
um segredinho dourado.
Vê-se um diabinho, lá dentro,
que faz feitiços… Cuidado!

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to