Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Chuva de Versos n. 460



Uma Trova de Arapongas/PR
André Ricardo Rogério

Este vício de te amar
me alucina, não tem jeito...
Apesar de eu não fumar,
te trago sempre em meu peito.

Uma Trova Hispânica da Argentina
 Hilda Augusta Schiavoni

Siempre el migrante se estrella
cuando baja y llega al puerto.
pues ve que en su piel se mella
la soledad del desierto.

Um Poema de São Paulo/SP
Dalva Agne Lynch

EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

Em algum lugar do passado
por um pouco de tempo
foi teu amor
a primeira mão na minha
na hora da queda
o empurrão que faltava
na hora da incerteza
o incentivo à coragem
na hora do desvario

Em algum lugar do passado
por um pouco de tempo
foi teu amor
um lugar de descanso
em meio à desolação
um ponto de verdade
em meio ao duvidoso
certeza de justiça
em meio ao caos.

Em algum lugar do passado
em perfeita confiança
o teu amor
fez sentido.

Uma Trova de Jacarepaguá/RJ
Antonio Cabral Filho

Por serem bens muito raros,
de inestimável valor,
paz, amor, são temas caros
na vida do trovador.

Um Poema de Petrópolis/RJ
Dante Milano

CANÇÃO INÚTIL

A vida, a verdadeira vida,
Aquela que não é vivida,
A que é perdida, sonhada,
A realidade irrealizada,
A que eu procuro e não encontro,
Houve por certo um desencontro...
Nenhum problema filosófico,
Trata-se de uma catástrofe.
Salva-se o corpo, é verdade,
Vive-se mas com humildade,
Em cima o montão de entulho,
E embaixo, humilhado, o orgulho.
Reveste-se um falso tédio
Que adia o inútil suicídio.

Trovadores que deixaram Saudades
P. de Petrus
(Pedro Bandettini)
São Paulo/SP (1920 – 1999) Rio de Janeiro/RJ

Alto lá, diz a franguinha
para o frangão maltrapilho:
- eu não vou sair da “linha”
em troca de um grão de milho.

Uma Aldravia do Rio de Janeiro/RJ
Messody Ramiro Benoliel

Mãozinhas
dadas
antigamente
agora
solidão
somente

Um Poema de São Paulo/SP
Daniel Fiúza

O GRITO DA VIDRAÇA

O grito na vidraça ecoou estilhaçado,
Quando a pedra do rancor lhe atingiu,
No coração o sentimento foi negado,
Acumulando a velha dor que lhe feriu.

Uma satisfação sorrindo chicoteia a alma,
Abrindo sulcos na carne crua do egresso,
Mesmo ferido, sua tristeza se acalma,
Perdoa o egocentrismo onde o feito é imerso.

O punhal da soberba provoca o prazer,
Ovacionado por mórbido sentimento,
Seu próprio ego se presta a oferecer,
Um festival ilusório, bebendo o momento.

A vitória revanchista esmaga os estilhaços,
Cantando seu legado, sorrindo de felicidade,
Nos despojos do sofrer partidos em pedaços,
Na sombra da altivez produz sua verdade.

Tanta beleza escondida na escuridão,
Acumula pra si o amor na fria avareza,
Rejeita o pagamento da vida com perdão,
Contaminando sua felicidade de tristeza.

Diante da vidraça estilhaçada ouvi o grito,
Ignora o eco aflito, um dia cultivado,
Na sua imperiosa religião segue o rito,
E mata o sentimento, presente no passado.

Uma Trova Humorística de São Paulo/SP
Humberto Poeta

Quando com a boca na cuia
nos viu teu progenitor,
acabou... foi pra cucuia
a nossa noite de amor!

Um Poema de Bauru/SP
Diógenes Pereira Araújo

SER MAIS VOCÊ

Você é você: alguém tão soberano
Que atravessa decênios de coerência
em teimosia, birra e prepotência;
em faz de conta, máscara e engano.

Você, fiel à própria inteligência:
é sempre o mesmo, entre ou saia o ano
Mas isto é privilégio só do humano:
ser sempre como quer, ter ingerência sobre o próprio ser.

Sobre o próprio ser?!
Ser ou não ser, de novo eis a questão,
que no crescer encontra a solução:

Para ser mais, importa-nos crescer.
Que eu luto pra crescer, você não vê?
Quanto a você - se vê!: Você é você.

Recordando Velhas Canções
Esperanças perdidas
(samba, 1972)

Adeilton Alves e Délcio Carvalho

Quantas belezas deixadas nos cantos da vida
Que ninguém quer e nem mesmo procura encontrar
E quando os sonhos se tornam esperanças perdidas
Que alguém deixou morrer sem nem mesmo tentar

Minha beleza encontro num samba que faço
Minha tristeza se torna um alegre cantar
É que carrego um samba bem dentro do peito
Sem a cadência do samba não posso ficar
Não posso ficar... eu juro que não
Não posso ficar... eu tenho razão

Já fui batizado na roda de bamba
O samba é a corda... eu sou a caçamba
Quantas noites de tristeza ele me consola
Tenho como testemunha a minha viola
Ai... se me faltar o samba não sei que será
Sem a cadência do samba não posso ficar

Uma Trova de Vila Velha/ES
Aparecido Raimundo de Souza

Teu amor… que falta faz
o teu abraço e carinho.
Nada aqui me satisfaz…
como é triste estar sozinho


Um Poema
Domingos Pedro Pacífico Jr.

OCEANO DE ILUSÕES

Icemos as velas nos mastros
de nossos corações
deixemos que o nosso amor
nos conduza
singremos os sete mares
das paixões e dos desejos
Descobrindo novos mundos em nossos corpos.
Vamos chocar os piratas
com as nossas posições
Extrapolar! Amar entre as refeições
derreter os icebergs
com o nosso calor
entrelaçados,unidos,fundidos.
Unidos no amor

Mas se acaso colhidos formos
pelas tempestades
ciúmes, incompreensões,privação de sentidos
caminharemos pela prancha
das feridas de nossas vidas
e mergulharemos no oceano de cabeça
No oceano de outra ilusão

Um Haicai de São Paulo/SP
Ronnaldo Andrade

Um homem num banco
De praça alisa sem graça
Seu bigode branco.

Uma Trova de Saitama/Japão
Edweine Loureiro

Quem no egoísmo baseia
o seu modo de viver
pode até ter farta a ceia,
mas ninguém com quem comer.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Eda Carneiro da Rocha

METAMORFOSE

Qual larva muda de cor e forma
em seus pensamentos noturnos.
Amarela de manhã
preta à noite.
Nesta mudança trocante
muda a vida, os sonhos, os desejos
criados e não saciados,
sem coragem de confessar ao mundo
o seu amor.

Tão grande que não cabe mais no peito.
Estonteante que não sabe mais o que dizer
para se conter
para não morrer do mal de amor.

Metamorfose da vida
sentida
amarga qual fel
sem mel
sem nada para destravar
essa secura de sua boca tão pura.

Metamorfose se metamorfoseando
sem nada querer sentir
fugindo, cada vez mais
para não entrar no labirinto da dor
de amor.

Uma Trova de Vila Velha/ES
Edy Soares

Por egoísmo e ganância,
a Terra está dividida.
Tanto poder e arrogância,
ante a pobreza sofrida.

Hinos de Cidades Brasileiras
Município de Entre Rios do Oeste/PR

Foi aqui numa história vibrante
Sob um céu de puro azul
Que surgiu, nesta gleba pujante,
Esta jóia tão linda do Sul
A mostrar a todo povo brasileiro
A bravura e o valor do pioneiro.

Entre Rios do Oeste, és fruto do labor
De um povo forte, capaz e lutador.

Majestosa a irradiar
A beleza de um obelisco,
Tendo o lago a te banhar
Entre os dois rios São Francisco.

Entre Rios do Oeste, és fruto do labor
De um povo forte, capaz e lutador.

Tua lavoura de rara beleza
Germinando com todo o vigor
Na bacia leiteira, a certeza
De um futuro de raro esplendor.

Entre Rios do Oeste, és fruto do labor.
De um povo forte, capaz e lutador.

Com arrojo buscando o sucesso
Que o porvir por certo mostrará,
Construímos com fé teu progresso
E a grandeza deste Paraná.

Entre Rios do Oeste, és fruto do labor.
De um povo forte, capaz e lutador.

Um Poema de São Paulo/SP
Edna Berta

AH... SE EU SOUBESSE

Ah... se eu soubesse
Que um dia iria
Te reencontrar
Teria esperado
E ao rever
Este seu rosto amado
Voltaria toda emoção
A este pequeno coração
Que jamais deixou de amar-te
Só não teve a ideia
De esperar-te
Como se tudo fosse definitivo
Na vida
Como se nada pudesse mudar
Como se a vida seguisse
Um caminho reto
sem desvios
Sem paradas
Agora
Tarde demais
Ah... Se eu soubesse.....

Uma Trova de Santos/SP
Carolina Ramos

Em meus sonhos amparada,
caminho léguas sem vê-las
e a poeira de minha estrada
é toda feita de estrelas!...

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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