Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Chuva de Versos n. 461



Uma Trova de Curitiba/PR
Roza de Oliveira

Vai voltar a monarquia?
Que coisa louca de boa…
Isto mesmo é que eu queria:
– Ver no trono uma coroa! 

Um Poema de Pescara/Itália
Gabriele D'Annunzio
(1863 - 1938)
                                                                         
CANÇÃO DE AMORES 

Entoa o mar uma canção de amores
durante o plenilúnio à selva quieta.
Vejo descer do zênite os fulgores
animando a penumbra mais discreta.

Traz o vento gregal frescos olores  
das marítimas águas de Impruneta.
E dou-me às fantasias e aos ardores
dos desejos nostálgicos do poeta.

E mais amante e generoso acento
ouço se alçar do mar. Sons cristalinos
de um lindo nome me repete o vento.

E se perde nos altos diamantinos
um fantasma de vôo manso e lento,
com olhos grandes, ternos e divinos.

Uma Trova Hispânica de México/USA
Cristina Oliveira Chávez

Mis amigos Trovadores
sembradores del amor,
con trovas de mil sabores
hacen un mundo mejor

Um Poema de Florença/Itália
Dante Alighieri
(1265 - 1321)

RETRATO DA AMADA 
Soneto XV da  "Vida Nova"
                                        
Tanto é gentil e tão honesto é o ar
da minha dama, quando aos mais saúda,
que toda a língua de tremor é muda,
e os olhos não se atrevem de a fitar.

E ela perpassa, ouvindo-se louvar,
vestida de humildade e tão sisuda,
que se diria que, do céu transmuda,
à terra veio milagres comprovar.

E é graciosa tanto a quem na mira
que dá dos olhos tal ternura ao seio,
que entendê-la não pode o que a não sente.

E é como se em seus lábios fora ardente
um espírito suave e de amor cheio
que, sem dizê-lo, às almas diz: - Suspira.

Uma Trova de Belém/PA
Sarah Rodrigues

No contraste a dor sentida
dos que não tiveram sorte:
– a morte buscando a vida,
e a vida esperando a morte.

Um Poetrix de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

LISBOA

Nas paredes – azulejos,
na solidão – um fado,
um barco nas águas do Tejo.

Um Poema de Florença/Itália
Guido Cavalcanti
(1255 - 1300)

DE TODAS A MELHOR 

Tendes em vós as flores e a verdura,
tudo que luz e é bonito de ver;
resplende mais que o sol vossa figura:
não tem valor quem não nos pode ver.

Não existe no mundo criatura
tão cheia de beleza e de prazer:
quem tem medo de amor, logo o assegura
vosso rosto gentil, de o merecer.

Aquelas que vos fazem companhia,
muito me agradam pelo vosso amor:
e eu lhes peço, por sua cortesia,

que cada qual vos preste honra maior
e tenha apreço a vossa senhoria,
porque vós sois de todas a melhor.

Trovadores que deixaram Saudades
Luiz Otávio
(1916 – 1977) 

Duas vidas todos temos,
muitas vezes sem saber:
– a vida que nós vivemos
e a que sonhamos viver…

Um Poetrix de Porto Alegre/RS
Isiara Caruso

Desmatada 

O machado febril,
desnuda a terra.
Arara desterrada. 

Um Poema de Caprese/Toscana/Itália
Michelangelo di Ludovico Buonarroti Simoni
(1475 - 1564)

POR VOSSOS OLHOS VEJO 
                                                                           
Por vossos olhos vejo a flama que me atrai
e que, cegos, sem vós, os meus jamais veriam;
e, assim, com vossa ajuda, eu venço a longa estrada,
pois estou preso a vós, a vossos ternos passos.

Sem asas, vosso vôo aos astros me conduz;
no azul, o vosso gênio eleva-se em seus braços;
empalideço e coro, ao vosso imenso império
tremendo sob o sol e ardendo sobre a neve.

Minha vontade está em vós, e só em vós;
sem coração, sinto por vosso coração;
se falo, o vosso pensamento fala em mim.

Meu amor, semelhante à vaga luz da lua,
que de si nada tira, é um sonho, um sonho apenas,
um reflexo do sol sobre a fronte da sorte.

Uma Trova Humorística do Rio de Janeiro/RJ
Edmar Japiassú Maia

Se o teu beijo, que inebria,
deixasse os lábios doendo,
o bairro não dormiria
com tanta gente gemendo!… 

Um Poetrix do Rio de Janeiro/RJ
Israel dos Santos

Clave de dó

Ao som do piano
Não mais sorvia
Pausa nem harmonia. 

Um Poema de Arezzo/Itália
Pietro Aretino
(1492 – 1556)

SEM TERMO NEM MEDIDA 

Amemo-nos sem termo nem medida
pois que só para o amor temos nascido...
Vive por nosso amor! - é o meu pedido
pois sem tal bem, que valeria a vida?

E se depois da vida já perdida
ainda se amasse... Eu, tendo já morrido
pediria outro amor, - o bem querido –
para poder seguir gozando a vida.

Gozemos pois, tal como certamente
o primeiro casal no Éden, ao ser
aconselhado assim pela serpente.

Que nos perdemos por amar se diz. ..
Tolice! Outra é a verdade, podes crer:
só quem não ama sente-se infeliz!

Recordando Velhas Canções
Oração de Mãe Menininha
(1972)

Dorival Caymmi

Ai minha mãe
Minha Mãe Menininha
Ai minha mãe
Menininha do Gantois
 A estrela mais linda, hein?
Tá no Gantois
E o sol mais brilhante, hein?
Tá no Gantois
A beleza do mundo, hein?
Tá no Gantois
E a mão da doçura, hein?
Tá no Gantois
O consolo da gente, hein?
Tá no Gantois
E a Oxum mais bonita, hein?
Tá no Gantois

Olorum quem mandou
Essa filha de Oxum
Tomar conta da gente
E de tudo que há
Olorum quem mandou ô ô
Ora iê iê ô...
Ora iê iê ô...
Ora iê iê ô...

     Este “é um canto de amor e amizade que fiz para aquela senhora a quem venero e admiro há tantos anos”, declara Caymmi, que confirma o título da composição às vezes publicado de forma incorreta: “é ‘Oração de Mãe Menininha’, mesmo, assim como o povo costuma dizer ‘oração de Santo Antônio’, ‘oração de São José’...”
     Gravada pelo autor e pelo duo Gal-Bethânia, a canção tornou conhecida no país a figura de Mãe Menininha do Gantois. A propósito, Gantois foi um francês que fez fortuna na Bahia no século XIX. Com a Abolição, ele permitiu que ex-escravos seus, entre os quais ancestrais de Menininha, habitassem uma de suas terras em Salvador, lugar que acabou sendo chamado de Alto do Gantois. Foi ali que nasceu e viveu a famosa mãe-de-santo
Fonte: Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. A Canção no Tempo. vol.2. 

Uma Trova de Londrina/PR
Cidinha Frigeri

Água pura e cristalina
no meu pote mergulhou…
E como luz que ilumina,
minha sede então saciou… 

Um Poema de Arezzo/Itália
Francesco Petrarca
(1304 - 1374)

NA SEPULTURA DE LAURA 
                       
Rimas dolentes, ide à pedra dura
que o meu caro tesouro em terra esconde;
ali chamai a quem do céu responde,
tendo o corpo mortal na sepultura.

Dizei-lhe que me canso desta escura
viagem num mar que à vida corresponde;
e os ramos recolhendo à murcha fronde,
passo a passo caminho à sua procura.

Nela tão só falando, viva e morta,
antes mais viva já, pois imortal,
por que o mundo a conheça e também ame.

Que a meu breve passar na última porta
atente; venha ao meu encontro e, qual
está no Céu, a si me atraia e chame.

Um Poetrix de Ribatejo/Portugal
Martinho Branco

No gume doce e insaciável das nossas línguas II

Sem estrelas, eclipso-me
no céu da tua boca
amor bilingue…

Uma Trova de Mogi-Guaçu/SP
Olivaldo Junior

No caminho do poeta,
nessa estrada de carinho,
todo ninho tem a meta
de abrigar um passarinho! 

Um Poema de S. Alberto de Ravena/Itália
Stecchetti
(Olindo Guerrini)
(1845 - 1916)

ETERNO AMOR 

Vou morrer, pois que a morte já me espera
para envolver-me em sua treva densa:
e a terra, que se rasga em fauce imensa,
há de tragar-me com furor de fera.

Em volta, refloresce a primavera,
mas eu, como a cumprir minha sentença,
vejo a morte chegar, com a indiferença
de um muro velho sufocado de hera...

No meu sepulcro, a resplender de flores,
pelas tardes serenas se lá fores,
colhê-las, ou beijá-las com temor,

sentirás que os meus ossos, de ansiedade,
aos teus beijos, tão cheios de saudade,
dentro da cova tremerão de amor 

Uma Trova de Mogi-Guaçu/SP
Maria Vanilda Lima

Nas livrarias da vida,
muitas coisas aprendi:
– não ficar tão deprimida
se meu “peixe” não vendi.

Hinos de Cidades Brasileiras
Município de Engenheiro Beltrão/PR

I
Qual a estrela que a história ocultasse
Entra as sombras do velho sertão
Eis agora a esplender sua face
Minha terra Engenheiro Beltrão
Há em seu nome crescente homenagem
Ao herói que este chão desbravou
E no seio da agreste paisagem
Uma nova cidade plantou.

Estribilho

Força viva propulsora
Nosso amor palpita em ti
Nessas glebas promissoras
Que embelezam o Ivaí.
Num porvir que já não tarda
Tua marcha alcançará,
As fileiras da vanguarda
Que honram o Nosso Paraná.

II
Teu progresso é vibrante mensagem
De trabalho, de amor e de fé.
Que mudou a floresta selvagem
Em perene caudal de café.
Pelas dignas mãos dessa gente
Que o teu alto destino conduz
Qual rosário deslizam sementes
Que germinam searas de luz

Estribilho

Força viva propulsora
Nosso amor palpita em ti
Nessas glebas promissoras
Que embelezam o Ivaí.
Num porvir que já não tarda
Tua marcha alcançará,
As fileiras da vanguarda
Que honram o Nosso Paraná.

Um Poetrix de Luanda/Angola
Thomaz Ramalho

Melancolia

Os cotovelos no parapeito da sacada
e o pensamento apoiado
na linha do horizonte.

Um Poema de Florença/Itália
Dante Alighieri
(1265 - 1321)

 “TÃO DISCRETA E GENTIL ”
Soneto XV da "Vida Nova"
                                                
Tão discreta e gentil que me afigura
ao saudar, quando passa, a minha amada,
que a língua não consegue dizer nada
e a fitá-la, o olhar não se aventura.

Ela se vai sentindo-se louvada
envolta de modéstia nobre e pura.
Parece que do céu essa criatura
para atestar milagre foi baixada.

Ao que a contempla infunde tal prazer,
pelos olhos transmite tal dulçor,
que só quem prova pode compreender.

E assim, parece, o seu semblante inspira
um delicado espírito de amor
que vai dizendo ao coração suspira

Uma Trova de Porto Alegre/RS
Delcy Canalles

Quando a tristeza angustia
e a incerteza tira a calma,
faço versos… e a poesia 
toma conta de minha alma!

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to