Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Chuva de Versos n. 462



Uma Trova de Paranavaí/PR
Renato Benvindo Frata

Verga o galho num lamento
que a noite fria produz
sofre e range com o vento
da tristeza que o conduz.

Um Poema de Corumbá/MT
Lobivar Matos

QUEIMADA
                                                            
Na campina amarela de sol
o fogo do fazendeiro
passou uma pincelada forte de tinta preta.

E a campina queimada
ficou retinta como uma negra africana.
E como uma negra africana,
nua, de pé, entre línguas vermelhas de fogo,
levanta as mãos para os céus
soltando gritos de fumaça,
implorando a misericórdia divina.

Os céus comovidos
derramam as lágrimas das nuvens - a chuva –
sobre aquele quadro medonho.
A terra sedenta sorveu a chuva
e criou força, criou vida!
Agora, longe da fogueira,
de alegria,,
de contentamento,
anda soltando
gargalhadas fortes de brotos e raízes.

Uma Trova Hispânica da Argentina
Nora Lanzieri

Tu sonrisa soñadora
me atrapa como ninguna,
y yo me elevo en la aurora
de tus labios aceituna.

Um Poema de Maricá/RJ
Lourival Almeida Valle

ENTERRO

Passava um enterro.
Dentro dos automóveis
os adultos mostravam
a convencionalíssima
e necessária máscara
da seriedade.
Só as crianças eram sinceras
e ingenuamente
sorriam gozando o passeio de automóvel.

Uma Trova de Porto Alegre/RS
Flávio R. Stefani

A aurora, rubra, se espraia,
e, amanhecendo, deslumbra;
joga o seu charme na praia,
com requintes de penumbra...

Um Poetrix de Criciúma/SC
Odete Ronchi Baltazar

mosaico

Cacos mil para colar,
peças díspares,
monto a vida sem par.

Um Poema de Pádua/RJ
Luiz de Gonzaga Balbi

PROMESSA

Quando a terra for de todos
já que todos vieram da terra   
E dela é a vida, o alimento, o pão:

quando a Justiça não for uma utopia
e estiver para todos como o dia
ou o sol que a ninguém faz distinção;
quando pudermos crer
- acima de tudo em nós mesmos, ,
quando pudermos pensar
- acima de tudo por nós mesmos,
para sabermos agir;
quando o Direito deixar a indiferença das palavra:
para viver na força das vontades;
quando a verdade for dita sem rebuços
porque a mentira, então, há de manchar os lábios
e a liberdade for um bem inviolável
como a razão de ser dos cidadãos;
quando todos deixarem seu silêncio
o silêncio das bocas e o silêncio das mãos,
- para encher de vozes as praças
- para encher de sulcos o chão...

Nesse dia viveremos
e a todos chamaremos
de irmãos!…

Trovadores que deixaram Saudades
Aurora Pierre Artese
Rio de Janeiro (1909 – 2003) São Paulo/SP

Ciumenta, a pata chorava,
procurando pelas matas,
sabendo que o pato estava
andando com duas patas!

Um Poetrix de Salvador/BA
Goulart Gomes

a$$alariado

vende a vida inteira
pelo pão de cada dia
a liberdade bóia, fria

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Nilo Aparecida Pinto

CÉU E AREIA
                                                      
Homem afeito às solidões terrenas
O1ha, em torno, o deserto que te oprime,
E hás de sentir que, em teu vazio, apenas,
Pesam teus dias, a feição de um crime.

Assim, batido de um simun de penas,
Sem que te salve o amor, grande a sublime,
Se, ao fulgor das miragens te asserenas,
O infinito da ideia te comprime...

E ouve: Por mais que, em sonhos delirantes,
Busques, além, como um deslumbramento,
Os teus oásis de ilusões, distantes,

Verás tão-só, no espaço em que te enleias,
A inútil vastidão do firmamento
Sobre a humildade mansa das areias!

Uma Trova Humorística de São Paulo/SP
Selma Patti Spinelli

Ciumenta, a minha Teresa
se vinga quando me esbaldo,
põe garfo e faca na mesa
e depois me serve um caldo!

Um Poetrix do Rio de Janeiro/RJ
Eliana Mora

furo de reportagem

De mim sou fato
notícia que não deu
no teu jornal

Um Poema de Porto Alegre/RS
Nilson Bertoline
(1923 – 1944)

DESENCANTO

Abre-me as portas, porto !
O meu navio foi morto
dentro desse cais...

Outras cantigas minhas,
cantam se andam sozinhas,
porque eu não canto mais!

Mas não sinto revolta,
Nem se uma vida volta,
Nem se outra vida vai...

Recordando Velhas Canções
Oração de um jovem triste
(1972)

Alberto Luís

Eu tanto ouvia falar em ti
por isso hoje estou aqui
eu sempre tive tudo que eu quis
mas te confesso não sou feliz

calça apertada de cinturão
toco guitarra faço canção
mas quando eu tento me procurar
eu não consigo me encontrar

escondo o rosto com as mãos
e uma tristeza imensa me invade o coração
já, já não sou capaz de amar
e a felicidade cansei de procurar ...ah ...ah
por isso venho buscar em ti
o que não tenho, o que perdi
      
vestido em ouro te imaginei
e tão humilde te encontrei
cabelos longos iguais aos meus
tú és o Cristo, filho de Deus

tanta ternura em teu olhar
tua presença me faz chorar
eu ergo os olhos para o céu
e a luz do teu amor me deixa tão feliz

se, se jamais acreditei
perdoa-me Senhor pois hoje te encontrei ...ei 

Uma Trova de Porto Alegre/RS
Milton S. Souza

Madrugada...O sono aperta...
e a criança abandonada
faz de um jornal a coberta...
Faz da marquise a morada...

Um Poema de Recife/PE
Odorico Tavares

VOLTA À CASA PATERNA 

Limpem o espelho.
Se quiserem, não mexam na mobília.
Mas limpem o espelho:
Vai haver a volta à casa paterna.

Verdade é que não sei se tudo pode ficar como dantes:
se os sapatos ainda me caberão,
se as roupas apertadas ficarão,
se nos livros as antigas leituras estarão.
Mas limpem o espelho.

O rio pode muito bem ter desviado o seu curso,
e não encontrarei mais o local dos banhos à tardinha.

As pedras das ruas possivelmente não terão
mais as marcas dos meus pés.
E nenhum indivíduo me indicará os caminhos conhecidos.
As árvores mesmo, se não são outras,
mostrarão velhos troncos irreconhecíveis
Perguntarei inutilmente pelos companheiros:
Antônio? Frederico? Baltazar?
Oh! vozes que não me respondem!
Amigos que jamais verei!

Decerto terei pelo menos as vozes dos pais
ressoando de leve pelas paredes.

Por isso, limpem o espelho,
porque, apesar de todos os disfarces,
a imagem da criança que se foi há muito tempo e hoje voltou
se refletirá nítida e forte com a pureza e o encanto dos seus
primeiros sorrisos.

Uma Sextilha de São Simão/SP
Thalma Tavares

A vida não vale nada
se a gente nada produz…
E eu disse uma vez, em trova
com a fé que me conduz:
tanto a enxada quanto a pena
abrem veredas de luz!

Uma Trova de Curitiba/PR
Maurício N. Friedrich

Na penumbra, o teu semblante,
doce e meigo, dá a ilusão,
de ativar, num só instante,
nosso fogo da paixão!

Um Poema de Santarém/PA
Rui Barata

A FACE TRANSPARENTE

E só agora verás o homem triste a espada do arcanjo Gabriel.
Só agora verás que a tua nudez é maior que o teu egoísmo.
Só agora sentirás a face retratada
nesta negra bandeira que desfralda
o sinistro fulgor do teu exílio.
Quem erguerá do tempo relegado em que apodrece
o último esplendor deste olhar que fenece
entre os grilhões das mortes perpetradas?
Quem ousará transpor o limiar desta porta fechada
que projeta o silêncio de todas as ausências
e a sombra onipotente dos despojos?
Ah! Pudesse eu estrangular o grito desta infância atraiçoada.
pudesse eu extinguir o olhar que bem percebo em mim,
- o pranto que não verga a muralha implacável,
- o nunca mais das horas que avolumam e cantam
a maldição da espécie no punhal da memória.
Pudesse eu expor não mais a tirania com que me desmascaro,
a solidão hostil onde esbraveja, sangra e ruge amordaçada
esta boca impedida por todos os remorsos.

Uma Trova de Porto Alegre/RS
Ialmar Pio Schneider

Depois de tantos caminhos
percorridos pela vida,
meu troféu são teus carinhos
que tenho em contrapartida.

Hinos de Cidades Brasileiras
Município de Almirante Tamandaré/PR

No teu céu, que é tão belo e azul,
brilha sempre o Cruzeiro do Sul;
quando Deus, ao compor o Universo,
fez aqui o seu mais belo verso;
e ao pintar, também, a natureza,
pôs mais cor no pincel, com certeza...

Nas tuas matas, no morro ou restinga,
nasce, cresce e dá mel bracatinga,
que, aliada à extração mineral
sua lenha vai produzir cal,
desta terra maior produção
que é exportada por toda Nação.

Estribilho

Almirante Tamandaré
o teu povo tem força e tem fé,
conservando,na sua tradição,
Nossa Mãe, Virgem da Conceição.

Da união do minério e o trabalho
por igual produzimos calcário;
tendo aqui sempre boa produção
nosso milho, a batata e o feijão;
também forte é em nossa lavoura
o repolho, o tomate e a cenoura...

O Tingüi nos levou o amor
que preserva o riacho e a flor;
Gralha Azul nos plantou o pinheiro,
que cresceu para o céu altaneiro;
e os gorjeios de nosso sabiá
têm beleza que em outros não há!...

Nesta terra abençoada e feliz
vive um povo que ora e prediz
a grandeza de Tamandaré
no valor do trabalho e da fé.
(Repete o estribilho 2 vezes para o final)

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Stella Leonardos da Silva Lima Cabassa

CHUVAS E VENTOS

Já reparaste que as chuvas
ajudam a crescer as uvas
no verde dos parreirais?
Findam da terra os martírios
da sede, a bordam de lírios,
as águas dos pantanais . . .

E reparaste que os ventos
se as vezes trazem tormentos,
semeiam louros trigais?
Enfunam velas nos mares,
e fazem vibrar nos ares,
arpejos de coqueirais...

Eu creio que as nossas mágoas
que se concentram nas águas
que brotam dos nossos ais,
são feito as chuvas, que puras,
mesmo tristes dão farturas
e claros mananciais...

E creio que os pensamentos
vão assim como esses ventos,
a semear ideais:
se os pensamentos são puros,
quanto bem em bens futuros,
na colheita  dos trigais!

Uma Trova de Angra dos Reis/RJ
Jessé Nascimento

Sempre fui um sonhador,
sonhos... por que não os ter?
Vivo meus sonhos de amor,
porque sonhar é viver!

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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