Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 10 de dezembro de 2016

Chuva de Versos n. 464


Uma Trova de Maringá/PR
A. A. de Assis

Se a justiça, um dia, enfim,
a todos der vez e voz,
Deus dirá  que agora, sim,
mora no meio de nós!

Um Poema de Portugal
Adolfo Casais Monteiro
Porto (1908 1972) São Paulo

EU FALO DAS CASAS E DOS HOMENS

Eu falo das casas e dos homens,
dos vivos e dos mortos:
do que passa e não volta nunca mais.. .
Não me venham dizer que estava materialmente previsto,
ah, não me venham com teorias!
Eu vejo a desolação e a fome,
as angústias sem nome,
os pavores marcados para sempre nas faces trágicas das vítimas.
E sei que vejo, sei que imagino apenas uma ínfima,
uma insignificante parcela da tragédia.
Eu, se visse, não acreditava.
Se visse, dava em louco ou em profeta,
dava em chefe de bandidos, em salteador de estrada,
– mas não acreditava!
Olho os homens, as casas e os bichos.
Olho num pasmo sem limites,
e fico sem palavras,
na dor de serem homens que fizeram tudo isto:
esta pasta ensanguentada a que reduziram a terra inteira,
esta lama de sangue e alma,
de coisa a ser,
e pergunto numa angústia se ainda haverá alguma esperança,
se o ódio sequer servirá para alguma coisa…

Deixai-me chorar – e chorai!
As lágrimas lavarão ao menos a vergonha de estarmos vivos,
de termos sancionado com o nosso silêncio o crime feito instituição,
e enquanto chorarmos talvez julguemos nosso o drama,
por momentos será nosso um pouco do sofrimento alheio,
por um segundo seremos os mortos e os torturados,
os aleijados para toda a vida, os loucos e os encarcerados,
seremos a terra podre de tanto cadáver,
seremos o sangue das árvores,
o ventre doloroso das casas saqueadas,
sim, por um momento seremos a dor de tudo isto. . .
Eu não sei porque me caem as lágrimas,
porque tremo e que arrepio corre dentro de mim,
eu que não tenho parentes nem amigos na guerra,
eu que sou estrangeiro diante de tudo isto,
eu que estou na minha casa sossegada,
eu que não tenho guerra à porta,
– eu porque tremo e soluço?
Quem chora em mim, dizei – quem chora em nós?
Tudo aqui vai como um rio farto de conhecer os seus meandros:
as ruas são ruas com gente e automóveis,
não há sereias a gritar pavores irreprimíveis,
e a miséria é a mesma miséria que já havia…
E se tudo é igual aos dias antigos,
apesar da Europa à nossa volta, exangue e mártir,
eu pergunto se não estaremos a sonhar que somos gente,
sem irmãos nem consciência, aqui enterrados vivos,
sem nada senão lágrimas que vêm tarde, e uma noite à volta,
uma noite em que nunca chega o alvor da madrugada…
  
Uma Trova Hispânica do Texas/USA
Cristina Olivera Chávez

La música que descarga
llanto, pesar y amargura,
es, del planeta que carga
los restos de la natura...

Um Poema de Portugal
Afonso Duarte
(Ereira, 1 de Janeiro de 1884 — Coimbra, 5 de Março de 1958)

ROSAS E CANTIGAS

Eu hei de despedir-me desta lida,
Rosas? – Árvores! hei de abrir-vos covas
E deixar-vos ainda quando novas?
Eu posso lá morrer, terra florida!

A palavra de adeus é a mais sentida
Deste meu coração cheio de trovas…
Só bens me dê o céu! eu tenho provas
Que não há bem que pague o desta vida.

E os cravos, manjerico, e limonete,
Oh! que perfume dão às raparigas!
Que lindos são nos seios do corpete!
Como és, nuvem dos céus, água do mar,
Flores que eu trato, rosas e cantigas,
Cá, do outro mundo, me fareis voltar.

Uma Trova de Porto Alegre/RS
Delcy Canalles

Mate amargo! Chimarrão!
Tu que um sangue verde estampas,
és a própria tradição
dos verdes campos dos pampas!

Uma Glosa de Porto Alegre/RS
Gislaine Canales

Glosando A. A. de Assis
MILHÕES DE ESTRELAS

MOTE:
Milhões e milhões de estrelas...
que utilidade terão?
- Só sei, meu irmão, que ao vê-las
sinto Deus no coração!

GLOSA:

Milhões e milhões de estrelas
enfeitam nosso Universo...
Vou tentando descrevê-las
na humildade do meu verso!

Me interrogo a cada dia:
Que utilidade terão?
E me responde a alegria:
- Iluminam a emoção!

Eu não consigo entendê-las
e a sua real beleza?
- Só sei, meu irmão, que ao vê-las
foge p’ra longe, a tristeza!

Ao contemplá-las, sorrio
em terna meditação,
e nessa paz, me extasio:
sinto Deus no coração!

Um Poema de Portugal
Afonso Lopes Vieira
Leiria (1878 - 1946)

POIS BEM

Se um inglês ao passar me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: – Pois bem!
Se tens agora o mar e a tua esquadra ingente,
Fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente.
Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa,
Fui eu que t’as cedi num dote de princesa.
E para te ensinar a ser correto já,
Coloquei-te na mão a xícara de chá…

E se for um francês que me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: – Pois bem!
Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa
De ter sido cigarra antes da Provença.
Rabelais, o teu gênio, aluno eu o ensinei
Antes de Montgolfier, um século! Voei
E do teu Imperador as águias vitoriosas
Fui eu que as depenei primeiro, e às gloriosas
O Encoberto as levou, enxotando-as no ar,
Por essa Espanha acima, até casa a coxear.

E se um Yankee for que me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: – Pois bem!
Quando um dia arribei à orla da floresta,
Wilson estava nu e de penas na testa.
Olhava para mim o vermelho doutor,
– eu era então o João Fernandes Labrador…
E o rumo que seguiste a caminho da guerra
Fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra.

Se for um Alemão que me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: – Pois bem!
Eras ainda a horda e eu orgulho divino,
Tinha em veias azuis gentil sangue latino.
Siguefredo esse herói, afinal é um tenor…
Siguefredos hei mil, mas de real valor.
Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória!
Os Nibelungos meus estão vivos na História.

Se for um Japonês que me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: – Pois bem!
Vê no museu Guimet um painel que lá brilha!
Sou eu que num baixel levo a Europa à tua ilha!
Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça
Belicosa do mundo e do futuro ameaça.
Fernão Mendes Zeimoto e outros da minha guarda
Foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.
Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus;
Vejo no firmamento as estrelas de Deus,
E penso que não são oceanos, continentes,
As pérolas em monte e os diamantes ardentes,
Que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo:
– São estrelas no céu que o meu olhar, subindo,
Extasiado fixou pela primeira vez…
Estrelas coroai meu sonho Português!

P.S. A um Espanhol, claro está, nunca direi: – Pois bem!
Não concebo sequer que me olhe com desdém.
  
Trovadores que deixaram Saudades
J. G. de Araújo Jorge
Vila de Tarauacá/AC (1914 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

A saudade é este vazio
que a vida, ao partir, deixou;
rio seco, que foi rio,
porque a água já secou…

Uma Sextilha de Porto Alegre/RS
Milton Souza

O meu destino, cigano,
manda que eu vá mais além…
Nas caminhadas encontro
gente que vai e que vem,
com eles eu vou tentando,
sempre, praticar o bem…

Um Poema do Portugal
Afonso Mendes de Besteiros
S. Cosme de Besteiros (século XIII)

DOM FULANO

Dom Fulano que eu sei
que tem fama de ágil,
vedes que fez na guerra
(disto sou certíssimo):
só de ver os ginetes,
como boi que fere moscardo,
sacudiu-se e revolveu-se,
alçou rabo e foi-se
a Portugal.

Dom Fulano que eu sei
que tem fama de ligeiro,
vedes que fez na guerra
(disto sou verdadeiro)
só de ver os ginetes,
como bezerro tenreiro,
sacudiu-se revolveu-se,
alçou rabo e rumou
a Portugal.

Dom Fulano que eu sei
que tem mérito de ligeireza
vedes que fez na guerra
(sabei-o por verdade):
só de ver os ginetes,
como cão que sai de prisão,
sacudiu-se revolveu-se,
alçou rabo e foi-se
a Portugal.
(Adaptação ao português atual por Deana Barroqueiro)

Uma Trova Humorística de Juiz de Fora/MG
Manoel Evaristo Carlos Jr.

Conheço um beco com muro,
Êta bequinho afamado:
quando é noite e fica escuro
como geme esse danado.

Um Poetrix de Brasília/DF
Cyro Mascarenhas

no sertão sem concerto

Um adágio supino:
gemido de carro-de-boi,
sonata de violino.

Um Poema de Portugal
Airas Nunes
(Século XIII)

BAILEMOS

Bailemos nós já todas três, ai, amigas,
sob estas avelaneiras floridas
e quem for bonita, como nós, bonitas,
se amigo amar,
sob estas avelaneiras floridas
virá bailar.
Bailemos nós já todas três, ai, irmãs.
sob este ramo destas aveleiras,
e quem for louçã, como nós, louçãs,
se amigo amar,
sob este ramo destas aveleiras
virá bailar.
Por Deus, ai amigas, enquanto mais não fazemos,
sob este ramo florido bailemos,
e quem bem parecer como nós parecemos,
se amigo amar,
sob este ramo sob o que nós bailemos
virá bailar.

(Adaptação do Português antigo ao moderno por de Deana Barroqueiro)

Uma Trova de Maringá/PR
Arlene Lima

O amor, para muita gente,
é diversão perigosa.
Quem não sabe ser prudente
transforma em espinho a rosa.

Recordando Velhas Canções
Naquela mesa
(1973)

Sérgio Bittencourt

Naquela mesa ele sentava sempre
  e me dizia contente o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
  e contava contente o que fez de manhã
  e nos seus olhos era tanto brilho
  que mais que seu filho
  eu fiquei seu fã

Eu não sabia que doía tanto
uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
essa dor tão doída, não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
  e hoje ninguém mais fala do seu bandolim

Naquela mesa tá faltando ele
  e a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
  e a saudade dele tá doendo em mim

Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala no seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele está doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele está doendo em mim

Uma Trova de Sorocaba/SP
Dorothy Jansson Moretti

Em bando sutil, as garças,
pontilhando o lamaçal,
são quais pérolas esparsas,
adornando o pantanal.

Um Poema de Portugal
Airas Peres Vuitoron
(Século XIII)

DOM ESTEVÃO

Dom Estevão diz que desamor
tem com el-rei, e eu sei porque mente,
é porque nunca teve prazer, enquanto esteve aqui
o Conde, nem terá, enquanto ele aí estiver,
e, por quant’ eu dos seus bens sei,
como não vem ao reino el-rei,
não acha prazer em nada
Com arte diz que não quer bem a el-rei
mas eu sei que ele já não terá
nunca prazer, se o Conde reinar,
porque bem longe está de alguma coisa ter
dom Estevão, ond’ haja grão prazer!
Deste já ele está bem longe de ver,
enquanto o Conde for senhor de Santarém.
Por que vos diz ele que quer a mal a el-rei?
é porque não vê nada, assim Deus me perdoe,
que ele mais ame no seu coração
nem verá nunca, e vos direi mais:
posto que se agora o reino partiu,
prazer, pois, nunca dom Estevão teve
nem terá jamais em Portugal!

(Adaptação do Português antigo ao moderno por de Deana Barroqueiro)

Um Poetrix de Juiz de Fora/MG
Cecy Barbosa Campos

Dúvida

Foram sonhos ou terão sido reais
as lembranças que encontro
diluídas na saudade?

Uma Trova de Santos/SP
Carolina Ramos

No meu olhar já cansado
guardo estrelas, guardo luas,
as mensagens de um passado
feito de noites só tuas.

Um Poema de Portugal
Albano Dias Martins
concelho do Fundão (1930)

O NOME DA AUSÊNCIA

O sótão: era ali
que o mundo começava. Ainda
não sabias, então,
quantas letras te seriam
necessárias para soletrar
o alfabeto dos dias, para encher
a tua caixa
de música, a tua concha
de areia. E ainda
o não sabes hoje. Com cinza
nada se escreve a não ser
as vogais do silêncio. E este
é o nome que se dá à ausência,
quando a noite e a poeira
dos astros pousam
sobre a ranhura dos olhos.

Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Luiz Carlos Abritta

Entre a beleza e a verdade,
entre a alegria e a desgraça,
há perfeita identidade:
nesta vida tudo passa!

Hinos de Cidades Brasileiras
Carnaúba dos Dantas/RN

Vêm de outrora as primeira notícias
sob as quais nossa vida repousa
desta terra colhendo as primícias
é um Francisco Fernandes de Souza.

Vem depois patriarca invencido
que o progresso ao seu torno semeia
esse nome entre todos querido
de um Caetano que é Dantas Correia.

Refrão

Carnaúba preciosa
nos comove, nos encanta
por tua história valorosa
ó Carnaúba dos Dantas.

Por ter sido erigida a cidade
onde a carnaúba viceja
vegetal que lhe é orgulho em verdade
traz sua marca real sertaneja.

E a essa bela denominação
desses Dantas, pioneiros felizes
acrescenta-se o honroso brasão
neste solo a estender as raízes.

Eis a fé que o caminho alumia
sob as bênçãos do bom São José
porque Antonio que é Dantas Maria
sua capela constrói com fé.

E depois na cidade tranquila
biblioteca tão útil lhe ergueu
esse outro valor Donatilla
longe embora jamais a esqueceu.

Vai prossegue em teus trilhos em frente
povo ordeiro, fiel, lidador
de uma raça de heróis descendentes
e de um grande passado cultor.

Que tu sejas assim bela e forte
a manter sempre o mesmo ideal
por amor ao Rio Grande do Norte
por amor ao Brasil afinal.

Uma Aldravia Geminada de Itajaí/SC
Anna Ribeiro

Tempo
viajando                  desembarco
em                           em
olhares                     ilusões
de                             de
ontem

Um Poema de Portugal
Alfredo Pedro Guisado
Lisboa (1891 -1975)

BALOIÇO

Na minha quinta, em pequeno,
Tive um inquieto baloiço
Que ainda o vejo sereno
E nele os meus gritos oiço.

Longas horas baloiçava
Meu frágil corpo menino.
E ora subia ou baixava
Num constante desatino.

Nesse baloiço, à distância,
Chama por mim minha infância
E eu chamo p’lo que passou.

E sem haver quem me oiça
O baloiço me baloiça
Entre o que fui e o que sou.

Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Renato Alves

Quando as voltas do caminho
nos deixam sem chão e abrigo,
sem amor e sem carinho,
como faz falta um amigo!...

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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