Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Contos Populares Portugueses (Duas Pessoas Casadas)

Era uma vez um homem e uma mulher, casados e muito amigos. Mas, em dada altura, ela começou a sentir uma aflição e pôs-se a dizer que lhe estava a apetecer matar-se. E o marido disse-lhe:

- Vamos passear, vamos espairecer!

E foram. Depois ele andou para o campo e ela para casa. Nessa ocasião passou o Diabo, que ia muito apressado, e uma mulher feiticeira, que o viu, perguntou-lhe:

- Tu vais tão aflito? E ele respondeu:

- Queria arranjar aqueles dois para mim e não posso. - Aludia aos dois casados.

E ela disse-lhe:

- Isso te arranjo eu, mas quanto me dás?

- Dou-te umas chinelas.

E a feiticeira foi ter com o homem ao campo e pediu-lhe uma esmolinha. E o homem:

- Vá a casa ter com a minha mulher. E ela perguntou-lhe:

- A sua mulher é sua amiga?

- Sim, senhora, é muito minha amiga.

- Pois olhe que ela quer matá-lo.

A tal foi então a casa do homem e pediu a esmola à mulher. Perguntou-lhe:

- Q seu homem é seu amigo?

- É muito meu amigo.

- Pois olhe, se quer que ele seja mais seu amigo, fique a cirandar e deixe-o adormecer, corte-lhe dois cabelos da cabeça e traga-os consigo. Isso então é que ele há-de ser seu amigo.

A mulher assim fez. Deixou-o adormecer, pegou numa tesoura e foi ver se ele dormia. Pôs-se a examinar e foi com a tesoura para ele. Ele então levantou-se e sempre acreditou o que a outra lhe tinha dito, pois que cuidava que a tesoura era para ela o matar. Mas quem a matou foi ele.

Depois a feiticeira foi ter com o Diabo e disse-lhe:

- Venham, venham para cá as minhas chinelas.

E ele exclamou, pondo-se à distância:

- De longe!... Toma lá! Fizeste num dia o que eu não fiz num ano!

Fonte:
Viale Moutinho (org.) . Contos Populares Portugueses. 2.ed. Portugal: Publicações Europa-América.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Elizabeth Misciasci (Poemas Escolhidos)

OLHO NO OLHO...

Dos meus medos faço canção
embalando meus sonhos em desatino.
Desvairada num anseio turbulento
de quem se despede da razão

Envolta persisto e desisto
insegura me entrego aos desvios
do vazio que minh' alma teme
meus dias são passados distantes
Versos sem rimas que se apagam
Folhas secas caindo a fremir
Atroz aparente disfarçada audaz
arsenal revestida conclamo concisa

Mar a ser atravessado
sem barco nem remo
Necessidade de transpor
lanço-me neste fluxo

Incerteza é direção
niilismo insistente
desordenada renego
este meu perecimento

Canção que me decompõe
harmonia espacejada sem ritmo
procriada dos meus medos
transformados mau grado e solidão.

Olho no olho
encaro meu ego sem receio
sou de mim mesma esteio
Dos meus medos, faço canção.

SER POETA

Ser poeta é estar no palco da vida
representando com suas silenciosas palavras
a cena mais forte de um ato
que consegue mesmo sem falas
penetrar em mentes diversas
criando sonhos, gerando esperanças,
plantando sorrisos sentimentos libertados
transformando vidas, emocionando os que
desconhecem
mas que por ser este o POETA de raiz
com sapiência e vivencia transporta
para a platéia, as letras que bailam
deixando no ar o bálsamo envolvente
mágicas que tecem almas,
E como alguém a levitar,
o POETA se transporta
estando em toda parte em todo canto
com suas mudas palavras
repletas do saber, do sentir e do fazer,
oferta
com suas bailarinas incansáveis
ahhhh..... essas letras intermináveis
que chegam para muitos como
abraços, acalantos, aconchegos, afagos
despertando sentimentos
estimulando momentos, distribuindo
calor.
Porque para fazer poemas,
poesias, trovas e versos
é necessário ser POETA...
é necessário SER AMOR…

REFÉM DO PASSADO

Fechei os olhos... sonhei acordada
Com voragem me despi da razão
E em torno do meu eu recatada
Libertei! Fiz-me reconstrução.

Aterrei um amor passado
Liberei a vida atilada
lacuna de um vazio apossado
amarra entregue....mutilada

Folhetinesco romance apagado
Um pasquim que já foi editado
Fez-se vida em ano dourado
Foi me o tempo refém do passado

Aflorei na mais pura emoção
E em confidencias sem atritos
Levei meus medos a redução
Sendo o que fui... sem conflitos.

Reeditei minha história de vida
Miscível alegria e dor
Cenário de luz reluzida
Esplanada...hoje sou só amor

De um sonho fiz realidade
Viagem que sigo na estrada
Meu caminho só é Felicidade
Fechei os olhos... sonhei acordada!

ABNEGADA

"Sou tudo aquilo que um coração pede
por indução, a perfilar sentimentos.
Sem o desvio do probo que me norteia,
torno por vezes redutível à razão.
Por crer, que o inviável é mera justificativa
do "não tentar", contesto!
Abnegada, não julgo o que desconheço e,
até que se apresente o reverso, considero
crível, os relatos e fatos a mim revelados.
Apiedando-me dos excluídos, não temo a luta e,
relevando os que tendem a profligar, sigo adiante.
Não nego que tenho imperfeições e repudio a injúria,
No entanto, por ser eu, tudo aquilo que meu
coração pede, me esquivo dos ínfimos
e de peito aberto, só quero transbordar Amor".

QUANTO MAIS

Quantas vezes te procurei...
vaguei pelos vales, atravessei os rios
me fiz águia, condor, gaivota
nas noites frias queria teu calor teu sorriso.
Em cada dor, chorei o choro mais triste
meu lamento não foi o bastante
nem minhas lágrimas molharam seu chão.
A estrada que percorri era uma
e a busca incansável parecia em vão.
Dias passando, noites em murmúrios
lábios cerrados e a voz?
Aos poucos se calando...
coração parando, olhares que buscavam
nada mais enxergaram
Quanto mais busquei mais me distanciei
quanto mais te quis mais me perdi
quanto mais tentei, mais sei que errei
quanto mais acreditei, mais me magoei.

Hoje sei que nada encontrei…

Elizabeth Misciasci

Elizabeth Misciasci é jornalista, humanista, pesquisadora, escritora, poetisa, crítica literária, jurada de diversos concursos de literatura, palestrante, empresária.
            Embaixadora Universal da Paz no âmbito do Círculo Universal dos Embaixadores da Paz! (Cercle Universel Des Ambassadeurs De La Paix - Suisse/France)
            Membro Correspondente da Governadoria da INBRASCI no Estado de São Paulo- Instituto Brasileiro Culturas Internacionais -
            Membro Efetivo AVSPE.
            Prêmio Frente Nacional dos Direitos da Criança em 2010
            Honra ao mérito - Clube Brasileiro da Língua Portuguesa - título Humanista Honoris Causa, em Língua Portuguesa, em razão da excelência de sua obra a favor dos Direitos Humanos.
            Delegada para e Estado de São Paulo (Brasil) do CEN- Intercâmbio Brasil Portugal.
            Coordenadora de imprensa do Proyecto Cultural Sur Paulista
            Indicada ao "Prêmio Clara Mil Mulheres" Nobel da Paz
            Certificação de Empreendedor Social pelo Apoio na Campanha Páscoa Solidária 2010
            Cadeira vitalícia 02, Academia de Letras do Brasil Estado de São Paulo.
            Misciasci foi uma das fundadoras do projeto zaP! Ao qual, hoje é Presidente. O zaP! É um trabalho voluntário desenvolvido nos Presídios Femininos, com as reeducandas e fora destes, com as egressas, que visa entre muitos, a não reincidência e a reinserção social. Desde 1987, ela vem desenvolvendo trabalhos voluntários, pesquisas e combate á exclusão social, diretamente com a pessoa na condição de encarcerada e egressa. Nessa trajetória, permaneceu com a massa carcerária masculina (e mais precisamente na antiga Casa de Detenção) - Carandiru, onde atuou até o início de 1992, época em que passou a se dedicar aos menores infratores e ex-infratores da FEBEM. Já entre os anos de 1997 e 1998, com o objetivo de se aprofundar nas questões que tratavam à criminalidade feminina e todo o contexto que a englobava, escreveu em parceria a Obra Literária Presídio de Mulheres.
            Sempre ressaltando a realidade da mulher na condição de pessoa presa e todas as dificuldades, que estão presentes. Assim, pela sua ótica tendo como básico relatos daquelas que estão ou estiveram encarceradas, se preocupa com as condições precárias e degradantes, aos quais algumas sentenciadas são ou foram submetidas. O que constantemente, se agrava, pelo estado gravídico no cárcere e período pós-parto.

            Mantenedora de vasta documentação e material tanto físico como humano, e este último, podendo ser contado por uma longa trajetória, que reuniu estudos, pesquisas, cotidiano, situações de risco, emoções, enfim, Experiências vividas na alma, e colhidas de dentro das galerias das prisões.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Matusalém Dias de Moura (Aldravias)

fico
mudo
ao
ouvir
tua
voz
*

minha
mãe
morrendo
dói
em
mim
*

procurando
poesia:
em
Mariana
descobri
aldravia
*

minha
alma
chora
um
sonho
morto
*

sonho
morto
a
esperança
ainda
vive
*

espero
tua
chegada
e
você
virá?
*

ontem
esperei
e
você
vão
veio
*

teu
sorriso
me
basta
sou
feliz
*

bem-te-vi
na
antena
cantando
a
tarde
*

todo
dia
leio
Deus
na
poesia
*

sou
seixo
rolado
mas
todo
esfolado
*

paradoxo:
frente
fria
aquece
minha
alma
*

de
repente
teu
sorriso
me
olha
*

tua
piscadela
me
confirma
nosso
amor
*
no
olhar
me
diz:
sou
tua
*

mesmo
velho
meu
coração
ainda
sonha
*

pela
janela
a
piscadela
da
estrela
*

noite
alta:
a
lua
no
quarto
*

sozinho
na
varanda
namoro
as

nuvens

Matusalém Dias de Moura (1959)

Matusalém Dias de Moura nasceu em 05 de junho de 1959, no Município de Iúna, ES. Advogado e Procurador de carreira da Assembléia Legislativa do Espírito Santo. Foi Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Iúna, Relator Geral da primeira Lei Orgânica do Município de Iúna. Foi Assessor Jurídico dos Municípios de Ibatiba (ES) e Lajinha (MG); Escrivão Judiciário da Quarta Vara Criminal de Cariacica (ES) e Secretário Particular da Presidência da Assembléia Legislativa, na gestão do então Deputado Vicente Silveira. Em 2000 recebeu da Câmara Municipal de Vitória o título de “Cidadão Vitoriense”.
            Poeta, cronista, contista, ensaísta e haicaísta, com trabalhos publicados em vários jornais e revistas. Publicou, também, os seguintes livros: Menino de Cachoeirinha, 1993; Varal Partido, 1998; 17 Poemas da Infância, 1999; Vento Rasteiro, 1999; O Silêncio dos Sinos, 2000; Poemas do Caparaó, 2000; Crônicas da Montanha e do Mar, 2006, (Prêmio Rubem Braga, da União Brasileira dos Escritores/RJ); Poemas Mínimos, 2008; Minha Mãe Lavadeira, 2008; Flagrantes da Rua, 2009; Pequenos Ensaios, 2009; Água de Nascente, 2009; e História da Criação e Instalação da Biblioteca Municipal de Iúna, 2010; Alguma Coisa da Memória, 2011; Os Olhos de Lúcia e Outros Poemas de Amor, 2011 (Prêmio Arnaldo Aizim, da União Brasileira de Escritores/RJ); Carta Um Lavrador e Outros Poemas, 2011. Participou de várias Antologias publicadas em nível nacional.
            Membro da Academia Espírito-santense de Letras (cadeira 34); da Academia Iunense de Letras (cadeira 26), do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, União Brasileira dos Trovadores. Como Membro Correspondente, pertence, dentre outras, à Academia Mineira de Letras; Academia Cachoeirense de Letras; Academia Pindamonhangabense de Letras e à União Brasileira de Escritores, do Rio de Janeiro. Em 2001 recebeu o Diploma de Alto Mérito Cultural da União Brasileira de Escritores, do Rio de Janeiro. trabalhos publicados em vários jornais e revistas. Publicou, também, os seguintes livros: Menino de Cachoeirinha, 1993; Varal Partido, 1998; 17 Poemas da Infância, 1999; Vento Rasteiro, 1999; O Silêncio dos Sinos, 2000; Poemas do Caparaó, 2000; Crônicas da Montanha e do Mar, 2006, (Prêmio Rubem Braga, da União Brasileira dos Escritores/RJ); Poemas Mínimos, 2008; Minha Mãe Lavadeira, 2008; Flagrantes da Rua, 2009; Pequenos Ensaios, 2009; Água de Nascente, 2009; e História da Criação e Instalação da Biblioteca Municipal de Iúna, 2010; Alguma 

domingo, 24 de abril de 2016

Chuva de Versos n. 445


Uma Trova de Ponta Grossa/PR
Sônia Ditzel Martelo

A minha Vida hoje eu traço
nestas linhas de meu verso,
assim acho meu espaço
e tenho todo o Universo !…
Uma Trova de São Paulo/SP
Maria Thereza Cavalheiro

A saudade é uma semente
de lágrimas orvalhada;
brota na noite do ausente
e floresce na alvorada.
Um Poema de São Paulo/SP
Amaryllis Schloenbach

A QUE NÃO FOI

Você não me embalou o berço,
mas construiu o meu leito;
não me amamentou,
mas escolhe e prepara,
com cuidado, o meu alimento;
não viu meu primeiro sorriso,
mas enxuga os meus prantos;
não me cuidou da catapora,
mas vigia, com desvelo,
minhas dores maiores.
Você não me ensinou o bê-á-bá,
mas escavou com paciência
o curso de minha palavra;
não me deu castigos,
mas apara os golpes
que o Destino me desfere;
não foi minha mãe de sangue,
mas o é pelo coração;
não foi quem me deu à luz,
mas é quem me dá a Luz.
Uma Trova Humorística de São Paulo/SP
Campos Sales

A receita é de colírio
mas, o bebum se apavora
e diz, cheio de delírio:
– Pinga, só uma vez por hora?!
Uma Trova de Maringá/PR
Alberto Paco

O vento, soprando forte,
do galho derruba o ninho.
Dos filhos chorando a morte,
pia triste o passarinho.

Um Poema de Sorocaba/SP
Alex André Sorel

COISAS QUE TEM NOMES      

Luzia na cidade enquanto luzia o dia,
Luzia à cidade enquanto luzia dormia,
Luzia à noite,
A noite luzia para luzia,
Luzia mulher,
Luzia a cruz,
Luzia o verbo,
Luzia a luz,
Luzia também os sonhos de Luzia,
Enquanto dormia,
Luzia luzia na noite fria.
Uma Trova Hispânica da Espanha
Artesana

Me enciendes con tu sonrisa
y se derrite mi pena,
del amor nace la brisa
que te acaricia morena.
  
Um Poema de São Paulo/SP
Ângela Maria de Godoy Theodorovicz

MEU FUTURO NO PRESENTE   

Quero, a partir de agora,
Viver o futuro
De um modo mais de perto.
Não quero o duvidoso, o hipotético
Nem tão pouco um composto.
Quero-o simples,
E mesmo que limitado, o presente.
A partir deste momento
Serei feliz sim,
Incondicionalmente.
Irei apenas aonde quero
Sem precisar de ter um guia.
Viverei cada segundo
E pouco importa o fim do dia.
A partir deste momento
Tenho eu por companhia,
Farei tudo que desejo,
Mostrarei os meus talentos
E de um jeito atrevido
Enfrentarei todos meus medos.
A partir deste momento
Nada me escapará,
Não ficarei mais ausente.
De agora em diante
O instante seguinte não será,
Simplesmente.
Não haverá mais talvez.
Não falarei mais quem sabe.
Não perguntarei mais por quê.
Trovadores que deixaram Saudades
Durval Mendonça
Rio de Janeiro/RJ (1906 – 2001)

Ah, como são transitórias
minhas raras alegrias!
Elas me vêm de vitórias
num mundo de fantasias.
Um Poema de Sorocaba/SP
Cláudia Salck

QUERO SER GRANDE

Quero ser grande
pra poder voar sem asas,
pra ter as chaves de casa;

Quero ser grande
pra poder comprar presentes
pras pessoas que eu amo,
meus amigos e parentes;

Mas eu quero mesmo ser grande
para ser bem diferente
da maioria dos adultos
que não acreditam que a gente
pode transformar a Terra
num planeta inteligente;

Quero ser grande
pra poder mudar o que há de errado
no mundo e que gera tanta tristeza,
acabar com a violência, as drogas,
a poluição, ignorância, a pobreza,
o preconceito e a falta de amor
para com o homem e a natureza;

Quero ser grande
pra tentar buscar a cura das doenças,
ajudar a quem precisa,
sem ver raça, classe social ou crença;

Quero ser grande
pra contar histórias boas para as crianças
pra ensinar que o bem sempre vence o mal,
e que é preciso ter esperança
porque eu consegui mudar as coisas erradas
que um dia vi na minha infância!
Uma Trova de Santos/SP
Antonio Colavite Filho

Eu sempre narrei um fato
da minha falta de fé:
– Eu não tinha nem sapato
até ver alguém sem pé…
Um Poema de Pilar do Sul/SP
Gislaine Vieira

ALMA      

No mundo atual, diz a propaganda
"Olhe e vista a alma do lado de fora"
enquanto a alma do lado de dentro a gente engana
com que a propaganda que chama e a devora.

A alma do lado de dentro pede e implora,
mas o concreto é o que impera.
E  o alimento, alimenta e explora
o corpo e a alma de lado de fora.

Enquanto a alma interior,
só há o nome, e assim encolhe e some,
pois não tendo importância seu clamor,
a alma interior passa a fome e morre.

A propaganda veste a alma do lado de fora!
E a alma interior?! vive a nudez e o desamor
Será? que a alma do lado de dentro que hoje chora,
irá conseguir na propaganda vestir-se de amor?
Um Haicai de Belo Horizonte/MG
Eolo Yberê Libera

Havia o escuro
mas eu não sabia onde;
teu rosto era sol.
Uma Trova de Porto Alegre/RS
Milton Sebastião de Souza

Leitor viciado e indefeso:
- sempre um livro em frente a face...
eu seria um grande obeso,
caso a leitura engordasse...

Um Poema de Sorocaba/SP
Márcia Sewaybricker

RASTRO DE LUZ

Mesmo se o sol não me iluminasse mais
Se as estrelas se apagassem
E me negassem o seu brilho,
Se a brisa leve já não soprasse em meu rosto,
Ainda assim eu continuaria a viver.

Mesmo se o fogo se apagasse
E eu não conseguisse mais sentir seu calor,
Se a água da chuva não mais pudesse
Refrescar-me molhando meu corpo,
Ainda assim eu continuaria a viver.

Mesmo se ao caminhar na praia já não sentisse
A águas do mar a molhar meus pés,
E se eu não pudesse mais meditar
Ouvindo o canto dos pássaros,
Ainda assim eu continuaria a viver.

Pois o amor que me envolve e me faz viver,
É infinitamente grande.
Ilumina mais que o sol e as estrelas,
É como o fogo que aquece, sendo
Ao mesmo tempo suave como a leve brisa.

Esse amor que vem de Deus,
Faz-me sentir me viva e sentir o desejo de amar,
Transformando-me aos poucos
Para que seja um dia
A minha vida, “Um Rastro de Luz”.
Recordando Velhas Canções
Acorda Maria Bonita
(marcha, 1967)

Volta Seca (Antônio dos Santos)

Acorda Maria Bonita
Levanta vai fazer o café
Que o dia já vem raiando
E a polícia já está de pé

Se eu soubesse que chorando
Empato a tua viagem
Meus olhos eram dois rios
Que não te davam passagem

Cabelos pretos anelados
Olhos castanhos delicados
Quem não ama a cor morena
Morre cego e não vê nada
Uma Trova de Itararé/SP
Filemon F. Martins

Gosto da vida pacata,
homens simples dos Sertões,
pois vejo usando gravata
por aqui muitos ladrões.
Um Poema de Sorocaba/SP
Marcelo Bancalero

INSEGURANÇA

Quando o desejo ardente da paixão
É sufocado pela nossa insegurança
Que não quer deixar nosso coração
Acreditar que para nós ainda há esperança

O medo vem minar nossos sentimentos
E tememos cair em desilusão
Por causa de outros tristes momentos
Colocamos nosso amor em uma prisão

Por isso se torna difícil se entregar
Tentar ser feliz de verdade
Mesmo estando loucos pra amar
E acabar com essa ansiedade
Um Haicai de São Paulo/SP
Eunice Arruda

Noite estrelada
O céu - brilhando - se abaixa
Silenciosamente

Uma Trova de Angra dos Reis/RJ
Jessé Nascimento

Com respeito e amor, de fato,
um mundo melhor se faz;
e simbolizando o ato:
– a pomba branca da paz.
Um Poema de Sorocaba/SP
Neusa Padovani Martins

QUASE NINGUÉM   

Tão pequenino e secundário.
Indiferentes aos que passam.
Perdido em seus pensamentos.
Sentindo-se abandonado.

Parecendo ser tão perene.
Inerte ao futuro e perdido no passado.
Olhando fica por todos os lados, absorto.
Um ausente no presente.

Tão sutil nos entremeios.
Replicando a própria história.
Vais perdido dentro de si mesmo.
Onde sua verdade mora.

Uma Trova de Petrópolis/RJ
Gilson Faustino Maia

Desde o berço à sepultura
caminharei sem temor,
conduzindo esta ventura:
ter nascido trovador.
Hinos de Cidades Brasileiras
Hino do município de Arapongas/PR

Cidade dos Passarinhos*
És o orgulho do sertão
Alegres e bem juntinhos
Cantamos tua fundação.

Avante bela Arapongas
Forte esteio da Nação
Guardo tua bandeira
Dentro do meu coração.

Arapongas... Arapongas...
Muito forte varonil
Arapongas... Arapongas...
Um celeiro do Brasil

* Faz uma alusão aos pássaros que haviam em abundância. Atualmente, há algumas espécies que ainda sobrevivem.

Uma Trova de São Francisco de Itabapoana/RJ
Roberto Pinheiro Acruche

Foi no banco de uma praça,
no tempo da bela idade,
que encontrei cheia de graça
quem agora é só saudade.
Um Poema de Sorocaba/SP
Tânia Maria Orsi

ÚLTIMA VIAGEM     

  Quando eu morrer
Assim bem velhinha
Como deve ser,
Quero flanar
Nas asas de um anjo bêbado e feliz
E aterrisar
Na horda de uma legião de Querubins

Quero estar despida
E louca
De marota leviandade vestida
Sem carnes, só o céu da boca.

Quero brincar
E rir por nada
Trocar o dia pela madrugada
Viajar pelo céu desconhecido
Desmanchar-me feliz e fatigada
Num asteróide distante e esquecido

Mas não quero ir rasa,
Sem mergulho
Levo o amor que juntei e extravasa
E deixo as mágoas para embrulho

Depois de tudo conhecer
E de tudo perder
Porque de meu
Nem a verdade,
Quero encontrar os olhos de Deus
Sentir a última saudade
Chorar pela última vez
Fundir-me à lágrima
Que a tez
Reservou para o oceano

Da Eternidade.

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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