Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Paleta de Versos n. 3

Isabel Furini
(Curitiba/PR)

CABEÇAS DE RELÓGIOS MOLES
(de “Os Relógios de Dali”)

De repente surge uma ideia nas cabeças
(ocas)
de fugir da solidão
do vazio
dos medos criados pela civilização
fazendo selfie
(o celular é a nova magia)

logo é só postar nas redes sociais
(e se for possível nos jornais virtuais
nas portas dos shoppings
nos cartazes dos teatros
ou cinzelar nas estrelas próximas)

deixar as perdas e o amor e a saudade
no mar da Catalunha
e ser fiel às ideias de felicidade
ser fiel ao carrossel do mundo
essa é uma obsessão
(como os passos agitados
que fazem ranger
as tábuas do piso
e da escada de madeira)

ser feliz 24 horas por dia!
ser feliz sem pausa e sem monotonia

nossa civilização de faz de conta
está se derretendo como um relógio mole
nossa civilização
alimenta-se de estranhas utopias
enquanto é devorada pelas formigas
do medo e da obsessão.
_____________________

Ubiratan Lustosa
(Curitiba/PR)

FOLIA

Quis brincar no carnaval,
mas não tinha fantasia,
mesmo assim foi pra folia
e festou a se esbaldar.
Mostrou que pra ser igual
aos que dizem ser felizes
basta esconder cicatrizes
e pular, sorrir, cantar.
________________________

MIFORI
(São José dos Campos/SP)

Pantum:
APRENDER COM O SILÊNCIO 

Olhe suas qualidades,
respeitando a sua vida,
a viver em sociedade,
esse silêncio o convida...

Respeitando a sua vida,
saber ouvir e calar,
esse silêncio o convida:
é preciso meditar!

Saber ouvir e calar,
num silêncio poderoso
é preciso meditar:
o viver é prazeroso!

Num silêncio poderoso
surge a voz da consciência;
o viver é prazeroso
se houver amor e decência.

Surge a voz da consciência
mostra todas as verdades, 
se houver amor e decência, 
olhe suas qualidades.
_____________________

Luiz Poeta
(Rio de Janeiro/RJ)

ESPER...ÂNSIAS

Ela desenha uma letra... a mão pesa...
o lápis fura a folha lisa do caderno;
a professora a incentiva, o jeito terno
flui no silêncio com a pureza de uma reza.

Ela se esmera, o resultado é perfeito
e apesar de não ter tanta habilidade
com as palavras, é tanta felicidade
no seu olhar, que ela até sorri... sem jeito.

O mal de parkinson inibe o traço certo,
mas ela insiste, pressiona, comprimindo
a trajetória da palavra, no deserto
da folha em branco que o amor vai imprimindo.

Quando, afinal, a visão fraca está cansada,
ela repousa mansamente e descansa.
Na folha branca, uma palavra está grafada
trêmula, forte e poderosa: e s p e r a n ç a.
_________________

Francisco José Pessoa
(Fortaleza/CE)

VERSEJANDO

As palavras me faltam e, sem dizê-las,
A mudez verbaliza o sentimento
Tal a folha já morta entregue ao vento
Tal o céu tão escuro sem estrelas.
_______________________

Rubens Jardim
(São Paulo/SP)

O POEMA DO AVESSO

O que há em mim
é a lenta preparação
do que há em ti
sombra segada
sangrada 
e sagrada
até nos olhos dos meninos
que nasceram sem olhos

vidência única
(vide o verso)

visão múltipla
(vede o anverso)

e tudo que está
do outro lado 
do espelho.
_______________________

Samuel da Costa
(Itajaí/SC)

EM DIAS DE SOL E CALOR, EM NOITES DE TEMPESTADE E FRIO 
Para Victória Butler Rodríguez e 
Mari Gomes 

Em dias de sol e calor 
Minha alma serena 
Passeia livremente 
Pela charneca em flor 

Nesses dias de extrema felicidade 
Eu tenho sentimentos bons 
Eu tenho pensamentos probos 
Eu sou uma pessoa feliz 

Minha alma leve 
Navega serenamente 
Pelo mar da tranquilidade 
A brisa matinal oceânica 
Faina o meu negro cabelo 
E beija o meu rosto hialino 
Eu sou feliz 

Em dias de sol e calor 
Minha jovem alma aventureira 
Não conhece mais limites 
Percorre o mundo livremente 
Encontra e abraça a vida 
Aceita o convite dela 
Para um eviterno bailar 
Eu encontrei a felicidade 
Eu sou uma pessoa feliz 

Em noites de tempestade 
E de muito frio 
Minha cansada e sôfrega alma 
Voa perdidamente 
Pela negra noite sem fim 

Em noites de tempestade e frio 
Vagueio solitária e languidamente 
Pelo mítico vergel da solidão 
Choro e sofro 
Todas as dores do mundo 
Pelo amor que se foi 
Por tudo que não veio 
E por tudo que nunca virá 

Em noites 
De fortes ventos intempestivos 
E glaciais 
Minha alma diáfana 
Percorre o deserto dentro de mim 

Na alvorada 
No dilúculo de um novo dia 
A minha crença 
De tê-lo ao meu lado 
Esvaece por fim 

Na aurora de um novo dia 
Vivo sem esperanças alguma 
De viver dias melhores 
_______________________

Nei Garcez
(Curitiba/PR)

"Dentro e fora" do Universo, 
em que, aqui, tudo é infinito, 
um só Deus é tão diverso 
sobre tudo... Tenho dito!
______________________

Pedro Du Bois
(Balneário Camboriú/SC)

BARULHOS

No barulho das ruas
algumas horas
de paz e recolhimento

não há música no ar
nem palavra a ser dita

No barulho das casas
alguns minutos
de repouso e acolhimento

não há discurso
nem a fala do ator

no barulho em geral
instante em que o silêncio
aprofunda o gosto

não há como rasgar a folha
nem recitar a prece.
________________________

João Batista Xavier Oliveira
(Bauru/SP)

O CAMINHO DA ROSA

Se cada um fizer a sua parte
não sobra parte para repartir;
não sobra aparte que preocupe a arte...
mundo destarte só resta sorrir.

Se cada um plantar uma roseira
a vila inteira será um jardim;
não sobra beira à espinhosa asneira...
dessa maneira é sorriso sem fim.

Se cada um olhar-se na verdade
fraternidade romperá vereda;
o pensamento terá mais espaço

e minha parte será rosa e há de
ser a verdade daquele que ceda
do seu caminho todo seu abraço!
__________________________________

Olivaldo Júnior
(Mogi-Guaçu/SP)

EU MESMO

Pois é,
era uma vez
eu mesmo.

Eu mesmo,
que vou e que venho,
que risco e desenho,
que tenho e mantenho
esta (in)certa
dis - tân - cia.

Pois é,
era uma vez
distância.

Grades feitas de dor,
cola e muito isopor,
tudo que é anti-flor,
anti-sonho, anti-amor.

Pois é, 
era uma vez
o amor.

O amor 
que eu chamo e reclamo,
que eu amo e proclamo
o senhor
de mim mesmo.

Pois é,
era uma vez
eu:
uma vez
eu mesmo.

Um comentário:

Isabel Furini disse...

Grata pela divulgação de um poema de minha autoria, querido poeta José Feldman. Parabéns pelo belo site literário.

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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